Georges Hacquard
 DICIONRIO DE MITOLOGIA GREGA E ROMANA

Digitalizao:
ngelo Miguel Abrantes

TRADUO
MARIA HELENA TRINDADE LOPES
Profiessora auxiliar de Civilizaes Pr-Clssicas, Histria Comparada das
Religies e Egpcio Hieroglfico da Universidade Nova de Lisboa

TITULO ORIGINAL GUIDE MYTHOLOGIQUE DE LA GRCiE ET DE ROME
(@) 1990, Hachette
DIRECO GRFICA DA COLECO
JOO MACHADO
Este livro foi composto em caracteres Helvtica por
Maria da Graa Manta, Lisboa
e impresso e acabado na
Diviso Grfica das Edies ASA Rua D. Afonso Henriques, 742 - 4435 Rio Tinto
1 .@ edio: Novembro de 1996



PREFCIO  EDIO PORTUGUESA
O "Dicionrio de Mitologia Grega e Romana", da autoria de Georges Hacquard, constitui um marco importante neste tipo de produo literria destinada ao grande pblico.
O maior dos mritos do autor , sem dvida, ter conseguido apresentar snteses perfeitas de cada um dos heris, lugares ou deuses da mitologia, sem recorrer quilo 
que  mais vulgar neste tipo de obras: a simplificao superficial que conduz  confuso e  mistura abusiva de tradies e de autores.
G. Hacquard demonstra, efectivamente, ter um conhecimento profundo das diferentes tradies relativas a cada um dos heris ou deuses da mitologia, alertando-nos 
constantemente para o autor ou fonte literria referida. Assim, as narrativas de Homero no so confundidas com as de Hesodo ou dos trgicos gregos ou ainda com 
as de autores posteriores como Calmaco ou Pausnias.
Por outro lado, o seu conhecimento das lnguas (grega e latina) permite-lhe explicitar, muitas vezes, a partir da raiz do nome dos heris ou deuses, a personalidade 
destes. Uma personalidade que  veiculada pelo nome.
Importa, tambm, salientar a metodologia utilizada para a apresentao dos grandes heris da Antiguidade: Aquiles, Hrcules, Jaso e Teseu, por exemplo, nascem e 
morrem perante o nosso olhar. Tambm aqui o autor no optou pela simplificao superficial que leva, habitualmente, a apresentar uma sntese das caractersticas 
do heri e, eventualmente, a sua interveno num ou noutro acontecimento relevante. Hracies, por exemplo, desabrocha, cresce, avana, ama e morre e ns podemos 
sentir todo o seu percurso vivencial e individual, integrado numa determinada conjuntura. Podemos sentir a Histria. A Histria daquele tempo e a histria do heri 
individual.
Georges Hacquard , sem dvida, um "poeta" apaixonado pela mitologia que to bem conhece e apresenta. Essa paixo, essa preferncia individual,  notada e sentida 
em algumas rubricas. O caso de Apolo  bem paradigmtico desta situao. A escrita do autor complexifica-se, torna-se menos fluente, mais potica e, por isso, mais 
difcil de seguir e de acompanhar. Podemos, talvez, afirmar que a sensibilidade do autor e a sensibilidade da personagem contriburam, em unssono, para a criao 
de algumas das mais belas pginas desta obra.
O "Dicionrio de Mitologia Grega e Romana" , sem dvida, uma obra fundamental para todos aqueles que pretendem conhecer melhor a mitologia greco-romana e que pretendem 
faz-lo, com prazer, com rigor e com seriedade.
MARIA HELENA TRINDADE LopES


camas                              -,,
, camas era filho de Teseu, rei de Atenas, e de Fedra, sua mulher (ela prpria, filha do rei de Creta, Minos).
Quando Teseu partiu em campanha com o seu amigo Pirtoo (em primeiro lugar para raptar Helena, ainda uma menina, que ele entregou  sua prpria me Etra, e depois 
Persfone, que ele tratou de arrancar aos Infernos), confiou o trono de Atenas aos seus filhos camas e Demofonte. Mas Castor e Plux, irmos de Helena, intervieram 
e, enquanto Teseu esteve prisioneiro nos Infernos, eles libertaram a sua irm, capturaram Etra, expulsaram os filhos de Teseu e substituram-nos no trono por Menesteu, 
descendente de Erecteu. camas e Demofonte retiraram-se, ento, para a ilha de Ciros. Foi l que seu pai, depois de libertado, os reencontrou e morreu.
Quando Helena, entretanto casada com Menelau, foi de novo raptada, mas desta vez por Pris, filho de Pramo, rei de Tria, foi a camas que Menelau apelou, no sentido 
de negociar com Tria o regresso de Helena, para junto de seu marido.
A presena de camas na corte de Tria no passou despercebida aos olhos de uma das jovens princesas, "a mais bela das filhas de Pramo e de Hcuba", Ladice. Esta, 
profundamente apaixonada por camas, confidencia os seus ardores  mulher do rei de Drdano, em Trade. A Rainha ir, ento, sugerir ao seu marido convidar Acamas 
e Ladice para um banquete. A jovem, apresentada como uma cortes de Pramo,  sentada ao lado do jovem grego e, ainda a noite no tinha terminado, j os dois se 
tinham unido, amorosamente. Desta unio ir nascer Mnito, que a me de Teseu, Etra - ela tinha acompanhado Helena  corte de Pramo - ter por misso educar.
A embaixada de camas no teve outro sucesso seno este. E a guerra
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Adnis
de Tria comeou ento. camas participou nela, assim como o seu irmo Demofonte, na esperana de libertar a sua av. camas passa, mesmo, por ter sido um dos numerosos 
guerreiros que se esconderam no interior do cavalo de madeira.
Obtida a vitria, resgatadas Helena e Etra - esta ltima graas aos seus netos que a reconheceram no meio dos cativos dos Gregos - camas regressa  tica.  morte 
de Menesteu, ir recuperar o trono de Atenas, que ocupar com grande sabedoria. (As aventuras de camas so, por vezes, atribudas ao seu irmo, Demofonte.)
Adnis                                     1,
A lenda, de origem sria, conta que a rainha da Sria tinha uma filha, Mirra (ou Esmirna), que ela admirava tanto, a ponto de a proclamar superior em beleza  prpria 
deusa da beleza. Afrodite no gostou e decide vingar-se, inspirando a Mirra um amor criminoso pelo seu prprio pai. Assim, a jovem, com a cumplicidade da sua ama, 
consegue introduzir-se, de noite, incgnita, no leito do rei e unir-se com ele.
Ter-se- este apercebido da burla, exprimindo ento a inteno de condenar a sua filha  morte, ou ter sido Mirra, que fugiu, envergonhada, aps a consumao do 
incesto? Qualquer que seja a resposta, a verdade  que os deuses tiveram piedade da jovem e decidiram transform-la numa rvore: a rvore da mirra, cujas gotas no 
so seno as lgrimas da prpria Mirra.
Nove meses mais tarde, a crosta da rvore estalou, e dela saiu uma criana de extraordinria beleza: quem a voltasse a nomear no deveria dar-lhe outro nome seno 
o de "belo Adnis". (De uma palavra semtica que significa "senhor".)
As ninfas adoptaram-no e educaram-no no meio da natureza. Um dia, Afrodite viu-o e - vingana justa de Mirra - experimentou por ele toda a violncia do desejo, imediatamente 
partilhado. O casal tornou-se, a partir de ento, inseparvel.
Ora Ares, que h muito tempo se encontrava apaixonado por Afrodite, irritou-se com a paixo que uni mortal despertara na deusa do amor. E a fim
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Adnis
de eliminar este rival demasiado ditoso, resolveu insuflar-lhe a sede da aventura, a procura do perigo.
Foi assim que um dia Adnis, de arco na mo, partiu sozinho para a caa, apesar das splicas da sua amante. A certa altura da caada surge-lhe um javali, que investe 
contra ele, derrubando-o e provocando-lhe uma ferida mortal. Alertada por Zfiro, a deusa precipita-se ao encontro do seu amado, ferindo os ps nas espinhas das 
rosas brancas que se tingem imediatamente de prpura. Mas chegou demasiado tarde, no assistindo ao ltimo suspiro do seu jovem amado. Perdida de dor, e para que 
a lembrana de Adnis e da sua beleza se perpetuassem sobre toda a terra, Afrodite transformou as gotas de sangue que se derramavam da sua ferida mortal, em anmonas.
Aps este incidente, a deusa criou em homenagem a Adnis uma festa fnebre, que as mulheres srias deviam celebrar, em cada Primavera. O rio da Fencia que banhava 
Biblos (e a que os Gregos iro chamar Adnis) tomou, a partir deste momento, a cor do sangue (este rio, chamado hoje Nahr-1brahim, recebe as chuvas de terras ferruginosas).
Entretanto, Adnis tinha descido aos Infernos. A sua deslumbrante beleza mantinha-se e a deusa Persfone, ao v-lo, apaixona-se imediatamente. Afrodite no consegue 
suportar esta nova e ainda mais pungente dor. Dirige-se a Zeus e suplica-lhe que intervenha a seu favor. Ento, o rei dos deuses decidiu que Adnis viveria um tero 
do ano nos Infernos, outro tero com Afrodite e que, durante o ltimo tero, seria livre de escolher o seu local de permanncia. Curiosamente, Adnis opta por passar 
mais este perodo de quatro meses junto de Afrodite.
Da Sria, o culto de Adnis ter-se- expandido para todo o Oriente, Grcia e bacia do Mediterrneo. Encarnando o cicio da vegetao, o filho de Mirra desce ao reino 
dos mortos nos quatro meses de Inverno, para renascer na Primavera. A sua fresca e virginal beleza, exposta  hostilidade de um clima devorador,  votada ano aps 
ano  destruio.
Os "Jardins de Adnis" evocam,  sua maneira, a vida brilhante e efmera do favorito de Afrodite (igualmente recordada por mais de uma obra-de-arte: telas de Ticiano, 
Rubens, Poussin, esculturas de Miguel-ngelo, Canova, etc.)
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Afrodite
Afrodite                                                                   EMO
Afrodite  uma divindade de caractersticas orientais, cujo culto foi provavelmente introduzido na Grcia pelos Fencios, a partir das suas feitorias, Uma delas 
estabelecera-se na ilha de Ctera, prxima do Peloponeso. Por estas razes, Afrodite  muitas vezes assimilada  deusa fencia Astarte.
A deusa da beleza Deixando trabalhar a sua imaginao sobre o nome, de origem asitica, da deusa, que para eles evocava a palavra aphros (espuma), os Gregos criaram 
a lenda de Afrodite nascida da espuma das ondas, depois da mutilao de rano. Zfiro, o vento fresco que sopra de oeste, avistou-a quando ela saa das ondas, no 
muito longe da Palestina. (Elateria dado o seu nome hebraico, Yafa, que significa "Beleza", antiga cidade de Jafa.) Jamais se tinhavisto uma beleza to deslumbrante: 
a sua pele era de uma brancura do leite, os seus cabelos eram de ouro, os seus olhos cintilavam, as suas formas eram verdadeiramente harmoniosas e libertava do seu 
corpo um perfume de flor.
Zfiro recolheu-a numa concha de madreprola e conduziu-a  ilha de Chpre. A, entregou-a nas mos das Horas, as estaes benficas, que a educaram e depois a vestiram 
com roupagens preciosas, ornando-a com jias, a fim de a conduzir junto dos imortais.
Quando ela apareceu no Olimpo, os deuses, extasiados de admirao, proclamaram-na deusa da beleza e do amor. O poder de Afrodite ir manifestar-se em todo o Universo. 
A sua soberania exercer-se- sobre o cu e sobre o mar, sobre as plantas e sobre os animais, sobre os homens e sobre os deuses.
As outras deusas, no entanto, viram com algum desagrado a completa submisso, extasiada, dos deuses e dos homens perante Afrodite (se bem que Hera, por exemplo, 
no tivesse nenhum escrpulo em pedir  deusa o seu cinto ornado de ouro, dotado de um irresistivel poder, quando queria reconquistar os favores do seu volvel marido). 
E, um dia, elas aproveitaram a ocasio para lhe disputar a sua coroa. Durante o banquete de npcias de Ttis e de Peleu, para o qual os deuses tinham sido convidados, 
a Discrdia, Eris, lanou para o meio dos convivas uma ma, na qual figurava a inscrio: " mais bela". Hera e Atena opuseram-se, imediatamente, a Afrodite, cada 
uma delas reivindicando a ma e o ttulo. Zeus convenceu-as a remeter esta
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Atrodite
questo  apreciao de um mortal, e foi eleito como juiz o Troiano Pris, filho do rei Pramo.
Hermes conduziu as trs deusas junto dele, numa altura em que este vigiava os seus rebanhos no monte Ida, na Frigia. Hera fez valer a sua arrogante beleza e ofereceu 
a Pris o Imprio da sia; Atena, dotada de uma beleza severa, garantiu a invencibilidade do prncipe troiano; Afrodite, soltando as fivelas que prendiam a sua tnica, 
desnudou o seu peito e prometeu a Pris o amor da mais bela mulher do mundo.
Sabemos qual foi o julgamento de Pris: Afrodite recebeu a ma e o Troiano, em recompensa, conseguiria seduzir a bela Helena, esposa do rei de Esparta, Menelau. 
Este episdio marcou a origem da guerra de Tria, horrvel carnificina na qual Hera e Atena participaram, ao lado dos Gregos, a fim de vingar o seu despeito. Quanto 
a Afrodite, combateu no campo troiano -
salvando, particularmente, Pris no decurso de um combate singular contra Menelau - tendo, entre outros motivos, o facto de Eneias, seu filho, se encontrar entre 
os guerreiros de Tria.
A deusa do amor Com efeito, a deusa inspiradora do amor no era, por sua vez, invulnervel. Assim, a beleza "digna dos deuses" do Troiano Anquises fascinou-a, a 
ponto de ela lhe dar um filho. Este, aps a queda de Tria, ficou responsvel pela perpetuao da sua raa e da sua ptria, transferindo-as para Itlia, no Lcio, 
onde, mais tarde, os seus descendentes fundariam Roma.
A primeira paixo de Afrodite parece ter sido inspirada pelo jovem Adnis, cuja morte trgica ela chorou amargamente. Mais tarde, seduz Faetonte, filho de Eos, e 
faz dele o guarda-nocturno do seu santurio. Amou ainda, igualmente, Cniras, rei de Chipre, conferindo-lhe opulncia e longevidade.
Mas os caprichos de Afrodite no pouparam sequer o Olimpo. Com efeito, aps a sua apario, todos os deuses se sentiram tomados por uma paixo sbita, mas foi Hefesto, 
o mais desfavorecido de todos, que a levou ao altar.  evidente que a deusa no perdeu tempo, nem teve dificuldades para encontrar, no mesmo lugar, outros divertimentos 
e compensaes. Assim, seduziu Hermes, que lhe deu um filho, cujo nome simboliza a unio dos seus dois nomes: Hermafrodito. Mas a sua grande paixo foi Ares, deus 
da guerra, de quem teve numerosos filhos, entre os quais figura Eros, o malicioso perturbador do corao dos deuses e dos homens.
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Afrodite
Assim,  com profundo conhecimento de causa que Afrodite se dedica a suscitar o desejo amoroso entre os homens e os deuses, levando-os, por vezes,  loucura.  ela 
que provocar um desvario criminoso no esprito de Helena, induzindo-a a abandonar a sua ptria.  ela que causar uma alucinao transgressora no esprito de Medeia 
e de Ariana, levando-as a atraioar o seu pai.  ela que conduzir Fedra a uma paixo incestuosa, para j no falar de Pasfae, a quem inspirou uma unio monstruosa. 
Para alm de tudo isto, e vingando-se daquilo que ela considerava ser uma homenagem insuficiente  sua personagem, condenou Leda e toda a sua descendncia a paixes 
cruis e sangrentas.
No entanto, ela  bem benevolente para todos aqueles que a veneram. Concede beleza e seduo ao marinheiro Fauno, a fim de que ele possa conquistar o amor da poetisa 
Safo, e d vida  esttua de marfim esculpida por Pigmalio, rei de Chipre.
O cortejo de Afrodite Afrodite, igualmente chamada Cpris (a Cipriota, sendo o seu principal centro de culto Pafos, uma antiga colnia fencia, situada na ilha de 
Chipre) ou Citereia (do nome da ilha de Ctera, onde ela gostava de viver: conhecemos o clebre Embarque para Ctera, terra dos amores),  acompanhada de um cortejo 
de servidores e de servas que encarnam os prazeres e o encanto do mundo. Entre elas encontram-se as Crites, que tm uma personalidade e atributos bem definidos: 
a estas trs Graas compete velar pela toilete da deusa e garantir a seduo e a alegria  sua volta.
Afrodite foi, sucessivamente, representada envolta em finos vus, seminua e integralmente nua (a partir de Escopas e de Praxteles, sc. iv a. C.). Os artistas (como 
Botticelli, Ticiano, Velsquez, Rubens, etc.) apresentam-na, geralmente, envolvida nas suas flores preferidas, a rosa e a murta, e acompanhada dos seus animais favoritos, 
as pombas, que ela atrelava ao seu gil carro.
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Agammnon
Agiammon
Agammnon e o seu irmo Menelau, os tridas, ou seja, os filhos de Atreu, rei da Arglida, foram expulsos do seu pas aps o assassinato de seu pai, tendo-se refugiado 
na corte de Esparta, onde Menelau desposa Helena, a filha do rei Tndaro.
Quando morreu Tiestes, que tinha sucedido ao seu irmo Atreu no trono, Agammnon apoderou-se do poder, depois de ter matado o seu primo (herdeiro do rei defunto) 
e o filho deste, recm-nascido. Em seguida, obrigou a jovem viva a despos-lo. Esta era precisamente a irm de Helena, Clitemnestra, irm dos Discoros, igualmente.
Quando estes tiveram conhecimento das perversidades de que Clitemnestra era vtima, foram pedir contas a Agammnon, o qual preferiu procurar refgio junto de Tndaro. 
E a corte de Esparta assistiu a uma reconciliao geral. Agammnon e Clitemnestra tiveram trs filhos, Ifignia, Electra e Orestes. Mas a sua unio estava amaldioada.
Logo que Pris, filho do rei de Tria, Pramo, raptou Helena e que foi decidida uma expedio punitiva contra este, Agammnon foi escolhido como chefe supremo, "rei 
dos reis". A guerra de Tria sobrecarregou-o de sofrimentos e de responsabilidades assustadoras. Logo na partida, a deusa rtemis, para se vingar de Agammnon, proibiu 
os ventos de soprar sobre as velas dos navios gregos, impedindo assim a partida da expedio. E Agammnon teve de aceitar sacrificar a sua filha Ifignia, para apaziguar 
a clera da deusa.
Durante o cerco e no decurso de uma razia em solo neutro, Agammnon raptou a filha de um sacerdote de Apolo, Criseida, e o deus vingou-se do sacrilgio, espalhando 
a peste sobre o campo dos Gregos. Ento, Agammnon decide entregar a cativa, mas exige que Aquiles, em compensao, lhe ceda Criseida. O conflito entre os dois homens 
- Aquiles, furioso, recusa tomar parte nos combates - vai custar muito sangue e muitas lgrimas  armada grega. Por fim, estes acabam por reconciliar-se, aps a 
morte de Ptroclo, o amigo de Aquiles, e a cidade de Tria ser tomada, pilhada e incendiada.
Agammnon traz para o seu pas um saque considervel, no qual est includa uma das mais belas filhas de Pramo, a jovem profetiza Cassandra, pela qual se apaixonar.
Ora, no decurso dos dez anos que tinha durado a guerra, Clitemnestra tinha cedido s solicitaes de Egisto, filho de Tiestes, a quem ela tinha con-
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jax
fiado, interinamente, o poder. No regresso vitorioso do "rei dos reis", Egisto recebe-o com grande pompa, oferece um banquete em sua honra e, no fim, manda Clitemnestra 
degol-lo durante o banho. Cassandra, que tinha previsto a sua prpria morte e a de Agammnon, sofrer o mesmo destino.
Agammnon ser, mais tarde, vingado pelos seus filhos: Electra dar, a Orestes, as armas com que ele matar a sua me e o seu amante.
A primeira parte da trilogia de squilo, a Oresteia (458 a. C.),  consagrada ao regresso trgico de Agammnon, e intitula-se precisamente Agammnon.
jax
O nome jax foi dado a dois heris gregos, um e outro combatentes na guerra de Tria. S os distinguimos atravs do nome dos seus pais: jax, filho de Oileu, e jax, 
filho de Tiamon, este ltimo beneficiando, ainda, de outro nome, "jax, o Grande". Eles no tm entre si nenhuma relao familiar, a no ser o facto de Oileu, segundo 
uma certa tradio, ter desposado em segundas npcias a irm de Tiamon.
jax, filho de Oilou, rei dos Lcrios,  pequeno, rpido - Homero chama-o jax, o rpido - e combate com o arco.  um homem corajoso, mas de personalidade difcil: 
turbulento, cruel e, por vezes, mpio.  ele que, no decurso da ltima noite de Tria, tendo retirado  fora, do templo de Atena, a profetiza Cassandra, que a 
se tinha refugiado, ser responsvel pela terrvel tempestade enviada pela deusa, na qual um grande nmero de navios aqueus sero destrudos. Tendo, ele prprio, 
escapado ao naufrgio, tem a arrogncia de se vangloriar, desafiando, assim, os deuses. Atena, encolerizada, fulmina-o. Mas a sua vingana vai mais longe e abate-se, 
igualmente, sobre todos os Lcrios. A deusa envia sucessivas epidemias sobre a Lcrida e estas no podero ser acalmadas a menos que, todos os anos, fossem enviadas 
para Tria duas jovens gregas, a fim de serem sacrificadas no altar da deusa ultrajada.
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Alceste
jax, filho de Tlamon, rei de Salamina , depois do seu primo Aquiles, o mais valente e o mais vigoroso dos guerreiros gregos.  um homem de estatura elevada, belo, 
senhor de si e pouco falador; rude, mas piedoso e benevolente.  esta benevolncia que o leva a acolher Pirro, filho de Aquiles, como seu prprio filho. Mas quando 
este exige as armas de Aquiles, jax: responder que elas tinham sido destinadas por Ttis, me de Aquiles, ao mais valoroso dos Gregos ou, pelo menos, quele que 
tivesse inspirado aos Troianos o maior temor.
Os prisioneiros troianos so, ento, interrogados, elegendo Ulisses como o mais aterrador de todos os guerreiros. Na noite seguinte, obcecado pela sua decepo, 
jax, o grande, foi tomado de uma sbita crise de demncia e, acreditando estar a matar Menelau e todos os seus, massacrou os rebanhos que alimentavam a armada grega. 
De manh, ao dar conta do seu acto, no pde suportar a desonra e suicidou-se, enterrando a prpria espada no corao.
Sfocles consagrou a jax uma das suas tragdias (c. 450 a. C.; as despedidas da vida do heri so uma pgina de antologia), que imita o Imperador Augusto, poeta 
nas suas horas vagas.
aco
oileu       +        Aicmaco                Peleu              Tianion
jax, "O Pequeno"                                 Aquiles          jax, "O Grande"
Os dois jax
Alceste                                 ;wz        a          ':tU'@;>'z@""-@''
Alceste, uma das quatro filhas do rei Plias, que reinava em lolco, na Tesslia, era a mais piedosa e tambm a mais bela de todas elas.
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Alceste
Acimeto, rei de Feres, a cidade vizinha, e filho de um meio-irmo de Plias, no teve repugnncia em ser seduzido pela deslumbrante formosura da sua prima e pediu 
a sua mo em casamento. Mas Plias imps-lhe como prova preliminar, conseguir atrelar na mesma canga, do carro real, um javali e um leo. Por sorte, Acimeto dispunha 
de um servidor eficaz em vrios domnios, o deus Apolo, que Zeus lhe tinha enviado em penitncia. Acimeto dirige-se, ento, a Apolo que lhe faz a atrelagem exigida, 
permitindo-lhe assim casar com a sua amada.
O deus consegue ainda que o seu protegido seja dispensado de morrer no dia fixado pelo destino, se algum, nesse mesmo dia, se sacrificasse em seu lugar.
Acimeto e Alceste iro formar um casal exemplar, tanto nas suas relaes conjugais - eles tero trs filhos - como nas relaes com a sua famlia. Graas a isto, 
Alceste foi a nica das filhas de Plias a recusar prestar-se  maquinao de Medeia que, sob pretexto de restituir a juventude ao jovem rei, tinha obrigado as suas 
filhas a mat-lo e a deix-lo arder, esquartejado, num caldeiro.
O tempo vai passando e chega a hora marcada para Acimeto morrer. Ningum se apresenta para o substituir no Hades. E, ento, Alceste decide oferecer a sua vida em 
troca da do marido.
Ora Hracies, que tinha sido o companheiro de Acimeto na expedio dos Argonautas, passa por Feres na altura em que toda a cidade chora a morte da rainha. Nesse 
mesmo instante, ele resolve descer aos Infernos e
- Persfone, por seu lado, tambm tinha sido tocada pelo sacrifcio da incomparvel esposa traz de volta, a Acimeto, uma Alceste mais jovem, mais bela e mais apaixonada 
do que nunca.
Eurpedes consagrou uma tragdia (430 a. C.)  lenda de Alceste, que inspirou ainda as tragdias lricas de Lully (1674) e de Gluck (1767).
Creteu           +           Tiro                        Posdon
oson    Feres                      Plias     Neleu
1         1                                   1 Jaso   Admeto           +          Alceste    Nestor
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Almena
Almena
Zeus tinha decidido, diz Hesodo, "ter um filho que fosse um dia o defensor, simultneo, dos imortais e dos humanos". Para o conseguir, ele escolheu a mais virtuosa, 
a mais inteligente e tambm a mais bela das jovens, Alcmena, esposa do general Anfitrio.
Alcmena - "A vigorosa" (gaba-se, particularmente, a sua alta estatura) - e Anfitrio eram primos, nascidos de dois dos filhos de Perseu, a primeira de Elctrion, 
rei de Micenas, o segundo de Alceu, rei de Tirinto.
Quando Elctrion, atacado pelos filhos de Ptrelas, que reivindicavam o seu reino, viu o seu pas devastado, as suas manadas arrebatadas, os seus prprios filhos 
mortos em combate, resolveu ir, ele prprio, atacar Ptrelas, na sua ilha de Tafo.
Antes da partida do rei, Anfitrio (a quem o seu tio tinha confiado o trono assim como a guarda da sua filha Alcmena) foi resgatar as manadas roubadas, mas no momento 
em que ele as conduzia para junto de Elctrion, uma vaca enfureceu-se. Anfitrio vibrou-lhe, imediatamente, um golpe na cabea, mas a arma ressaltou e foi ferir 
o rei, que caiu redondamente morto.
Assassino, ainda que por acidente, Anfitrio foi obrigado a exilar-se, levando consigo Alcmena por quem se apaixonara, para casarem. Mas a jovem recusou ceder aos 
seus ardores enquanto a vontade de vingana de seu pai, junto de Ptrelas, no fosse executada.
Uma vez purificado do seu homicdio, Anfitrio procurou e obteve alianas, especialmente a dos Tebanos, junto de quem tinha procurado refgio e, por amor de Alcmena, 
ir atacar Ptrelas no seu reino. Ele deveria mat-lo e derrotar, completamente, as suas tropas.
Ora, enquanto ele regressava a Tebas (depois de cumprida a sua misso), ao encontro de Alcmena, que no poderia j resistir ao seu amor, Zeus introduziu-se de noite 
(uma noite que ia durar tanto como trs dias) no quarto da jovem, fingindo ser o seu marido vitorioso, e beneficiou da sua gratido e dos seus ardores tanto tempo 
retidos.
De manh, quando o verdadeiro Anfitrio regressou, ficou desiludido ao
encontrar uma esposa muito pouco apaixonada. E ela, por seu lado, zangou-se ao ver que o seu marido no recordava os seus recentes enlevos. A tenso tornou-se insustentvel 
e, ento, os dois decidiram consultar o adivinho tebano Tirsias, que lhes deu a chave do enigma.
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Almena
Perseu
Mestor
Hiptoo
r LUI e Ias
Estneio
Elctrion
. - _ io    +    Almena        +    zeus
Euristeu
ficies
Hei acies
Assim, Alemena - que sofreu, ainda, o dio de Hera - deu  luz dois gmeos: um, ficles, era filho do seu marido; o outro, Hracies, que se tornou o mais ilustre 
de todos os heris da mitologia grega, era filho de Zeus.
A vida de Hracies, perseguido por Hera e pelo seu cmplice, Euristeu, primo de Alcmena e de Anfitrio foi, desde o seu nascimento, uma sucesso de provas, frequentemente 
gloriosas, mas sempre dolorosas, s quais foi associada, de vez em quando, a sua me.
Quanto a esta, depois da sua viuvez e da morte dos seus filhos, partir para Atenas a fim de escapar  animosidade persistente de Euristeu. Quando este morreu (s 
mos de lolau, filho de ificies), Alcmena pediu que lhe trouxessem a sua cabea e arrancou-lhe os olhos com a ponta dos seus fusos.
Ento, decidiu regressar a Tebas. Segundo uma certa tradio, ela teve, ainda, um segundo marido, Radamante, filho de Zeus e de Europa, que se tornou juiz dos Infernos. 
Quando morreu, com uma idade avanada, Zeus conduziu-a  ilha dos Bem-Aventurados. Alcmena teria sido a ltima das mortais a usufruir dos favores do rei dos reis.
A aventura romanesca de Alcmena com Zeus deu origem a um nmero considervel de obras literrias (desde as clebres comdias de Plauto (c. 200 a. C.), s de Molire 
(1668), intituladas Anfitrio, assim como as de Dryden, Anfitrio ou os dois ssias (1690) e de Kleist, Anfitrio (1807), que Giraudoux assegura ter apreciado, visto 
que intitulou a sua pea (na qual a virtuosa Alcmena ignora at ao fim ter pertencido ao rei dos deuses) Anfitrio 38 (1929).
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Amalteia
Amalteia
Amalteia alimentou, com leite de cabra, o beb divino, Zeus, quando ele nasceu, em Creta. Certos autores apresentam Amalteia como a esposa do rei de Creta; outros 
vem-na como uma ninfa, que teria dependurado o jovem deus numa rvore, a fim de que o seu pai Cronos no o pudesse encontrar "nem no cu, nem sobre a terra, nem 
no mar".
Uma outra tradio considera Amalteia como sendo, simplesmente, a cabra que alimentou a criana, e que tinha entre outros dons o de assustar s com a sua presena 
os estrangeiros, os deuses e os mortais.
Em recompensa pelos seus bons servios, Zeus ir imortaliz-la, juntamente com dois dos seus cabritos, lanando-os ao cu, onde foram transformados em estrelas. 
Um dos seus cornos receber a propriedade de se fartar at  saciedade de tudo aquilo que pudesse ser desejado, tornando-se assim no famoso "corno da abundncia", 
que ir, ele prprio, fazer parte do nmero dos astros.
Quanto  pele do animal, Zeus tornou-a impermevel aos golpes e fez dela um escudo, a gide (a palavra vem do nome grego da cabra: aix, aigos) que utilizou pela 
primeira vez quando da revolta dos Tits. Estes gelaram de horror perante a sua viso. Mais tarde, Zeus ir oferecer este escudo  sua filha, Atena.
A cabra Amalteia  representada na maior parte dos quadros evocativos da infncia de Zeus (Poussin, museu de Berlim; Jordaens, museu do Louvre).
Amazonas
Povo mtico de mulheres, governado por uma rainha e no admitindo homens na sua cidade seno como servos, as Amazonas, vindas do Cucaso, estabeleceram o seu reino 
na Capadcia (sia Menor).
Elas descendiam do deus da guerra Ares e, por isso, as suas paixes
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Amazonas
eram a guerra e a caa. As Amazonas veneravam, particularmente, a deusa rtemis, de quem seguiam, escrupulosamente, o exemplo (atribui-se-lhes a fundao da cidade 
de feso e do famoso templo de rtemis, uma das maravilhas do mundo antigo).
Uma vez por ano, elas aceitavam no seu reino a presena de homens, a fim de assegurar a sua descendncia, mas matavam ou mutilavam todos os recm-nascidos do sexo 
masculino. As filhas retiravam o seio direito', a fim de lhes permitir manejar o arco mais comodamente.
Segundo a lenda, as Amazonas aparecem, constantemente, em oposio aos Gregos. Belerofonte  um dos heris que ir lutar contra estas mulheres guerreiras. Essa luta 
constitui uma das provas a que ele dever submeter-se, por ordem do seu sogro, o rei da Lcia. Este combate resultar num grande massacre das Amazonas.
Hracies  outro dos heris que dever enfrentar as Amazonas. A sua misso consiste em roubar o cinto encantado que Hiplita, rainha das Amazonas, tinha recebido 
do deus Ares e que era o smbolo do seu poder.
A fim de evitar uma guerra, a rainha consente em desfazer-se do objecto em questo, mas Hera, com a sua maldade e intriga, consegue provocar um confronto, obrigando 
Hracies a conquistar pela fora o cinto encantado, matando a sua proprietria.
Certos autores afirmam que  no decurso dessa expedio que Teseu, companheiro de Hracies, rapta a irm de Hiplita, Antope, que ele engravida (o recm-nascido 
ser herdeiro do nome de sua tia). Para punir Teseu -
deste rapto, dizem uns; da infidelidade do heri, que foi ao ponto de desposar Fedra, dizem outros -, as Amazonas avanaram sobre a tica, entraram em Atenas, acamparam 
na colina que mais tarde ter o nome de um dos seus antepassados divinos (Arepago=colina de Ares), mas foram vencidas por Teseu.
No decurso da guerra de Tria, um contingente de Amazonas partiu em socorro dos Troianos. Aquiles intervm no combate e mata a rainha das Amazonas, Pentesileia. 
Conta-se que logo que ele viu o seu rosto e a sua beleza,
1 Amazona significaria, assim: privada de um seio; mesmo que se considere o prefixo a como um aumentativo, de qualquer modo a palavra significa: mamal, e aplica-se 
ento, perfeitamente, a rtemis de Peso. Se no tivermos em conta a etimologia da palavra, o nome Amazona  dado hoje em dia s mulheres que montam a cavalo.
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Anfon
sentiu o seu corao atravessado de amor e de piedade. Assim, quando Aquiles morreu, as Amazonas decidiram saquear o seu tmulo na ilha Branca, no Ponto Euxino. 
Mas a sombra do heri apareceu-lhes e elas fugiram, apavoradas.
As Amazonas so modelos por eleio da estaturia antiga: frisos do templo de Apolo em Bassae, do Mausolu de Halicarnasso; Amazona ferda de Policieto (sc. v a. 
C.), rplicas nos Museus de Berlim e do Capitlio. Cf. igualmente a tela de Rubens (Pinacoteca de Munique): Batalha das Amazonas (1619).    '
Anfon                                                                  4,5
Anfon, heri das primeiras lendas tebanas, e o seu irmo Zeto, so os filhos gmeos de Antope e de Zeus, que se disfarou de stiro a fim de seduzir a jovem princesa. 
Veremos, no artigo consagrado a Antope, como ela fugiu do palcio paterno, como foi salva e depois capturada e maltratada por seu tio Lico que, entretanto, se apoderara 
do trono.
Os seus dois filhos, nascidos em Eleutrio, na Becia, no decurso do seu regresso forado a Tebas, foram abandonados numa gruta do monte Cteron, mas os pastores 
recolheram-nos e educaram-nos.
Zeto dedicava-se a exerccios violentos,  luta e  caa assim como aos trabalhos do campo. Anfon, mais doce do que o seu irmo, inclinava-se para a msica, praticando 
na lira que Hermes lhe oferecera.
Quando se tornaram adultos, os dois irmos decidiram vingar a sua me e afastaram o seu carrasco do trono de Tebas. A partir de ento, passaram a governar a cidade. 
E, para a proteger, fortificaram-na de uma forma "mgica". Zeto transportou os rochedos, enquanto Anfon tocava a sua lira, cujos sons induziam as pedras, encantadas, 
a colocar-se, por si prprias, nos stios certos.
Anfion casou com Nobe, filha de Tntalo, que lhe deu muitos filhos (a lenda hesita entre dez, doze ou vinte). Orgulhosa da sua fecundidade, Nobe no receou ofender 
Leto, me de Apolo e de rtemis. Estes no suportaram a
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Antloco
ZEUS
Antope
Anflon
Pluto
i di [aio
Imiobe
Leto
Apolo
afronta feita  sua me e trespassaram com flechas todos os filhos de Nobe (com excepo de uma filha que casar com Neleu, rei de Pilos; um dos seus filhos, Nestor, 
ser poupado por Apolo que lhe permite viver trs geraes, a fim de compensar o massacre da sua famlia). A infeliz, perdida de dor, foi transformada, por Zeus, 
numa rocha colocada num monte rido da sia Menor. E, a partir de ento, dessa rocha brotar uma nascente inesgotvel, que se alimentar das lgrimas contnuas de 
Nobe.
Quanto a Arifion, foi morto por uma flecha de Apolo. Segundo alguns, ao mesmo tempo que os seus filhos; segundo outros, algum tempo depois quando, em consequncia 
do massacre a que assistira, enlouqueceu, tendo saqueado o templo de Apolo.
Antloco
Antloco, filho de Nestor (rei de Pilos, clebre pela sua sabedoria), e o seu irmo Trasmedo, acompanharam o seu velho pai        na guerra de Tria. Ele era, ento, 
o mais jovem dos Aqueus, mas tambm          (segundo Menelau), o mais valente e o mais rpido,
Antloco era, depois de Ptroclo, o melhor amigo de Aquiles: foi ele que lhe anunciou a morte de Ptroclo e que lhe limpou as     primeiras lgrimas.
Quando, no decorrer de um combate, Antloco         viu o seu pai, Nestor, ameaado por Mmirion (filho de Eos e sobrinho de        Pramo), precipitou-se
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Antope
em seu socorro, acabando por ser ferido mortalmente. Mais tarde, Aquiles ving-lo-, matando Mmnon.
Diz-se que os trs amigos, sepultados lado a lado e reunidos, aps a morte, pela eternidade, prosseguiram, no alm, a sua vida agitada de festins e de combates.
Antopo : ---IIIII, , 1 --..-            1
Antope era filha do tebano Nicteu. Este,  morte do rei de Tebas, foi escolhido como regente, visto que o herdeiro do trono, Lbelaco, tinha somente um ano de idade.
Certo dia, Zeus, surpreendido pela beleza excepcional da jovem, no resistiu e seduziu-a no seu leito sob a forma de um stiro. Quando Antope se viu grvida, temendo 
a clera de seu pai, fugiu do palcio, indo refugiar-se no monte Cteron, onde Epopeu, o tirano de Scion, na Arglida, a encontrou. Este, por sua vez, comovido 
e deslumbrado com a jovem, recebeu-a no seu palcio e desposou-a.
Nicteu, considerando-se desonrado, suicidou-se, mas antes escolheu o seu irmo Lico para o substituir no poder e na vingana. Este declarou guerra a Epopeu, matou-o 
e reconduziu Antope, acorrentada, de volta para Tebas. No caminho, em Eleutrio, Antope deu  luz dois gmeos. Lico abandonou-os para que eles fossem devorados 
pelos animais selvagens, mas os pastores recolheram-nos e educaram-nos, dando-lhes os nomes de Anfion e Zeto.
Durante anos, Antope teria sido ultrajada e torturada cruelmente por Lico e, sobretudo, por sua esposa, Dirce. Ora, uma noite, as suas correntes desprenderam-se 
milagrosamente, permitindo-lhe a liberdade. Antope fugiu, dirigindo-se imediatamente para o lugar onde viviam os seus filhos, j adultos. Mas Zeto, tomando-a por 
uma escrava em fuga, recusou-se a escut-la e enviou-a de volta para Tebas. Dirce, que tinha vindo celebrar no Cteron o culto de Dionsio, que ela venerava particularmente, 
encontrou-se, de repente, na presena de Antope. Imediatamente a capturou, com a inteno de, desta vez, a mandar matar.
Entretanto, o pastor que tinha recolhido os gmeos confirmou-lhes que Antope era a me deles: os dois irmos partiram, ento,  sua procura, arran-
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*/*
Apolo
cando-a das mos de Dirce. Depois, prenderam esta, pelos cabelos, aos cornos de um touro selvagem ( o tema do clebre grupo do museu de Npoles chamado Touro Farnsio) 
e, no fim, atiraram o seu corpo retalhado para uma fonte.
Quanto a Lico, foi morto pelos gmeos ou perdoado, graas  interveno de Hermes? O que  certo  que ele entregou o trono de Tebas a Anfion.
Depois da vingana de seus filhos, Antope, devido  interveno de Dionsio que era favorvel a Dirce, enlouqueceu durante um certo tempo e andou perdida pela Grcia. 
Acabou por ser curada por Foco, um neto de Ssifo, que ela encontrou em Titoreia e com quem casou. O seu tmulo comum perto do monte Parnaso  objecto de venerao.
As aventuras de Antope inspiraram vrios artistas, desde a Antiguidade; destacamos, no entanto, a noite de amor com Zeus, transformado em stiro (Rafael, no Vaticano, 
Ticiano e Watteau, no Louvre).
Z A p o 1 o    w @, @.@zyf@
Apolo  um dos dois filhos gmeos de Zeus e de Leto (que Hesodo apresenta como uma divindade da noite). A sua irm rtemis  a deusa da lua, enquanto ele  o senhor 
do sol (na Antiguidade, distinguia-se o deus do sol, do prprio deus sol, Hlios, o astro solar).
De Delos a Deifos Apolo nasceu na ilha de Ortgia, uma ilha flutuante que vai fixar-se no centro do mundo grego e tomar o nome de Delos, "A Aparente". No momento 
do seu nascimento, todas as deusas que estavam reunidas  volta de Leto, soltaram gritos de alegria; depois, lavaram o recm-nascido e envolveram-no em linho branco. 
Tmis alimentou-o com ambrosia e nctar, e Apolo rapidamente se mostrou dotado de uma fora invencvel e de uma beleza surpreendente.
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Apolo
Ento, Zeus ofereceu ao seu filho um carro puxado por cisnes e Hefesto enviou-lhe flechas, especialmente forjadas para o seu uso. Assim, alguns dias depois do seu 
nascimento, Apolo, acompanhado por sua irm, decidiu viajar a fim de escolher o lugar onde estabeleceria o seu culto. O seu carro conduziu-o ao pas dos Hiperbireos, 
no norte da Grcia, onde ele se demorou algum tempo, partindo depois em direco ao monte Parnaso, na companhia de rtemis. Ao chegar, Apolo encontrou, numa caverna, 
um monstro que Hera, com cimes de Leto, tinha contratado para se vingar da sua rival e dos seus filhos. Este monstro tinha a forma de uma serpente e era o guardio 
de um antigo orculo. Esta, ao aperceber-se da l5resena de Apolo, investiu contra ele, mas o jovem deus, infalvel, matou-a, deixando o seu corpo apodrecer no prprio 
lugar, que passou a ser conhecido como Pito (do verbo grego que significa: apodrecer), enquanto que a serpente foi apelidada de Pton. Mais tarde, Apolo institui, 
em honra da sua vtima, os jogos fnebres conhecidos como Jogos Pticos. Entretanto, o deus foi forado a exilar-se um certo tempo, a fim de expiar o seu homicdio. 
Dirigiu-se, ento, com a sua irm, para a Tesslia, fixando-se no aprazvel vale de Tempo, entre os montes Olimpo e Ossa.
Uma vez purificado nas guas de Peneu, Apolo regressou  sua terra de eleio, a fim de tomar posse e reactivar o velho orculo de Pton. Mas entretanto, o deus 
vislumbrou, no alto mar, um navio cretense e decidiu, imediatamente, atrair os seus ocupantes para o seu culto. Para esse efeito, transformou-se num golfinho, e 
saltando  frente do navio, conduziu-os para o seu domnio. Ao chegarem, Apolo retomou o seu verdadeiro aspecto e fez destes homens seus sacerdotes, instruindo-os 
nos segredos dos imortais. Mas como eles continuaram sempre a chamar-lhe golfinho (delphis), esse lugar passou a ser conhecido pelo nome de Delfos.
Os combates de Apolo As aventuras e as proezas atribudas a Apolo so inumerveis. Enfrentou Hracles quando este, descontente com o orculo, se apoderou do trip 
sagrado onde se encontrava a sacerdotisa de Delfos, a Ptia. Zeus viu-se, ento, obrigado a intervir, como mediador, a fim de que o confronto entre os seus dois 
filhos tivesse fim.
No decurso da campanha contra Tria, Agamrnrion raptou Criseida, filha do sacerdote de Apolo, e o deus decidiu vingar-se, espalhando uma epidemia de peste entre 
os Gregos, e obrigando o seu chefe a libertar a cativa.
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Apolo
Apolo no tolerava afrontas, mas quando no fazia uso do seu arco e das suas flechas, dedicava-se  msica. Um dia, o stiro Mrsias decidiu desafiar Apolo no domnio 
musical. Midas, rei da Frgia, juntamente com as Musas, foram escolhidos como rbitros deste concurso. As Musas pronunciaram-se a favor de Apolo, mas Midas preferiu 
a flauta dupla de Mrsias  lira do deus. Como castigo, Apolo dotou-o de umas orelhas de burro. Quanto ao stiro, o deus mandou suspend-lo num pinheiro e esfoi-lo 
vivo.
Apolo gozava, no Olimpo, de proteces privilegiadas. O seu pai Zeus dedicava-lhe uma afeio muito particular. Assim, quando o deus do sol se manifestava, todos 
os imortais se erguiam imediatamente, e enquanto a sua me o aliviava das suas armas, o rei dos deuses ofertava-lhe uma taa de nctar. Ento, Apolo, com a sua beleza 
surpreendente, fazia brotar da sua lira sons verdadeiramente divinos, acompanhados em coro pelas Musas. E logo todo o Olimpo se punha a cantar e a danar.
Esta realidade no impediu, no entanto, que Apolo entrasse em conflito com Zeus.
A primeira vez foi quando Apolo participou numa conspirao organizada por Hera. Esta, cansada e ofendida com as infidelidades do seu marido, convenceu Posdon e 
Apolo a acorrentarem-no. Mas Ttis fez abortar o golpe de Estado, pedindo ajuda ao temvel Briareu, o gigante com dez mos. Zeus, furibundo, condenou o seu irmo 
e o seu filho a um certo tempo de servido, s ordens do rei de Tria, Laomedonte. Posdon foi encarregado de construir as muralhas da cidade de Tria e Apolo de 
guardar os rebanhos do rei. Quando estes terminaram o seu trabalho, Laomedonte recusou-se a pagar-lhes o seu salrio e ameaou-os, dizendo que lhes cortava as orelhas 
no caso de insistirem. Ento, Posdon soltou um monstro devastador e Apolo difundiu a peste por toda a regio.
O segundo conflito entre Apolo e o seu pai foi desencadeado pelo rei do Olimpo. Com efeito, Zeus, cansado de ver o deus da medicina, Asclpio, ressuscitar os mOrtos, 
pondo assim em causa o cicio da natureza, decidiu fulmin-10 com um rMo. Mas Asclpio era o filho preferido de Apolo, que se vingou, imediatamente, matando os ciciopes 
que tinham fabricado o raio assassino. Ento, Zeus, @ Or sua vez, puniu o seu filho com um novo exlio na terra, colocando-o ao s rvio de Acimeto, rei de Feres, 
na Tesslia. Este beneficiou da ajUda de ApoP @ no s como boieiro das suas manadas (graas a ele, as vacas prOcriavam di as vezes por ano), mas tambm como interveniente 
na prova a
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Apolo
que Acimeto deveria sujeitar-se, a fim de conquistar a mo de Alceste, filha do rei de loico. Esta prova consistia em atrelar numa mesma canga, um javali e um leo. 
Apolo forneceu ao seu senhor a atrelagem exigida e AcImeto pde assim desposar a princesa.
Os amores de Apolo Apolo no foi insensvel ao amor, muito embora a tradio no lhe atribua nenhuma unio legtima. Ele amou e foi muito amado, mas apesar de to 
dotado de dons, quer fsicos quer espirituais, conheceu vrias vezes seguidas o sofrimento e a humilhao.                  1
A ninfa Dafrie, filha da Terra, foi a primeira a repelir os avanos do deus. Um certo dia, quando Apolo decidira verg-la ao seu amor, a ninfa fugiu. Mas o deus 
perseguiu-a e encontrou-a. E quando se preparava para prend-la com as suas mos robustas, esta, desesperada, pediu ajuda a sua me, a Terra, que se abriu e fechou 
sobre Dafrie. Nesse mesmo lugar, nasceu algum tempo depois um loureiro (em grego: daphn) e Apolo transformou-o numa rvore sagrada, a rvore apoliniana, por excelncia.
Cresa, filha do rei de Atenas, Erecteu, apanhava flores nas encostas da Acrpole, quando foi vista por Apolo. Este, imediatamente apaixonado, agarrou-a e conduziu-a 
a uma gruta, onde a submeteu ao seu desejo. Cresa engravidou e quando deu  luz o seu filho, decidiu abandon-lo. Mas Hermes, por ordem de Apolo, recolheu a criana, 
conduziu-a a Delfos e entregou-a  sacerdotisa. Pouco tempo depois, Cresa casou com o tessaliano Xuto, mas a sua unio parecia estril. Ento, o casal decidiu deslocar-se 
a Delfos para consultar o orculo. Este respondeu-lhes que a primeira pessoa que encontrassem ao sair do santurio, seria o seu filho. Ora, a primeira pessoa que 
eles viram foi on, o filho que Apolo tinha dado a Cresa. Mas Xuto, ignorando esta situao, decidiu adoptar a criana. Entretanto, a sua afeio pelo jovem ia 
crescendo, perante o olhar desesperado de Cresa que, certo dia, decidiu envenenar o intruso. Mas uma nova interveno divina veio revelar, finalmente, a ligao 
entre on e Cresa (este  o tema da tragdia on de Eurpides). Assim, on dar o seu nome ao ramo "ioniario" da raa helnica, enquanto que Aqueu, o filho tardio 
de Xuto e Cresa, ser o antepassado dos Aqueus.
Cornis era filha do rei dos Lpidas. Apolo desejou-a e possuiu-a, mas a princesa ficou grvida e, temendo no manter o amor do deus durante toda a
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Apolo
vida, decidiu desposar um mortal. Acontece que Apolo foi informado da notcia por um corvo (o nome Cornis em grego significa gralha) e ficou to furioso que comeou 
por maldizer o mensageiro, cuja plumagem se tornou instantaneamente negra. Depois, condenou Cornis e o seu marido  morte. Mas estavam os dois cadveres a arder 
na pira fnebre, quando o deus veio retirar do corpo da me, o seu filho, ainda vivo. Asclpio foi ento confiado ao centauro Quiron, que lhe ensinou a arte da medicina. 
Entretanto, o rei Rgias, pai de Cornis, decidiu vingar-se de Apolo, avanando sobre Delfos e incendiando o templo. Mas o deus puxou do seu arco e enviou o sacrlego 
para o Trtaro, onde a sua presuno foi punida com um tormento eterno,
Outra mortal amada pelo deus do sol foi Cassandra, uma das filhas de Pramo, rei de Tria. Apolo ensinou-lhe a cincia proftica, a troco de ela ceder  sua paixo. 
Mas, uma vez iniciada, Cassandra recusou-se a cumprir a sua promessa. No entanto, ainda permitiu um beijo ao seu apaixonado, e este aproveitou a ocasio para depositar 
na sua boca uma maldio: as profecias de Cassandra nunca seriam tomadas a srio, por ningum.
Podemos citar ainda Marpessa, filha do rei da Etlia, que Apolo pretendeu roubar a Idas, o homem que ela amava. Foi preciso que Zeus interviesse para que Marpessa 
pudesse escolher, livremente, entre os seus dois pretendentes. Mas a jovem, temendo ter de enfrentar um dia, quando j fosse velha, a infidelidade de um deus eternamente 
jovem, decidiu sabiamente partilhar a vida com um mortal.
Existiu, ainda, uma outra mortal que se esquivou  paixo de Apolo: Castlia, uma jovem de Delfos que preferiu precipitar-se numa fonte a ceder aos desejos do deus, 
Esta fonte passou, a partir de ento, a ter o seu nome e a ser consagrada a Apolo.
Mas o deus do sol tambm se apaixonou por jovens do sexo masculino. Um deles foi Jacinto, filho do rei da Lacnia. Acontece que o jovem suscitou o mesmo amor aos 
ventos Breas e Zfiro. Assim, quando um dia Jacinto se exercitava rio manejo do disco, em companhia de Apolo, os dois ventos, ciumentos, desviaram o objecto lanado 
pelo deus na direco da cabea de Jacinto, que morreu instantaneamente. Mas do sangue da ferida provocada pelo golpe nasceu a flor que imortalizou o nome do infeliz: 
o jacinto.
Ciparisso, filho de Tlefo e neto de Hracies, foi tambm um dos favoritos de Apo16. Este jovem prncipe tinha por companheiro um veado domesticado, que Wia as suas 
delcias. Mas certo dia, por descuido, o jovem matou-
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Apolo
-o com uma lana e, desesperado com o seu acto, implorou a morte. Apolo teve piedade e transformou-o numa rvore de folha persistente que, desde ento, simboliza 
um luto sem trguas: o cipreste.
As atribuies de Apolo Apolo, embora no pertena  primeira gerao dos Olmpicos,  considerado, na Antiguidade, como uma das divindades mais importantes do seu 
panteo.
Os seus atributos so de tal modo vqriados, que Apolo parece resumir, na sua personalidade, diferentes divindades com origens bem distintas: asiticas, gregas ou 
cretenses. Por isso, ele  objecto de venerao em todo o mundo antigo. Os seus santurios multiplicam-se, muito embora Delos e Delfos sejam os mais importantes.
No entanto, a sua faceta mais importante  a de deus solar, como podemos verificar pelos seus eptetos: "O Dourado", o deus "com cabelos de ouro" e, sobretudo, "o 
brilhante", que os romanos transformaram em Febo. Vemo-lo percorrer a terra, ano aps ano, recriando a sua primeira viagem, para alcanar no fim do Outono os pases 
nrdicos dos Hiperbreos e regressar na Primavera  sua residncia de Delfos onde, durante o Vero, o sol brilha como em nenhuma outra parte da Grcia.
A sua faceta de deus solar torna-o um deus benfico e purificador.  ele que faz germinar a vida e espalha a felicidade, apresentando-se por isso, quer como um deus 
pastoril quer como um deus poeta e msico, o Musageta (o condutor das Musas).
Como divindade da luz, Apolo dever combater a obscuridade e, por essa razo, o seu orculo tem por misso projectar a claridade sobre as sombras que roubam aos 
humanos o conhecimento. Mas o sol benfico e purificador pode ser, tambm, um agente de destruio. Deste modo, os raios solares eram entendidos, pelos gregos, como 
flechas assassinas disparadas pelo cruel arqueiro. As mesmas flechas que, certamente, mataram todos os filhos da arrogante Nobe.  esta faceta da personalidade 
do deus que pode, de resto, explicar o seu nome (o verbo grego apoilumi significa destruir).
Apolo surge-nos, assim, como um deus simultaneamente criador e destruidor. Mas a tradio rfica ir apresent-lo, sobretudo, como o smbolo da ordem universal, 
a encarnao da harmonia.
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Aqueloo
Nenhuma outr@ divindade da Antiguidade foi to representada como Apolo. Ele , inIutavelmente, representado como um homem de rara beleza, de cabelo encaracolado 
e propores perfeitas. Aparece quase sempre nu, salvo quando  apresentado como citarista (ento  coberto com uma tpica comprida). O Apolo antigo, dito "de Belvedere", 
influenciou Miquei-ngeio e todos os escultores italianos do Renascimento. Rodin, Bourdelle e Despiau mostraram-se, tambm, sensveis  seduo de Apolo, assim como 
muitos pintores (de Rafaci a Boucher e a Deiacroix) e msicos (Stravinski, Apolo musageta, bailado, 1928; a lenda de Dafrie, contada por Ovdio, inspirou um acto 
lrico a Richard Strauss, 1938).
Aqueloo
Primognito entre os trs mil deuses-rios, filho dos Tits Oceano e Ttis, Aqueloo, considerado o maior rio da Grcia (limitando a Acarnnia e a Etlia), era venerado 
como o rei de todos os cursos de gua. (Cinco outros rios da Grcia e da Grande-Grcia usam o seu nome e este acaba por tornar-se mesmo, entre os Gregos, num sinnimo 
de rio.)
O orculo de Delfos convidava os fiis a fazer sacrifcios em honra deste deus fecundante, que era tambm nomeado nos juramentos. Citava-se, a propsito, o destino 
funesto das quatro filhas do adivinho Equino que, tendo esquecido a invocao do deus nas suas oraes, tinham sido arrastadas para o mar pela corrente furiosa e 
metamorfoseadas em ilhas, as Equnades.
Devido s suas numerosas unies, Aqueloo tornou-se pai de mltiplas e diferentes crianas, as ninfas das nascentes - como Calirroe, Castlia e talvez Pirene - e, 
Igualmente, as Sereias, que lhe teriam sido dadas por Melpmene, a Muta da Tragdia.
A lenda insisk no episdio que ope Aqueloo a Hracies que, como ele, pretendia a mo de Dejanira, filha do rei da Etlia, Eneu. Vencido num primeiro momento, AquOloo 
apelou ao seu poder de transformao, que era inerente  maior parte dAs divindades aquticas. Assim, atacou de novo o seu rival,
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Aquiles
sob a forma de uma serpente, que Hracies procurou estrangular. Depois, na forma de um touro. Mas Hracies persistia em venc-lo, e no combate terminal Aqueloo perdeu 
um corno, no qual alguns reconhecem o corno da abundncia.
Aqueloo  representado quer como um drago marinho, quer na forma de um touro com rosto humano, quer ainda na forma de uma personagem barbuda com cornos de touro. 
1
O rio  nomeado nos nossos dias com o nome de Aspropotamos.
Aquiles
Aquiles, o maior dos heris gregos,  filho de Peleu, rei da Ritida, na Tesslia. Pela parte de seu av aco, ele descende de Zeus (alguns dizem de Posdon). Curiosamente, 
os vassalos de Peleu so chamados Mirmides, desde que Zeus, desejoso de dar um povo a aco, transformou uma colnia de formigas (myrmex), em homens.
A me de Aquiles  a Nereide Ttis, neta da Terra e do Mar, apesar de Aquiles poder ser considerado como descendente pessoal da Terra Primordial e do Cu (por parte 
de seus pais), assim como do mar (por parte de sua me).
Zeus e Posdon desejaram ambos conquistar Ttis. Mas o orculo revelou que o filho que nascesse da Nereide seria mais poderoso do que o seu prprio pai. Perante 
esta revelao, os deuses resolveram casar Ttis com um mortal, e todo o Olimpo assistiu s npcias de Ttis e de Peleu.
lnfncia e adolescncia de Aquiles Entretanto, Ttis, desde que os seus filhos nasceram, s tinha um pensamento: purific-los de todas as caractersticas mortais, 
que eles tinham herdado de seu pai. Assim, mal as crianas nasciam, Ttis tentava purific-Ias pelo fogo, mas elas morriam, inevitavelmente, queimadas. Isto aconteceu 
com os seis primeiros filhos, para grande desespero de Peleu. Por isso,
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Aquiles
Geia
rano
Ponto
Cronos    Reia
Oceano     Ttis
Asopo    Dris
Nereu
Zeus(l)       +         Egina      +     Actor(2)
aco
Tiamon
O Grande jax
Peleu          +          Ttis
Aquiles
Mencio
Ptroclo
ele decidiu salvar o stimo, o pequeno Ligiron, custasse o que custasse. Assim, quando ele viu que Ttis se preparava para atirar a criana ao fogo, retirou-lha 
das mos. No entanto, esta ainda queimou um dos ossos do p.
Ento, Peleu entregou o recm-nascido ao seu amigo, o centauro Quron, que vivia no sop do monte Plion, na Tesslia, onde exercia a medicina (foi Quiron que deu 
a Ligiron o nome de Aquiles). O centauro substituiu a parte queimada do p da criana, por um osso retirado de um esqueleto de gigante (a operao iria dotar Aquiles 
de extraordinrias aptides para a corrida, justificando assim o epteto que lhe foi dado, mais tarde, por Homero, o de heri "Com Ps ligeiros").
Uma Outra verso, menos cruel, da lenda contava que Ttis, desejosa de conceder a imortalidade a Aquiles, o tinha mergulhado nas guas do Estige, o rio infernal, 
Mas ela no reparou que o calcanhar pelo qual agarrava a criana
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Aquiles
tinha escapado  purificao mgica. E assim, este calcanhar ficou sempre como a parte vulnervel do seu corpo'.
O centauro Quiron encarregou-se da educao do jovem. Alimentou-o com o mel das abelhas, com medula dos ursos e dos javalis e com vsceras de lees. Ao mesmo tempo, 
iniciou-o na vida rude, em contacto com a natureza; exercitou-o na caa, no adestramento dos cavalos, na medicina e tambm na msica e, sobretudo, obrigou-o a praticar 
a virtude. Aquiles tornou-se um adolescente muito belo, louro, de olhos vivos, intrpido, simulta0eamente capaz da maior ternura e da maiQr violncia.
Peleu deu ainda ao seu filho um segundo preceptor, Fnix, um homem de grande sabedoria, que instruiu o prncipe nas artes da oratria e da guerra. Juntamente com 
Aquiles foi educado Ptroclo, filho do rei da Lcrida, Mencio. Os dois rapazes acabaram por tornar-se amigos inseparveis.
Aquiles era ainda adolescente quando rebentou a guerra de Tria. Mas a adivinha Calcas, depois de consultada, informou que a cidade inimiga no seria destruda se 
Aquiles no participasse no confronto.
Apavorada, Ttis tratou de disfarar o seu filho de mulher e enviou-o para a corte do rei Licomedes, na ilha de Ciros, para que ele fosse educado no harm, junto 
das princesas, disfarado com o nome de Pirra (a loura).
Entretanto, os Gregos enviaram Ulisses como embaixador  corte de Peleu, a fim de que ele trouxesse o indispensvel Aquiles, mas como este no o encontrou, recorreram 
a Calcas, que lhes revelou o embuste. Ulisses disfarou-se ento de mercador e dirigiu-se ao palcio de Ciros, conseguindo entrar no gineceu. A exps, perante os 
olhos maravilhados das princesas, os mais ricos adornos. Mas, entre os tecidos e as jias, estava escondida uma espada. Ao v-ia, a pretensa Pirra empunhou-a imediatamente, 
precipitando-se para fora do palcio com a arma na mo e revelando, assim, o seu sexo e a sua natureza impetuosa.
Entretanto, uma das filhas de Licomedes, que j h muito tempo conhecia a verdadeira identidade de Aquiles, apresentou-se grvida, mas o nascimento do seu filho 
s acontecer aps a partida do heri. Este recebeu o nome de Neoptlemo e o cognome de Pirro (masculino de Pirra).
1 A expresso "o calcanhar (ou o tendo) de Aquiles" significa o ponto fraco de uma pessoa.
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Aquiles
Ulisses conduziu ento Aquiles para junto de seus pais. Ttis, assustada com o insucesso do seu estratagema, fez insistentes recomendaes a seu filho: a sua vida 
seria tanto mais longa quanto mais obscura ele a mantivesse. Mas Aquiles recusou os conselhos de sua me. Nada lhe importava mais do que o brilho da glria e, por 
mais que os orculos previssem a sua morte em Tria - como consequncia de ter matado um filho de Apolo - ele no descansou enquanto seu pai no lheconcedeu um exrcito 
e umafrota. Peleu dotou-o ento com cinquenta navios e confiou-lhe as armas que os deuses lhe tinham oferecido no dia do seu casamento.
Aquiles partiu, levando consigo o seu fiei preceptor Fnix, assim como o seu amigo Ptroclo, que se tornar no seu inseparvel companheiro de armas.
Aquiles em aco No decorrer do desembarque, efectuado por engano na Msia, que os Gregos confundiram com Tria, Aquiles feriu com a sua lana o rei do pas, Tlefo, 
filho de Hracies. Mais tarde, no entanto, graas aos seus conhecimentos de medicina, curou-o.
Regressados ao porto de lis - oito anos mais tarde - para se reagruparem aps esta expedio fracassada, os Gregos foram imobilizados pela calmaria dos ventos. 
Agammnon, o chefe do exrcito, tendo sabido atravs do orculo que os ventos no soprariam a no ser que sacrificasse a sua filha Ifignia, imaginou que a melhor 
maneira de a atrair, sem suspeitas, seria propondo-lhe casamento com Aquiles. Quando o heri teve conhecimento do embuste em que fora envolvido sem saber, censurou 
violentamente o "rei dos reis": e esta ser a primeira querela com Agammnon.
Aps o cumprimento do sacrifcio de Ifignia, os deuses permitiram aos ventos que soprassem, e assim a frota grega pde navegar, fazendo escala na ilha de Tenedo, 
ao largo de Tria. O rei da ilha, Tenes, ter-se- simplesmente oposto ao desembarque dos Gregos ou ter tentado antes proteger a sua irm das intenes de Aquiles? 
Qualquer que seja a resposta, a verdade  que ele foi morto pelo heri. Mas acontece que Tenes era filho de Apolo, e embora Aquiles lhe tenha prestado um servio 
fnebre cheio de pompa, no podia, todavia, escapar ao destino que lhe tinha sido vaticinado.
Durante nove anos, Gregos e Troianos estiveram envolvidos em escaramuas sem grandes consequncias. No decorrer deste perodo, os invasores
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Aquiles
aproveitaram para efectuar expedies de pirataria nas ilhas e cidades vizinhas de Tria. Podemos destacar, entre elas, a incurso na Msia, em que Aquiles matou 
o pai de Andrmaca, Ecion, e os seus sete filhos, enquanto Agammnon se apoderou da filha do sacerdote de Apolo, Criseida e, ainda, a expedio a Lirmesso, onde 
Aquiles capturou a bela Briseida, que tornou sua serva.
A clera de Aquiles No decurso do dcimo ano de guerra, Aquiles e Agammnon envolveram-se em grande disputa. Tudo isto porque,   ,como Agammnon se vira obrigado 
a libertar a filha do sacerdote, Criseida, exigira como compensao a serva de Aquiles. Injuriado, furioso, Aquiles decidiu abandonar a guerra e retirou-se para 
o seu acampamento, pondo assim em causa a possvel vitria dos Gregos. A histria da colra de Aquiles, em Tria,  o tema da Xada, a obra mais lida de toda a Antiguidade, 
que  responsvel pela enorme notoriedade do heri grego.
A situao dos Gregos no tardou a tornar-se aflitiva. Aquiles resistiu, ferozmente, s splicas de Ulisses e mesmo de Fnix, mas deixou-se comover pelas lgrimas 
de Ptroclo, autorizando o seu amigo a utilizar as armas de Peleu e a reconduzir os Mirmides em combate. Acontece que, neste confronto, Ptroclo acabar por encontrar 
a morte s mos de Heitor, marido de Andrmaca, o mais valente dos filhos do rei Pramo.
Enlouquecido de dor, Aquiles saltou, sem armas, para o campo de batalha, produzindo um tal bramido, que o exrcito troiano se escondeu atrs das suas muralhas. A 
sua contenda com Agammnon fora esquecida, pois agora Aquiles s pensava em vingar a morte de Ptroclo. Acontece que ele j no tinha as armas que lhe tinham sido 
dadas por seu pai. Elas encontravam-se na posse de Heitor. Mas sua me, Ttis, encarregou Hefesto de lhe forjar uma nova armadura. E assim as vtimas de Aquiles 
sero tantas que iro atulhar o leito do rio Escamandro.
Mas  Heitor que Aquiles persegue com o seu dio, e que pretende sacrificar em homenagem a Ptroclo. Certo dia acaba por surpreend-lo, derrotando-o num combate 
singular e matando-o. Depois, prendeu o cadver ao seu carro e, com ele, deu a volta s muralhas de Tria. E s largou o corpo ensanguentado e desfeito, quando o 
velho Pramo lhe veio suplicar indulgncia.
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Aquiles
A tradio ps-homrica acrescentou, ainda, outras proezas a Aquiles. Entre estas podemos destacar a sua luta contra a rainha das Amazonas, Pentesileia, que veio 
com as suas tropas em socorro dos Troianos e perdeu a vida s suas mos. No ltimo momento, quando Aquiles viu o rosto da sua vtima inflamado por uma sbita e impossvel 
paixo, chorou sobre o seu corpo.
Relata-se, igualmente, o seu encontro com Mrnnon, filho da Aurora, que terminou com a morte do Troiano, e foi uma fonte inesgotvel de lgrimas para sua me.
A morte de Aquiles Apesar da valentia e dos feitos de Aquiles, a fatalidade no podia deixar de acontecer. A morte do grande heri da Antiguidade  apresentada em 
duas verses diferentes. Uma relata-nos que ele morreu em combate, ferido no calcanhar por uma flecha assassina, atirada por Pris, mas guiada por Apolo, vingador 
do seu filho Tenes.
A outra verso, mais romanesca, diz-nos que o heri se apaixonou por Polixena, a filha mais jovem do rei troiano e que, por amor dela, esteve quase a abandonar a 
causa dos Gregos. Certo dia, Aquiles encontrou-se com a jovem num templo de Apolo, muito prximo de Tria, mas Pris, irmo de Polixena, surgiu empunhando o seu 
arco e, vendo o seu inimigo numa postura galante feriu-o, fcil e cobardemente, com uma flecha no calcanhar. Os Gregos, persuadidos de que Polixena tinha organizado 
uma cilada, ao apoderarem-se da cidade de Tria, desvaneceram-se  sua procura. Pirro, filho de Aquiles, que os Gregos tinham ido buscar para que tomasse o lugar 
de seu pai no exrcito, descobriu-a e imolou-a sobre a sepultura do heri.
Aquiles, aps a morte, recebeu a justa recompensa por toda uma vida de feitos hericos e de combates. Zeus, a pedido de Ttis, conduziu-o  ilha dos Bem-aventurados, 
onde ele casou com uma herona (cita-se Medeia, Ifignia, Polixeria, e mesmo Helena: da sua unio com esta, teria nascido um filho alado, Euforio, que  identificado 
com a brisa da manh).
Na Antiguidade, Aquiles foi venerado como o modelo de heri por excelncia. Um heri simultaneamente belo, robusto e corajoso, que tentou sempre elevar-se acima 
da sua simples condio de mortal (os esticos, no entanto, condenaram o seu temperamento violento, muitas vezes escravo das suas paixes). Por isso, ele foi venerado 
em todo o mundo grego, embora o
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rcade
centro do seu culto se tenha fixado nas margens do mar Negro. Confirma-se que o seu tmulo se encontrava numa ilha deste mar, a ilha Branca (Leuk), igualmente chamada 
"Aquileia".
As obras literrias em que Aquiles aparece como heri so abundantes (Para alm da Ilada e da Odisseia - onde acompanhamos a vida de Aquiles no Inferno -, podemos 
destaca[, ainda, a Ifignia em ulis, tragdia de Eurpides, "imitada" mais tarde por Racine (1674) e transformada em pera por Gluck (1774), O Aquileide, poema 
pico de Stace, etc.); e as artes plsticas (pinturas de vasos, esculturas, etc.) deleitam-se sempre (cf. telas de Rubens, Teniers, Ingres, Delacroix) com as suas 
mltiplas faanhas.
Arcade ou,@ m                     Z_53H1,1     MIM-INIk
rcade era filho de Zeus e da ninfa Calisto, que foi transformada em ursa (para escapar ao furor ciumento de Hera), sendo por isso criado e educado pela ninfa Maia, 
me de Hermes.
Alguns autores afirmam que o seu av materno, o cruel rei Licon, o matou ainda criana, servindo-o depois, em banquete, ao seu pai Zeus. Mas o deus vingou-se, destruindo 
o palcio e transformando Licon num lobo. Depois, ressuscitou o seu filho.
Mais tarde tornou-se rei da Arcdia, ensinando aos seus sbditos a arte de cultivar a terra, de amassar o po e de fiar a l.
 sua morte, os seus trs filhos partilharam entre si o reino de rcade. Certo dia, quando rcade caava, deparou subitamente com uma ursa, que parecia contempl-lo. 
O heri preparou-se imediatamente para a abater com uma flecha, no sabendo que se tratava de sua me. Mas Zeus, vigilante, deteve o seu brao. Depois, transformou 
rcade no guarda dos ursos, transportando em seguida a me e o filho, finalmente reunidos, para o cu, onde os colo-
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Ares
cou entre as constelaes. (A estreia Arcturo - do grego arctouros, de arctos: ursos e ouros: guarda - est situada na cauda da Ursa Maior.)
Ares
Filho de Zeus e de Hera, de quem ter herdado o carcter intratvel (segundo seu pai), Ares nasceu na Trcia, o pas das laranjas, dos cavalos e dos guerreiros. 
Ele pertence  gerao dos doze grandes deuses do Olimpo, sendo venerado como o deus da guerra e da luta. A sua fora fsica invulgar correspondia  sua fria sanguinria. 
(Relacionamos o seu nome com a raiz grega arque significa: destruir.)
Ares era completamente obcecado pela luta. Deleitava-se a percorrer com a sua quadriga os campos de batalha, coberto com uma armadura de bronze e munido com uma 
enorme lana, espalhando o terror. Habitualmente era acompanhado por ris, a Discrdia, e pelas sombras Kros, sequiosas de sangue fresco.
Todo o Olimpo se afastava dele e o seu prprio pai no lhe escondia a sua antipatia. Curiosamente, o seu maior inimigo, como ele filha de Zeus, era Atena, deusa 
da razo, com quem entrava frequentemente em conflito. Ela dominava-o e atormentava-o facilmente, pois a violncia de Ares era to primria nas suas manifestaes, 
to pouco subtil, que o colocava assiduamente em situaes humilhantes. Recordemos, a propsito, a sua captura pelos dois gigantes Alodas, que o prenderam durante 
treze meses num vaso de bronze, at que Hermes o veio libertar. Mas a pior de todas as suas humilhaes foi-lhe infligida por Hefesto.
Hefesto era casado com Afrodite, que o traiu exactamente com o deus da guerra. Ora, para evitar que o sol, ao despertar, revelasse o seu segredo, Ares colocou como 
sentinela o seu favorito Alectrio. Mas, certa manh, este adormeceu, e ento Hlio descobriu o casal e avisou Hefesto. Furioso, o deus do fogo e da metalurgia lanou 
sobre os amantes uma rede invisvel, a fim de os aprisionar. Depois convocou todas as divindades do Olimpo, para que elas assistissem ao despertar dos culpados e 
ao seu embarao. Mais tarde, Ares, por vingana, transformou o seu favorito num galo que, a partir desse dia, vigiaria e anunciaria, pontualmente, o nascer do sol.
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Ares
Afrodite foi, sem dvida, o seu grande e nico amor entre as imortais, a ponto de Ares se comportar como um amante possessivo e ciumento, desembaraando-se ardilosamente 
dos seus rivais, como Adnis, a quem ele inspirou a paixo pela aventura, conduzindo-o assim  morte. Desta unio ilcita nasceram diversas crianas (destacamos, 
entre outras, a Harmonia e o malicioso Eros, mas tambm o povo guerreiro das Amazonas, descendente de Ares,  apresentado, por vezes, como nascido de Afrodite). 
Apesar disto, Ares contraiu outras unies, mas a sua posteridade no conheceu uma sorte invejvel. Os filhos nascidos destes amofes so, todos eles, apresentados 
como seres sem grande importncia, seres violentos e salteadores.
Flgias, por exemplo, incendiou por vingana o templo de Delfos, sendo morto por Apolo. Diomedes, que alimentava os seus cavalos com carne humana, acabou, ele prprio, 
por servir de repasto a estes animais. E o obstinado Meleagro s conheceu uma vida de provaes e dificuldades. E, finalmente, a infortunada Alcipe foi violentada 
por um filho de Posdon, que Ares posteriormente matou. Mas Posdon procurou vingar-se, conduzindo-o perante o tribunal dos deuses, que se reuniu no prprio stio 
do crime, numa colina de Atenas. Apesar de tudo, o assassino beneficiou de circunstncias atenuantes, no sendo por isso sacrificado. E a colina onde se realizou 
o julgamento recebeu o nome de colina de Ares, o Arepago, servindo doravante de sede dos processos de carcter religioso.
Ares (os Romanos deram-lhe o nome de Marte) foi representado pelos escultores e pintores de todos os tempos (Roma, museu Borghse e Paris, Louvre). Citemos, entre 
aqueles que o associaram a Afrodite (Vnus): Piero di Cosimo (Berlim), Botticelli (Londres), Mignard (Avigon), Le Brun (Louvre), Poussin (Louvre), Vronse (Turim), 
Boucher (Londres); e entre aqueles que o pintaram na companhia de Atena (Minerva): Vronse (Berlim), David (Londres), etc. Velsquez consagrou-lhe uma tela clebre 
(Madrid, museu do Prado).
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Aristeu
Aretusa
A ninfa Aretusa  uma das companheiras de rtemis. O deus-rio Alfeu, que tentou em vo seduzir a deusa, acabou por apaixonar-se pela sua companheira quando, certo 
dia, a viu banhar-se nas suas guas, depois do esforo de uma caada. Para a conquistar, ele resolveu dedicar-se tambm  caa, mas Aretusa, fiei ao seu voto de 
castidade, fugiu, escondendo-se na Siclia. No entanto, Alfeu perseguiu-a e a ninfa viu-se obrigada, para lhe escapar, a transformar-se numa fonte (na regio de 
Siracusa). Segundo uma das verses da lenda, o deus acabou por possu-Ia, ao misturar as suas guas com as dela.
O rosto de Aretusa figura numa moeda de Siracusa (c. 480 a. C.). Uma pgina das Metamorfoses de Ovdio de Benjamin Britten (compositor contemporneo) -lhe consagrada.
Aristeu                                                                      MODO
A ninfa Sirene era filha do rei dos Lpitas, na Tesslia. Certo dia, quando ela caava perto do monte Plio, Apolo viu-a e imediatamente a raptou, transportando-a 
no seu carro para a Lbia. Desta unio "forada" nasceu um filho, Aristeu.
Aristeu foi confiado s Horas - as Estaes - que o alimentaram de ambrosia e de nctar. Mas segundo uma outra tradio, teria sido o centauro Quron e as Musas 
que o tinham educado, instruindo-o em diversas artes: a agricultura, a medicina e a adivinhao.
Mais tarde, vivia ele na Becia, casou com uma das filhas do rei de Tebas, Cadmo, a jovem Antnoe. Desta unio nasceu um filho, Acton (que rtemis transformou em 
veado para ser devorado pelos seus prprios ces).
Entretanto, no decurso da uma estada na Trcia, Aristeu apaixonou-se por Eurdice, esposa do poeta Orfeu. Mas esta, ao tentar escapar-lhe, pisou uma serpente, morrendo 
em consequncia da mordedura.
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rtemis
Aristeu tomou parte, como comandante de um exrcito de Arcdios, na conquista da ndia, organizada por Dioniso. Durante a expedio ele desviou, com a ajuda de seu 
pai e de Zeus, que enviaram os ventos etsios, uma epidemia que grassava nas Cciades. E a partir de ento estes ventos, vindos do norte, passaram a reaparecer todos 
os anos, a fim de refrescar e purificar esta zona da terra.
Quanto a Aristeu, cujo nome (em grego) significa o muito bom, ele ir difundir na Arcdia, e depois em toda a Grcia, os conhecimentos que tinha adquirido a nvel 
agrcola. Assim, ensinar aos Gregos a arte de amestrar as abelhas, de tratar do gado, de preparar o leitee de cultivar a oliveira e a vinha.
Mais tarde, quando Aristeu desapareceu misteriosamente da face da terra, passou a ser venerado como o protector e benfeitor das manadas e dos trabalhos do campo.
rtemis                                                                  MEU
Segundo a tradio mais corrente (em Elusis, por exemplo, ensinava-se que rtemis era filha de Demter), rtemis  filha de Zeus e de Leto, e irm gmea de Apolo. 
Tal como o seu irmo, tambm ela  uma divindade da luz (a "Brilhante", Febo), mas da luz nocturna, lunar.
A virgem rtemis e as suas vinganas rtemis nasceu na ilha de Ortigia (Delos), um dia antes de seu irmo. O seu nome parece provir do adjectivo grego artms que 
significa: de boa sade. Aps o seu nascimento, ela pediu como presente, a seu pai, Zeus, uma armadura completa de caadora e este encarregou Hefesto de lhe forjar 
um arco em ouro. A partir de ento, ela comeou a acompanhar Apolo nas suas expedies, estando presente quando ele matou a serpente Pton e seguindo-o depois no 
seu exlio na Tesslia. Mais tarde, quando Apolo regressou a Delfos, rtemis preferiu dirigir-se para a selvagem Arcdia, uma zona montanhosa, rica em caa e com 
numerosas fontes, que permitiam um banho reparador depois da fadiga de uma caada. A deusa era acompanhada por um cortejo de ninfas, que a ajudavam a cuidar dos 
seus ces, partilhando tambm dos seus divertimentos e prazeres.
45

rtemis
Curiosamente, ela tinha excludo o amor da sua vida, mantendo-se virgem e casta, e obrigando as suas companheiras a seguirem o seu exemplo. Se uma delas trasse 
este voto, ainda que involuntariamente - como aconteceu com Calisto, seduzida por Zeus - seria castigada. E se algum indiscreto violasse o segredo da sua intimidade, 
rtemis no hesitaria em puni-lo de modo exemplar. Ora isto aconteceu exactamente com Acton, filho de Aristeu que, no decurso de uma batalha, surpreendeu a deusa 
quando esta se banhava, completamente nua, numa fonte. Extasiado, Acton prolongou a sua contemplao e a deusa imediatamente o castigou, transformando-o num veado 
que, depois, foi devorado pelos seus prprios ces.
Mas ser que rtemis nunca ter sentido o fogo da paixo? Parece que a deusa se ter impressionado com a beleza do caador gigante Oron, filho de Posdon. No entanto, 
este no sobreviveu a este fogo inslito. No sabemos se foi Apolo que interferiu, a fim de proteger a sua irm do seu desejo traioeiro (conta-se que ele a desafiou 
para atingir com as suas flechas um objecto que aparecia, de longe a longe, no meio das guas. A deusa aceitou o desafio e trespassou, involuntariamente, a cabea 
de Oron, que nadava no alto mar) ou como se afirma noutra tradio, se foi a prpria rtemis a provocar a morte do gigante quando, aps uma caada que faziam em 
conjunto, na ilha de Quios, este esboou um gesto arrebatado de desejo. Imediatamente a deusa (recordando o seu voto de castidade) fez surgir da terra um escorpio 
que picou o imprudente. rtemis ficou to reconhecida ao animal que preservara a sua virtude, que o imortalizou, fazendo dele uma constelao. Entretanto, Oron 
tambm lucrou com a metamorfose, pois foi enviado para junto das estrelas.
rtemis era uma deusa que no perdoava aos mortais uma falta de respeito ou um atentado ao seu domnio, castigando-os cruelmente quando estes a ofendiam. Foi o que 
aconteceu com Agammnon. Com efeito, o "rei dos reis" no receou matar um veado num bosque consagrado  deusa. Mas quando esta soube, impediu os ventos de soprarem, 
impossibilitando assim a partida da frota grega para Tria. E em seguida participou a Agammnon que s mandaria regressar os ventos se ele sacrificasse em seu louvor 
a sua filha Ifignia. Mas entretanto, desta vez, a deusa demonstrou alguma piedade pela vtima inocente que transformou na sacerdotisa do seu santurio de Turida.
Os atributos de Artemis Tal como Apolo, a deusa da Lua era dotada de atributos variados e contraditrios. Por um lado, manifestava qualidades simpticas e benficas: 
diri-
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rtemis
gia o coro das Musas, proferia orculos, dava bons conselhos, curava as doenas ou as feridas, protegia as guas termais e as viagens, em terra e no mar, e ainda 
velava pelos animais domsticos e pelos campos. Mas, simultaneamente, rtemis era a deusa da caa, aterrorizando, portanto, os animais selvagens. Esta era a sua 
faceta cruel e, por vezes, mesmo brbara. Com efeito, a deusa divertia-se a oprimir os mortais, a desencadear epidemias ou a provocar a morte violenta, merecendo 
bem o cognome de Apolussa, a Destruidora.
Os Romanos identificaram rtemis com a deusa itlica Diana, em cujo nome se reconhece a raiz di, que evoca a lz. A segunda-feira era o seu dia, o dia da Lua (cf. 
o ingls monday e o alemo montag).
Mas a Diana de feso no tem, praticamente, nenhuma relao com a casta rtemis dos Gregos. O seu nome deriva, assim, da semelhana que existe entre a maior parte 
dos atributos das suas deusas. Na realidade, a deusa de feso  uma deusa-me, por excelncia, deusa da natureza e, consequentemente, deusa lunar, caadora, protectora 
dos mares e das cidades. Os habitantes de Foceia, que colonizaram Marselha, colocaram-se sob a sua proteco.
rtemis (Diana)  comummente representada na Antiguidade e em vrias outras pocas (pelos escultores J. Goulon, G. Pilon, Houdon; pelos pintores F. Clouet, Ticiano, 
Le Corrge, Vronse, A. Carrache, Rubens, Le Dominiquin, Vermeer, Watteau, Boucher, etc.) como uma jovem robusta e de rosto severo (opondo-se assim  beleza alegre 
e provocante de Afrodite); aparece vestida com uma tnica arregaada, que lhe deixa as pernas livres para correr, e  acompanhada de uma cora ou de um co (o co 
da caa ou o co que ladra  Lua). Umas vezes surge munida de um arco e de um carcs, outras de um archote. Usa geralmente o crescente lunar como diadema. A representao 
de rtemis de feso  completamente diferente. A deusa surge-nos coberta com uma tnica comprida, decorada com diversos animais, as mos abertas num gesto ritual, 
e ostentando uma multiplicidade de seios, smbolo evidente de fecundidade.
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Asclpio
Asclpio w~, ;-Uu,,U            @,,,,wko@u<oa,
A lenda mais conhecida, concernente a Asclpio, foi-nos legada por Pndaro. Ela conta-nos que a ninfa Cornis, depois de ter engravidado de Apolo, e temendo no 
manter esse amor, resolvera casar com um mortal. O deus, enfurecido, decidira vingar-se, punindo-a com a morte. Mas quando o corpo da jovem comeou a ser consumido 
na pira fnebre, Apolo, cheio de remorsos, arrebatou o filho ainda vivo das entranhas de sua me. E este tornou-se o seu filho preferido, Asclpio.
O centauro Quron, encarregado de o educar, iniciou-o na arte da medicina e Asclpio, dotado de um sentido de observao invulgar, progrediu rapidamente nos seus 
conhecimentos. Mas certo dia uma serpente surgiu-lhe no caminho, enrolando-se na vara que ele empunhou. Asclpio deitou-a por terra e matou o animal. Acontece que, 
miraculosamente, apareceu uma segunda serpente. Esta trazia na sua boca uma certa planta, com a qual ressuscitou o rptil morto. Este acontecimento, carregado de 
simbolismo, foi para Asclpio uma revelao. A revelao da virtude das ervas medicinais. E assim, encontramos aqui a origem do caduceu (duas serpentes enroladas 
 volta de uma vara), que se tornou no emblema do corpo mdico.
A partir do momento em que Asclpio comeou a pr em prtica os seus conhecimentos, os seus sucessos multiplicaram-se, valendo-lhe uma reputao extraordinria.
A certa altura da sua vida casou com a filha do rei de Cs, Epone, que lhe deu dois filhos e cinco filhas. Os rapazes, Macon e Podalrio, herdaram do seu pai o 
poder de curar. Fizeram-no, por exemplo, no decorrer da guerra de Tria, na qual participaram como mdicos das tropas gregas. Macon cuidou de Tlefo e de Menelau 
e operou Filoctetes.
As filhas de Asclpio tambm o ajudaram na sua funo, particularmente Hgia (deusa da sade) e Panaceia (que personifica a cura de todos os males, atravs das plantas). 
Para alm dos seus filhos, tambm Telsforo, o pequeno gnio da convalescena, que os escultores representam muitas vezes ao lado de Asclpio, o Apolou no seu ministrio.
Alguns autores afirmam que Asclpio ter recebido, de Atena, uma pequena quantidade do sangue que brotou da ferida da Grgona, e que da teria extrado a frmula 
para ressuscitar os mortos. E ter ressuscitado tantos que Hades, temendo ter de fechar as portas do seu reino por falta de candidatos,
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Astros
foi queixar-se a Zeus. Este, receando que a ordem universal fosse subvertida pela descoberta de Asclpio, decidiu fulmin-lo. Mas Apolo imortalizou-o, transformando-o 
numa constelao, chamada serpentria, na qual reconhecemos Asclpio segurando uma serpente.
Considerado pelos humanos como deus da medicina, mantendo ou restituindo aos mortais o calor da vida e a claridade do dia, Asclpio foi objecto de uma enorme venerao 
em todo o mundo antigo, grego e romano. E o culto que lhe era prestado no s tinha um fim religioso, mas tambm teraputico. Os santurios, dos quais o mais clebre 
foi Epidauro (uma verso da lenda aponta-o como o local onde Corni@ ter dado  luz), eram instalados fora das cidades, em zonas escolhidas pela sua salubridade. 
Os sacerdotes transmitiam os segredos (da cura) de pai para filho. Um dos mais ilustres ter sido Hipcrates, que se dizia ser aparentado com o deus. Os doentes, 
que afluam de todas as partes do mundo antigo e que pertenciam a todos os grupos sociais, eram alojados nas dependncias do templo e, durante o seu sonho, reviam 
o deus, que lhes revelava o remdio para os seus males.
Asclpio  representado como um homem maduro, vigoroso, de rosto benevolente e barbudo; Denis, tirano de Siracusa no sc. iv a. C., confiscou a barba de ouro, de 
uma esttua de Esculpio (nome romano de Asclpio) do Epidauro, justificando que no era normal que um filho fosse barbudo, quando o seu pai era imberbe.
Astros                                                                   W'@I
Na Antiguidade, os homens personificaram, com muita frequncia, as foras da natureza, transformando assim determinadas divindades em astros.
O Sol e a Lua foram objecto de cultos variados (muito elaborados, com os nomes de Hiprion, Hlio, Apolo, Mitra, Selene, rtemis (Diana), Hcate... assim como as 
estrelas e, particularmente, as constelaes.
Os Romanos, muito influenciados pela astrologia oriental, identificaram
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Atalanta
os doze deuses do Olimpo com os astros e popularizaram uma correspondhcia j esboada pelos Gregos:
Carneiro: Minerva (Atena) Touro: Vnus (Afrodite) Gmeos: Apolo Caranguejo: Mercrio (Hermes) Leo: Jpiter (Zeus) Virgem: Ceres (Demter) Balana: Vulcano (Hefesto) 
Escorpio: Marte (Ares) Sagitrio: Diana (Artemis) Capricrnio: Vesta (Hstia) Aqurio: Juno (Hera) Peixes: Neptuno (Posdon)
O Sol, que os astrlogos apresentam como o corego dos planetas, torna-se durante o Imprio a divindade suprema do panteo romano.
Atalanta
Atalanta  filha do arcdio aso, que s queria filhos do sexo masculino. Assim, quando a criana nasceu, ele abandonou-a no monte Prtenon, mas esta foi alimentada 
por uma ursa e recolhida por caadores que a criaram.
Assim, a jovem sofreu uma educao rude e viril, muito semelhante quela que a deusa caadora rtemis impunha aos seus fiis. E, tal como a deusa, tambm Atalanta 
jurou resistir s tentaes do amor. Certo dia, dois centauros tentaram viol-la, mas ela venceu-os e matou-os.
Curiosamente, Atalanta foi a nica mulher admitida por Jaso na expedio dos Argonautas. Quando estes regressaram a lolco, participaram nos jogos fnebres organizados 
em honra do rei morto. E Atalanta participou na prova de luta, ganhando o prmio de melhor lutadora, ao vencer Peleu.
A jovem foi tambm convidada para a caa ao javali de Clidon, uma das mais aventurosas e dramticas temeridades da lenda. E foi ela que, primeiramente, atingiu 
o animal com a sua lana. S depois disso  que Meleagro, filho do rei de Clidon, o matou. Recebendo, como era costume, os restos mortais da vtima, o jovem prncipe 
ofereceu-os  caadora, pela qual se
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Atena
apaixonara, entretanto. Mas os seus tios ficaram indignados com a sua atitude, pois consideravam que os despojos lhes deveriam ter sido oferecidos a eles, como parentes 
prximos que eram. Irritado, Meleagro combateu-os e matou-os, mas no sobreviveu a esta aventura.
aso, que com o tempo aceitou reconhecer a sua filha, admitindo sem dvida que ela manifestava qualidades pouco comuns, quis dar-lhe um marido a fim de perpetuar 
a descendncia. Atalanta, depois de ter recusado esta possibilidade durante muito tempo, acabou por decidir que s aceitaria como marido algum que a vencesse na 
corrida. E aqueles que falhassem na prova seriam imediatamente mortos. Este foi o destino de grande nmero de pretendentes. Mas um dia, Hiprnenes apresentou-se 
a fim de vencer a corrida. E para isso contou no s com as suas pernas, mas tambm com a sua intuio psicolgica, levando consigo laranjas que Afrodite lhe ofertara. 
Quando a partida foi dada, Hiprnenes atirou as laranjas para a pista e Atalanta caiu na armadilha. Parou, a fim de apanhar as laranjas, sendo assim vencida e conquistada.
Mas algum tempo depois, no decurso de uma caada, os dois esposos cometeram a imprudncia de se amar num santurio consagrado a Zeus. Este, indignado com o acto 
de profanao, transformou-os em lees (na Antiguidade acreditava-se que os lees no acasalavam entre si).
A lenda atribui um filho a Atalanta, mas no se sabe ao certo se o seu pai foi Meleagro, Hiprnenes ou o deus Ares. Partenopeu (do nome parthnos), que foi o companheiro 
de Tlefo, tinha tanto de corajoso como de belo, mas acabou por encontrar a morte em Tebas, no decurso da expedio dos Sete contra Tebas.
Cf. o quadro A Corrida de Atalanta e de Hpmenes (museu de Npoles).
Atena
A deusa Ttis, filha dos Tits Oceano e Ttis, foi a primeira esposa de Zeus. Divindade da sabedoria e da razo, "ela sabia mais, diz Hesodo, que
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Atena
todos os deuses e homens juntos". Foi ela que preparou uma droga, graas  qual Cronos restituiu  vida os irmos e irms de Zeus, que ele tinha "absorvido", quando 
estes nasceram. Ora Gaia e rano, depositrios dos destinos, advertiram Zeus de que se Mtis lhe desse filhos, um deles agiria contra ele, como ele tinha feito com 
o seu pai Cronos e como Cronos, ele prprio, tinha feito com o seu pai rano, ou seja, destron-lo-ia.
Atena nasce completamente armada Quando Mtis aparece grvida, Zeus decidiu, usando um procedimento cuja eficcia tinha verificado, devorar a sua esposa. Ao faz-lo, 
ele no s afastava o perigo, mas incorporava os dons poderosos e exclusivos de Mtis, transformando-se assim no deus da sabedoria.
Algum tempo depois do desaparecimento da deusa, Zeus comeou a sentir fortes dores de cabea. Estas foram aumentando e Zeus teve de recorrer a uma trepanao. Para 
isso, chamou Prometeu - outros autores dizem que foi Hefesto (o filho que Zeus teria tido, fora do casamento, com Hera, a sua futura mulher) - e ordenou-lhe que 
lhe abrisse o crnio com um golpe de machado. O "mdico" assim fez e do corte emergiu, completamente armada, e dando um grito de vitria que abalou o cu e a terra, 
Atena, que viria a ser a filha preferida do rei dos deuses.
A operao teve lugar na Lbia, nas margens do lago Tritones. Uma tradio tardia conta que o deus deste lago, Trito, teve uma filha chamada Palas. Atena e Palas 
teriam crescido juntas e, certo dia, quando brincavam "s guerras", Atena, sem querer, provocou a morte da sua companheira. Entristecida, a deusa fez uma esttua 
em tudo semelhante  amiga e juntou ao seu prprio nome o de Palas. Este episdio da infncia de Atena era recordado todos os anos na Lbia, atravs de um "festival" 
onde as jovens, divididas em dois campos, lutavam entre si.
Uma outra verso da lenda conta que a deusa tinha o nome duplo de Palas-Atena, porque no decurso de uma luta dos Olmpios contra os Gigantes, Atena tinha matado 
o gigante Palas, esfolando-o vivo e revestindo-se com a sua pele. No decorrer do mesmo combate, a deusa teria derrotado o gigante Enclado, numa ilha da Siclia.
Deusa da razo Atena , simultaneamente, uma deusa guerreira e uma deusa da inteligncia e da sabedoria. Na sua faceta de divindade guerreira (Atena-Prornaco:
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Atena
aquela que combate  frente), ela personifica a inteligncia tctica face  brutalidade animal que incarna o seu meio-irmo, Ares. Ela saber inventar o carro de 
guerra e presidir  construo do navio Argo, o maior navio conhecido at ento. Para alm disso, ser a inspiradora dos heris hbeis e ponderados como Perseu, 
Belerofonte, Hracies, Diomedes, Aquiles ou Ulisses (a quem ela proteger o filho, Telrnaco, sob a aparncia do sbio Mentor). A sua parcialidade a favor dos Gregos, 
na guerra de Tria, explica-se pela afronta que o troiano Pris lhe teria infligido, ao recusar-lhe, em proveito de Afrodite, o prmio reservado  beleza.
Nos momentos de paz, Atena personifida a benevolncia.  ela que ensina aos humanos a arte de domar os cavalos, as tcnicas da olaria, da tecelagem e dos bordados. 
Mas a deusa gosta de ver reconhecidos os seus talentos e favores, por isso sentiu-se vexada com o julgamento de Pris. Assim, quando algum a desafiava, era imediatamente 
castigado: foi o que aconteceu com a jovem Aracrie. Esta decidiu desafiar Atena na tcnica da tecelagem e dos bordados, e a deusa transformou-a numa aranha, a fim 
de que ela passasse os seus dias a tecer a sua prpria teia.
Certo dia, Atena lanou o seu olhar sobre a terra da tica. Mas esta pertencia ao seu tio, Posdon, e portanto os dois vo disput-la. Posdon, para fazer valer 
os seus direitos, tinha feito nascer, com um golpe de tridente sobre a colina da Acrpole, uma fonte de gua salgada, segundo uns, ou um cavalo, dizem outros. Quanto 
a Atena, fez florescer uma oliveira (liga-se o nome de Atena a duas raizes do snscrito que significam: ferir e colina). Os deuses, chamados a pronunciar-se, submeteram-se 
 opinio do rei Ccrops, que compreendeu a importncia que a oliveira podia ter para o seu povo, e elegeram Atena, que deu o seu nome  cidade de Atenas.
A virgem protectora Em Atenas, a deusa  venerada com um culto muito particular, que vai desde a solenidade das Panateneias, criada pelo rei Teseu, at aos jogos 
gmnicos, corridas de cavalos, regatas e concursos de dana e de msica. De quatro em quatro anos, uma imponente procisso, composta por sacerdotes, magistrados, 
ancios carregando ramos de oliveiras, jovens a cavalo e, sobretudo, raparigas transportando cestas atravessava a cidade. Depois, era oferecida  esttua da deusa 
uma capa de linho confeccionada pelos mais hbeis artfices. No sculo v a. C., Atena possua na Acrpole trs templos,
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Atena
um dos quais, edificado por ordem de Pricies, foi conhecido com o nome de Partnon.
O Prtenon  o templo dedicado  deusa virgem (parthnos), pois Atena representa uma castidade absoluta e feroz. (Alguns autores aproximam do nome Palas a palavra 
grega pallax, que significa, igualmente, a jovem.) Hefesto apaixonou-se um dia pela deusa e tentou vol-la. Mas foi energicamente repelido e a semente do seu desejo 
acabou por impregnar a terra. Esta, fecundada deste modo, deu  luz o divino Erictnio, que Atena aceitou educar e que veio a ser rei de Atenas, criando a o culto 
da deusa.
Assim, qualquer atentado ao pudor de Atena era punido cruelmente. Foi o que aconteceu com o tebano Trsias, que certo dia olhou a deusa, enquanto esta se banhava. 
Mas Atena vingou-se, imediatamente, cegando-o. Depois, sensibilizada e acreditando na inocncia da sua vtima, conferiu-lhe o dom da "dupla viso".
Atena no era, somente, a protectora de Atenas. Vrias cidades do mundo heinico estavam sob a sua proteco. Com efeito, a sua eficcia na paz, assim como na guerra, 
as virtudes e as qualidades que ela encarnava, com destaque para a inteligncia e a sabedoria, representavam para os Gregos os aspectos mais positivos da sua civilizao.
A Acrpole de Atenas
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Atenas
A deusa era descrita como uma bela e altiva jovem de olhos brilhantes, olhos "esverdeados" diz-se muitas vezes, olhos de coruja, diz Homero, que lhe permitiam atravessar 
as trevas.
A Atena grega foi assimilada  deusa Minerva dos Etruscos, como ela uma deusa da inteligncia (a mesma raiz do latim mens). Por isso, ela era a menos itlica das 
divindades da trade capitolina (Jpiter-Juno-Minerva), to venerada pelos Romanos.
Os escultores e os pintores representam Atena vestida, geralmente estreitada em dignas roupagens e cingida com a gide, sobre a qual est chapeada a terrvel cabea 
da Grgona, que petrificava aqueles que ousassem olh-la. Ela tem nas mos a lana e o escudo e apresenta, algumas vezes, na mo esquerda, uma esttua alada. Foi 
assim que a representou Fdias na sua monumental efgie, recoberta de ouro e de marfim. Os animais que acompanham Atena so a coruja e a serpente (representando 
Erictnio. Este tipo de figurao  muito utilizada nas divindades ctnicas).
Atenas                                                                  MI
Depois do dilvio, que transformou o pas num verdadeiro deserto, a tica foi governada pelo rei Acteo, a quem sucedeu o seu genro Ccrops, filho da Terra, que deu 
a este lugar o nome de Cecrpia, fundando a cerca de doze cidades. Durante o seu reinado, Atena e Posdon disputaram entre si a tutela deste lugar. O deus do mar 
acreditou que ganhava o voto de Ccrops, oferecendo aos habitantes o cavalo, que ele fez nascer com um golpe de tridente sobre a colina da Acrpole. Mas Atena, por 
seu lado, fez brotar uma oliveira nesta pedra rida, e foi ela que ganhou os favores do rei. Os deuses, consultados, ratificaram a sua escolha.
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Atenas
CCROPS 110
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Deucalio
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Os vinte reis que governaram a tica
Posdon
1 Neleu
Andropompo
1 (L') ME LA NTOS
III)CODROS
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Atenas
Os primeiros reis Ccrops deixou a lembrana de um rei sbio e pacfico. Foi ele que ensinou a arte da escrita aos seus compatriotas. Como o seu filho morreu jovem 
e no deixou descendncia, sucedeu-lhe Crnao, um outro filho de Geia. Este deu o seu prprio nome  capital, Crriae, e o nome de uma das suas filhas, tis, ao 
conjunto da regio, que desde ento foi conhecida como tica.
Uma outra filha de Crnao, Crriae, tinha desposado um filho de Deucalio, Anfiction. Este destronou o seu sogro e ocupou o poder, sendo mais tarde expulso, por 
sua vez, por Erictnio, nascido no tempo de Ccrops, do desejo de Hefesto por Atena.
Erictnio e os seus descendentes Erictnio introduziu na tica o uso da moeda e instaurou na Acrpole as festas em honra de Atena. Sucedeu-lhe o seu filho, Pandon, 
e foi durante o seu reinado que, segundo a tradio, Demter veio para a tica.
Pandon teve dois filhos: Erecteu, que recebeu o trono em herana e Butes, que se tornou o sacerdote de Atena e de Posdon. Erecteu, apesar da sua piedade e da sua 
sabedoria, conheceu um fim trgico. No decurso de uma guerra que ops os habitantes da sua capital aos de Elusis, a cidade vizinha, Erecteu s conseguiu a vitria 
mediante o sacrifcio de uma das suas ilhas. Aps este acontecimento, as irms da vtima suicidaram-se. Mas tambm um filho de Posdon, aliado dos eleusianos, foi 
morto em combate e ento Zeus, a pedido de seu irmo, fuiminou o infeliz Erecteu.
Este foi substitudo no trono pelo seu filho, Ccrops 11 que, por sua vez, foi substitudo por Pandon 11. Este acabou por ser deposto aps uma revoluo organizada 
pelos seus primos, mas os seus filhos restabeleceram os seus direitos pela fora das armas, e o mais velho, Egeu, foi investido como rei.
Certo dia, Egeu matou Andrgeo, filho do rei de Creta, Minos. Este invadiu a tica e obrigou o rei a pagar um pesado tributo: todos os nove anos, cinquenta rapazes 
e cinquenta raparigas cretenses deviam ser dados como alimento ao Minotauro, fruto monstruoso dos amores da rainha Pasfae com um touro. Teseu, filho de Egeu, decidiu 
fazer parte de um destes contingentes, a fim de vencer o monstro, Ele conseguiu levar o seu empreendimento a bom termo, mas esqueceu a promessa feita a seu pai, 
de iar uma vela branca caso sasse vitorioso. Egeu, verificando que o navio apresentava a mesma
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Atenas
vela fnebre que hasteara  partida, atirou-se ao mar que, a partir de ento, oassou a ter o seu nome.
Teseu E assim, Teseu sucedeu a seu pai. A sua primeira grande preocupao foi reunir e organizar numa mesma cidade vrias aglomeraes vizinhas. Depois, deu a este 
corpo vivificado o nome de Atenas, em homenagem  deusa Atena, cujo culto ele desenvolveu, com a criao da festa das Panateias, smbolo de unidade religiosa e poltica. 
Simultaneamente, lanou as bases de uma estrutura social de tipo democrtico.
Teseu acolheu com benevolncia dipo, banido de Tebas, e permitiu-lhe acabar os seus dias num burgo de Atenas, Colono. O orculo tinha anunciado que a terra que 
abrigasse o seu tmulo seria abenoada pelos deuses, por toda a eternidade.
Foi durante o reinado de Teseu que aconteceu a guerra dos Sete Chefes contra Tebas, e igualmente a expedio das Amazonas contra Tebas, a fim de vingar a sua irm 
Antope, seduzida por Teseu. Todos estes episdios tiveram um fim proveitoso para o rei de Atenas.
Entretanto, Teseu, de combinao com o seu amigo Pirtoo, tinha desenvolvido o presunoso projecto de escolher uma esposa de sangue divino, partindo assim  conquista 
de Helena de Esparta e da deusa Persfone. Durante a sua ausncia, os irmos de Helena, Castor e Plux, invadiram a tica e colocaram no trono de Atenas um descendente 
de Erecteu, Menesteu, que recebeu o Apolo de todos os adversrios das reformas de Teseu.
Os descendentes de Teseu Entretanto Teseu, depois de um certo tempo de cativeiro nos Infernos, encontrou a morte. Os seus dois filhos, camas e Demofonte participaram, 
entretanto, na guerra de Tria, para a qual Menesteu armou cinquenta navios.  morte do rei, os dois irmos partilharam entre si o trono de Atenas. O filho de Demofonte, 
Oxynto, sucedeu-lhes e a este sucedeu, por sua vez, o seu filho mais velho, Afeidas. Mas este ltimo foi morto e substitudo pelo seu irmo Timetes.
Entretanto, a guerra entre Atenas e Tebas parecia no ter fim. Ento foi decidido que os dois reis deveriam combater, um contra o outro, a fim de se encontrar um 
vencedor. Mas Timetes era cobarde e, para fugir  situao, publicou que deixaria o trono ao cidado de Atenas que aceitasse combater o
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tis
rei de Tebas. Imediatamente Melanto se apresentou e, beneficiando da interveno de Dioniso, venceu o combate e ganhou o trono. Mais tarde, foi construdo um santurio 
ao deus que tinha facilitado a vitria de Atenas.
O filho de Melanto, Codro, foi o seu sucessor e o herdeiro da sua coragem. Assim, quando Atenas foi atacada pelos povos do Peloponeso, o orculo revelou que estes 
s abandonariam a cidade quando o rei fosse morto pelo inimigo. Ento, Codro decidiu sacrificar-se pela sua cidade. Transformou-se em mendigo e aproximou-se das 
linhas adversrias. Ao chegar a, desafiou um soldado que o matou. Ao aperceberem-se de @uem ele era, os Peloponesos retiraram-se.
O acto herico de Codro suscitou tal admirao que ningum foi considerado digno de lhe suceder no trono. Os atenienses aboliram ento a realeza e decidiram eleger 
um chefe. O primeiro foi o filho mais velho de Codro, Medo.
E estava assim criado o "arcontato". De incio, uma magistratura para toda a vida, mais tarde limitada a um perodo de dez anos e depois, finalmente, repartida entre 
nove cabeas, para um exerccio anual. Simultaneamente, a histria substituiu a lenda.
Atis cus,'   o@
Segundo Ovdio, Cbele, a grande deusa frigia, apaixonou-se, castamente, pelo jovem e belo pastor tis, tornando-o guardio do seu templo e impondo-lhe a virgindade. 
Mas um dia tis apaixonou-se por uma ninfa, desposando-a e violando assim o seu voto. Cbele decidiu ento vingar-se, enlouquecendo o pobre pastor que, num acesso 
de loucura, se mutilou. Arrependida, Cbele ressuscitou tis sob a forma de um pinheiro.
Os Frgios, e mais tarde os Gregos e os Romanos, adoraram tis, como gnio da vegetao, associando o seu culto ao de Cbele. Assim, todos os anos, na Primavera, 
eram celebradas grandes festas populares que comemoravam a sua morte e a sua ressurreio.
A pera Atys de Luily, libreto de Quinault (1676), inspira-se no relato de Ovdio.
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Atlntida
Atlntida
A Atlntida era uma ilha situada no oceano "Atlntico", na proximidade das Colunas de Hrcules (estreito de Gibraltar). Era de uma riqueza fabulosa: as suas minas 
encerravam ouro, cobre, ferro e tambm oricalco, metal cujo brilho rivalizava com o do fogo. Esta ilha tinha sido dada em herana a Posdon.
Este apaixonou-se por uma das suas sbditas, uma rf chamada Clito, que lhe deu cinco pares de gmeos. O mais velho chamou-se Atlas e tornou-se o senhor supremo 
da ilha. Os seus descendentes transmitiram o trono de pai para filho.
Os "Atlantes" construram cidades magnficas, dotadas de todas as conquistas do urbanismo. Poderiam ter vivido em paz durante muito tempo, mas sucumbiram  tentao 
de submeter o resto do mundo, sendo vencidos pelos atenienses e depois pelas Amazonas de Mirina, a filha de Teucer.
Entretanto a ilha desapareceu em algumas horas, em meados do 11 Milnio. Depois de Plato, que consagrou  Atlntida um dos seus ltimos dilogos, o Crtias, sbios, 
poetas e romancistas (por exemplo, Pierre Benit: A Atlntida, 1919) foram tocados pelo enigma do continente fantasma. Uns viram-no como uma simples alegoria mitolgica; 
outros, esforando-se por ajustar a lenda a uma realidade geogrfica e histrica, situaram a ilha misteriosa nos pontos mais diversos do globo, quando no sugerem 
que ela poderia ter sido um planeta de uma outra galxia.
Os gelogos de hoje, para quem a Atlntida no  seno uma fico sada da fbula, situam-na no actual mar de Creta, ao sul do arquiplago das Cciades. Eles afirmam 
que o continente foi engolido, depois da maior erupo vulcnica que a memria humana registou. O vulco responsvel teria sido o do monte Tra, que constitui hoje 
a ilha de Santorino. Eles acrescentam, ainda, que se os historiadores estudassem a sbita extino da brilhante civilizao minica, concluiriam que ela no tinha 
desaparecido devido a invases, mas antes como consequncia de um gigantesco maremoto, que teria acompanhado o sismo e que, ao submergir Creta, teria destrudo toda 
a vida  sua superfcie.
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Atreu
Atlas
O gigante Atlas, como os seus irmos Prometeu e Epimeteu,  filho do Tit Jpeto e da ninfa Clmene, filha do Oceano. Participou na guerra que ops os Gigantes aos 
Olmpicos e que se saldou por uma derrota. Por isso, foi condenado por Zeus a carregar o cu s suas costas.
A sua morada est situada nas extremidades ocidentais da terra. Herdoto conta que Perseu, tendo regressado aps ter matado Medusa, apresentou a sua cabea ao gigante 
que, petrificado, foi transformado numa montanha.
Atlas  apresentado como o pai das Pliades e das Hades, assim como das Hesprides, por vezes.
No devemos confundir o gigante Atlas com o seu homnimo, filho de Posdon, que reinar na Atlntida.
No museu nacional de Npoles encontramos uma clebre esttua antiga que representa Alias carregando o cu.
Atreu
Atreu  um dos filhos do Frgio Plops, que se tornou rei da lide, e da rainha Hipodmia. Mas Plops tinha tido um filho fora do casamento e ento Hipodmia convenceu 
os seus filhos a mat-lo. Atreu e o seu irmo gmeo Tiestes assassinaram Crisipo e, como consequncia, foram banidos juntamente com sua me do reino de Plops.
A famlia refugiou-se em Argos, onde reinava Estnelo, genro de Plops. Certo dia, o irmo de Estnelo, rei de Micenas, foi morto acidentalmente pelo seu genro Anfitrio. 
Estneio decidiu ento partir e confiar a cidade e o seu territrio a Atreu e a Tiestes.
Entretanto, Atreu descobriu um dia, entre o seu rebanho, um carneiro que tinha nascido com um velo de ouro. E embora tivesse feito o voto de imolar a rtemis o seu 
mais belo carneiro, conservou o animal e escondeu o velo num cofre. Entretanto, Atreu casou com uma neta de Minos, rei de Creta,
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Atreu
chamada Arope, tendo tido dois filhos, Agammnon e Menelau, e uma filha. Mas Arope deixou-se seduzir pelo seu cunhado Tiestes e ofereceu-lhe, secretamente, o velo 
de ouro.
Mais tarde, quando o sucessor de Estnelo no trono de Argos, o seu filho Eristeu, foi massacrado pelos filhos de Hracles, o orculo aconselhou os habitantes a escolher 
um sucessor, entre os filhos de Plops.
Tiestes sugeriu ento que se escolhesse para rei aquele que pudesse apresentar uma certa preferncia divina, por exemplo, aquele que tivesse encontrado no seu rebanho 
um carneiro com um velo de ouro! Atreu aceitou imediatamente a aposta... mas Tiestes venceu-o. Ento Zeus enviou Hermes junto de Atreu, a fim de lhe sugerir a proposta 
de uma contra-prova. Atreu receberia o trono de Argos se o Sol, em determinado dia, se pusesse a Oriente!
Tiestes aceitou, mas o prodgio aconteceu e, assim, Atreu conquistou o poder. O seu primeiro gesto consistiu em expulsar o seu irmo, unindo assim sob o seu ceptro 
as cidades de Argos e de Micenas.
Entretanto, Atreu procurou saber em que circunstncias Tiestes se tinha apoderado do velo de ouro, descobrindo finalmente a traio dos dois amantes. Ento, com 
o pretexto de se reconciliar com o seu irmo, chamou-o e ofereceu um banquete em sua honra, dando-lhe como refeio a carne dos seus filhos, depois de mortos e cortados 
em bocados. O prprio sol, horrorizado, recuou no seu percurso, mas Atreu s no fim do festim revelou a terrvel verdade a seu irmo, banindo-o definitivamente dos 
seus Estados e atirando ao mar Arope, a esposa infiel.
Tiestes refugiou-se em Siciona, na Arglida, onde um orculo lhe revelou que ele seria vingado por um filho, nascido de uma relao incestuosa com a sua prpria 
filha, Pelpia. Assim, uma noite Tiestes violou a jovem sem se deixar reconhecer. Mas esta roubou-lhe uma espada, que conservou como a nica prova capaz de identificar 
o seu agressor. Mais tarde, Pelpia deu  luz um filho que abandonou, mas este foi recolhido pelos pastores que lhe deram o nome de Egisto (da palavra grega que 
significa cabra).
Entretanto, Pelpia casou com o seu tio Atreu e este mandou procurar a criana, educando-a no palcio juntamente com Agammnon e Menelau. Quando Egisto cresceu, 
Atreu, que no tinha esquecido o seu dio ao irmo, confiou-lhe a misso de ir procurar Tiestes. O jovem obedeceu e trouxe para Argos aquele que ningum sabia ser 
seu pai.
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Atreu
Atreu ordenou ento a Egisto que matasse o seu prisioneiro, e este pegou na espada que a sua me lhe tinha dado e que era aquela que ela tinha roubado a seu pai. 
Mas quando Tiestes reconheceu a sua espada, chamou Pelpia e revelou-lhe o seu segredo. Esta, desfalecida de dor, espetou a espada no prprio corao. Ento, Egisto 
retirou a arma ensanguentada do corpo de sua me, e matou Atreu.
Tiestes sucedeu, deste modo, a seu irmo no trono de Argos e de Micenas. Quanto aos filhos de Atreu, Agamrrmon e Menelau, foram expulsos, indo procurar asilo em 
Esparta, na corte do rei Tndaro. Foi a que Menelau conheceu e desposou a princesa Helena.
A sangrenta tragdia dos tridas, que se manteve durante geraoes e geraes, no estava seno no seu incio.
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Baal
O nome do deus fencio Baal significa "Senhor". Assim, cada localidade da Fencia possua o seu "baal", deus do espao, deus solar ou deus marinho. Baal tambm foi 
adorado pelos Cartagineses (sendo confundido com Cronos, o devorador dos recm-nascidos) e conquistou, mais tarde, toda a bacia mediterrnica, devido  incorporao 
dos soldados srios no exrcito romano. No sculo iii d. C., o imperador Heliogbalo tentou fazer reconhecer Baal de feso como o deus supremo do Imprio.
Belerofonte
Hipono,o, homem de grande beleza e rara coragem, era filho de Posdon e da rainha Efira (futura Corinto), esposa do rei Glauco (que, por sua vez, era filho de Ssifo).
Um dia, quando Hiponoo passeava junto  fonte Pirene, surpreendeu o cavalo alado Pgaso a matar a sede. Ento, graas a um freio mgico que lhe tinha sido oferecido 
por Atena, prendeu-o.
Entretanto, o trono de Corinto tinha sido usurpado por um certo Belero, que o prncipe ir matar, passando a usar a partir desse momento o nome de Belerofonte (assassino 
de Belero). Segundo a lei, Belerofonte teria de sofrer um exlio durante um certo tempo, a fim de expiar este crime.     r g u-se ento para a corte de Tirntio, 
onde reinava o rei Preto. Acontece que a rainha Estenebeia (ou Anteia, segundo Homero), esposa de Preto, se apaixonou por Belerofonte. Mas este repeliu-a. No entanto 
ela, temendo ser descoberta, de-
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Belerofonte
nunciou-o ao seu marido, dizendo que o prncipe tinha tentado seduzi-ia. O rei acreditou nas suas palavras, mas no querendo violar as leis da hospitalidade (que 
Belerofonte tinha violado, segundo sua mulher), enviou o jovem, com uma mensagem, ao seu sogro, o rei da Lcia, para que este se encarregasse da punio do seu hspede.
obates, rei da Lcia, em vez de matar o jovem, como Preto lhe pedira, preferiu sujeit-lo a uma prova, na qual ele obrigatoriamente encontraria a morte, Essa prova 
consistia em libertar o pas de Quimera, uma criatura fabulosa, nascida da relao entre o monstruoso gigante Tfon e a ninfa com corpo de vbora Equicina. Quimera 
apresentava-se com a forma compsita de um leo, uma cabra e um drago (Homero), cuspia fogo e devorava os rebanhos. Belerofonte lembrou-se ento de utilizar os 
servios de Pgaso, Montou no cavalo alado e percorreu o cu, repelindo o monstro e abatendo-se sobre ele em voo picado. Quimera tentou resistir, cuspindo as suas 
chamas, mas Belerofonte selou-lhe a boca com uma bola de chumbo, asfixiando-o.
O heri triunfou, ainda, noutras provas imaginadas pelo rei da Lcia: venceu o povo selvagem dos Slimos, massacrou as Amazonas e fez abortar uma emboscada urdida 
pelos melhores guerreiros do pas, que ele matou um a um. Reconhecendo o valor excepcional de Belerofonte, obates, rei da Lcia, ofereceu-lhe uma das suas filhas 
em casamento e simultaneamente metade do seu reino.
Como Belerofonte regressou a Tirntio, a tradio conta que a rainha que o tinha caluniado e que era irm da sua mulher, se suicidou - ou que esta, tendo querido 
fugir, utilizou o cavalo Pgaso, que a sacudiu da sela, sobre o mar, provocando a sua queda no meio das ondas.
Belerofonte teve dois filhos, lsandro e Hiploco, e uma filha, Laodamia. Esta, seduzida por Zeus, teria dado  luz o heri Sarpdon (que comandou um contingente 
de Lcios, ao lado dos Troianos, tendo perecido sobre as muralhas de Tria, como o seu primo Glauco li, filho de Hiploco).
Belerofonte no conseguiu, no entanto, escapar  tentao da vaidade. E assim, um certo dia, montado no cavalo Pgaso, quis atingir o Olimpo, a fim de se tornar 
imortal. Mas Zeus derrubou-o da cela, fazendo-o cair sobre a terra, onde permanecer errante e paraltico "consumindo o seu corao, diz Homero, e evitando os caminhos 
dos hornens". l_aodarnia tambm pereceu s mos de rtemis e lsandro s mos de Ares.
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Beoto
Belerofonte montando Pgaso, figura frequentemente nas moedas antigas. Luily criou uma pera com este ttulo (1679).
Beoto
Beoto  geralmente apresentado como u@n dos filhos que Posdon deu a
Arne (tambm chamada Mianipe em duas tragdias de Eurpides, entretanto perdidas) e como o irmo gmeo de olo, o futuro rei dos ventos.
As duas crianas foram expostas  nascena, por ordem de seu av, o primeiro Eolo, rei da Tesslia, pai de Arne. Mas foram alimentadas por uma vaca e recolhidas, 
mais tarde, pelos pastores. Estes enviaram-nas ento a Teano, rainha de Metaponto que, temendo ser repudiada por esterilidade, as apresentou a seu marido, o rei 
Metaponto, como se se tratasse dos seus prprios filhos.
Acontece que, alguns anos mais tarde, a rainha deu  luz duas crianas e, perante esta nova situao, comeou a sonhar com o desaparecimento dos "intrusos". Quando 
os seus filhos j eram adolescentes, a rainha confiou-lhes o seu segredo, incitando-os a matar os seus dois irmos falsos.
O crime devia ter lugar no decurso de uma caada, enquanto Metaponto prestava as suas oraes a rtemis. Mas os acontecimentos no se desenrolaram segundo os planos 
da rainha. Posdon, que protegia os seus filhos, inverteu a situao e foram os filhos de Teano que encontraram a morte. Ao mesmo tempo, o deus revelou-se aos jovens 
e declarou-lhes que a sua verdadeira me se encontrava prisioneira, quase cega, na corte do rei olo.
Beoto e olo 11 precipitaram-se para a Grcia, a fim de a libertar. Posdon deu-lhe de novo a viso. E ento os dois rapazes regressaram com Arne ao palcio de Metaponto. 
Teano foi condenada por alta traio e o rei desposou, em segundas npcias, Arrie, a me de Beoto e de olo li.
Numa outra verso da lenda, Arne teria sido confiada por seu pai ao rei Metaponto que, por conselho de um orculo, teria adoptado os seus filhos, expulsando em seguida 
a sua esposa, Sris, a fim de poder contrair segundas
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Boa Deusa
npcias com Arne. Quando os dois rapazes j eram adultos, estalou uma revolta na corte do rei Metaponto e os gmeos apoderaram-se do trono. No entanto, no puderam 
gozar os privilgios do poder, pois sua me obrigou-os a matar Siris, que se encontrava retirada numa ilha com o seu nome, situada no golfo de Tarento. Eles cumpriram 
e foram obrigados a exilar-se.
Beoto refugiou-se na Grcia continental, exactamente na regio que, mais tarde, ter o seu nome, a Becia.
Boa Deusa
Os Romanos, ou pelo menos as Romanas, adoravam uma divindade da fecundidade com o nome de Boa Deusa (Bona Dea), cujo santurio se encontrava no monte Aventino.
A Boa Deusa foi assimilada  Fauna (cujo nome significa favorvel), apresentada por alguns como a filha do rei Fauno (e a lenda conta que depois de a ter embriagado, 
ele t-la-ia violado, sob a forma de uma serpente) e, por outros, como a irm e a esposa do mesmo rei (uma senhora de hbitos reservados que um dia se teria tentado 
com um pichei de vinho, sendo depois aoitada at  morte, por seu marido).
Uma certa tradio conta que Hrcules se teria apaixonado por Fauna e a teria tornado me de Latino, futuro rei do Lcio.
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Cadmo                                                                      MI,
Cadmo  o filho de Agenor, rei de Tiro, e o irmo de Europa que Zeus seduziu, sob a forma de um touro.
Quando a sua filha desapareceu, Agenor enviou a sua esposa e todos os seus filhos  procura de Europa. No entanto, as buscas destes no apresentaram resultados e 
ento Cadmo decidiu consultar o orculo de Delfos. Este aconselhou-o a renunciar  sua misso e a fundar uma cidade no lugar em que encontrasse uma vaca prostrada 
pela fadiga.
O orculo cumpriu-se quando ele atravessava a Becia. Cadmo, resolvido a oferecer em sacrifcio a Atena a vaca que se deitara na sua frente, enviou os seus companheiros 
de viagem  procura de gua, numa fonte vizinha. Mas um drago, nascido de Ares, que guardava a fonte, dizimou o grupo. Cadmo correu em socorro dos seus amigos e 
matou o monstro. Ento, a deusa Atena apareceu-lhe e aconselhou-o a semear os dentes do drago. Passado algum tempo, brotaram deste solo guerreiros armados, terrificantes. 
Cadmo procurou apedrej-los e eles, em pnico, acabaram por se matar uns aos outros, sobrevivendo apenas cinco. Um destes desposar, mais tarde, uma filha de Cadm 
o, Agave.
Para expiar a morte do drago, o heri foi obrigado a passar oito anos ao servio de Ares. Depois disso, fundou a cidade de Tebas, com a ajuda de Atena, no local 
indicado pelo orculo. E Zeus deu-lhe como esposa a filha de Ares e de Afrodite, Harmonia (ou Hermone).
As npcias de Cadmo e de Harmonia foram celebradas com grande pompa, na presena dos deuses. As Crites fizeram o vestido da noiva e Hefesto forjou-lhe o mais maravilhoso 
colar de ouro.
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Calcas
Cadmo e Harmonia tiveram vrios filhos. De entre eles podemos destacar Srnele, que ser a me de Dioniso, e Polidoro, antepassado de dipo. Quando envelheceram, 
Cadmo e Harmonia deixaram o trono ao seu neto Penteu, filho de Agave, e instalaram-se na Ilria, cujo trono acabaram por receber, graas a terem conduzido  vitria 
os seus novos compatriotas.
Na hora da morte, Cadmo e Harmoniaforam transformados em serpentes.
O casal e a sua lenda inspiraram a primeira pera francesa, Cadmus et Hermione de LuIly, libreto de Quinault (1673).
Calcas
Calcas  filho de Testor que, por sua vez,  filho e sacerdote de Apolo. Este dotou o jovem com o poder proftico e, assim, Calcas tornou-se adivinho em Micenas 
e foi escolhido pelos Gregos como adivinho oficial da guerra contra Tria. Foi ele que revelou que Tria no seria tomada sem a ajuda de Aquiles e que aconselhou 
o sacrifcio de Ifignia, a fim de acalmar a clera de rtemis. Ele soube ainda convencer os Gregos a apoderarem-se de Heleno, filho do rei trojano Pramo, que tambm 
praticava a adivinhao e deveria comunicar as condies necessrias para a queda de Tria. Calcas fez ainda parte dos guerreiros que se esconderam no cavalo de 
madeira.
O orculo tinha previsto que Calcas morreria quando encontrasse um adivinho mais sbio do que ele. Isto aconteceu aps o regresso da guerra, Certo dia, Calcas deparou 
com Mopso, o neto do adivinho tebano Tirsias. Este revelou-se mais experiente do que ele e Calcas morreu de desgosto.
Calisto
Calisto  apresentada como uma ninfa do cortejo de rtemis (embora noutras fontes ela surja como filha de Licon, rei da Arcdia), que tinha feito
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Caos
voto de castidade. Mas a sua extraordinria beleza acaba por seduzir o senhor dos deuses, que decide conquist-la. Para o efeito, certo dia em que Calisto se encontrava 
deitada num bosque, Zeus apresentou-se-lhe com os traos de rtemis. A ninfa acolheu-o sem desconfiana e quando esta se apercebeu do embuste, j o mal estava feito.
Calisto ficou grvida, mas tentou dissimular o seu estado a rtemis. Acontece que, certo dia, a deusa surpreendeu-a no banho e descobriu a verdade, reagindo violentamente. 
Entretanto Zeus, vigilante, transformou Calisto numa ursa, para que ela pudesse escapar  clera da deusa.
Mas rtemis, no decurso de uma caada, disparou contra ela uma flecha. A ursa, ferida, deu  luz um filho, rcade, que Hermes veio salvar por ordem de Zeus e que, 
mais tarde, deu o seu nome  Arcdia.
Segundo certas tradies, Calisto teria errado, desde ento, pela montanha, at ao dia em que encontrou rcade, j adulto e rei do seu pas, quando este se dedicava 
aos prazeres da caa. O jovem preparava-se para derrubar a ursa com uma flecha, quando Zeus interveio, transformando rcade num guarda de ursos e reunindo, finalmente, 
a me e o filho na abbada celeste, ao criar a constelao da grande Ursa. A vingativa Hera conseguiu, no entanto, que Posdon lhe prometesse que a Ursa (constelao 
boreal) seria impedida de se deitar no horizonte do oceano.
As sacerdotisas do culto de rtemis foram conhecidas em diversos lugares como "pequenas ursas" e cumpria-se mesmo um ritual que transformava, simbolicamente, as 
jovens consagradas  deusa caadora, em ursas.
Esquecendo o brilhante destino de Calisto, encontramos na Arcdia o tmulo onde era suposto repousar o seu corpo, perto de um santurio dedicado a rtemis-Calisto 
(A muito Bela).
Caos (Cf. Origem do Universo)
O seu nome deriva do verbo grego chao, que significa "estar aberto". Assim, o caos significa, literalmente, a vida infinita, anterior  criao e contendo em si 
todas as possibilidades. Entretanto, por confuso com o verbo cho (derramar), pode-se igualmente considerar o Caos como sendo a matria inerte, derramada no espao.
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Carbdis
Embora seja um simples princpio csmico e no tenha o carcter de uma divindade, o Caos vai ser, todavia, personificado na Teogonia de Hesodo, que lhe confere 
a paternidade de Erebo - a obscuridade infernal - e a Noite. Virglio tambm nos apresenta Eneu, quando desce aos Infernos, dirigindo uma orao aos "deuses soberanos 
do imprio das almas", entre os quais cita Caos.
Os adeptos do Orfismo atribuem ao acasalamento do Caos infinito com ter (finita), o aparecimento do ovo csmico de onde ter sado o primeiro ser.
Certas comparaes tardias permitiram, na poca romana, identificar o Caos, divindade primordial, com Jano, deus das origens. Os Fastos de Ovdio apresentam as suas 
palavras: "Nessa poca longnqua, o ar lmpido e os outros trs elementos, o fogo, a gua e a terra formavam uma nica massa. Mas quando esta massa se separou, ento 
eu, que no era seno uma bola informe, assumi um rosto e membros dignos de um deus. No entanto, os traos da minha aparncia, outrora confusa, parecem manter-se, 
pois ainda hoje a minha face anterior e a minha face posterior apresentam o mesmo aspecto."
Carbdis                                                                   m
Carbdis, monstro-fmea nascido da Terra e de Posdon, vivia num rochedo na Siclia, dominando o estreito de Messina. Certo dia, quando Hracies conduzia para a 
Grcia as manadas roubadas ao gigante Grion, passou neste lugar e Carbdis aproveitou para devorar um bom nmero de animais. Vigilante, Zeus castigou-a, atirando-a 
ao mar.
Desde ento, Carbdis passou a atrair todos os navios que navegavam naquela zona, para depois devorar os seus ocupantes.
Acontece que, no outro lado do estreito, reinava um outro monstro, Cila, jovem mulher nascida do deus marinho Frcis que a mgica Circe, por inveja, tinha ridiculamente 
vestido com um cinto de ces ferozes. Assim, quando os marinheiros evitavam Carbdis, no escapavam a Cilal.
' Da a expresso: cair de Carbdis a Cila, ou seja, de mal a pior.
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Cassiopeia
Depois de Hracies ter sofrido os danos que Carbdis infligiu  sua manada, ele foi forado a confrontar-se com Cila, acabando por mat-la. No entanto, o deus Frcis 
ressuscitou a sua filha, que atormentou os navegadores, pela eternidade.
Crites
Apresentadas como filhas de Hlio, o Sol, ou de Zeus, as trs "Graas" ( este o sentido da palavra Crites) so tradicionalmente chamadas: Agiaia (a Brilhante), 
Tlia (aquela que faz florescer) e Eufrsina (aquela que alegra o corao), traduzindo assim o seu papel activo e benfico no funcionamento da natureza.
Elas residem no Olimpo e fazem parte do cortejo de Afrodite a quem prestam todos os cuidados, velando pela sua toilette e pelos seus prazeres. As Crites tambm 
acompanham, muitas vezes, Atena no exerccio das suas atribuies pacficas (trabalhos artsticos e operaes espirituais). Elas formam, igualmente, com as Musas, 
o cortejo de Apolo, na sua qualidade de deus da poesia e da msica.
Vemos geralmente as Crites representadas, depois do sc. iv a. C., como um grupo de trs jovens, nuas, duas delas viradas para a terceira e agarrando-se pelos ombros.
Cassiopeia
Inicialmente amante de Zeus, Cassiopeia desposou, mais tarde, o rei da Etipia, Cefeu.
A presuno e a vaidade levaram-na, contudo, a desencadear o dio dos deuses, sobretudo das Nereides, a quem ela tivera a audcia de se comparar. Assim, estas pediram 
a Posdon que inundasse o reino de Cassiopeia e enviasse, em seguida, um monstro marinho para o local submerso.
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Ccrops
Perante esta situao, Cefeu consultou o orculo divino. Este revelou-lhe que a devastao s seria conjurada aps o sacrifcio da filha do casal real, Andrmeda. 
Ento, esta foi exposta, acorrentada a um rochedo batido pelas ondas, ao largo de Jafa (cidade construda por Cefeu e cujo nome, lopeia, derivou do nome de Cassiopeia). 
Mais tarde, o heri Perseu, filho de Zeus, salvou e desposou a jovem princesa.
Quanto a Cassiopeia, foi transformada por Zeus em constelao, assim como Cefeu, Andrmeda e o prprio Perseu.
Ccrops                          @"'#"z                      %@I;"  M Ili;11RU 1
Nascido da Terra (e por isso representado com a parte inferior do corpo em forma de serpente), Ccrops desposou a filha do primeiro rei da tica, tornando-se seu 
sucessor. Durante o seu reinado, Atena e Posdon disputaram a posse do seu pas e Ccrops influenciou a deciso dos imortais, a favor da deusa.
Prncipe pacfico, Ccrops ensinou os seus sbditos a construir uma cidade e a sepultar os mortos. Diz-se tambm que lhes ensinou a escrita e teria tido a iniciativa 
do primeiro recenseamento,
Atena confiou s trs filhas de Ccrops uma misso misteriosa. Elas teriam de manter fechado um cesto onde tinha sido escondido o pequeno Erictnio, fruto do desejo 
violento que a deusa virgem inspirara a Hefesto. Mas a curiosidade foi mais forte: as jovens abriram o cesto e eis que, junto  criana, lhes apareceu uma serpente 
(a menos que esta fosse a prpria criana, nascida da Terra, e portanto com o corpo terminando em forma de serpente). Aterrorizadas, as trs jovens atiraram-se do 
alto da Acrpole.
Erictnio ocupou, por sua vez, o trono de Atenas.
Ufalo
Hermes apaixonou-se por uma filha de Ccrops, primeiro rei de Atenas, e esta deu-lhe um filho, Cfalo (outros autores ligam-no, pelo seu pai Don e a sua me,  
raa de Deucalio).
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Waio
Cfalo desposou Prcris, filha de Erecteu (ele, tambm, rei de Atenas), a quem amava perdidamente... Mas um dia, quando o jovem caava no Himeto, foi visto pela 
Aurora, Eos, que, seduzida pela sua surpreendente beleza, o raptou, conduzindo-o para a Sria onde, segundo uma verso da lenda, nasceu o filho deste encontro, Faetonte.
Mas Cfalo no conseguiu esquecer Prcris. Ento, Eos, cheia de inveja, insuflou o cime em Cfalo, incitando-o a pr  prova a fidelidade daquela que ele teimava 
em amar.
O jovem regressou assim  tica, disfarado, e apresentou-se  sua esposa, propondo-lhe em troca dos seus favores, jias de grande valor. Prcris resistiu durante 
muito tempo, mas a avidez acabou por venc-la e ela submeteu-se aos desejos de Cfalo. Depois, envergonhada, fugiu, perseguida pelas maldies de seu marido, indo 
refugiar-se junto de Minos, rei de Creta. Mas este apaixonou-se pela jovem e tentou seduzi-ia. Acontece que a sua mulher Pasfae lhe deitou um feitio e, assim, 
sempre que Minos sentia um desejo adltero, ejaculava serpentes venenosas. Mas Prcris possua uma erva milagrosa que lhe tinha sido confiada pela mgica Circe, 
irm de Pasfae, e com ela conjurou o mal de Minos. Este, como recompensa, ofereceu-lhe um co e uma lana infalveis na caa, dois dos presentes que a sua me Europa 
tinha recebido de Zeus.
Ento Prcris regressou a Atenas, decidida a usar com o seu marido, o mesmo estratagema que ele utilizara com ela. Em troca dos seus favores oferecia-lhe os presentes 
de Minos. Cfalo aceitou e Prcris deu-se, ento, a conhecer. E assim, os dois esposos reconciliaram-se, finalmente.
No entanto, a sua felicidade no iria durar muito tempo. Certo dia, um servo revelou a Prcris que Cfalo, no fim das suas caadas, pedia a uma desconhecida que 
lhe retemperasse o seu ardor. Atormentada pelo desejo de surpreender o infiel, Prcris seguiu-o, escondendo-se numa moita. Mas Cfalo, ouvindo um barulho atrs de 
si, julgou ter feito sair do covil o animal que perseguia e atirou a famosa lana, que nunca falhava o seu destino. E, assim, Prcris encontrou a morte, no sem 
ter percebido antes que a rival receada no era outra seno a brisa, a quem o caador cansado solicitava a aragem.
Uma verso da lenda assegura que Cfalo, desesperado, se atirou ao mar. Uma outra afirma que o jovem, perseguido por causa do seu assassinato, ainda que involuntrio, 
foi banido de Atenas, refugiando-se numa ilha, que iria tomar o seu nome: Cefalnia. Mais tarde, Cfalo teria consultado o orculo
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Gentauros
de Delfos, que o aconselhou a unir-se  primeira fmea que encontrasse. Ora a fmea em questo foi uma ursa. Cfalo obedeceu, entretanto, ao orculo e a ursa transformou-se 
numa jovem mulher que lhe deu um filho, Arcsio (o av de Ulisses).
O rapto de Cfalo por Eos foi representado vrias vezes (em pinturas de vasos, por exemplo). Destacamos, no entanto, a clebre tela do palcio Farnsio, em Roma, 
de Annibal Carrache.
Centauros
O Tessaliano lxon, filho de Ares, o rei dos Lpitas, apaixonou-se por Hera e procurou lev-la para o seu leito. Mas Zeus enviou-lhe uma nuvem com a aparncia de 
sua esposa, com a qual lx1on se deitou. Desta unio nasceram criaturas hbridas, cavalos com busto humano, munidos de braos: os centauros.
Os centauros viviam nos bosques dos montes Plion e Ossa e os seus costumes eram considerados selvagens. Vrno-los figurar nos cortejos de Dioniso. A lenda atribui-lhes 
numerosos delitos.
Quando Pirtoo, filho de lxon, se casou, convidou os seus monstruosos parentes para o banquete. Estes embebedaram-se e tentaram violentara noiva. Este acontecimento 
provocou uma luta entre centauros e Lpitas, que se traduziu numa batalha muito sangrenta. Os Lpitas acabaram por vencer, graas  coragem de Pirtoo e do seu amigo 
Teseu, e expulsaram os centauros da Tesslia.
Curiosamente, a tradio costuma destacar deste conjunto dois centauros, a quem atribui uma origem bem diferente e que so recordados pela sua bondade e pela sua 
sabedoria: Folo, filho de Sileno, cuja hospitalidade Hracles apreciou, e sobretudo Quron, filho de Cronos, benevolente e omnisciente.
A palavra Centauro (que significa: picador de touros) permite, sem dvida, discernir a origem do mito: os vaqueiros a cavalo (que recordam os guardios de Camarga) 
intrigavam verosimilmente os viajantes que percor-
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Cu
riam a Tesslia. E foram estes que criaram a lenda destes seres, misto de homens e de cavalos,
Os centauros inspiraram muitos pintores e escultores, dos mais antigos a Miguel-ngelo (pinturas de vasos, Florena, galeria Buonarotti) e a Bourdelle (Centauro 
Moribundo, Paris, museu do Luxemburgo). O poeta Maurlice de Gurin consagrou ao Centauro um poema em prosa de carcter pantesta (1840).
Cu                                                     ERNEI~11.1.12E1,111 ~1,11- ~~
O culto do Cu foi introduzido na Grcia, cerca do sc. xv a. C., pelas invases dos Aqueus, que veicularam as mitologias indo-europeias. Este culto veio confrontar-se 
com o culto prestado s foras da Terra. As lendas que nos ilustram esta situao, falam-nos tanto da unio como do conflito entre estes dois parceiros que, na poca 
homrica, so regularmente associados nas frmulas de juramento.
As conquistas de Alexandre no sc. iv e as relaes que elas criaram com os deuses do Prximo Oriente - sobretudo com as divindades siderais - daro ao culto do 
Cu uma renovao de actualidade.
Mais tarde, os Romanos iro venerar rano assim como Ceio.
O deus romano rano  representado como um homem barbudo, com os braos erguidos, segurando por cima da cabea um tecido em forma de semicrculo.
Cbele w,,m, ,                                                         omem;"
O culto da Deusa Me  um dos mais antigos cultos da bacia do mar Egeu. Quer se trate da deusa cretense da fecundidade, quer se trate da Gran-
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Cbele
de Me, adorada na Frgia, estas divindades iro confundir-se com a deusa grega Reia, esposa de Cronos, me de Zeus e dos grandes deuses do Olimpo.
A Deusa Me ou a Me dos deuses ou a Grande Me  adorada na sia Menor com o nome de Cbele. O seu culto, celebrado sobretudo em zonas elevadas (monte Ida, monte 
Berecinto ... ) tem o seu centro de adorao na cidade sagrada de Pessinonte. Cbele  (etimologicamente) a deusa das cavernas, ou seja, da terra; o seu poder estende-se 
a toda a natureza.
A lenda associa-a ao jovem pastor tis, que surge quer como seu companheiro quer como seu amante trgico.  costume associar, igualmente, Cbele com o rei da Frgia, 
Grdias - o inventor do famoso "n grdio" que Alexandre ir desfazer - de quem ter tido um filho, Midas, a quem se deve a instituio dos mistrios de Cbele na 
Frigia.
A Grande Deusa foi, na origem, tanto na Grcia como na sia Menor, adorada sob a forma de uma pedra sagrada. Durante a segunda guerra pnica, os Romanos conseguiram 
que a "pedra negra" de Pessinonte (um meteorito) fosse transportada para Roma, a fim de conjurar o perigo cartagins, construindo, seguidamente, um templo no Palatino 
para a abrigar.
Difundido em todo o mundo mediterrnco, foi em Roma, e sobretudo, durante o Imprio, que o culto da Me dos deuses se tornou mais florescente: como me de Jpiter, 
Cbele partilhou com ele o poder soberano sobre todo o mundo: cu, mar, terra e subsolo, homens, animais e plantas. Todos os anos, na Primavera, eram-lhe consagradas 
uma srie de festas que compreendiam ritos de penitncia e de mortificao (flagelao, incises sangrentas que chegavam  mutilao) e a reproduo dos episdios 
da lenda de tis, a sua morte e ressurreio. Recordando os Curetes, gnios guerreiros que danavam em Creta  volta da Me dos deuses, uma confraria de fiis, os 
Coribantes, executavam danas sagradas no decurso das cerimnias.
Fora destas solenidades, o culto de Cbele e de tis deu origem a uma iniciao e a mistrios de carcter oriental: baptismo de purificao pela gua e de regenerao 
pelo sangue (de um carneiro ou de um touro sacrificado), comunho do po da imortalidade e do vinho consagrado, confirmao por imposio do ferro vermelho.
O clero, formado na origem por eunucos vindos da Frgia, os "gales", organzou-se durante o Imprio num colgio hierarquizado de dois sexos, onde o prprio imperador 
ocupava o mais alto cargo.
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Ciciopes
"A Berecintiana" ( assim que ela  referida por Du Bellay num soneto clebre das Antiguidades de Roma)  representada como uma mulher coroada, conduzida num carro 
puxado por lees ou sentada num trono entre dois lees.
Ciciopes
O nome Ciclopes (olho circular) faz'aluso ao nico olho que estes gigantes "sernelhantes a montanhas" (Calmaco) possuam no centro da testa. Pensou-se que eles 
personificavam os vulces, que se multiplicavam  volta da Siclia.
Foi, com efeito, nas entranhas dos vulces, sobretudo do Etna, que os Ciclopes, conduzidos pelo deus do fogo Hefesto, forjaram o raio de Zeus e as armas dos deuses.
As lendas confundiram sempre estes monstruosos artesos com os Hecatonqueiros, nascidos de rano e de Geia, cujos sobressaltos no seio da terra fizeram tremer o 
mundo. A tradio fala tambm dos Ciclopes pastores -
Polifemo e os seus companheiros - assim como dos Ciciopes construtores, responsveis mticos por todas as construes "ciclpicas" dos tempos pr-histricos, constitudas 
por enormes blocos de pedra juntos, sem argamassa.
Os Ciciopes so muito frequentemente representados (sobretudo em vasos) - especialmente o episdio que representa Ulisses enfrentando Polifemo.
Circe
Circe  filha de Hlio, o Sol. A sua me, segundo certos autores,  uma filha de Oceano, mas segundo outros  Hcate, divindade lunar que preside  magia e aos encantamentos.
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Corno da Abundncia
Ela  a irm de Pastae, esposa de Minos, rei de Creta, e de Eetes, rei da Clquida, pai de Medeia. Circe  dotada de extraordinrios poderes mgicos, dos quais 
far uso, por exemplo, ao transformar Cila, de quem tinha cimes, em monstro marinho.
A maga residia na ilha de Eeia (que os autores situam diversamente), onde os Argonautas pararam, no regresso de Clquida. Foi a que e@a purificou a sua sobrinha 
Medeia do assassinato do seu jovem irmo.
Na ilha de Eeia desembarcaram tambm Ulisses e os seus companheiros, aps a runa de Tria. Circe transformou-os a todos em animais, escapando unicamente UJisses, 
graas  ajuda de Hermes: uma planta mgica tornou-o insensvel ao encantamento, mas no  seduo de Circe, com quem partilhar a vida durante certo tempo. Desta 
unio nascero uma ou vrias crianas, segundo as,diferentes tradies; Telgono, um dos seus filhos, fxou-se mais tarde na )taca, a ptria de seu pai, causando 
involuntaramente a morte de Ufisses e desposando Penlope. Atribui-se-lhe a fundao da cidade de Tsculo, em Itlia.
Girce viveu ainda outras aventuras. Os Romanos contam que Jpiter a teria seduzido, e que desta unio teria nascido Fauno. Os seus outros filhos tornaram-se prncipes 
etruscos e beneficiaram o seu povo, com os poderes mgicos herdados de sua me.
Corno da Abundncia                                                           ma
Segundo as tradies mais comuns, o chamado corno da abundncia  o corno da cabra que alimentou Zeus, com o seu leite, durante a sua infncia,
Uma verso da lenda conta que a nnfa Amalteia, que protegia os recm-nascidos, recolheu o corno que a cabra tinha partido ao ir de encontro a uma rocha, cobriu-o 
de flores e de frutos e ofereceu-o a Zeus, que o colocou mais tarde entre os astros.
Uma outra verso apresenta Amalteia como a cabra que alimentara Zeus. E fora este que, tendo partido o corno, o oferecera s ninfas, filhas do rei de Creta, que 
o tinham recolhido,
O corno da abundncia deu lugar a uma outra lenda, que nos relata o confronto entre Aqueloo e Hracies.
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Cronos
Aqueloo apresentou-se com a forma de um touro furioso perante Hracles, a fim de o obrigar a renunciar a Dejanira. O heri, na tentativa de domar o animal, acabou 
por lhe partir um dos seus cornos. E este ter-se~ia tornado o corno da abundncia.
As duas lendas aproximam-se quando se conta que Aqueloo, submetido por Hracles, pediu a este que lhe restitusse o seu corno em troca do corno da cabra Amalteia.
O corno da abundncia tinha a propriedade de se encher, quando qualquer desejo era exprimido. Smbolo de riqueza inesgotvel, ele aparece sempre nas mos de uma 
divindade da fecundidade.
Cronos
Cronos, o "dos pensamentos prfidos",  o mais novo dos Tits, filho de Geia, a Terra, e de rano, o cu estrelado. Foi o nico a escutar o pedido de sua me, quando 
Geia, a fim de pr termo  sua prpria escravatura e  dos seus filhos, decidiu arm-lo para que ele vencesse rano. Com efeito, este, horrorizado com a sua descendncia, 
mantinha-a prisioneira nas entranhas de sua me, a Terra. Ento Cronos, com um golpe de foice, cortou o rgo sexual de seu pai, afastou-o do poder e apoderou-se 
do Universo,
A partir de ento, o mundo foi governado pela linhagem dos Tits que, segundo Hesodo, constitua a segunda gerao divina. Foi durante o reinado de Cronos que a 
humanidade (recm-nascida) viveu a sua idade de ouro.
Cronos casou com a sua irm Reia, que lhe deu seis filhos (os Crnidas): trs raparigas, Hstia, Demter e Hera e trs rapazes, Hades, Posdon e Zeus.
Ora, para evitar que um dos seus descendentes reproduzisse, em seu proveito, a aventura que o tornara rei, Cronos tinha prometido aos seus irmos mais velhos no 
ter descendncia. Por outro lado, os seus pais tinham-lhe prognosticado, caso ele tivesse filhos, o mesmo destino que tivera seu pai. Assim, Cronos agiu com os seus 
filhos tal como rano tinha feito no
passado. Mas fez ainda pior, devorou-os  medida que eles iam nascendo.
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Cronos
Desesperada, Reia procurou uma soluo, e por conselho de sua me decidiu, quando estava grvida de Zeus, refugiar-se em Creta, a fim de que a criana a nascesse. 
Assim aconteceu e Geia recolheu o beb, levando-o para ser educado com os filhos do rei.
Entretanto, Reia apresentou a Cronos u4ia pedra envolta em panos, que ele engoliu, sem desconfiar.
A infncia de Zeus desenrolou-se entre os carvalhos do monte Ida. E para que Cronos no escutasse o seu choro, os Curetes, sacerdotes-soldados de Reia, simulando 
praticar danas sagradas, faziam retinir os bronzes dos seus escudos.
Quando Zeus cresceu, resolveu vingar-se de seu pai, solicitando para esse efeito o Apolo de Mtis - a Prudncia - filha do Tit Oceano. Esta ofereceu a Cronos uma 
poo mgica, que o obrigou a restituir os filhos que tinha devorado.
Ento Zeus afastou-o do trono, e segundo as palavras de Homero prendeu-o com correntes, precipitando-o, seguidamente, no mundo subterrneo, onde Cronos foi encontrado, 
aps dez anos de luta encarniada, pelos seus irmos, os Tits, que tinham pensado poder reconquistar o poder a Zeus e aos seus partidrios.
Segundo outras tradies, Cronos teria sido, simplesmente, adormecido e levado para a ilha misteriosa de Tule ou teria sido exilado como rei para um stio ideal 
onde o "solo frtil produzia colheitas trs vezes por ano" e onde se teria prolongado esta idade de ouro, definitivamente terminada com o aparecimento da terceira 
gerao, a de Zeus e dos Olmpicos.
Quanto  famosa pedra, instrumento de liberdade e de vitria, repelida mais tarde por Cronos, mereceu a ateno de Zeus, que a transportou para o futuro lugar de 
Delfos, a fim de a ser venerada ao longo dos sculos.
Cronos foi, por vezes, assimilado ao deus fencio Baal, a cujo dolo eram sacrificadas as vtimas humanas.
A lenda de Cronos figura no tecto da Sala dos Elementos no Palcio Vecchio (Florena), pintado por Vasari. Goya representou Cronos devorando os seus filhos (Madrid, 
Prado).
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Curetes
Curetes                       owWoo-mm-os> wemev:-m,'
Os Curetes so gnios, com uma origem obscura, que se encontram em diversos pases do mundo mediterrnico.
Aparecem em Creta como serventurios do culto de Reia, no momento do nascimento de Zeus, e so eles que se encarregam, com o barulho da sua dana guerreira, a prrica 
(por vezes eles so apresentados como filhos de Clcis (em grego: chalcos), inventora das armas de bronze, filha do rei Asopo) de cobrir o choro do beb, impedindo 
assim Cronos de descobrir a sua presena.
Vamos reencontr-los tambm na Fcida, quando do nascimento de Zagreu. Participaram na educao do filho de Zeus, sem conseguir, no entanto, subtra-lo  crueldade 
dos Tts.
Os Curetes, cumprindo a ordem de Hera, raptaram e esconderam na Sria o filho que Zeus tinha dado a lo, pafo. O rei dos deuses, pouco reconhecdo pelos servios 
que os Curetes lhe tinham prestado na sua infncia, fulminou-os.
Existe, igualmente, um povo mtico com o nome de Curetel, que foi afastado da sua ptria pelo invasor Etolo, rei da lide e filho de Endmion. O pas tomou a partir 
de ento o nome de Etlia.
1 Cf. tambm Meleagro.
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M
Dnae
Dnae era a filha nica de Acrsio, rei de Argos, e da sua esposa, Eurdice, filha do rei de Esparta, Lacedmon.
Acrsio, inquieto por se encontrar sem descendncia masculina, consultou o orculo. Este informou-o que ele viria a ser av, mas pereceria s mos do seu neto. Ento, 
o rei mandou fazer uma torre de bronze para encarcerar a sua filha Dnae juntamente com a sua ama, afastando-a assim de qualquer contacto com o mundo exterior.
Acontece que Zeus se deixara seduzir pela beleza de Dnae. Assim, quando teve conhecimento da sua priso, resolveu penetrar no crcere, transformando-se em chuva 
de ouro, e uma vez junto da jovem tomou a sua forma e seduziu-a. Desta unio encantada nasceu um filho, a quem Dnae deu o nome de Perseu. Este veio a ser um dos 
mais clebres heris da mitologia grega.
Durante alguns anos, Driae e a sua ama conseguiram manter o rei na ignorncia do que se passara, mas um dia ele escutou as brincadeiras da criana. Enfurecido, 
mandou executar a serva e arrastou Dnae para o altar de Zeus, exigindo saber o nome do sedutor. Ento, Dnae revelou a verdade, mas Acrsio recusou-se a acreditar, 
encarcerando a culpada com o seu filho numa arca, que mandou atirar ao mar.
A arca, protegida por Zeus, foi levada pelas ondas para uma ilha das Cclades, Serifo. Dctis, irmo do tirano Polidectes, que reinava na ilha e que, por azar, descendia 
como Dnae de Driao, prendeu a arca com as suas redes, quando pescava, e salvou os nafragos. Depois recolheu-os em sua casa, onde decorreu a infncia e a adolescncia 
de Perseu.
Acontece que Polidectes se apaixonou violentamente por Dnae e, ao mesmo tempo, ganhou uma averso sem limites a Perseu, que aumentava 
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Dnae
medida que este crescia. Quando Perseu se tornou um atleta robusto, Polidectes tornou-se servo de uma ideia fixa: a de se desembaraar da presena do jovem e, se 
possvel, da sua vida. Ento, simulou querer desposar a filha do rei da lide, Hipodmia, e pediu a Perseu que lhe procurasse uma cabea de Grgona, a fim de a oferecer 
como presente de npcias. Dnae seria refm do tirano at que Perseu tivesse cumprido a sua misso.
O heri partiu, ento, em expedio e quando regressou, com a cabea de Grgona e acompanhado de uma esposa, encontrou a sua me refugiada no templo de Atena, a 
fim de escapar s instncias e s ameaas de Polidectes. Perseu mostrou ento ao tirano a cabea de Grgona e este ficou, instantaneamente, petrificado.
O trono de Srifo passou ento para as mos de Dctis, que tinha demonstrado para com Dnae uma benevolncia desinteressada.
Perseu, por seu lado, regressou a Argos, na companhia da sua esposa e de sua me. Acrsio, que no tinha esquecido a profecia, deixou prudentemente a cidade, quando 
foi informado da sua chegada.
Mas podia ele escapar ao destino? Um dia, quando Perseu lanava o disco no decurso de uns jogos, aos quais assistia Acrsio, este foi atingido por um lanamento, 
involuntariamente mortal, do seu neto.
A lenda de Driae foi, desde a Antiguidade, uma das lendas mais populares da mitologia. Ela exprime, atravs da imagem da chuva de ouro penetrando no crcere e dando 
um filho a Driae, uma das funes essenciais de Zeus, deus do cu, por vezes assimilado ao Sol, que fecunda os gros nas profundezas do solo. (D-se tambm, por 
vezes, ao smbolo da chuva de ouro uma traduo mais grosseira: o ouro permite penetrar em todo o lado.)
Dnae, a sua beleza e a sua aventura inslita inspiraram um grande nmero de pintores: Le Corrge (Roma, galeria Borghse), Ticiano (museus de Npoles, Madrid, Leninegrado), 
Tintoreto (Lio), Le Primatice (Fontainebleau, galeria Francisco 1), Rembrandt (Leninegrado), Van Dyck (Dresden), Boucher (Angers)... O amor de Dnae  uma obra 
do compositor Richard Strauss (1940).
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Danaides
Danaides
Driao e Egipto eram irmos gmeos, filhos de Belo e netos da ninfa Lbia e de Posdon. Toda esta famlia descendia, por um lado, de Zeus e de lo e, por outro, do 
rio Nilo.
Dnao reinou na Lbia e Egipto no Egipto. O primeiro teve cinquenta filhas (as Danaides), de diferentes unies e o segundo teve cinquenta filhos.
Ora o orculo tinha aconselhado Dnaoa desconfiar dos seus sobrinhos e, assim, este decidiu abandonar frica e embarcar com as suas filhas com destino  Arglida, 
onde o povo o aclamou como rei. Foi ele que construiu a cidadela de Argos, dando depois o seu nome a toda a raa grega (Timeo Danaos... l-se em Virglio: Eu receo 
os Gregos).
Mas Posdon, que teria desejado possuir o pas, desde que ele tinha sido consagrado a Hera, resolveu priv-lo de gua. Entretanto, Dnao enviou as suas filhas  
procura de uma fonte, e uma delas, Amimone, foi surpreendida por um stiro que tentou viol-la. A jovem pediu ajuda a Posdon e este manifestou-se, afastando o stiro 
com um golpe de tridente. Curiosamente, o tridente bateu numa rocha e dela brotou uma nascente. Amimone transportou ento a gua preciosa e um filho, a quem chamou 
Nuplio (fundador da cidade de Nuplia, antepassado de Dctis e de Polidectes, protagonistas da lenda de Driae e Perseu), para junto de seu pai.
Um dia, Driao viu chegar a Argos os seus cinquenta sobrinhos, desejosos de reconciliar-se com a sua famlia e propondo-lhe desposar as cinquenta primas. Driao, 
que no tinha esquecido o aviso do orculo, fingiu ficar satisfeito com a proposta. Entretanto, como presente de casamento ofereceu a cada uma das suas filhas um 
punhal, obrigando-as a prometer que, na noite de npcias, matariam com ele os seus maridos. Todas elas cumpriram o prometido, com excepo de Hiperrnnestra, cujo 
marido, Linceu, no lhe tinha aparecido durante a noite.
Zeus interveio pessoalmente, a fim de que as assassinas, suas descendentes, fossem purificadas por intermdio de Hermes e de Atena. As jovens puderam ento sonhar 
com um casamento mais duradouro do que aquele. Acontece que nenhum pretendente apareceu, apesar de estarem dispensados de trazer os presentes habituais. Ento, Dnao 
organizou jogos em que as
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Danaides
lo    +    Zeus
Libia       +       Posdon
Belo
D
i
pto
nao                        Egi
50 Da
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1
elas)                                    (entre
eles)
i Amimone
1 Ri4
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1
p o
1 Abas
Damastor
1
1
Acrsio
r e, i sten o
1
1
Driae
1           1 ctis    Poldec
tes                  Perseu

Delfos
filhas seriam o prmio. Os jovens da Arglida apresentaram-se e os vencedores dividiram entre si as Danaides.
Quanto a Linceu, no perdoou o massacre dos seus irmos, e quando regressou matou o rei e todas as suas cunhadas.
Estas foram ento conduzidas para os Infernos e submetidas a uma prova pela eternidade. As Danaides eram obrigadas a tirar gua de um poo e a deit-la num tnel, 
sem fundo.
Deifos
Apolo, pouco depois do seu nascimento na ilha de Delos, resolveu percorrer a Grcia, armado por Hefesto, a fim de escolher um lugar para estabelecer o seu santurio. 
Foi assim que ele elegeu um stio na Fcida, no flanco do Parnaso, um dos lugares mais impressionantes do pas, quer pela sua majestade quer pelo seu mistrio, rodeado 
por altas montanhas (em trs dos lados) e dando para um vale verdejante e para o mar.
Este lugar era reconhecido como o centro do Universo, o ponto onde se reencontravam duas guias, largadas por Zeus ao mesmo tempo, uma vinda de este e outra de oeste.
Ali se tinha manifestado outrora o mais antigo orculo do mundo, comum  Terra e a Posdon. Depois, foi abandonado, muito embora continuasse a beneficiar da proteco 
de uma serpente. Como a luz triunfa sempre sobre as trevas, Apolo matou o monstro e deixou-o apodrecer ao sol (o verbo apodrecer, em grego, diz-se: pytho). Depois, 
apropriou-se do orculo, dando-lhe o nome de Pito. Em homenagem  serpente Pton, sua vtima, Apolo instituiu os jogos pticos. A sacerdotisa encarregada de proferir 
o orculo do deus, colocada sobre um trip suspenso, charnar-se- Ptia.
Certo dia, Apolo decidiu reclamar os ocupantes de um navio cretense, a fim de os tornar sacerdotes do seu culto. Para isso, precipitou-se ao seu encontro na forma 
de um golfinho (em grego: delphis) e foi assim que o stio de Pito mudou o seu nome para Delfos (uma outra explicao faz remontar a
etimologia  palavra delphys, que significa matriz).
A tradio atribui a Anfiction, filho de Deucalio e de Pirra, a fundao da confederao (ou anfictionia) que tomou conta do santurio. Esta confedera-
89

Delfos
o era constituda pelas gentes que habitavam  volta de Deitos ( o sentido da palavra anfictionia), cujos representantes administravam o centro religioso, geriam 
o tesouro, organizavam as cerimnias, as festas artsticas e os jogos desportivos. Delfos possua um teatro e um estdio, para este efeito.
o santurio de Delfos, aberto a todos, tornou-se o lugar mais frequentado de todos os povos da Antiguidade, quer helenos quer brbaros. No decurso dos sculos, acumularam-se 
ex-votos sumptuosos, trofus, esttuas e capelas de mrmore de uma e de outra parte da via sagrada que conduzia, de terrao em terrao, ao monumental templo de Apolo.
Este, decorado com cores vivas, destacava-se sobre as falsias banhadas de sol, a que os Gregos chamavam Fciriadas (resplandecentes). O templo compreendia uma sala 
de atendimento, para aqueles que iam consultar o orculo, a sala secreta onde estava a Ptia e o santurio propriamente dito. Este ltimo apresentava, aos fiis, 
as mximas de sabedoria: "Conhece-te a ti prprio" e "Nada em demasia". O santurio abrigava, para alm da esttua do deus, uma pedra cnica que passava por ser 
o umbigo do Universo (omphalos). Uma outra pedra que se venerava em Delfos era aquela que Reia tinha apresentado a Cronos, em substituio de Zeus e que este, mais 
tarde,
O santurio de Deifos
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Delos
tinha transportado para aqui, uma vez que seu pai a tinha rejeitado, a fim de a expor ao reconhecimento pblico.
O orculo de Delfos exerceu uma influncia considervel sobre o mundo antigo, intervindo quer nos assuntos internos das cidades quer nos conflitos entre Estados. 
Partidrio de um conservadorismo aristocrtico, o orculo ops-se constantemente s democracias assim como s tiranias, no esquecendo nunca, no entanto, de se colocar 
do lado que lhe parecia mais forte.
O ltimo orculo de Delfos foi pronunciado a pedido do imperador romano Juliano. Ainda hoje conhecemos as suas,palavras:
A rica morada caiu e Febo j no tem ptria, nem loureiro proftico, nem fonte cantante, pois a gua deixou de falar
Delos
A ninfa Astria, filha dos Tits Cu e Febe, era perseguida por Zeus. Para lhe escapar, metamorfoseou-se numa ilha flutuante, a Ortgia (do grego ortyx: codorniz).
Foi nesta ilha que Leto, irm de Astria, encontrou refgio, a fim de dar  luz os gmeos, gerados por Zeus: Apolo e rtemis. A ilha de Ortgia foi ento fixada 
 terra, por quatro colunas, e mudou de nome, passando a chamar-se Delos (A Aparente).
O nascimento sagrado teve lugar no topo de uma montanha da ilha, sob a proteco de uma palmeira. Mal nasceu, Apolo resolveu construir um altar  sua prpria divindade. 
Para esse efeito, matou um certo nmero de cabras e com os seus cornos, empilhados, fabricou um altar, antepassado do santurio que conheceu um xito excepcional, 
em todo o mundo mediterrnico. ~",- MIM,
Este xito  devido quer  lenda de Apolo quer  situao privilegiada da ilha no centro do arquiplago das Cciades e de todo o mar Egeu. Delos foi, ao mesmo tempo, 
um santurio e um mercado.
O orculo de Apolo e as festas dadas em honra do deus (competies
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Demter
musicais e poticas assim como gmnicas) traziam fiis de todo o lado. Como em Delfos, a administrao do santurio e das festas foi dada a uma anfictionia (associao 
de Estados). De incio, esta administrao agrupava somente os jnios insulares, mas mais tarde aceitou tambm a participao de Atenas. E foi assim que, no sc. 
v, a Confederao Ateniense estabeleceu a sua sede em Delos.
Demter                                                                       Eu
Demter, a Terra-Me,  a mais importante das divindades gregas da fecundidade. Ela incarna a terra cultivada, mais particularmente, a cultura do trigo.
Filha de Cronos e de Reia, Demter  a irm loura de Hstia (a mais velha), assim como de Hades, Posdon e Zeus.
Acontece que Posdon se apaixonou por sua irm e Demter, a fim de lhe escapar, metamorfoseou-se numa gua e misturou-se aos cavalos do rei da Arcdia. Mas o seu 
irmo tomou a forma de um cavalo e conquistou-a, tornando-a me do cavalo Aron - dotado da palavra - e de uma filha que  nomeada na mitologia com o vocbulo "A 
Senhora".
Entretanto, tambm Zeus cobiou Demter. Ela tentou resistir-lhe, mas o rei dos deuses, sob a forma de um touro, violou-a e a deusa deu  luz uma filha, chamada 
Core (que significa: a jovem), que foi a sua alegria e o seu orgulho. Infelizmente, o terceiro dos irmos, Hades, at ento recusado por todas as deusas, apaixonou-se 
pela sua sobrinha e raptou-a.
A busca de Demter Desde este dia, Demter, obcecada pelo grito pattico de sua filha, consagrou todo o seu tempo e todas as suas foras  procura da sua bem-amada 
(o nico sossego que ela concedeu a si prpria, foi-lhe proporcionado pela semente da dormideira, nascida no meio do trigo). Durante nove dias e nove noites, ela 
percorreu o mundo, com um archote em cada mo. A deusa Hcate, que escutara os clamores de Core, no pde indicar-lhe a pista. Mas Hlio, em compensao, identificou 
o autor do rapto. Abatida pela revelao, Demter renunciou s suas prerrogativas divinas, decidindo ficar na terra at que a sua filha lhe fosse devolvida.
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Demter
Foi assim que, sob a aparncia de uma velha, a deusa se refugiou em Elusis, prximo de Atenas. A, ela colocou-se ao servio da rainha que a contratou como ama 
de um dos seus filhos: Demofonte (no confundir com o filho de Teseu) ou, segundo a verso mais corrente, Triptlemo.
Entretanto, Demter desinteressou-se completamente das culturas que at a protegia. Assim, a terra transformou-se num deserto e a fome ameaou os homens e os animais. 
Zeus, inquieto, e temendo ver a ordem do mundo subvertida, ordenou a seu irmo que renunciasse a Core. Mas esta, que tinha tomado o nome de Persfone, no podia 
esapar aos Infernos, a no ser que, durante a sua estadia, se tivesse abstido de todo o alimento. Ora acontece que a jovem tinha trincado um gro de rom (smbolo 
de casamento), encontrando-se assim ligada ao seu esposo infernal.
Deste modo, o seu pai arranjou um compromisso: se Demter aceitasse voltar para junto dos deuses, Persfone poderia dividir o seu tempo entre a sua me e o seu marido.
Atribuies de Demter Segundo o acordo preconizado por Zeus, Persfone passaria seis meses do ano com Demter, no Olimpo, e outros seis meses na companhia de Hades, 
nos Infernos. Durante a estao trrida, Demter deixava os seus campos desnudarem-se, mas durante os seis meses seguintes favorecia a ecioso da vegetao.
Antes de deixar a terra, a deusa confiou a Triptlemo - que ela no conseguiu tornar imortal - a misso de difundir, por toda a terra, a cultura do trigo.
A Siclia e a Campnia, dois dos celeiros de trigo da Antiguidade, conservaram a lembrana dos combates travados por Demter pela posse do seu solo: o primeiro, 
em detrimento de Hefesto, o segundo de Dioniso.
Adorada em muitas regies do mundo grego, que se gabavam de ter acolhido a deusa quando da sua busca, Demter tinha os seus principais centros de culto na tica. 
A celebravam-se, em sua honra, cerimnias importantes. Durante o ms de Outubro, poca das sementeiras e das festas de aces de graas, acessveis a todos, aconteciam 
as Tesmofricas (Demter era chamada Tesmfora, a legisladora, no seu papel de reconhecida fundadora da civilizao, sobretudo da instituio do casamento). Em Elusis 
festejavam-se as Eleusnias, grandes solenidades que marcavam, em Setembro, o
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Demofonte
princpio da subida de Persfone. Estas eram reservadas aos iniciados nos mistrios, que se preocupavam no somente com os benefcios concernantes  vida terrena, 
mas sobretudo com a felicidade das almas no alm.
A divindade itlica Ceres, originria da Campnia, foi assimilada, pelos Romanos, a Demter, que desde ento se tornou numa divindade de primeiro plano.
Dernter  representada pela estaturia grega como uma mulher de beleza severa, olhar longnquo, coroada de espigas ou com uma corbelha (simbolizando a fecundidade).
Demofonte uw            _waswi~on-w-ma
Dernofonte  filho de Teseu e de Fedra e irmo de camas. A lenda confunde, frequentemente, as aventuras dos dois irmos, em particular aquelas que tratam da guerra 
de Tria e do regresso aps a vitria.
Os Atenienses eram-lhe singularmente reconhecidos portertrazido, para Atenas, o famoso Paldio, a esttua de Palas-Atena que protegia Tria. Uns contam que ele a 
recebeu de Diomedes e de Ulisses, outros que ele a roubou aos Argianos de Diomedes, que ele confundira com piratas, desembarcados por engano em Faleno, o porto a 
sul de Atenas.
 Demofonte que aparece como rei de Atenas quando Orestes, depois do assassinato de sua me, Clitemnestra, vem sujeitar-se ao julgamento. Como a chegada do jovem 
assassino se situou durante as Antestrias, as grandes festas do vinho, Demofonte, a fim de evitar ofend-lo mas tambm convid-lo para as cerimnias sagradas, teve 
a ideia de mandar fechar os templos, distribuindo no exterior uma bilha de vinho a cada fiel. Como recordao deste episdio, o segundo dia das Antestrias ficou 
conhecido com o nome de dia "das bilhas", consistindo num concurso de bebedores.
Diz-Se igualmente que foi durante o reinado de Demofonte que os filhos de Hracies, depois da morte do heri, pediram a proteco de Atena contra Euristeu, que tinha 
sido o carrasco de seu pai. Como a ajuda foi prometida,
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Dilvio (O)
Euristeu decidiu atacar os Atenienses, sendo vencido e morto, assim como os seus filhos, durante a batalha.
,M               w Dilvio (O) !o                                              UVIII,2,b
Os homens estavam na idade do bronze. Zeus, assistindo ao desenfreamento do seu orgulho, da sua perversidade e da sua violncia, decidiu destruir a raa, submergindo 
o mundo com um formidvel dilvio.
Um s casal devia escapar  destruio: Deucalio, rei da Tesslia, filho de Prometeu, e sua esposa, Pirra. Com efeito, Deucalio, aconselhado pelo seu pai, sempre 
vigilante, construiu uma embarcao, na qual se refugiou com a sua mulher, esperando que a catstrofe terminasse. Durante nove dias, a terra foi sacudida por trombas 
de gua, enquanto o navio navegava por entre as montanhas. Na aurora do dcimo dia, a chuva parou. O nvel das guas baixou e o barco encalhou no monte Parnaso, 
na Fcida.
Deucalio desceu  terra e fez um sacrifcio a Zeus que, tocado pela sua piedade, aceitou satisfazer o primeiro dos seus votos. Aproveitando, Deucalio exprimiu, 
ardentemente, o desejo de ver renascer a raa humana. Zeus ordenou ento aos dois sobreviventes que cobrissem os seus rostos e que atirassem por cima dos seus ombros 
"os ossos dos seus avs". Compreendendo que se tratava de pedras agarradas  Terra, me comum dos deuses e dos homens, eles cumpriram a ordem de Zeus. As pedras 
lanadas por Deucalio transformaram-se em homens e as atiradas por Pirra transformaram-se em mulheres.
Depois, os dois esposos desceram do Parnaso e construram a sua casa. Aterminaram os seus dias, em paz e sabedoria, tendo tido dois filhos: Hlen, primeiro antepassado 
da raa grega (que teve como filhos olo e Doro, pais dos Elios e dos Drios) e Anfiction, que criou na Fcida a primeira anfictionia, para administrar o santurio 
de Delfos. A sua filha mais velha, Protognia, teve uma relao amorosa com Zeus, da qual nasceram dois filhos, os heris locrianos Opu e Eflio.
A meno do dilvio - em todo o caso, de um dilvio - encontra-se em todas as tradies lendrias ou histricas dos povos primitivos. O dilvio dito de "Deucalio" 
ter-se- produzido em meados do 11 milnio.
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Diomedes
Diomedes
Diomedes, heri cujo vigor e coragem nunca foram desmentidos,  filho de Tideu (ele prprio filho de Eneu, rei de Clidon). A sua me  filha do rei de Argos, Adrasto. 
Ora, Adrasto foi o promotor de duas campanhas, com dez anos de intervalo entre si, destinadas a restabelecer no trono de Tebas, na primeira vez, e sem resultado, 
Polinice, que ele tornara seu genro. Na segunda vez, o filho de Polinice, Tersandro. Diomedes participou na segunda expedio, que foi coroada de xito.
A partir de ento, o heri tornou-se o defensor dos oprimidos, exterminando assim os sobrinhos de seu av Eneu, que o tinham afastado do trono.
Como muitos outros, foi pretendente de Helena de Esparta, acabando por consolar-se com a sua prpria tia materna, Egiale. Mas tambm esta situao lhe permitiu devotar-se, 
de novo, ao servio de uma vtima (cumprindo ainda o juramento prestado portodos os antigos apaixonados de Helena) e Diomedes revelou-se como um dos mais ardentes 
combatentes da guerra de Tria.
Chamado, como Ulisses, a exprimir-se nos conselhos dos chefes, devido  sua sabedoria e  sua eloquncia, Diomedes participar, muitas vezes, nas misses confiadas 
ao rei de taca. Ele estar presente junto do jovem Aquiles, quando este se liberta aps ter sido escondido entre as filhas do rei de Ciro. No caso de Agammnon 
em ulis, a fim de o convencer a sacrificar Ifignia. De novo, junto de Aquiles, quando este abandonou o combate em Tria. No decurso de uma expedio de reconhecimento 
aos acessos do campo troiano, os dois heris aprisionaram o espio Dlon e obrigaram-no a revelar a estratgia do exrcito inimigo. Depois, inspirados pelas deusas 
Hera e Atena, surpreenderam o heri trcio Reso, aliado dos Troianos, adormecido. Mataram-no e roubaram-lhe os seus cavalos brancos. Estes eram dotados de uma velocidade 
inacreditvel, tornando assim o seu possuidor particularmente perigoso.
Eneu
Mon
dipo                          Adrasto                                    (ou Zeus)
Polinice    1    MIy1d         Depile  +   Tideu        Hipodmia        +      riritoo
Diomedes + Eg ale
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Dione
A Ilada conta as inmeras aventuras de Diomedes, protegido e encorajado por Atena. Ele ser levado a ferir a deusa Afrodite, durante uma batalha. E um dia ele prprio 
ser ferido no p por Pris.
No decurso de um combate sobre as muralhas de Tria, Diomedes ter de enfrentar o heri lcio Glauco, neto de Belerofonte, conhecido pela sua bravura. Acontece que 
as famlias dos dois heris estavam unidas por laos de hospitalidade pois Eneu, av de Diomedes, tinha acolhido na sua corte Belerofonte. Ao reconhecerem-se, os 
dois guerreiros    interromperam o combate, trocaram as suas armas, e depois retornaram      o seu lugar, nas suas respectivas fileiras.
Quando Ptroclo foi morto, Diomedes participou    nos jogos fnebres organizados por Aquiles, vencendo jax, num combate singular.
Foi ainda Diomedes que acompanhou Ulisses  ilha de Lemnos, onde tinha sido abandonado Filoctetes, a fim de trazer para Tria este heri, possuidor das flechas de 
Hracies, sem as quais os Gregos no poderiam alcanar a vitria.
Segundo a Odsseia, o regresso de Diomedes, aps a queda de Tria, desenrolou-se sem aventuras. Mas outras tradies contam que, como Agammnon, ele teria encontrado 
em casa uma esposa infiel - digna vingana de Afrodite - que o sujeitar a diversas provas, das quais ele escapar com dificuldade.
Como consequncia, Diomedes abandonar o reino e dirigir-se- para Itlia, onde fundar um certo nmero de cidades. A colocar - uma vez mais - a sua espada ao 
servio de um soberano, Dauno, rei dos Lapiges, que lhe dar a sua filha em casamento.
Dione
Divindade primitiva da mitologia grega, Dione  apresentada por Apolodoro como uma das Titnides, filha de rano e de Geia. Mas Hesodo apresenta-a como filha dos 
Tits Oceano e Ttis. Dione  considerada em Doclona, no Epiro, onde se celebra o seu culto, como a esposa de Zeus, a quem ela est intimamente associada (nota-se 
que o seu nome  a forma feminina da palavra Zeus, no genitivo: Dos).
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Dioniso
A deusa representa a terra fecundada pela humidade, sendo Zeus adorado em Dodona exactamente como deus da chuva benfica. Diz-se que a fonte existente junto ao carvalho 
sagrado, que proclamava o orculo de Zeus, seria para apagar os archotes acesos e reacender aqueles que estavam apagados.
Homero, que parece no ter conhecido a brbara lenda da mutilao de rano, apresenta Dione e Zeus como os pais de Afrodite. Mais tarde, a prpria Dione ser confundida 
com Afrodite. Por isso, o animal consagrado s duas deusas  a pomba (as sacerdotisas de Dodona usam mesmo o nome de "pombas" - as Pelades).
O santurio de Dodona perdeu a sua importncia com a pilhagem dos Etlios no sc. iii a. C. e desapareceu no sc. iv d. C., no reinado do imperador Teodsio. O templo 
pago foi substitudo por uma igreja crist, onde Cristo veio ocupar o lugar de Zeus e a Virgem Maria o de Dione.
As efgies de Dione, que a apresentam geralmente acompanhada por Zeus, mostram a deusa coroada com uma corbelha, smbolo das divindades da vegetao,
Dioniso
Zeus, o rei dos deuses, apaixonou-se por Srnele, filha do rei de Tebas, Cadmo. E como ele vinha visitar a princesa, clandestinamente, ao palcio de seu pai, Hera, 
ciumenta, transformou-se um dia na ama de Srnele e sugeriu  princesa que exigisse a Zeus, como prova de amor, que ele lhe aparecesse em todo o seu esplendor divino. 
Srnele foi to persuasiva, que Zeus cumpriu o seu desejo de uma forma to resplandecente, que os raios que emanavam do seu corpo incendiaram o palcio e fuiminaram 
a infeliz. O filho de Zeus, que a princesa trazia no seu ventre, teria perecido carbonizado, se uma hera, surgida por milagre, no tivesse vindo fazer barreira s 
chamas devoradoras. O rei dos deuses recolheu-o ento e ocultou-o na gordura da sua coxa.
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Dioniso
Iriffincia e juventude de Dioniso Quando chegou o tempo certo, Zeus fez brotar da sua coxa o beb divino.
Foi confiado a Ino, irm de Srnele, que tinha desposado tamas, rei da Coroneia, na Becia. Mas Hera, fiei  sua vingana, causou a loucura dos dois esposos. Zeus 
foi obrigado a intervir, de novo, encarregando Hermes de levar o seu filho para muito longe, e desta vez sob a aparncia de um cabrito, a fim de ser educado pelas 
Mnades, as ninfas do monte Nisa (na Trcia, na sia ou em frica?). O jovem deus retirou da o seu nome: Zeus de Nisa, Dioniso.
Para a sua educao, as Musas, as stiras e Sileno - seu pai adoptivo - colaboraram com as ninfas, as quais - como recompensa - foram, mais tarde, transformadas 
em estrelas, as Hades.
Quando chegou  idade adulta, Dioniso tentou descobrir a maneira de fazer vinho a partir das uvas. Hera, aproveitando a bebedeira do jovem, enlouqueceu-o. E Dioniso 
s se libertou da loucura depois de uma viagem ao santurio de Zeus, em Dodona. A partir de ento, percorreu o mundo a fim de ensinar aos homens a cultura da vinha 
e de lhes dar a conhecer a preciosa bebida. E assim vamos encontr-lo, acompanhado por Sileno, enfrentando ou suscitando um certo nmero de aventuras, cujo sucesso 
cronolgico varia com as tradies.
As aventuras de Dioniso Na Etlia, foi acolhido por Eneu, rei de Clidon, tendo seduzido Alteia, a sua esposa. Esta deu-lhe uma filha, Dejanira, futura mulher de 
Hracles. Afim de compensar Eneu, Dioniso ofereceu-lhe a primeira vide conhecida pelos mortais.
Na tica, ele iniciou o rei lcrio, mas este acabou por sucumbir aos golpes dos seus pastores, embriagados. Desesperada, a sua filha suicidou-se. Dioniso concluiu 
o drama, enlouquecendo todas as mulheres da tica e transportando lcrio, a sua filha e a sua cadela, para o cu. Estes foram transformados em constelaes: o Boieiro, 
a Virgem e a Cancula.
Tendo percorrido o mundo grego, Dioniso dirigiu-se para a sia Menor. Na Frigia, encontrou a deusa Cbele, que lhe revelou os mistrios do seu culto. Em feso, repeliu 
uma incurso das Amazonas; na Sria, fez esfolar o rei que tinha ordenado a destruio das vinhas plantadas por si; no Lbano, beneficiou da hospitalidade de Afrodite 
e de Adnis.
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Dioniso
Dioniso reinou certo tempo no Cucaso. Depois, tendo atravessado os -rios da Mesopotmia, conquistou a ndia, onde difundiu uma civilizao refinada. A, fez-se 
admirar, montando   um carro puxado por tigres, e escoltado por um cortejo triunfal de stiros e bacantes (Baco ou laco  outro nome de Dioniso) danando e gesticulando.
No Egipto, foi hspede do rei   Proteu; na Lbia, ajudou o deus Amon a reconquistar o trono de Cirene, de onde tinha sido afastado por Cronos e pelos Tits.
Uma vez cumpridas estas expedies no Oriente, Dioniso regressou  Grcia. Mas o contacto com os povos da sia tinham-no transformado. Agora, ele vestia-se com longos 
vestidos da Ldia e rodeava-se de ritos inspirados no culto de Cbele.
O rei da Trcia, Licurgo, expulsou-o e Dioniso foi obrigado a refugiar-se, certo tempo, junto da Nereide Ttis, no fundo do mar. Entretanto, Licurgo capturou as 
bacantes, seguidoras inspiradas de Baco. Este, como castigo, enlouqueceu o rei, que acabou por matar o seu prprio filho. Depois, tornou toda a Trcia estril, at 
ao momento em que o orculo foi consultado e ordenou a morte de Licurgo, que foi atirado s feras.
O rei de Tebas, Penteu, sucessor de Cadmo e primo de Dioniso, no reservou melhor acolhimento ao filho de Srnele. Pior, no hesitou em prend-lo com cadeias. Mas 
Dioniso libertou-se e provocou um delrio frentico em todas as Tebanas, e Penteu foi massacrado no monte Cteron, pela sua prpria me (este  o tema da tragdia 
de Eurpides: As Bacantes). Em Argos, onde foi tratado da mesma maneira, Dioniso reagiu com as mesmas armas: os Argnidas, dominados pela demncia, devoraram os 
seus prprios filhos. Na Becia, as filhas do rei negaram a divindade de Dioniso e recusaram participar no seu culto. Ento, o deus metamorfoseou-se perante elas, 
primeiro num touro, depois num leo, e finalmente numa pantera. Enlouquecida, uma das princesas desfez o seu prprio filho. Depois, Dioniso tranformou as princesas 
em diversos animais, uma em rato, outra numa coruja e a ltima em mocho.
O deus Dioniso Finalmente, Dioniso, desejoso de assegurar a autenticidade da sua genealogia divina, decidiu ir arrancar dos Infernos a sombra da sua me mortal. 
Hades no se ops, pedindo, no entanto, em troca, uma das plantas favo-
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Dioniso
ritas do seu visitante: a murta. Dioniso enviou ento Srnele para o Olimpo onde, com o nome de Tione, foi admitida entre os imortais. Este episdio permitiu o reconhecimento 
de Dioniso como deus (outras tradies apresentam a descida de Dioniso aos Infernos como uma consequncia da sua morte. A sua entrada no Olimpo representaria, depois, 
a sua ressurreio).
No decurso de uma viagem pelas ilhas do Arquiplago, Dioniso atracou na ilha de Naxo, onde encontrou Ariadne, filha do rei de Creta, Minos, que Teseu tinha raptado 
e depois abandonado, adormecida, numa margem do rio. Quando a jovem acordou, Dioniso consolou-a e pouco tempo depois desposou-a no Olimpo, na presena de todos os 
deuses. O casal teve vrios filhos, dos quais destacamos Enpion (O provador do vinho), futuro rei de Quios, e Estfilo (o cacho), futuro Argonauta.
Todos estes relatos, assim como as proezas executadas por Dioniso e os funestos exemplos dos mpios, contriburam para afirmar definitivamente o poder divino de 
deus, cujo culto se implantou em todas as partes do mundo que ele percorrera.
As suas festas populares, as Dionisacas, eram centradas no tema do vinho. As mais importantes foram as Grandes Dionisacas de Atenas, celebradas no princpio de 
Maro. Foram elas que deram origem ao nascimento da poesia dramtica grega. Com efeito, no decurso destas festas, eram declamados "ditirambos", hinos enaltecendo 
os sofrimentos e a vitria do deus. Mais tarde, e dentro do mesmo esprito, foram representadas nos teatros consagrados a Dioniso, as Tragdias ("cantos do bode", 
do nome do animal imolado, em grego: tragos), as Comdias e os dramas satricos com temas religiosos, inspirados primitivamente na lenda de Dioniso.
Assim, e apesar de ser o ltimo dos grandes deuses a entrar no Olimpo, Dioniso renovou e revolucionou completamente o gnio grego, aps o sc. viii a. C. As artes, 
submetidas a Apolo, graas a este renovamento, proliferaram e conheceram uma exaltao nunca vista at ento.
s festividades populares e s celebraes artsticas juntavam-se, em todos os lugares de culto, ritos de carcter orgistico, atravs dos quais os fiis entravam 
em xtase ou numa bebedeira descontrolada. Estas manifestaes, que na origem tinham dado lugar a sacrifcios humanos (como a lenda parece demonstrar), tinham como 
finalidade permitir ao iniciado incorporar a prpria pessoa do deus, comendo do seu corpo e bebendo do seu sangue (simbolicamente: a carne de uma vtima sacrificada 
ou um copo de vinho).
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Dioniso
A Itlia foi um terreno privilegiado para o desenvolvimento destas manifestaes, que se caracterizavam por um desregramento desenfreado. No entanto, no sc. ii 
a. C., o senado romano, perante as desordens, os escndalos e os crimes que se cometiam durante os mistrios dionisacos, decidiu interditar as "Bacantes" (nome 
destas festas). Entretanto, a tradio mstica persistir, preservada por seitas fiis, e o deus Baco desempenhar um papel religioso e cultural de primeiro plano, 
desde o perodo de Csar at ao final do Imprio.
Deus do vinho e da vegetao, do vigor fecundante e procriador, assim como dos prazeres naturais da vida, Dioniso tornou-se, pouco a pouco, num deus cvilizador, 
o deus da inspirao'. Finalmente, com a tradio rfica, ele assumiu o papel de deus supremo, senhor do mundo subterrneo e dador de uma felicidade eterna, a todos 
os seus iniciados.
Nas representaes artsticas, Dioniso aparece sob a forma de um homem maduro, barbudo, com cabelos encaracolados, coroados por hera. Depois,  medida que a sua 
personagem e a sua lenda evoluem, ele vai surgir como um efebo imberbe, de longos cabelos, coroados com parras; umas vezes aparece nu, sob uma pele de pantera, outras 
coberto com um longo vestido feminino, transportando numa mo um copo e noutra o tirso, seu atributo ritual, enfeitado com ramos de vinha e de hera e rematado por 
uma pinha. Entre as mltiplas representaes, evocamos simplesmente a esttua de Miguel-Angelo e os quadros de Leonardo da Vinci, Ticiano, Poussin, J. Rornain. As 
npcias de Dioniso e Ariadrie (frescos da vila dos Mistrios, Pompeia) inspiraram um bailado a Albert Roussel (Baco e Ariadne, 1931) e uma pera a Rchard Strauss 
(Ariadne em Naxos, 19 12).
1 Diferentemente da inspirao dada por Apolo, pois este era o deus do domnio espiritual enqu=o que Dioniso encarnava a energia vital.
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Dioscuros (Os)
Dioscuros (OS)
A palavra Dioscuros, que significa "filhos de Zeus"  o qualificativo habitual de Castor e Plux, os filhos de Leda. Mas enquanto Plux  mesmo filho de Zeus, que 
tomou a forma de um cisne para seduzir Leda, Castor  filho do rei Tndaro de Esparta, marido de Leda. Ambos so irmos de Cliterrinestra e de Helena. As quatro 
crianas, provenientes de ovos, nasceram no monte Taigeto.
Heris dricos por excelncia, os Dioscuros mostraram-se felizes por invadir a tica, quando o rei de Atenas, Teseu, sequestrou Helena. Mas como o culpado estava 
ausente - tendo partido  aventura com o seu amigo Pirtoo - Castor e Plux libertaram a irm e capturaram a me de Teseu, Etra. Depois, expulsaram os filhos de 
Teseu, que asseguravam interinamente o poder, e colocaram no trono de Atenas o descendente exilado de Erecteu, Menesteu.
Os Dioscuros, unidos por uma afeio indissolvel, participaram com Jaso na expedio dos Argonautas  conquista do Velo de Ouro. No decurso de uma tempestade que 
assolou o navio Argo, em pleno mar, Zeus manifestou a sua proteco, fazendo descer duas labaredas sobre a cabea dos gmeos: este fenmeno foi conhecido na Idade 
Mdia sob o nome de "fogo de Santelmo".
Castor e Plux estiveram de novo com Jaso, ajudando-o a saquear a cidade de lolco, de onde ele tinha sido expulso. Foram igualmente chamados, juntamente com todos 
os heris valorosos deste tempo, a tomar parte, ao lado de Meleagro, na trgica caada ao javali de Clidon.
No entanto, o ardor que eles demonstravam no combate, assim como os seus dotes guerreiros - Castor era famoso na arte de montar cavalos e Plux no pugilato - arrastaram-nos 
para excessos, dos quais foram vtimas. Assim, quando assistiam s npcias dos seus primos Idas e Linceu, resolveram raptar as duas noivas, Febe e Hilara. Este 
rapto deu origem a um confronto entre os quatro homens, que se saldou pela morte de Castor.
Plux, desesperado, suplicou a seu pai Zeus que no o separasse de seu irmo, e ento o rei dos deuses, comovido, decidiu que os dois irmos iriam passar, em conjunto, 
seis meses no Olimpo e seis meses no Inferno. Mais tarde, foram transportados para o mundo dos astros onde, aparecendo e desaparecendo juntos, formam a constelao 
dos Gmeos.
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Dioscuros (Os)
Castor e Plux voltaram a reaparecer nas lendas romanas. Diz-se que no incio da Repblica eles tero ajudado a cavalaria romana a vencer o ltimo ataque dos Tarqunios, 
nas margens do lago Regilo. E que ao cair do dia se teriam dirigido apressadamente para o Frum, a fim de anunciar a vitria, tendo parado unicamente na fonte da 
ninfa Juturna (irm de Turno, rei dos Rtulos, vencido por Eneu), a fim de saciar a sede dos seus cavalos brancos. Foi aqui, defronte desta fonte, que os Romanos, 
reconhecidos (a partir de ento, os juramentos dos homens passaram a ser feitos em nome de Plux (Edpol) e os das mulheres em nome de Castor (Ecastor) edificaram 
um templo dedicado aos Dioscuros, cujos trs elegantes fustes de mrmore se mantm, ainda hoje, de p.
Na Antiguidade, Castor e Plux foram muito representados. Aparecem como dois magnficos jovens, geralmente coroados com um chapu cnico (pileus), armados com lana, 
a cavalo ou a p, junto dos seus cavalos.
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aco
aco  filho de Zeus (ou de Posdon) e da ninfa Egina, transformada em ilha pelo seu amante divino. Piedoso por natureza, ele  amado pelos deuses que se comprazem 
a satisfazer os seus votos. Assim, a fim de conseguir que a sua ilha fosse povoada, aco pediu a Zeus que transformasse as formigas de um carvalho sagrado em seres 
humanos. Esta foi a origem do povo dos Mirmdones (do grego myrm6x@ formiga), de quem aco se tornou rei (uma verso diferente da lenda afirma que a ilha, povoada 
por colonos trazidos por aco, foi dizimada por uma epidemia de peste enviada por Hera e que, para substituir os mortos, Zeus acedeu ao pedido de seu filho, metamorfoseando 
as formigas).
aco construiu  volta da ilha de Egina uma cintura de muralhas, que a protegiam das incurses dos piratas. Teria tambm ajudado Posdon e Apolo a construir as muralhas 
de Tria, para o rei Laomedonte. Diz-se que quando a obra terminou, trs drages tentaram a escalada das muralhas, mas s um conseguiu chegar ao fim. Exactamente 
aquele que subiu pela muralha construda por aco. Deduziu-se, assim, que estas proteces seriam um dia franqueadas por um dos seus descendentes.
aco teve uma filha, Aicmaco, que foi a segunda esposa de Oileu (pai de Alax, "o pequeno") e dois filhos, Peleu e Tiamon (foi Tiamon, o companheiro de Hracies, 
que transps as muralhas de Tria, a fim de vingar o heri), que tiveram uma descendncia gloriosa (Aquiles, filho de Peleu; o "grande ja", filho de Tiamon, ambos 
heris da guerra de Tria).
De uma segunda unio com a Nereide Psmate, aco teve um terceiro filho, Foco. Acontece que os seus dois primeiros filhos tiveram cimes de Foco, que se cobrira 
de louros ao conquistar a Fcida e, assim, decidiram
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dipo
mat-lo, no decurso de um jogo do disco. aco, submisso s leis divinas, condenou ao exlio estes filhos assassinos.
A sua sabedoria e a sua paixo pela justia fizeram com que os deuses o escolhessem para juiz das suas querelas e, mais tarde, para assessor no tribunal do Alm, 
presidido por Hades, ao lado de Minos e Radamante. Ele estava, particularmente, encarregado de julgar, nos Infernos, os "acontecimentos europeus".
Os habitantes da ilha de Egina renderam-lhe um culto fervoroso, cujas festas eram combinadas com jogos gmnicos. Os vencedores destes jogos suspendiam as suas coroas 
no templo que lhe tinha sido consagrado. Atenas venerou tambm aco, edificando-lhe um santurio na Agor.
aco  geralmente representado usando um ceptro real e a chave dos Infernos, de que ele  o nico detentor.
dipo
dipo, filho de Laio e de Jocasta (ou Epicasta) descende de Cadmo, fundador de Tebas, e dos "dentes de drago" semeados por este heri fundador.
Joguete da fatalidade Os destinos reservavam uma vida plena de desgraas a dipo. Mas Laio, que era rei de Tebas e no tinha herdeiro, decidiu no prestar ateno 
s advertncias celestes. Assim, quando a criana nasceu, Laio decidiu consultar o orculo de Delfos, que lhe revelou que o seu filho seria um dia o seu prprio 
assassino. Angustiado, o rei resolveu expor o recm-nascido no monte Citeron, e para que ele no escapasse aos animais selvagens, prendeu-o pelo p - daqui provm 
o cognome que lhe foi dado por aqueles que o salvaram da morte: P-Inchado (P-Aleijado), em grego: Oidipous. Acontece que a criana foi encontrada e recolhida pelo 
rei Plibo e pela rainha Peribeia, que reinavam numa cidade vizinha (Corinto?) e o educaram como seu prprio filho.
Quando atingiu a maioridade, dipo dirigiu-se a Delfos, onde o orculo lhe revelou que ele devia matar o seu pai e desposar a sua me. Julgando que Plibo e Peribeia 
eram os seus verdadeiros pais, dipo decidiu no regressar
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dipo
Cadmo
semeia os dentes do drago
Ctnio
1 Nicteu
Polidoro                   Nicteide
Lbdaco
1 Laio
dipo +
Equon
Agave
Penteu
1 Ociaso
1 Meneceu
Jocasta
Creonte
 corte, a f i m de no cumprir o seu destino. Assim, resolveu partir para Tebas, mas quando abandonava a cidade, deparou com uma situao inslita. O seu carro 
ficou encurralado num cruzamento estreito, juntamente com outro veculo que se dirigia no sentido contrrio. O condutor deste comeou por insultar dipo, e depois 
um dos seus servidores abateu um dos cavalos do jovem tebano. dipo reagiu, ento, matando os dois homens. E estava, assim, cumprida a primeira parte da profecia, 
segundo a qual dipo mataria o seu pai, o rei Laio.
Depois deste confronto singular, dipo continuou a sua viagem para Tebas, e ao chegar s portas da cidade, encontrou a Esfinge, monstro com busto de mulher e corpo 
de leoa, que tinha o costume de devorar os viajantes que no eram capazes de responder aos seus enigmas. Esta colocou-lhe uma questo: "Qual  o ser que anda com 
quatro patas de manh, com duas ao meio-dia e com trs ao entardecer?" dipo compreendeu que se tratava do homem - criana, adulto e velho, apoiado num cajado - 
e a Esfinge, vencida, precipitou-se contra os rochedos, encontrando a morte.
Os Tebanos acolheram dipo com grande pompa, pois ele libertara-os do terror da Esfinge, e como Laio morrera ofereceram-lhe o trono e a mo da
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dipo
rainha. Estava cumprida a segunda etapa da maldio. dipo casou com Jocasta e desta unio nasceram quatro filhos, dois rapazes, Etcicies e Polinices e duas raparigas, 
AntIgona e Ismena.
Mas dipo ignorava completamente o seu destino, at que um dia a peste se abateu sobre o seu povo e tendo consultado o orculo, este lhe revelou a terrvel verdade 
(este  o tema da tragdia dipo-Rei, de Sfocies). Jocasta, envergonhada, enforcou-se. E dipo perfurou os prprios olhos, tomando depois o caminho do exlio. Acompanhado 
pela sua filha Antgona, encontrou asilo em Atenas, junto do rei Teseu. O orculo tinha prometido prosperidade ao pas que acolhesse o tmulo de dipo. Este morreu 
em Colono, pequeno burgo prximo de Atenas, que foi beneficiado pelos deuses (Sfocies: dpo em Colono).
Os descendentes de dipo Entretanto, as desgraas previstas pelos destinos deviam continuar a abater-se sobre os descendentes de dipo. Os seus filhos comearam 
por disputar entre si o poder: Etcicles conquistou o trono e Polinices, vencido, ir procurar um aliado e um vingador na pessoa do rei de Argos, Adrasto.
Este, no satisfeito por intervir nos assuntos da Becia, organizou a expedio dos "sete contra Tebas". Os sete chefes eram, para alm dele que assegurava a conduo 
das operaes, o seu primo e cunhado, Anfiarau -
que participou nesta expedio para satisfazer a sua esposa, irm de Adrasto
- os Argivos Capaneu e Hipomedonte, famosos pela sua estatura, o Arcdio Partenopeu, filho de Atalanta, o heri etlio Tideu - ento em exlio, por assassinato, 
na corte de Adrasto - e Polinices. Estes dois ltimos receberam em casamento as duas filhas de Adrasto.
Aps um primeiro combate que se saldou por uma vitria, os Sete cercaram Tebas com os seus exrcitos. Mas esta estratgia revelou-se catastrfica: os assaltantes 
foram aniquilados, com excepo de Adrasto, cujo cavalo, Aron - nascido dos amores de Posdon por Demter - o conduziu at Atenas, onde o rei pediu asilo a Teseu.
Os dois filhos de dipo, Etocles e Polinices, bateram-se num combate singular, acabando por encontrar a morte. Creonte, irmo de Jocasta, tomou o poder e decidiu 
recusar sepultura a Polinices. Mas Antgona decidiu intervir - este personagem inspirar Sfocles, Brecht e Anouilh -, e opondo o seu dever sagrado  lei, prestou 
honras fnebres a seu irmo, apesar da
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dipo
interdio de Creonte. Este acabou por conden-la  morte e Antgona enforcou-se na priso. Hrnon, filho de Creonte e noivo de Antgona, ao tomar conhecimento da 
morte da sua amada, suicidou-se sobre o seu cadver. A sua me, Eurdice, no conseguiu suportar a dor pela morte deste filho to amado e ps termo  prpria vida.
Mas os destinos no estavam ainda cumpridos. Dez anos mais tarde, Adrasto reuniu os filhos dos mortos - os Epgonos - e organizou uma nova expedio contra Tebas. 
Desta vez a sorte sorriu aos atacantes e o filho de Polinices, Tersandro, apoderou-se do trono,de Tebas. Entretanto, o filho de Adrasto morreu s mos do filho de 
Etocles, e o velho rei acabou por sucumbir de dor. Este episdio ps fim  escalada de calamidades desencadeadas pelo nascimento de dpo.
Freud escolheu o termo "complexo de dipo" para designar a atraco sexual que todas as crianas sentem pelo progenitor do sexo oposto assim como a hostilidade face 
ao progenitor do mesmo sexo. Este conflito afectivo, se no  ultrapassado naturalmente, nos primeiros anos da infncia, pode deixar traos no psiquismo, a ponto 
de provocar nevroses no adulto. O mtodo que o psicanalista utiliza para conduzir o doente a interrogar o seu passado inconsciente,  aquele que foi utilizado por 
dipo, com a advertncia de que dipo procurou um culpado para exorcizar o seu povo atacado pela peste, enquanto que a psicanlise, que  uma teraputica, se dedica, 
pelo contrrio, a desculpabilizar o paciente.
O mito de dipo inspirou pintores (Ingres (Louvre), G. Moreau (Nova lorque) ... ) e sobretudo escritores (Robert Garnier: Antgona (1580); Cornoille (1659), Voltalre 
(1718), Gide (1930): dipo; Cocteau: A Mquna Infernal (1934). Stravinsky comps a pera: dipo-Rei (1927), a partir de um texto de Cocteau, traduzido para latim 
por J. Danilou. Outros compositores contemporneos foram tentados por este tema: nesco (dipo, 1936), Paul Bastide (dipo-rel), Carl OrtI (Antgona,
1948; dipo, o Tirano, 1959).
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Egina
MIRIM, gide (A)
A palavra gide vem do grego aix, aigos, a cabra. A gide , segundo a tradio mais corrente, a pele da cabra Amalteia, que amamentou Zeus, em C reta.
Esta cabra tinha outrora aterrorizado os Tits, s com o seu aspecto. E quando estes se revoltaram contra Zeus, o deus cobriu-se com esta famosa pele, que tinha 
a particularidade de tornar invulnervel o seu possuidor, no permitindo que nenhuma flecha o atravessasse, nem que nenhum raio o atingisse.
Quando os Tits se submeteram, Zeus ofereceu o precioso escudo  sua filha Atena, e a partir de ento os dois deuses usaram-no, alternadamente. Atena utilizou-o 
para socorrer o seu pai na luta contra os Gigantes (a este propsito, uma outra tradio refere que a gide de Atena era a pele do gigante Palas, que ela esfolou 
depois de o ter matado).
Quando o heri Perseu matou, com a ajuda de Atena, a Grgona Medusa, utilizou a sua cabea terrificante para petrificar os inimigos. Depois ofereceu este trofu 
 deusa, que o colocou no centro do seu escudo protector.
A gide aparece, nas suas mltiplas representaes, como uma espcie de couraa, enfeitada com cabeas de serpentes e apresentando no centro a pavorosa cabea da 
Medusa.
Smbolo de autoridade e de proteco, a gide figura sobretudo nas moedas de vrios imperadores romanos.
E g i n a @ww., ;wmv,   umkmt'ww                            >v'@        w, >@@
A ninfa Egina, filha do deus-rio Asopo, foi cobiada por Zeus, que ficara extasiado perante a sua beleza, Ansiando por possu-ia, este deus "conquistador" tomou 
a forma de uma guia (Ovdio diz: de uma chama), raptou-a e conduziu-a para a ilha Enone (mais tarde chamada Egina), onde consumou o seu amor. Desta unio nasceu 
aco, que graas  sua sabedoria e piedade se tornou juiz dos Infernos (os seus filhos Tiamon e Peleu geraram, respectivamente, jax e Aquiles).
Entretanto, o deus-rio Asopo, angustiado com o desaparecimento de
110

Eiusis
sua filha, partiu  sua procura, ignorando totalmente quem tinha sido o funesto raptor. A certa altura do percurso, encolerizado, resolveu inundar todo o pas. Mas 
quando chegou junto do rei de Corinto, Ssifo, este prometeu dar-lhe o nome do autor do rapto e revelar o seu retiro, caso Asopo fizesse brotar uma fonte da rocha 
rida do Acrocorinto. Assim aconteceu, mas quando Asopo se preparava para encontrar os dois amantes, Zeus, furioso, obrigou-o a voltar ao seu leito normal (e assim 
se explica a presena do carvo no fundo do rio Asopo, cujo nome significa: o lamacento). Quanto a Ssifo, Zeus condenou-o ao castigo eterno.
Mais tarde, Egina desposou Actor, rei de Feres, na Tesslia, dando  luz Mencio, pai de Ptroclo.
Uma outra verso da lenda conta que Asopo quase teria surpreendido a sua filha e o seu amante divino, quando Zeus, a fim de evitar os furores paternos, o transformou 
numa pedra, metamorfoseando depois Egina, numa ilha.
Certos autores atribuem o rapto de Egina a Posdon, apresentando assim aco como filho do deus do mar.
Musis                                                                     N.REI
Quando a deusa Demter percorreu a Grcia  procura de sua filha Core, raptada contra a sua vontade por seu tio, Pluto, parou em Elusis (este nome significa a 
vinda, aproximando-se da palavra crist o advento, do latim adventum), onde recebeu a hospitalidade do rei Cleo. Em sinal de reconhecimento, Demter revelou os 
segredos da agricultura ao filho do rei, Triptlemo (uma clebre estela encontrada em Elusis e conservada no museu de Atenas
- atribuda a Fdias - mostra a deusa e a sua filha, rodeando o jovem prncipe), permitindo, assim, que as primeiras sementeiras e a primeira recolha de trigo, acontecessem 
na plancie de Elusis.
Para perpetuar a lembrana deste dom precioso, o rei da Trcia, Eumolpo, instituiu em Elusis o culto de Demter. Este culto salientava a dupla dimenso da deusa: 
deusa agrria e deusa da maternidade (que trouxera  vida a sua filha desaparecida nas trevas do Hades). Os ritos praticados no decorrer deste culto visavam, por 
um lado, a fertilidade dos campos, e por outro a felicidade de todos os seus fiis, no Alm.

Elnis
Entre os diversos sacerdotes de Demter, o "hierofante" (revelador das poisas sagradas), que desempenhava a funo mais destacada, era tradicio~ nalmente escolhido 
entre os descendentes de Eumolpo.
As cerimnias desen rolavam -se, simultaneamente, em Elusis e em Atenas (as duas cidades estavam separadas por uma distncia de 20 Km), em dois perodos distintos:
- em Fevereiro, os "Pequenos Mistrios" comemoravam o regresso de Core-Persfone: em Agra, subrbio de Atenas, que ficava nas margens do Ilisso, tinha lugar a primeira 
instruo das candidatas  iniciao.
- em Setembro, realizavam-se os "Grandes Mistrios", que compreendiam uma procisso entre as duas cidades: os efebos transportavam ento, objectos sagrados (hra), 
cuja natureza nos  ainda desconhecida, do templo de Demter em Elusis para o Eleusino de Atenas. No fim das solenidades, os objectos regressavam com grande pompa 
para Elusis, acompanhados por uma esttua de laco (nome mstico de Dioniso), cujo culto tinha sido, em boa hora, associado ao de Demter (a vinha e o trigo juntos, 
como smbolos do alimento dos homens).
Entretanto, desenrolavam-se os ritos de purificao no mar (os fiis transportavam bcoros que sacrificavam seguidamente), representaes de dramas sagrados recordando 
a lenda de Demter e a de Dioniso e (particularmente perante os iniciados - os "videntes") as npcias de Zeus e de Demter (unio do cu e da terra), reconstitudas 
pelo sacerdote de Zeus e pela sacerdotisa de Demter.
As outras actividades em que participavam os fiis - particularmente uma procisso enlouquecedora e difcil, feita na escurido, que terminava com o regresso  luz 
do dia - no so detalhadamente conhecidas, pois os iniciados tiveram a preocupao de as manter em segredo.
Este mistrio tinha o seu incio no recinto sagrado de Elusis onde, curiosamente, os primeiros prticos estavam dispostos de modo a que o olhar no pudesse penetrar 
no interior do templo. E quem tentasse enfrentar a interdio de entrar, podia ser condenado  morte, existindo, para o efeito, uma gruta por onde se passava directamente 
para os Infernos. A via sagrada, que servia os diversos santurios construidos no recinto e dominados pelo templo de Demter, conduzia  grande sala de iniciao, 
na qual trs mil pessoas tinham lugar.
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Endmion
Endmion
O belo Enclmion, filho (ou neto) de Zeus, era rei dos Elios que ele tinha conduzido da Tesslia para a lide. Um dos seus filhos, Etolo, tornou-se o antepassado 
dos Etlios,
Zeus prometera-lhe, ao nascer, satisfazer o seu desejo mais precioso. Endmion solicitou-lhe ento que lhe concedesse a sua juventude pela eternidade. O "rei dos 
deuses" acedeu, na condio de que Enclmion se mantivesse adormecido para sempre.
Uma primeira lenda conta que Hipno (o sono), apaixonada por Enclmion, lhe concedera o dom de dormir de olhos abertos, para o poder admirar em toda a sua beleza.
Segundo uma outra lenda, Selene (a Lua) contemplara Enclmion adormecido e apaixonara-se por ele. Assim, todas as noites ela vinha acarici-lo com os seus raios 
amorosos, amando-o perdidamente, e deste amor teriam nascido cinquenta filhas.
A lenda de Enclmion motivou vrios pintores (Tintoreto (Londres), Rubens (Londres), Van Dyck (Madrid), Van Loo (Louvre), Girodet (Louvre), etc.) e poetas: o poema 
de Keats que lhe  consagrado (1818) comea por um verso universalmente conhecido: um motivo da beleza  uma alegria que jamais passa,
Encias                                                                  IVVM
A genealogia de Eneias d-nos todas as personagens que participaram na edificao da ptria troiana: o rio Escamandro, a ninfa Ideia (do monte Ida), os antepassados 
Teucro e Drdano (a que os Romanos chamaram Teucri e Dardani) e os reis, Trs (que deu o seu nome  Trade) e Ilo (fundador de lion, o primeiro nome de Tria).
O Troiano Eneias  filho de Anquises, o mais belo dos mortais. To belo que a prpria Afrodite se apaixona por ele, escondendo, no entanto, a sua identida-
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Eneias
de. Mais tarde, acaba por revelar-lha, aconselhando-o, no entanto, a no se vangloriar da sua sorte perante ningum. Infelizmente, um dia, Anquises, embriagado, 
esquece a recomendao da deusa e Zeus, ao tomar conhecimento da sua falta, resolve puni-lo, tornando-o coxo para sempre (outros dizem cego).
Eneias, filho desta unio, simultaneamente divina e mortal, foi dotado, assim como toda a sua descendncia, de um destino memorvel. A sua origem divina, que se 
encontra claramente indicada na Xada, ser largamente explorada por Virglio, no quadro da lenda romana.
No decurso da guerra de Tria, Eneias manifestou-se como o mais valente dos Troianos, depois de Heitor, seu cunhado (Eneias tinha desposado Cresa, filha do rei 
Pramo).
E no fim da herica resistncia - na terrvel noite em que os Gregos incendiaram, pilharam e massacraram -, Eneias, por ordem de sua me e sob proteco de Heitor, 
levando o seu pai, enfraquecido, aos ombros, o seu filho Ascnio pela mo e carregando, igualmente, os objectos mais sagrados, conseguiu fugir por entre as chamas, 
em direco ao monte Ida. Apercebendo-se de que a sua esposa no o seguia, voltou  cidade para a procurar. Mas s encontrou a sua sombra, que o aconselhou a partir 
 conquista de uma terra, onde pudesse reconstruir a sua ptria.
Eneias dirigiu-se ento, de novo, para o monte Ida, onde reencontrou alguns dos seus compatriotas sobreviventes. Juntos construram uma frota de vinte navios, que 
depois se fez ao mar. Durante algum tempo navegaram ao longo do mar Egeu, chegando por fim  Itlia meridional de onde foram repelidos pelos colonos gregos. Entretanto, 
Anquises morre no decurso desta viagem.
E ao fim de sete anos de errncia pelo mar, uma tempestade (provocada pela cruel Juno, inimiga dos Troianos desde o julgamentode Pris), empurrou a frota "troiana" 
para as costas de frica. Dido, rainha de Cartago, resolveu acolher os nufragos, acabando por apaixonar-se por Eneias. Mas Jpiter, para que os destinos se cumprissem 
- a fundao de Roma, por um lado, mas tambm a runa de Cartago s mos dos Romanos, por outro -, ordenou ao heri que voltasse a navegar, quando os seus barcos 
estivessem reparados. Obediente, o piedoso Eneias partiu sem ver Dido que, desesperada, se atirou  fogueira,
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Eneias
O fundador Eneias segue viagem at  Campnia, onde desembarca a fim de consultar a sibila de Cumas. Esta conduz o heri aos Infernos, onde Anquises, seu pai, lhe 
revelar o futuro de glria prometido  sua posteridade.
Os Troianos embarcam ento de novo, dirigindo-se agora para as costas de Itlia. A sua prxima paragem ser no Lcio onde Eneias entra em contacto com o rei Latino 
que lhe oferece a sua filha Lavnia em casamento. Acontece que Turno, o rei dos Rtulos, que considerava ter direitos sobre a princesa, fica indignado com a atitude 
dos dois homens e declara guerra a Latino e a Eneias.
Este vai solicitar a ajuda do velho rei Evandro que (embora de origem grega, tinha acolhido Anquises e Pramo na Arcdia) reinava, neste momento, nos lugares onde 
mais tarde se erguer a cidade de Roma. Evandro responde ao apeio do heri troiano, enviando um contingente de homens (e reconciliando, com este gesto, Gregos e 
Troianos) que salvaro a tempo Eneias e Latino da situao comprometedora em que se encontravam.
As hostilidades entre as duas partes s terminariam, no entanto, aps um combate singular entre Eneias e Turno. O triunfo de Eneias, protegido pelos destinos,  
o ltimo episdio contado na Eneida, o poema de Virglio.
Aps a morte de Latino, Eneias  o seu natural sucessor. A partir de ento, a sua aco  no sentido de fazer cumprir o seu destino. Comea por instalar os deuses 
troianos em Itlia (acontecimento justo, dado que Drdano era filho do rei dos Tirrenos de Itlia, antepassados provveis dos Etruscos), funda, seguidamente, a cidade 
de Lavnio em honra de sua esposa e dota o seu povo com um novo nome, o de Latinos.
Eneias acaba por desaparecer, misteriosamente, no decurso de novos confrontos com os povos vizinhos. Mas pertencer  sua descendncia, por intermdio de Ascnio 
(tambm chamado lio), e mais tarde de Slvio, filho pstumo de Eneias e de Lavnia, a misso de determinar o nascimento de Roma.
Os Romanos veneraram Eneias sob o vocbulo Jpiter-indgete, ou seja, nacional, por oposio aos deuses importados do panteo grego.
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Eneu
As aventuras de Eneias inspiraram os artistas Tintoreto (Louvre), Tiepolo (Madrid), Van Dyck (Mntua), Jordaens (Copenhaga), Poussin (Londres), Van Loo (Louvre).... 
assim como os msicos, de Purcell (Ddo e Eneas) a Berlioz (Os Troianos) e a Alberl Roussei (ballet Eneas,
1935). A Eneida de Virglio foi frequentemente ilustrada, muito particularmente por Abralham Bosse no sc. xviii e por Davd, Grard e Girodet, no sc. xix.
Eneu
Eneu, dado geralmente como filho de Porteu, rei de Caldon, na Etlia, desposou Alteia, de quem teve vrios filhos. Entre eles, podemos destacar Toxeu (que ele condenar 
morte, por ter enfrentado as suas ordens), Meleagro e Dejanira, que desposar Hrcules.
Diz-se, no entanto, que Meleagro e Dejanira no seriam filhos de Eneu, mas de Ares e Dioniso, respectivamente. Este ltimo teria, at, recompensado Eneu pela sua 
complacncia, ofertando-lhe uma cepa de vinha e ensinando-lhe a tcnica desta cultura (o nome Eneu significa: vinhateiro).
Segundo uma outra tradio, foi um pastor dos rebanhos de Eneu que, observando uma cabra que se preparava para comer uma planta desconhecida, apanhou os bagos desta 
planta, espremeu-os e misturou o seu sumo com a gua do rio Aqueloo. Depois apresentou a bebida a Eneu, que lhe deu um nome derivado do seu: offios, o vinho. Quanto 
 fruta propriamente dita, recebeu o mesmo nome do pastor: Estfilo, o cacho.
Eneu, quando se tornou rei de Caldon, ofereceu um dia de primcias aos imortais, esquecendo-se, no entanto, de nomear rtemis entre os beneficirios. A deusa, vingativa, 
lanou um javali monstruoso sobre o pas. Este desencadeou uma srie de desgraas que, para alm da trgica "caada de Caldon", conduziram  morte de Meleagro.
Ao tomar conhecimento da morte de seu filho, Alteia suicidou-se e, ento, Eneu desposou, em segundas npcias, Peribeia, filha de Hiponoo, rei de Oleno, na Etlia. 
Desta unio nasceu Tideu, pai de Diomedes, o companheiro de Ulisses na guerra de Tria.
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010
Quando envelheceu, Eneu foi afastado do trono pelos seus sobrinhos. Mas Diomedes interveio, prontamente, semeando a morte entre os usurpadores e confiando o reino 
a um genro de Eneu. Este deveria ainda velar pela proteco do velho rei. Acontece que alguns dos sobrinhos que tinham sobrevivido ao massacre, acabam por assassinar 
Eneu. Diomedes prestou-lhe, ento, gloriosas honras fnebres e deu o seu nome ao local em que ele tinha terminado os seus dias.
010
Aquele a quem Posdon, seu pai, confiou o domnio dos ventos,  filho de Arne, ela prpria filha do primeiro olo, fundador da raa dos elios e rei da Tesslia. 
A palavra grega aiolos, que ns transcrevemos olo, significa: que se move sem cessar. Este significado est relacionado com a vida agitada de olo e com o imprio 
dos ventos, que lhe  atribudo.
Para o relato da sua infncia dramtica e da sua juventude plena de ciladas, que se desenrolaram na Itlia do Sul, em Metaponto, perto do golfo de Tarento e que, 
segundo uma verso da lenda, terminaram com o seu exlio, remetemos para o artigo consagrado ao irmo gmeo de olo, Beoto.
Enquanto Beoto - exlio ou pura aventura - se instalou na Grcia, na Becia, olo percorreu o mar Elio e foi acolhido nas ilhas pelo rei Uparo, que lhe ofereceu 
a sua filha, Ciano - cujo nome ("azul", em grego) evoca a cor caracterstica deste canto do mar - e o seu trono.
Na Antiguidade, a morada dos ventos, sobre os quais reinava olo, estava situada na ilha Lipari (tambm chamada Elia). Era representada, segundo Homero, como uma 
ilha flutuante, toda em rochas, defendida de todos os lados por uma muralha de bronze.
O nome olo foi dado por Clment Ader, pai da aviao,  sua
primeira mquina voadora.
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Eos
Eos
Eos, filha dos Tits Hiprion e Teia,  a deusa da aurora (a palavra latina aurora vem do grego aus, que  uma outra forma de s). Ela  irm de Hlio, o Sol, 
e de Selene, a Lua.
Eos desposou o vento do crepsculo, Astreu, filho do Tit Crio, e deu  luz os ventos Breas, Noto e Zfiro assim como os astros Fsforo, a estreia da manh (literalmente: 
o portador do archote; igualmente chamado Esforo) e Hspero, a estreia da tarde.
Todas as manhs, antes da alvorada, Eos abandonava o leito de seu marido, a fim de se elevar no horizonte e anunciar a vinda do astro do dia, seu irmo. Encontramo-la 
sentada num carro de luz, puxado por cavalos de ouro ou montada sobre um cavalo (Pgaso), agitando uma tocha acesa ou ainda voando no horizonte com as suas prprias 
asas, e espalhando o orvalho nos campos.
A sua beleza surpreendente e a sua juventude eterna fizeram com que Afrodite tivesse cimes de Eos. Estes acentuaram-se ainda, depois desta se ter abandonado aos 
desejos de Ares. Desde ento, a deusa do amor condenou Eos a entregar-se incessantemente a novas aventuras.
E foi assim que ela se apaixonou perdidamente por um filho de Hermes, Cfalo, que formava at ento, com a sua jovem mulher Prcris, um casal perfeitamente unido. 
Mas Eos raptou-o, e desta unio ter nascido, segundo Hesodo, Faetonte. No entanto, Cfalo desejava regressar para junto de sua esposa. A deusa permitiu-lhe o regresso, 
mas antes semeou no seu esprito a dvida da fidelidade de Prcris. A partir de ento, a vida de Cfalo e de Prcris foi tragicamente perturbada.
Eos apaixonou-se, depois, pelo gigante Oron, cuja beleza era considervel. Raptou-o, quando ele acompanhava a caada de rtemis, e reteve-o, junto de si, at que 
a deusa, ultrajada, fez perecer o infiel servidor.
Eos apaixonou-se, ainda, por um outro mortal clebre pela sua beleza, o Troiano Ttono, filho de Laomedonte, e irmo mais velho de Pramo, que lhe dar dois filhos, 
Mrnnon e Emtion. A fim de evitar que ele tivesse uma sorte semelhante  de Oron, Eos suplicou a Zeus que concedesse a imortalidade ao seu amante. Zeus deferiu 
o seu pedido, mas Eos esquecera-se de pedir tambm uma juventude eterna para Ttono. Assim, a velhice e a decrepitude foram-se apoderando de Ttono e este, impotente 
e definhado, ver-se- redu-
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Epidauro
zido  sua mais simples expresso. Relegado para um quarto fechado, ser finalmente transformado em cigarra.
Quanto a Mrririon, foi morto por Aquiles sob as muralhas de Tria, quando viera em socorro de seu tio Pramo. As gotas de orvalho que Eos deita sobre a terra no 
so seno as lgrimas que ela verte desde ento.
Uma outra lenda, na qual o nome de Mrririon  atribudo a uma esttua colossal do Egipto faranico, conta que esta esttua vibrava musicalmente todas as manhs, 
a partir do momento em que era tocada pelos primeiros clares da aurora.
Epidauro                                                                     a
O culto de Asclpio, filho de Apolo e deus benfico da medicina (que Zeus fulminou, a fim de evitar a desordem, na natureza, que ele estava a provocar, ressuscitando 
todos os mortos), estabeleceu-se  volta do seu tmulo, no Epidauro, desde o sc. vi a. C.
O seu templo, edificado directamente sobre o seu tmulo, era rodeado por edifcios consagrados a diversas divindades (por exemplo, Apolo e rtemis) e por uma grande 
construo, destinada a albergar os peregrinos que vinham de todos os pontos do mundo mediterrnico, a fim de solicitar a sua cura.
Os seus sacerdotes, sob influncia do clebre Hipcrates (scs. v-iv), conceberam os fundamentos cientficos da medicina moderna.
No interior do edifcio sagrado figurava ainda um estdio, e esculpido no fianco da montanha um teatro, que Pausnias referiu, no seu tempo, como um dos mais importantes 
monumentos que visitara. Este manteve-se famoso at hoje, no s devido  sua harmoniosa apresentao, mas tambm graas  sua excepcional acstica.
rebo                 i41., @`~5;M,                                     'I1N'M@";@I@@
 rebo, personif i cao das trevas i nf e rnais (o verbo grego rphosignif i -
ca: cobrir de sombra), emergiu, juntamente com a Noite, do Caos primordial.
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Ernias
Da unio com a sua irm, nasceu ter, o ar e Hemera, a luz do dia. No decurso da guerra dos Tits contra Zeus e os Olmpicos, rebo toiflou o partido dos Tits e, 
por isso, foi atirado para as profundezas do Trtaro (o Trtaro, cujo nome no  seno uma displicente onomatopeia, representava, no centro da terra, a priso dos 
rejeitados).
Ernias
Quando Cronos mutilou o seu pai rano, a fim de lhe roubar o trono e o poder, este verteu algum sangue sobre a terra. E deste sangue nasceram as Ernias. O seu nmero 
no  determinado, mas habitualmente s se cita o nome de trs delas: Alecto, Megera e Tisfone. Elas so representadas com a forma de gnios alados e cabeleira 
de serpentes ("Para quem so estas serpentes que silvam sobre as vossas cabeas?" - estas so as palavras que Racine coloca na boca de Orestes, delirante), empunhando 
tochas ou chicotes. A sua morada fica na obscuridade dos Infernos, o rebo.
As Ernias tm como funo proteger a ordem estabeiecida e vingar todos os delitos capazes de a subverter, quer se trate do orgulho que faz o homem esquecer os seus 
limites e a sua condio de dependente quer se trate de crimes, cometidos pelos mortais ou mesmo pelos deuses, pois as Ernias, nascidas da mais antiga divindade 
do panteo helnico, tm autoridade sobre todos os deuses das geraes posteriores, incluindo Zeus. Elas encarniam-se sobre as suas vtimas (dipo, Orestes e tantos 
outros) como cadelas - Sartre dir: como "moscas" - at as levarem  loucura.
Os homens julgaram poder conquistar o favor das Ernias, dando-lhe um cognome lisonjeiro: as Eurnnides, ou seja, as Benevolentes (este  o ttulo da segunda tragdia 
da Oresteia).
Os Romanos assimilaram as suas Frias s Ernias gregas.
As duas primeiras tragdias da Orestea de squilo (Agammnon e As Coforas) encontraram um tradutor genial em Leconte de Lisle, sob o ttulo As Ernias (1873). 
A msica de cena foi escrita por Massenet.
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ris
ris
ris, a deusa da Discrdia, aparece quer como filha da Noite quer como filha de Zeus e de Hera, irm e companheira de Ares.
 ela quem lana a famosa "ma da discrdia", no meio do banquete de npcias de Ttis e de Peleu, futuros pais de Aquiies. Esta esteve na origem da guerra de Tria, 
onde Aquiles pereceu.
Eros
ErosI, que segundo as teogonias mais antigas teria emergido do caos primitivo,  a fora irresistivel que faz atrair os elementos, surgindo assim como princpio 
de vida. A sua aco fecundante far nascer todas as coisas atravs da unio do espao (Caos) e da matria (a Terra). Depois, juntou rebo
- a obscuridade infernal - e Nix - a Noite - e estes geraram ter - o fluido vital - e Hemera - o dia.
O orfismo vem reafirmar o poder fundamental de Eros, mas d-lhe uma outra origem: Caos, o infinito, e ter, o finito, uniram-se para gerar o ovo primordial; deste 
ovo nascer o primeiro ser, simultaneamente macho e fmea, e possuindo o germe de todas as coisas, Eros.
A verso exposta por Plato no Banquet8 , no entanto, diferente: Eros teria nascido, no fim de um banquete que reunira todas as divindades, da unio de Pnia (a 
Pobreza) e de Poros (o Expediente). Ele fora gerado com a misso de assegurar a continuidade das espcies, numa caada perptua,  imagem de sua me, e sempre cheio 
de astcia, como seu pai.
As tradies mais correntes preferiram reter o mito do jovem malicioso e perverso, geralmente alado, armado com um arco ou uma tocha acesa, filho de Afrodite, deusa 
da amor, e de Ares, deus da guerra, sempre na conquista de novas vtimas, humanas ou imortais, incluindo Zeus e a sua prpria me.
A lenda potica de Eros e Psique, contada por Apuleio, prende-se com esta verso - Psique (a alma) era uma princesa cuja extraordinria beleza
1 Pronuncia-se com um o longo (mega grego), apesar da maior parte dos nomes em os se pronunciarem com um o breve (micron grego), exemplo: Cosmos, rano, Cronos...
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Estentor
suscitou os cimes de Afrodite. Esta enviou, ento, o seu filho  conquista de Psique. Mas Eros, encarregado de desposar a bela princesa, apaixonou-se, irresistivelmente, 
por ela. Depois de toda uma srie de peripcias romanescas, Eros solicitou a Zeus que concedesse a imortalidade  sua esposa, e o "rei dos deuses" cedeu-ihe esse 
favor.
"A criana Eros" (Ronsard), armada com um arco e flechas, tem sido uma das personagens favoritas dos pintores e escultores (Praxiteles, sc. iv a. C., museu do Capitlio). 
Na poca helenstica e romana, Eros, visto como um princpio de vida e por isso associado  evocao da morte,  representado nos sarefagos com a aparncia de um 
rapaz apoiado sobre uma tocha tombada, smbolo da vida que se extingue. Os artistas do Renascmento (Donatello, Miguel-Angelo) distinguiram OAmor vencido, OArnor 
vencedor(Caravagio, Serlim) e O Amor adormecido (Caravagio, Florena, palcio Pitti). .. Os pintores franceses, sobretudo no sc. xviii, tambm se deleitaram com 
Eros: Le Moyne, Natore, Charies Coypel, Carle Van Loo, Boucher, Fragonard... Bouchardon esculpiu O Amor talhando o seu arco da maa de Hrcules (Louvre), Falconet 
O Amor ameaador (Versalhes) e no sc. xix, Rude, O Amor dorninador do mundo (Dijon, museu Rude). Uma pera de Luily (1678)  inspirada na lenda de Ps@que.
Estentor
Guerreiro grego (conhecido e clebre graas a dois versos da Ilada!), de quem Hera tomou os traos e a voz (que igualava, em fora, a voz de cinquenta homens juntos) 
a fim de galvanizar o exrcito grego, em Tria, aps a desero de Aquiles.
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Esfige
Estige
A ninfa Estige  geralmente considerada como a mais velha dos filhos de Oceano e de Ttis. Esta ninfa personifica o rio que circunda o reino dos Infernos.
Ourante a guerra dos Olmpicos contra os Tits, Estige d a sua ajuda a Zeus e este, em reconhecimento, decide que, de futuro, todo o juramento "por Estige" seria 
irrevogvel. Assim, quando um imortal fizesse um juramento, ris, a mensageira, iria buscar um copo cheio de gua do rio infernal sobre o qual o deus deveria estender 
a mo. Aquele que cometesse perjrio sofreria uma severa punio: durante dez anos seria afastado da assembleia dos deuses.
Foi na gua de Estige que Ttis mergulhou o seu filho Aquiles, depois do seu nascimento, a fim de o tornar invulnervel.
MUdes                                                                     rM
Etlides, filho de Hermes, era conhecido pela sua habilidade como arqueiro. Foi designado como arauto - ou seja, como porta-voz do comando
da expedio dos Argonautas.
O seu pai prometera conceder-lhe tudo aquilo que ele desejasse,  excepo da imortalidade. Assim, Etlides pede-lhe para viver vidas sucessivas, conservando sempre 
a lembrana de tudo aquilo que vivera.
Os defensores da metempsicose adoptaram a lenda de Etlides como uma ilustrao da sua doutrina. Eles afirmavam mesmo que depois de ter passado por corpos to diferentes, 
como aquele do troiano Euforbo, que feriu Ptroclo e foi morto por Menelau, e aquele de um humilde pescador de Delos, a alma do filho de Hermes teria vindo animar 
o corpo do seu mestre, Pitgoras.
1 Eter
ter, filho da Noite e de rebo, segundo a Teogonia de Hesodo, personifica o ar. Ele  o irmo de Hemera, deusa do dia.
123

Europa
ter reside na parte superior do firmamento que, segundo Homero,  o
local preferido de Zeus.
Na cosmogonia rfica, Eter, assimilado  luz,  filho de Cronos, o Tempo, como o seu opositor, Caos. Da unio de ter e de Caos nascer o ovo csmico, depositrio 
do germe universal.
Europa                                                                       VM
Europa era filha do rei da Fencia, Agenor, ele prprio filho de Posdon, e irm de Cadmo, o futuro fundador de Tebas, na Becia.
Era to bela que a acusavam de usar as pinturas de rosto de Hera, que a deusa Hcate teria furtado para lhe oferecer. Um dia, quando Europa colhia flores com as 
suas amigas numa praia de Tiro, no muito longe da pastagem onde se encontrava a manada de seu pai, vislumbrou um touro entre os animais, com uma pelagem resplandecentemente 
branca, e um porte digno e doce, como ela nunca tinha visto. A jovem aproximou-se a fim de o acariciar com a sua mo e sentiu o hlito do animal, que tinha um odor 
a aafro. O touro deitou-se aos seus ps, de maneira a permitir que a jovem subisse para o seu dorso. Ela assim fez e ornou os cornos do animal com as suas flores.
Mal o touro se levantou, dirigiu-se para o mar, com a jovem na garupa, e nadou, por entre um cortejo de tritos e de Nereides, at  ilha de Creta, desembarcando 
em Gortina, ao sul da ilha. A, o touro que no era seno Zeus, tomou a sua forma habitual e deu-se a conhecer a Europa, amando-a ento, junto de uma fonte e debaixo 
de pltanos que, diz-se, conservaram para sempre a sua folhagem.
Mais tarde, Europa deu  luz Minos, Radamante e Sarpdon. Nessa ocasio, Zeus ofereceu-lhe trs presentes: o gigante Talo (encarregado de preservar Creta de qualquer 
incurso hostil), um co de caa que nunca falhava a presa e uma arma de caa infalvel.
Depois Zeus concedeu Europa, em casamento, ao rei da ilha, Astrio. Este adoptou os seus filhos e,  sua morte, o trono de Creta foi ocupado por um deles, Minos.
Quanto a Europa, que seu pai procurou em vo, uma vez morta, foi elevada por Zeus  categoria de divindade e transformada em constelao.
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Eurotas
Os historiadores vem na lenda de Europa a expresso potica da penetrao das civilizaes da sia Ocidental no mar Egeu, e  em memria da princesa fencia que, 
na Antiguidade, se dar  parte do mundo onde Europa desembarcou - invoiuntariamente - o nome da princesa. A imagem de Zeus-touro lembra tambm a natureza do deus 
dos cretenses, meio-touro, meio-homem. Sabemos, por outro lado, a importncia que o touro teve na vida quotidiana e na religio dos Egeus.
O rapto de Europa foi ilustrado por artistas de todos os tempos, desde aqueles que representaram a cena sobre as mtopas dos templos arcaicos, sobre os vasos, moedas, 
frescos e mosaicos, at aos pintores Veronese (Veneza), Ticiano (Boston), Tintoreto (Modena), Le Guide (Leninegrado), Jordaens ffille), Boucher (Louvre), etc.
Eurotas
Eurotas era filho do fundador da dinastia dos Lieges, Llex (nascido da Terra) e da ninfa Tagete. Ele foi pai de Esparta e sogro de Lacedmon.
Na qualidade de rei da Lacnia, Eurotas  recordado como o responsvel pelos trabalhos de secagem dos pntanos e pela construo de um canal, a que deu o seu nome.
Existe, no entanto, uma outra tradio: Eurotas, tendo cometido a falta de comear uma batalha sem esperar pela chegada da Lua cheia, foi vencido pelos Atenienses, 
atirando-se ento s guas do rio Hmero que, a partir desse momento, passaram a ter o seu nome.
As guas de Eurotas - a quem foram, talvez, dedicados sacrifcios humanos - eram reputadas como benficas e os jovens Espartanos banhavam-se nelas, a fim de adquirirem 
fora e vigor. Foi nas margens acolhedoras destas guas que Zeus, com a aparncia de um cisne, conquistou Leda e Pris raptou Helena.
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Evandro
Evandro                                                                     fiM
Evandro, filho de Hermes (?) e de uma ninfa que os Romanos veneravam sob o nome de Carmenta, nasceu na Arcdia.
No decurso de uma viagem efectuada na sua juventude, para a Frigia, ele foi recebido por Anquises, futuro pai de Eneias.
Evandro deixou o seu pas, definitivamente, alguns sessenta anos antes da guerra de Tria e instalou-se em Itlia, no Lcio, sobre o monte Palatno, onde o rei Fauno 
o acolheu com simpatia.
Mais tarde, tornou-se rei do pas. Os Romanos guardam a lembrana da bondade e da sabedoria deste rei pastor que soube transmitir aos seus sbditos o seu conhecimento 
da escrita (e esta tradio  confirmada por recentes descobertas arqueolgicas), da msica, das tcnicas utilitrias, assim como a prtica dos cultos dos arcdios: 
os cultos de Ceres-Demter, de Neptuno-Posdon e de P (confundido com Fauno), em honra de quem teria fundado as Lupercais.
Evandro acolheu Hrcules, quando da sua passagem por Itlia, tendo-o purificado do assassinato de Caco. Ao descobrir a sua origem divina, dedicou-lhe um culto, a 
ser mantido pela eternidade.
No fim da sua vida, Evandro acolheu Eneias, que veio solicitar a sua ajuda contra os Rtulos. Em memria do seu pai, Evandro concedeu-lhe um contingente conduzido 
pelo seu prprio filho, Palas. Segundo a Eneida, este encontrou a morte no combate, s mos do prprio Turno, rei dos Rtulos.
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Faetonte , segundo a tradio mais corrente, filho de Hlio, o Sol, e da ocenide Clmene.
O jovem era dotado de uma beleza extraordinria, mas arrogante. Um dia, pafo, filho de Zeus e de lo, questionou a ilustre origem de Faetonte. Este, indignado, precipitou-se, 
de imediato, para junto de seu pai, suplicando-lhe que lhe permitisse conduzir o seu carro, pelo menos uma vez. Hlio, assustado, recusou, mas perante as insistncias 
de seu filho, acabou por aceder, fazendo-lhe, no entanto, todas as recomendaes necessrias, que Faetonte prometeu cumprir. Acontece que, mal o jovem se encontrou 
entre o cu e a terra, constrangido talvez pela presena das figuras do Zodaco que se encontravam ao longo do percurso que lhe tinha sido traado, ou simplesmente 
trado pelos cavalos que no reconheceram o seu condutor habitual, renunciou  rota fixada e conduziu desordenadamente, ora descendo demasiado e arriscando incendiar 
a terra ora subindo muito alto, e provocando a oscilao dos astros.
Zeus, a fim de abortar uma possvel revoluo csmica, viu-se obrigado a fulminar o imprudente, que se precipitou no rio Erdano (P). As suas irms, as Hliades, 
choraram-no durante muitos meses, nas margens do rio. Comovidos, os deuses transformaram-nas em choupos e das suas lgrimas fizeram gros de mbar.
Cicno, rei da Ligria e grande amigo de Faetonte, chorou tambm a morte do jovem, errando melancolicamente ao longo das margens do Erdano, at que os deuses o transformaram 
em cisne.
Os Gregos deram o nome de Faetonte ao planeta que ns conhecemos como Jpiter.
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Fauno
O infortnio de Faetonte inspirou uma tragdia lrica a Luily (1683) e um poema sinfnico a Saint-Sans (1873). A orao que Faetonte dirigiu a Apolo, com o fim 
de obter permisso para conduzir o carro do Sol, foi ilustrada por Poussin (museu de Berlim), Le Sueur (Louvre), Jouvenet (Ruo). A sua queda  representada num 
fresco de Jules Romain (Mntua) e nas telas de Tintoreto (Modeno) e 1. Carrache (Bolonha).
Fauno
Fauno  apresentado pela mitologia romana como um dos primeiros reis do Lcio. Ele era filho do rei Pico (ele prprio filho de Saturno, transformado num picano-verde 
pela mgica Circe, a quem repelira) e celebrizou-se por ter criado leis para o seu povo e ter inventado a flauta. Fauno foi o marido (ou o pai) de Fauna, divinizada 
com o nome de Boa Deusa, cujo filho, Latino (filho de Fauno ou filho de Hrcules?) acolher mais tarde Eneu, na Itlia, oferecendo-lhe a sua filha em casamento.
Fauno, tambm chamado Luperco, foi adorado pelos Romanos como uma divindade agrria benfica (o seu nome significa: favorvel). Ele assegurava ainda a fecundidade 
dos rebanhos e protegia-os, sobretudo, dos lobos. Fauno tinha, tambm, o dom da profecia (mas para obter um orculo, o rei Numa teve de acorrentar a sua efgie) 
e gostava de passear nas montanhas e nas florestas, deleitando-se junto das fontes.
O seu principal santurio, o Lupercal, ficava situado no Palatino (este era tambm o nome da gruta onde a loba de Marte aleitou Rmulo e Remo), onde os Lupercos 
(colgio de sacerdotes que o servia), com os seus chicotes em pele de cabra, distribuam a fecundidade pelos seus suplicantes. A principal festa do seu culto, e 
uma das mais importantes do calendrio romano, as Lupercais (em Fevereiro), que apresentavam o carcter de uma purificao, destinavam-se a garantir a prosperidade 
do solo e dos rebanhos. Fundada pelo rei Evandro, esta festa conservou-se at ao sc. v d. C., sendo ento substituda, por interveno da Igreja, pela festa da 
Purificao da Virgem.
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Febe
Os Romanos assimilaram Fauno ao P dos Gregos. A sua personalidade subsistir, entretanto, dissolvida numa multiplicidade de gnos rurais, os faunos, substitutos 
dos stiros gregos, metade homens, metade bodes.
Fauno  representado como um homem barbudo, com a cabea coroada de folhas e coberto unicamente com uma pele de cabra, arvorando o corno da abundncia.
Febe
A Titnide Febe desposou o seu irmo Ceu, de quem teve duas filhas: Astria e Leto.
Astria casou com Perses, de quem teve Hcate, mas posteriormente foi perseguida por Zeus e, a fim de resistir aos intentos amorosos do "rei dos reis", atirou-se 
ao mar, sendo transformada numa ilha flutuante, a ilha de Ortgia, futura Delos.
Geia
rano
Ponto
Cronos       Reia        Ceu         Febe        Crio       +     Eurbia
Zeus          +         Leto     Astria          +          Perses
Apolo      rternis                     Hcatel
1 Segundo Hesodo.
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Fides
Leto, pelo contrrio, submeteu-se  seduo de Zeus, de quem teria tido, segundo Homero e Hesodo, os gmeos Apolo e rtemis.
Febe, cujo epteto  "coroada de ouro",  uma divindade sideral - a filiao de Apolo, rtems, Hcate e Astria atestam-no - que, mais tarde, ser confundida com 
outras divindades de carcter equivalente, como Selene, a deusa Lua (filha dos Tits Hiperon e Teia) que se ver, por sua vez, assimilada a rtemis, deusa da Lua.
Fidos
Fides ou Boa Fides (Boa Fidelidade)  uma divindade romana que personifica uma abstraco: a fidelidade  palavra dada, quer nas transaces pblicas como privadas. 
Fides tinha um templo em Roma, no Capitlio.
Fides  representada como uma mulher de idade avanada, de p, coberta, arvorando atributos agrcolas (espigas, frutos, corno da abundncia) ou militares (vitria, 
guia, estandarte, globo).
Filmon
Ovdio, La Fontaine e Gounod (numa pera cmica) realaram a tocante lenda de Filrnon e Bucis, um casal muito unido de pobres camponeses da Frigia que aceitaram, 
um dia, receber em sua casa dois viajantes, para quem todas as outras portas da cidade se tinham fechado. Estes viajantes eram Jpiter e Mercrio, disfarados de 
simples mortais. Agradecidos e tocados pelo gesto do pobre casal, prometeram satisfazer-lhes o seu voto mais precioso, Curiosamente, Filrnon e Bucis pediram, simplesmente, 
que lhes concedessem o privilgio de ficarem juntos at ao fim dos seus dias.
Jpiter, na sua severa justia, enviou uma tempestade sobre a vila pouco hospitaleira, destruindo-a completamente, com excepo da choupana dos
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Filoctetes
seus hospedeiros, que ele transformou em templo. Mais tarde, metamorfoseou os dois camponeses em rvores - carvalho e tlia - colocando-os, lado a lado,  porta 
do templo.
Vrios pintores ilustraram esta histria: Bronzino (Munique), J.-B. Restout (Toulouse), Jordaens (Viena).
Filoctetes
Filoctetes, filho do Tessaliano Peas que tinha sido membro da expedio dos Argonautas,  conhecido por ter recebido de seu pai ou directamente do prprio Hracies, 
as flechas e o arco do heri. Com efeito, os dois encontravam-se no cimo do monte Eta, quando Hracies decidiu pr fim aos seus dias, pedindo para ser queimado numa 
pira. Como recompensa, o heri teria gratificado Filoctetes com o seu arco e a sua flecha infalveis.
Entretanto, Filoctetes tinha prometido a Hracies no revelar jamais o lugar onde repousavam as suas cinzas. No entanto, no conseguiu cumprir a promessa, e por 
isso foi duramente punido.
Filoctetes tinha sido, tambm, um dos pretendentes de Helena de Esparta. Assim, quando esta foi raptada pelo prncipe Pris, de Tria, ele integrou-se na expedio 
dos Gregos contra esta cidade. Durante a viagem, quando os Gregos fizeram escala na ilha de Tnedos, Filoctetes foi mordido, no p, por uma serpente. Os seus companheiros 
transportaram-no para bordo, mas a ferida infectou, deitando um cheiro to ftido que Ulisses e Agammnon consideraram que ele no poderia prosseguir viagem. Assim, 
deixaram-no na ilha de Lemnos onde, sozinho e em grande sofrimento, sobreviveu graas  caa que matava com as flechas de Hracies.
O drama durou dez anos, tantos como os da guerra de Tria. Com efeito, uma das condies da conquista da cidade revelou-se ser a presena de Filoctetes entre os 
combatentes, munido das armas de Hracies. Ulisses partiu, ento, para Lemnos a fim de trazer o infeliz Filoctetes. No regresso, este foi confiado s mos de Mcaon 
(filho de Asclpio), cirurgio do exrcito
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Filomela
grego, que adormeceu o paciente, lavou a sua ferida com vinho e cortou, com uma faca, as carnes apodrecidas. Depois, aplicou sobre a ferida uma planta, cujas virtudes 
medicinais seu pai lhe revelara.
Rapidamente restabelecido, Filoctetes tomou o seu lugar no combate e pouco depois, graas  iniciativa do cavalo de madeira, Tria caiu s mos dos Gregos.
Sfocles consagrou uma tragdia a Filoctetes (Filoctetes, 409 a. C,) e a Odisseia fala dele como de um heri que, depois da guerra de Tria, regressou  sua terra, 
sem incidentes.
Filomela
Filomela, filha de rei Pandon, de Atenas, foi dada em casamento ao rei Tereu (filho de Ares), da Trcia, que tinha prestado ajuda a Pandon, quando este se envolvera 
com o seu vizinho, Lbdaco, rei de Tebas.
Mas Tereu apaixonou-se perdidamente por Procrie, sua cunhada, e resolveu rapt-la, enclausurando-a numa torre e cortando-lhe a lngua, para que ela no pudesse lamentar-se. 
Mas Procne conseguiu, entretanto, prevenir Filomela, bordando num vestido que ela deveria usar, as palavras reveladoras do seu ultraje.
Louca de raiva e de dor, Filomela decidiu vingar-se. Libertou a sua irm e depois matou o seu prprio filho, cujo corpo serviu no decurso de um banquete. Tereu, 
assombrado e indignado, perseguiu as duas mulheres, encontrando-as no momento em que elas imploravam o socorro dos deuses. As trs personagens foram, ento, transformadas 
em pssaros, Tereu numa poupa, Procne numa andorinha e Filomela num rouxinol, cuja voz queixosa lamentava, ininterruptamente, o filho sacrificado. (Em certas verses 
da lenda encontramos trocados os nomes de Filomela e de Procne.)
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Fortuna
Flora
Flora  uma das mais antigas divindades itlicas. Inicialmente venerada como deusa das sementes e dos frutos, transformou-se na deusa que presidia a tudo aquilo 
que florescia.
Ovdio, identificando Flora  ninfa grega Clris, relata-nos o seu casamento com Zfiro, o deus da brisa ligeira.
Os Romanos instituram, em sua honra, jogos anuais, as Florlias, que eram celebrados na Primavera.
Muitos foram os artistas inspirados pela bela deusa (tanto o pintor annimo do muito clebre fresco de Stabies, conservado no museu de Npoles, como Ticiano (Florena), 
Rembrandt (Nova lorque), Poussin (Louvre), Carpeaux - cujo alto-relevo deu o seu nome ao pavilho situado na extremidade da grande galeria do Louvre: o pavilho 
de Flora - e Maffioll em 1911).
Frcis
Frcis, cujo nome evoca a espuma esbranquiada das ondas,  filho de Geia e de Ponto. Divindade terrvel e prfida do mar, tornou-se o pai das monstruosas Grgonas 
e Greias e ainda, talvez, de Cila e do drago Ldon, guardio do jardim das Hesprides.
Fortuna                                                                       IMEI
A deusa Fortuna, considerada por alguns como a filha ou a ama de Jpiter , para os Romanos, a incarnao do destino.
Atribui-se a instituio do seu culto a Srvio Tlio, que ela teria amado e elevado da condio de escravo  dignidade de rei.
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Fortuna
Os Romanos associaram-na ao deus Fors, que incarnava o acaso. Mais tarde, ela foi identificada com a Tique grega. Quando os cultos egpcios se introduziram em Roma, 
a deusa foi identificada com sis.
A Fortuna, sob diferentes nomes, possua muitos templos em Itlia.
A Fortuna  representada muitas vezes cega, algumas vezes alada, usando como atributo o corno da abundncia, tal como a Tique dos Gregos, ou o leme (smbolo de pilotagem) 
ou ainda a roda (smbolo de inconstncia).
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Ganimedes
Ganimedes, o mais novo dos filhos de Trs, rei da Trade era, na adolescncia, o mais belo de todos os mortais. Zeus apaixonou-se por ele e um certo dia, quando 
o jovem guardava os rebanhos de seu pai no monte Ida, o "rei dos deuses" enviou-lhe a sua guia (a menos que ele no tivesse tomado, ele prprio, a forma do seu 
pssaro favorito) a fim de o arrebatar.
Como recompensa ou indemnizao, o rei Trs recebeu os mais velozes cavalos de batalha.
Ganimedes foi transportado para o Olimpo onde, promovido a copeiro real, tinha a misso de servir o nctar a Zeus (os astrnomos identificam-no  constelao de 
Aqurio).
A paixo do rei dos deuses pelo jovem frgio e a evico, em seu proveito, de Hebe, filha de Hera, foram algumas das afrontas acumuladas pela esposa de Zeus, contra 
a cidade de Tria.
O rapto de Ganimedes inspirou numerosos pintores, tais como: Le Corrge (Viena), A. Carrache (Roma, palcio Farnsio), Rubens (Madrid), Rembrand: (Dresden), Le 
Sucur (Louvre), Van Loo (Toulouse), etc. Foi ainda o tema do famoso poema de Goethe, Ganmedes.
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Geia
Geia
Geia ou Gea (nomes da terra, o primeiro em dialecto jnico, o segundo na forma tica)  a Terra divinizada. Aparecida, segundo Hesodo, depois do Caos, ela personifica 
a matria primordial e o "eterno e inabalvel sustentculo de todas as coisas". Do seu corpo vo nascer, sucessivamente, o cu estrelado, rano, as altas montanhas, 
Ureia, e Ponto, o deus Mar.
Depois, Geia escolheu rano para seu companheiro e desta unio nascero seis filhos e seis filhas, os doze Tits (ela ganhar, ento, o nome de Titia), assim como 
seis crianas monstruosas, trs Ciciopes e trs Hecatonquiros. Mas rano aprisionou os seus filhos no ventre de sua me, e ento Geia fabricou uma foice, com a qual 
o Tit Cronos mutilar o seu prprio pai.
O sangue de rano mutilado fecunda, uma vez mais, Geia, que assim dar  luz as Ernias, os Gigantes e as ninfas dos freixos (o bosque onde se fabricavam as lanas): 
as Melades.
Mais tarde, Geia gerar de seu filho Ponto, Nereu, Taumas, Frcis, Ceto e Eurbia.
Depois de ter iniciado e desenvolvido o povoamento do Universo, com divindades, Geia criou o homem. Do solo produtivo saram os heris "autctones" como Ccrops, 
Llex...
Mas Geia no  somente criadora, ela  tambm a ama dos deuses e dos mortais. Quando Cronos, digno filho de rano, decidiu por sua vez eliminar um a um todos os 
seus filhos, foi a Geia que Zeus, o recm-nascido, foi confiado a fim de escapar ao mpeto assassino de seu pai.
Assim, Geia  adorada como a "me universal" (segundo os termos do Hno homrico), para quem "nascem os belos filhos e os frutos saborosos", sendo objecto de um 
culto fervoroso em toda a Grcia, desde os primeiros tempos.
Em Delfos, o mais antigo orculo pertencera-lhe e quando Apolo a vem substituir (depois de uma luta pica contra a serpente Pton, nascida de Geia), os zeladores 
do deus tero de impor a ideia de que no houve uma espoliao violenta de Geia, mas antes uma transmisso, negociada, de poderes.
Em Dociona, em Tegeia, em Tebas, em Cizica, na Frigia, e sobretudo em Atenas e no Peloponeso (Patras, Olmpia, Esparta ... ), ela tornou-se uma figura de primeiro 
plano - por vezes associada a Zeus ou a Demter - como
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Gnio
Deusa-Me, deusa da abundncia (presidindo aos casamentos) e detentora de um poder proftico.
Este ltimo atributo est ligado a um outro aspecto da personalidade de Geia: deusa ctnia,  uma das divindades da morte e como tal fecha o cicio da vida. Se o 
rito de enterramento substitu em Atenas o da incinerao , conta Ccero, porque foi reconhecido que convinha mais fazer repousar os defuntos no seio de sua me, 
do que reduzir os seus corpos a cinzas.
Os Atenienses dedicaram festas pblicas a Geia, na sua qualidade de divindade funerria: as prticas consistiam sobretudo em libaes, ofertas de frutos, flores, 
cereais, sem excluir totalmente, em certos casos, os sacrifcios sangrentos (ovelhas negras).
Ao longo da histria grega, o nome de Geia figurou, regularmente, nas frmulas de juramento solene pronunciadas pelos homens e pelos deuses.
Os eptetos que lhe so frequentemente dedicados so: produtiva, portadora de fruta, subterrnea e, igualmente - quando est associada a Zeus
- olmpica.
Geia  comummente representada como uma mulher opulenta e, dada a complexidade do seu carcter, no teve jamais um tipo antropomrfico bem definido.  isto que explica 
que ela tenha sido suplantada, a partir da poca clssica, pelas divindades de carcter semelhante, dotadas com as efgies mais dversficadas.
Gnio
Princpio gerador e conservador de vida, o Gnio  uma das divindades domsticas adoradas pelos Romanos.
Cada homem tem um Gnio distinto que o assiste, desde o seu nascimento at  sua morte. Alguns autores atribuem-lhe mesmo dois: o bom Gnio e o mau Gnio. Para alm 
disso, qualquer reunio de homens tinha um Gnio prprio: Gnio da cidade, do bairro, da corporao, da escola, do mer-
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Gorgfona
cado, da legio, do campo... Acima de todos  venerado o Gnio do Povo Romano e, sob o Imprio, o Gnio do Imperador.
O Gnio  uma divindade exclusivamente masculina, No tocante s mulheres, este papel  desempenhado por Juno, tendo cada uma delas a sua Juno particular.
O Gnio  representado, na origem, como uma serpente. Mais tarde, aparece como um homem de toga, sustentando nas suas mos uma ptera e um corno da abundncia. , 
geralmente, rodeado de dois lares,
Gorgfona                                                                       i
O nome Gorgfona corresponde ao feminino do cognome atribudo a seu pai, Perseu: "O assassino de Grgona." A sua me  Andrmeda, que Perseu salvou e desposou precisamente 
no regresso da sua expedio contra a Medusa.
Gorgfona casou, em primeiras npcias, com Perieres, rei da Messnia, que lhe deu dois filhos: Afareu e Leucipo. Mas depois da morte de seu marido, ela voltou a 
casar (passando por ter sido a primeira viva da Grcia a faz-10) com balo, rei de Esparta, de quem teve mais dois filhos: Icrio e Tndaro.
Este ltimo casou com Leda, futura me de Castor e Plux. E com eles, esto reunidos todos os descendentes dos dois maridos de Gorgtona que consagrou (em detrimento 
dos filhos de Afareu, Idas e Linceu) as filhas de Leucipo, Hilara e Febe.
Perieres        +         Gorgffiona         +        baio
Afareu                                   Tndaro

Hades
Hades, apelidado de Pluto,  filho de Cronos e de Reia. Ao nascer, foi engolido pelo seu prprio pai e s voltou  luz do dia graas  interveno de seu irmo Zeus. 
Por isso, participar em todas as suas lutas vitoriosas.
Hades tem o poder absoluto sobre o mundo inferior e cada um dos seus nomes corresponde a um aspecto desta sua soberania.
Etimologicamente, Hades  o Invisvel. O seu capacete, sobretudo, tem a propriedade de o esconder de todos os olhares. A este ttulo, ele  o misterioso, terrfico 
e impiedoso soberano dos Infernos, universalmente odiado.
Em oposio, Pluto  o Opulento. Senhor de uma populao que no cessa de crescer, proprietrio de todos os despojos dos mortais e ainda dos tesouros escondidos 
no mundo subterrneo (particularmente os files). Por isso ele exerce uma influncia benfica sobre a prosperidade do solo, sendo muitas vezes associado, pelos Gregos, 
ao culto de sua irm Demter.
Hades  invocado atravs de um ritual que consiste em bater na terra com as mos ou com vergas. Em sua honra so imolados touros negros ou ovelhas negras, durante 
a noite.
Indiferente s agitaes do cu e da terra, Hades quase no deixa o palcio infernal e o seu trono de bano e de enxofre. F-lo, por exemplo, quando  ferido por 
Hracies, que tinha vindo capturar o co Crbero. Nessa altura, eleva-se ao Olimpo a fim de receber os cuidados dos deuses.
Conhecemos-lhe poucas aventuras. Desejoso de desposar uma mulher, rapta a sua sobrinha Core, filha de Demter e de Zeus, e transforma-a na rainha Persfone, com 
a qual vive metade do ano e de quem no ter herdeiros.
Hades ser fiei a Persfone, a no ser em dois momentos pontuais: quando teve um devaneio pela ninfa do Ccito, chamada Minta (ferozmente
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Harpias
espezinhada por Persfone, ser transformada em menta, por Hades) e quando se apaixonou por Leuce, filha do Oceano, que ser metamorfoseada em choupo argnteo ( 
este o sentido de leuce).
Hades , raramente, representado sozinho. Ele figura, geralmente, ao lado de Persfone, sendo apresentado como um homem barbudo com uma serpente, smbolo do mundo 
subterrneo, e o corno da abundncia.
Harpias                                                                      11%
As trs Harpias, filhas de Electra (ela prpria filha do Tit Oceano) e de Taumas (filho de Ponto e de Geia), pertencem  gerao dos pr-olmpicos. Elas so irms 
de ris, a mensageira dos deuses.
Representadas quer como mulheres aladas, com um aspecto famlico, quer como pssaros com cabea de mulher, as Harpias residem nas ilhas Estrfades do mar Egeu, ou 
ainda, segundo Virglio, s portas do Trtaro.
Impetuosas e brutais como a tempestade, as Harpias so - este  o sentido do seu nome - raptoras com garras fortes. Arrancam as almas dos mortos dos seus corpos, 
e enviam-nas para o Hades.
S as filhas de Breas, o vento do norte, eram reputadas como sendo capazes de as capturar. Por isso o rei da Trcia apelou para elas, quando as Harpias o perseguiram, 
privando-o de tudo aquilo que possua, inclusive os seus alimentos. No decurso desta perseguio, uma das Harpias caiu ao rio do Peloponeso, que depois passou a 
ter o nome de Harpis. As outras foram salvas pela interveno da sua irm ris, e consentiram em poupar Fineu, doravante.
Unidas ao deus da brisa, Zfiro, as Harpias geraram os dois cavalos de Aquiles, rpidos como o vento, e ainda os cavalos dos Dioscuros.
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Hcate
Hebe      !',uu:z, km,-,    e,:-
Filha do casal real Zeus e Hera, Hebe personifica a juventude ( este o sentido do seu nome) e a beleza.
No palcio de seus pais, ela desempenha o papel de jovem dona de casa. Vemo-la, ajudando a sua me a atrelar o seu carro, preparando o banho de seu irmo Ares e 
participando no coro das Musas. Quando ela passa nos postos dos diferentes deuses, a fim de substituir os seus copos de nctar, estes olham-na, enlevados. No entanto, 
e para grande perturbao de sua me, Helbe ser suplantada nesta funo pelo jovem e belo Troiano Ganimedes, introduzido por Zeus no Olimpo.
E quando Hracles, depois de uma vida de tormentos, atingiu a eternidade, Hera, reconciliada com o heri, aceitou o casamento de sua filha com o filho de Zeus e 
de Alcmena.
O culto prestado a Hebe associava-a a sua me e, sobretudo, a seu marido.
A jovem deusa , muitas vezes, representada coroada de hera, transportando flores ou segurando uma ma, smbolo do casamento fecundo.
Hcate                                                                   em,
Astria, filha dos Tits Ceu e Febe e irm de Leto, casou com o filho do Tit CriosI, Perses. Desta unio nasceu Hcate, misteriosa divindade lunar.
Os poderesde Hcateso numerosos e variados. Ela  considerada, nasorigens, como deusa benfeitora e protectora dos mortais, em todos os domnios.
Mais tarde, ser considerada como a temvel inventora da magia e da feitiaria. A este ttulo, ser associada ao mundo da noite, no qual aparece com uma tocha em 
cada mo, e por vezes com a forma de uma cadela.
Introduzida como deusa da fecundidade na religio eleusiana, ela  uma das divindades do orfismo.
1 Uma outra tradio apresenta Perses como filho de Hlio (vd. Hlio).
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Hefesto
A esttua de Hcate  muitas vezes erigida nas encruzilhadas com o aspecto de uma mulher com trs corpos ou trs rostos (smbolo, talvez, das fases da lua).
Hefesto
Hefesto (cujo nome parece radicar em duas raizes gregas que significam: alumiar e lareira) personifica o fogo, tanto o fogo que explode no cu (o saracoteio que 
lhe  atribudo, na Antiguidade, representava o ziguezague do relmpago) como aquele que  produzido pelos vulces.
Hesodo apresenta Hefesto como tendo sido gerado por Hera, sem nenhuma participao masculina, mas segundo lendas posteriores a deusa teria imaginado este prodgio 
para escapar  vergonha de ter concebido um filho de Zeus, antes do seu casamento.
Entretanto, depois do nascimento de Hefesto, Hera tentou desembaraar-se do seu filho, atrando-o ao mar, do alto do Olimpo, mas ele foi recolhido pelas ninfas Ttis 
e Eurnome, com quem viveu durante nove anos. Nesse perodo, o jovem deus iniciou-se na arte da forja, e desenvolveu a tal ponto os seus conhecimentos que um dia 
enviou a sua me um sumptuoso trono de ouro, como presente. Hera sentou-se nele, mas depois no foi capaz de se levantar e nenhum dos deuses do Olimpo conseguiu 
romper o encantamento. Ares ainda tentou obrigar Hefesto a libertar Hera, mas o jovem deus apedrejou-o com ties ardentes. Ento, Dioniso tentou a sua sorte, oferecendo 
vinho a seu irmo: bbado, Hefesto deixou-se conduzir por um burro, e com esta equipagem entrou no Olimpo. No entanto, no consentiu em libertar Hera, sem antes 
ter obtido em casamento a mais bela das imortais: Afrodite.
A partir deste momento, reconciliado com sua me, Hefesto tomou sempre o seu partido contra Zeus, com quem ela mantinha grandes disputas por causa de Hracies. Mas 
o rei dos deuses agarrou o seu filho por um p e lanou-o atravs do espao. Hefesto foi assim cair sobre a ilha de Lemnos, ficando coxo para sempre. Homero afirma, 
no entanto, que ele nasceu j com esta deficincia fsica.
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Hlen
Hefesto era to feio que suscitara a troa dos deuses desde que aparecera no Olimpo, e a sua esposa, Afrodite, deusa da beleza e do amor, no tinha nenhum escrpulo 
em ser-lhe infiel.
 verdade, no entanto, que o deus do fogo tambm se apaixonou por outras belezas. Atena, que segundo uma certa tradio, ele tinha ajudado a nascer, abrindo o crnio 
de Zeus, subjugou-o com os seus encantos, mas repeliu sempre os seus desejos, a ponto de Hefesto, num momento de xtase, "depositar" sobre a Terra o seu smen declinado. 
Dele teria nascido Erictnio, o futuro rei de Atenas.
De Lemnos, a ilha vulcnica que foi a sua residncia terrestre (Prometeu visitou-a para lhe roubar o fogo), depois da sua segunda sada do Olimpo, e onde ele trabalhou 
os metais assistido pelos Cabiros, gnios benfeitores cuja paternidade lhe  atribuda, o deus emigrou para o arquiplago, igualmente vulcnico, das ilhas Lipari 
e da para a Siclia, para as profundezas do Una.
A sua actividade  transbordante e a habilidade da sua arte, indiscutvel. "No sombrio brilho da fornalha", os Ciciopes, gigantes com um s olho, forjaram sob a 
sua orientao o raio de Zeus e as armas e os ornamentos dos deuses.
Na Antiguidade, o divino e genial ferreiro , geralmente, representado como um homem de idade madura, peludo e barbudo, coberto com um chapu cnico, com um corpo 
vigoroso suportado por pernas franzinas e apoiado num cajado. Aparece vestido como um trabalhador, com o ombro direito a descoberto, brandindo nos pulsos robustos 
as tenazes ou o martelo: cf. Rubens, Vnus na forja de Vulcano (Bruxelas).
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Hlen, filho de Deucalio e de Pirra (ou de Prometeu), nascido na Tesslia,  o antepassado da raa "helnica". Casado com a ninfa das montanhas, Orseide, teve trs 
filhos: Doro, olo e Xuto.
Xuto gerou Aqueu e on, pais dos Aqueus e dos lnios, respectivamente, enquanto que de Doro e de olo saram as raas dos Drios e dos Elios.
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Hlio
Hlio
Hlio, o astro solar,  filho dos Tits Hiperon e Teia e irmo do astro lunar, Selene, e da Aurora, Eos.
Todas as manhs ele percorria os cus, montado no seu carro de fogo, atrelado a cavalos alados de uma brancura estrondosa. Quando l chegava, enquanto os seus cavalos 
cansados se banhavam, Hlio repousava no seu palcio de ouro para depois alcanar, de barca, o Oriente.
Casado com a sua prima Perseide, filha dos Tits Oceano e Ttis, Hlio  o pai da mgica Circe, de Pasfae, esposa do rei Minos de Creta, do rei da Clquida, Eetes 
(pai da mgica Medeia) e do rei da Turida, Perses, que destronar o seu irmo e perecer por instigao de Medeia.
A lenda atribui a Hlio muitas unies: com a ninfa Rodo e a ocenide Cilmene, que lhe daro numerosos filhos e filhas, as Hliades e (de Clmene) Faetonte, que sofrer, 
um dia, o malfadado desejo de conduzir o carro de seu pai.
Certos autores apresentam Hlio como pai do rei Augias, clebre pela pavorosa imundcie dos seus estbulos, com quem Hracies se confrontou. Duas das suas filhas, 
instaladas na ilha da Trincia, estavam encarregadas de guardar os seus bois, aqueles mesmos bois que foram roubados pelos companheiros de Ulisses, a quem o deus 
Sol puniu, fuiminando o barco que os transportava.
Testemunha omnipresente de todas as aces dos homens, foi Hlio que informou Demter da aventura sofrida pela sua filha Core. Foi tambm ele que alertou Hefesto 
para a infidelidade de Afrodite com Ares. Mas esta no lhe perdoou a afronta e vingou-se, inspirando-lhe uma perniciosa paixo por Leuctea, filha do rei da Babilnia. 
Acontece que Cltia, irm de Leuctea, que tinha recentemente recebido os favores do deus, advertiu o rei e este mandou enterrar viva a infeliz princesa. Hlio, 
no tendo conseguido atravessar a terra com os seus raios, transformar a jovem numa planta aromtica, de onde se retirar o incenso. Quanto a Cltia, que definhar 
despeitada, foi transformada numa violeta, cuja cabea se apresentava sempre virada para Hlio, que ela nunca deixou de adorar.
Entre os Gregos, o culto de Hlio era praticado, sobretudo, na acrpole de Corinto (que tinha sido atribuda a Hlio, quando do seu conflito com Posdon, que recebera 
o Istmo como recompensa) e em Rodes, residncia da
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Hera
ninfa Rodo, amada de Hlio: a esttua do deus - o famoso colosso de Rodes, uma das "maravilhas do mundo" - elevava-se 35 m acima do nvel do mar, permitindo aos 
navios, com todas as suas velas desraldadas, atravessar sem perigo por entre as pernas do deus.
O culto do astro solar perdeu a sua importncia na poca clssica em benefcio, sobretudo, de Apolo, o deus do Sol, voltando a recuperar toda a sua fora durante 
o Imprio, graas  influncia das religies orientais (Mitra, chamado Sol ffivictus). A partir de ento tender, cada vez mais, para um monotesmo, onde o cristianismo 
colher as suas tradies. As datas do Natal e da Pscoa foram, na origem, determinadas pelas datas do calendrio solar.
Hlio  representado com os traos de um homem jovem e belo, com longa cabeleira encaracolada, de olhos abertos, a cabea aureolada por raios e vestido com umas 
roupagens que ondulavam ao vento.
Hera
Hera, cujo nome deriva de uma raiz snscrita que significa cu, representa, na Antiguidade, o tipo divinizado da mulher, esposa e me.
Era uma das filhas de Cronos e de Reia, nascida na ilha de Samos, mas engolida por seu pai, como todos os seus irmos, no momento do seu nascimento. Mais tarde, 
este foi obrigado a restitu-Ia  vida, e a deusa escolheu como seu local de morada a ilha de Eubeia. Foi a que, num certo dia de Inverno, seu irmo Zeus, apaixonado 
por ela, veio visit-la, transformado, segundo alguns, num cuco. A jovem, ao ver o animal enregelado, aqueceu-o no seu peito, mas rapidamente se apercebeu da trapaa 
de Zeus. Ter sido em consequncia deste encontro que nasceu Hefesto? No sabemos, mas Hera afirma, no entanto, que ele teria sido gerado sem qualquer interveno 
masculina.
Mais tarde, a deusa desposa Zeus, de quem foi a terceira (outros dizem a segunda) e ltima esposa legtima, nascendo desta unio Ares, Ilitia e Hebe, que lhe foi 
associada na funo de soberana do Olimpo. Quando ela chegava,
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Hera
todos os deuses se levantavam em sinal de respeito, e ento ela tomava o seu lugar ao lado de Zeus, num trono de ouro, na assemblea divina.
Cuidadosa com a sua beleza - todos os anos ela ia procurar a frescura da juventude nas guas da fonte Canato em Nuplia - a deusa "dos braos brancos", como foi 
designada por Homero, conheceu muitos admiradores, mas a sua fidelidade exemplar levou-a a desencoraj-los sem complacncia. Isto aconteceu com Mon, rei dos Lpitas, 
que tivera a presuno de possuir a deusa, agarrando, certo dia, uma nuvem negra que Zeus formara com a imagem de sua esposa. Por esta aco, ele foi castigado com 
um suplcio eterno.
Por outro lado, Pris, que tinha publicamente negligenciado os seus encantos, sofreu a ira da deusa, que se estendeu a todo o povo troiano.
O carcter fiel e rancoroso de Hera no lhe permitiu nunca aceitar as numerosas traies de seu marido (uma das suas vinganas teria sido, segundo alguns, a de gerar 
o terrvel monstro Tfon). As querelas do casal divino deram lugar a estridentes escndalos, cujos actos se manifestavam nas frequentes perturbaes da atmosfera.
Hera, sem qualquer poder sobre o seu marido, que a castigava e a prendia quando estava cansado das suas injrias, perseguia e importunava com o seu dio as suas 
rivais.
O animal ritual de Hera  o pavo sobre cujas plumas ns reconhecemos os mltiplos olhos do seu servidor Argo, morto por ordem de Zeus, por ter aceitado vigiar lo, 
a sacerdotisa de Hera que ele metamorfoseou em novilha, por amor.
Venerada particularmente nas colinas, Hera, cujos principais santurios no mundo grego se erguiam em Argos, no Olimpo e em Samos, era representada como uma jovem 
mulher de uma beleza severa, com grandes olhos - de novilha, diz Homero - e com longos cabelos encaracolados presos por um diadema. Geralmente sentada num trono, 
ela apresentava na mo direita um ceptro ornado com um cuco e na esquerda uma rom, smbolo da fecundidade.
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Hracies
Hracies
Hracies, o mais famoso e o mais popular dos heris da mitologia clssica, personificao da fora, descende de Perseu, filho de Zeus.
Perseu teve trs filhos: Estnelo, Alceu e Elctrion. Alceu (o Forte) e Elctrion (o Brilhante) geraram, respectivamente, Anfitrio e Alcmena que casaram e se fixaram 
em Tebas, na Becia.
Mas entretanto Zeus estava determinado a gerar um filho mortal, que se tornasse, simultaneamente, protector dos deuses e dos homens. Para isso, ele necessitava de 
uma companheira exemplar e a sua escolha ir recair sobre Alcrnena, a mais perfeita das mortais. Assim, certo dia, quando Anfitrio se encontrava ausente em campanha, 
Zeus apareceu a Alcrnena, metamorfoseado no seu marido ausente e esta, julgando que ele tinha regressado, finalmente, entregou-se-lhe num xtase de amor. Pouco depois, 
Zeus partiu para o Olimpo onde jurou, solenemente, perante todos os deuses, que o prximo descendente de Perseu seria dotado de um poder temporal sem precedentes.
Acontece que Hera rapidamente se apercebeu da verdade que se escondia por detrs desta revelao, decidindo, de imediato, contrariar os desgnios do seu infiel marido. 
Assim, ao tomar conhecimento de que a mulher de Estneio tambm se encontrava grvida, Hera ordenou a Ilitia, sua filha, experiente nos trabalhos de parto, que acelerasse 
o parto da mulher de Estnelo, enquanto ela atrasaria o de Alcmena.
E, deste modo, foi Euristeu, filho de Estnelo, quem beneficiou das disposies de Zeus, exercendo sempre, com o Apolo de Hera, uma autoridade tirnica sobre o filho 
de Alcrnena, Alcides (presumvel descendente de Alceu) que, mais tarde, aps as muitas provas sofridas, foi dotado com um outro nome, Hracies (glria de Hera).
A infncia e a juventude As provas a que o jovem foi sujeito ao longo da sua vida, comearam logo aps o seu nascimento, quando Hera fez surgir duas enormes serpentes 
no seu bero, durante a noite. Acontece que Alcides estava acompanhado do seu irmo gmeo, ficies, ele sim filho de Anfitrio e de Alcrnena, que ao ver as enormes 
serpentes gritou aterrorizado. Despertado pelos gritos de seu irmo, Alcides agarrou as serpentes com as suas robustas mos e estrangu- [ou-as, impavidamente.
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Hracies
Entretanto, os destinos tinham previsto que o heri, depois de ter cumprido a sua vida na terra, poderia alcanar a imortalidade, caso se tivesse alimentado do leite 
de Hera. Hermes , ento, encarregado de encontrar uma soluo para que os desgnios se cumprissem, e uma noite quando Hera dormia, colocou a criana no seu seio, 
a fim de que esta se alimentasse. Acontece que Alcides foi to sfrego na sua mamada que Hera acordou, sobressaltada, repelindo a criana. Mas um jacto de leite 
saiu do seu peito, provocando um rasto no cu. Estava criada a Via Lctea (cf. os quadros de Rubens e de Tintoreto).
Anfitrio decidiu, entretanto, confiar Alcides ao sbio Lino, que fez dele um msico consagrado. Mas certo dia, quando Lino se permitiu fazer algumas correces 
ao seu jovem aluno, este teve um violento acesso de clera e espancou-o. Anfitrio, seguindo o costume nestas situaes, foi obrigado a expulsar Alcides, enviando-o 
para junto dos pastores da montanha. E foi aqui que o vigor fsico do jovem heri se desenvolveu. Quando tinha dezoito anos, Alcides decidiu partir na busca de um 
leo, que atormentava as manadas de seu pai. Durante esta aventura, que terminou com a morte da fera, Alcides refugiou-se no palcio do rei Tspio, filho de Ericteu, 
que reinava sobre a cidade de Tspia, e numa noite (outros dizem, durante cinquenta noites) possuiu as cinquenta filhas do seu anfitrio, que lhe daro cinquenta 
filhos.
Aps este episdio, quando regressava a Tebas, Alcides confrontou-se com uma delegao de Orcmeno, que vinha reclamar aos Tebanos o tributo imposto pelas leis da 
guerra. Animado pela sua vitria recente, Alcides prendeu o chefe da delegao, cortou-lhe o nariz e as orelhas, dando origem a um novo conflito, no qual Anfitrio 
encontrar a morte. Mas, mais uma vez, Alcides, aqui apoiado por Atena, regressar vitorioso do combate, aps a morte do rei Orcmeno. Entretanto, Creonte, rei de 
Atenas, oferece a mo da sua filha mais velha, Mgara, a AIcdes, enquanto que ficles desposar a mais nova.
Hera, irritada e despeitada com os sucessivos xitos do heri, decide enviar-lhe uma das Frias, Lissa, a fim de se vingar. Tomado de loucura, Alcides mata a sua 
prpria mulher e os seus trs filhos (este episdio  o tema das Tragdias de Eurpides e de Sneca, intituladas Hracles Furoso). Imediatamente aps a tragdia, 
 obrigado a deixar, de novo, o seu pas, dirigindo-se a Delfos a fim de consultar o orculo divino.  ento que lhe  dado o nome de Hracies e o castigo para expiao 
do seu crime. O heri deveria partir para a
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Hracies
corte de seu primo Euristeu, rei dos Argos, vivendo sob as suas ordens, at que o seu destino se cumprisse.
Euristeu ir sujeitar o heri a vrias provas, todas elas sobre-humanas, que ficaram conhecidas pelo nome de os "doze trabalhos". Os seis primeiros tiveram lugar 
no Peloponeso, enquanto que os seis ltimos se desenrolaram por todo o mundo antigo.
Os Doze trabalhos Antes de iniciar a sua primeira misso, Hracles teve a preocupao de fabricar uma arma especial, uma arma  sua medida, que o acompanhasse sempre, 
a partir de ento: uma gigantesca moca talhada do tronco de uma oliveira milenar.
1 - Combate contra o leo de Nmea Existia um terrvel leo, filho de Equidria e irmo da clebre Esfinge de Tebas, que devastava o vale de Nmea. Hracies partiu 
em sua busca e quando o encontrou, estrangulou-o com as suas mos. Depois esfolou-o e da sua pele fez uma veste que o tornou, a partir de ento, invulnervel. No 
local em que o animal foi morto, Hracies institui os Jogos Nemeanos. Por sua vez, Zeus transformou o leo numa constelao.
2 - Combate contra a Hidra de Lema Na regio de Lerna existia uma hidra com nove cabeas e dotada de um sopro pestilento, tambm filha de Equidria, que devastava 
toda a regio, rou- !?ando os cereais e as manadas. Hracies, acompanhado de lolau, filho de Ificles, que a partir de ento estar sempre ligado ao seu destino, 
descobriu o esconderijo do monstro e forou-o a sair, atirando-lhe flechas com fogo. Depois defrontou-o, cortando-lhe uma cabea, mas no lugardesta, imediatamente, 
surgiram outras duas. Ento, Hracies ordenou a lolau que incendiasse toda a floresta vizinha e, assim, munido de fachos ardentes, conseguiu queimar as cabeas da 
hidra, que no desabrocharam de novo. Depois, molhou as suas flechas no sangue da vtima, dotando-as assim com o seu veneno.
3 - Captura do javali de Erimanto Nos confins da Arcdia e de Acaia, no Erimanto, existia um javali monstruoso. Quando o heri partiu  conquista do animal, foi 
acolhido pelo bom
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Hracles
centauro Folo, que abriu em sua honra um pipo de vinho precioso, presente de Dioniso. Acontece que o perfume deste nctar se propagou, imediatamente, atravs do 
campo, provocando a vinda de outros centauros que, pouco amigavelmente, reclamaram a sua parte. Hracies viu-se obrigado a dizimar, com as suas flechas, os perigosos 
centauros (uma flecha perdida matar o excelente centauro Quiron), partindo, seguidamente,  procura do javali, que capturou e trouxe vivo a Euristeu. Este, no 
conseguindo dissimular o seu horror pelo animal, escondeu-se numa vasilha.
Foi, talvez, durante o decurso desta sua estadia na Arcdia, que Hracles seduziu Auge, filha do rei leo de Tgea, que era uma sacerdotisa de Atena. Desta unio 
nascer Tleto, aquele que de entre os seus setenta filhos, mais se parecer com o heri.
4 - Caa da cora Cerineia Euristeu ordenou a Hracies que lhe trouxesse vivo um animal maravilhoso, com cornos de ouro e ps de bronze, consagrado a rtemis, que 
vivia na Cerineia. Durante um ano, Hracles perseguiu o animal, conseguindo apanh-lo, finalmente, quando ele se preparava para atravessar um afluente do Alfeu.
5 - Destruio das aves do lago Estinfaio
O lago do Estinfalo, na Arcdia, estava infestado de guias, com bicos e garras de ferro, que se alimentavam de carne humana. E era de tal modo grande o seu nmero 
que, quando levantavam voo, escureciam o cu. Hracles muniu-se, ento, com cmbaios especialmente fabricados por Hefesto e com eles espantou e aterrorizou os pssaros 
que, ao levantarem voo, foram mortos com as suas flechas.
6 - Limpeza das cavalarias de Augias Augias, filho de Hlio e rei da lide, possua uma grande manada, da qual se destacavam doze touros brancos, consagrados a 
seu pai. Acontece que os seus estbulos se encontravam completamente atolados em lixo, pois ele nunca os mandara limpar. Hracles foi, ento, encarregado desta misso, 
sendo-lhe prometida como recompensa um dcimo da manada real. Para o efeito, Hracies inverteu o curso dos rios Alfeu e Peneu, fazendo-os passar pelo estbulo que, 
imediatamente, ficou limpo. Mas Augias, argumentando
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Hracies
que Hracies no tinha seno cumprido as ordens de Euristeu, recusou conceder-lhe a recompensa prometida. O heri jurou vingar-se, mas antes teria de percorrer o 
mundo.
7 - Captura do touro de Creta Posdon tinha oferecido um magnfico touro a Minos, rei de Creta, esperando que este lho dedicasse, um dia, em sacrifcio. Mas como 
Minos no correspondeu aos desejos do deus, este resolveu enfurecer o touro que passou a aterrorizar todo o pas. Exactamente nessa data, Hracles passou por Creta, 
recebendo a ordem de dominar o enfurecido animal. F-lo sem grande dificuldade, transportando-o depois sobre as costas, atravs do mar, at  Arglida.
8 - Captura das guas de Diomedes na Trcia Esta nova misso conduz o heri para a Trcia. Quando Hracies atravessava a Tesslia deparou com o rei Acimeto, de Feres, 
a quem as Moiras
TRCIA
MACEDNIA
 1      -
-Tria
TESSLIA
MISIA
Feres*,,,',
Calidon                Te'b@_'_
DIA
Elis  ,o
Nem&@
*feso
OIftT@ia '-" Argo-*,%S>
Tege@ @ESSNIA
poo,@ "-'1 Esparta @
-   L
Os trabalhos de Hracies na Grcia
151

Hracies
tinham prometido retardar a morte se algum se oferecesse para morrer em seu lugar, chorando a sua amada esposa Alceste, que se tinha sacrificado por ele. Hracies, 
comovido, resolveu descer aos Infernos e desafiar a Morte, raptando Alceste que entregou, depois, a seu marido.
Imediatamente aps este episdio, o heri entrou na Trca onde encontrou um rei, Diomedes, filho de Ares, que alimentava as suas guas com carne humana. Hracies, 
acompanhado por alguns voluntrios, desembaraou-se dos guardas das guas e roubou os animais, Os soldados de Diomedes intervieram prontamente, mas o grupo liderado 
pelo heri venceu-os. Depois, como castigo, o prprio Dornedes foi dado em alimento s suas guas.
9 - Conquista do cinto da rainha das Amazonas Hiplita, rainha das Amazonas, na Capadca, tinha recebido um cinto mgico, que simbolizava a sua soberania, como 
presente de Ares. Mas a filha de Euristeu cobiava este objecto absolutamente nico, e ento Hracles foi encarregado de lho trazer. O filho de Zeus embarcou, ento, 
acompanhado por vrios heris - Perseu, Tlamon, Peleu - e fez a sua primeira escala na ilha de Paros, onde enfrentou a hostilidade dos filhos de Minos. Da viajou
Os trabalhos e as viagens de Hracies atravs do mundo
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Hracies
para a Bitnia, onde ajudou o rico LicO a defender-se dos seus inimigos. Como recompensa, Lico dedicou  glria de Hracies a cidade de Heracleia.
Quando chegou ao palcio de Hiplita, Hracles convenceu a rainha a ceder-lhe o cinto mgico. Mas Hera, que velava pelo cumprimento da sua vingana, no pde aceitar 
um to fcil desfecho, e ento, transformada em Amazona, divulgou que Hracies pretendia roubar a rainha. Perante tal revelao, as Amazonas pegaram em armas e Hracies, 
julgando-se trado por Hiplita, matou-a, massacrando depois as suas guerreiras.
Munido do cinto dirigiu-se, ento, para Tria, de onde contava embarcar para Creta. Mas ao chegar  cidade encontrou l_aomedonte, rei de Tria, numa situao desesperada. 
Com efeito, depois de Apolo e Posidon terem construido as famosas muralhas da cidade, foram despedidos por l_aornedonte sem qualquer tipo de pagamento. Ora, os deuses 
sentiram-se to revoltados que decidiram enviar um drago sobre a cidade e s aceitavam apazigu-lo se Hesone, filha de Laomedonte, lhe fosse servida como alimento. 
Hracles ofereceu-se, ento, para libertar a jovem deste perigo, matando o monstro. Mas Laomedonte, incorrigvel, recusou-lhe qualquer recompensa e o heri prometeu 
vingar-se, mais tarde.
10 - Captura dos bois de Grion Grion, um gigante formidvel com trs corpos, que reinava na parte ocidental da Ibria, possua uma manada de bois vermelhos que 
Euristeu cobiava. Hracies, encarregado de os roubar, viajou em companhia do seu sobrinho lolau atravs da frica do Norte. Depois atravessou o mar no estreto 
de Gbralttar, tendo colocado de cada um dos lados deste estreito um monte, o Calpe e o Abila (as Colunas de Hrcules). Quando chegou  ilha de Eritia, onde os bois 
pastavam, desembaraou-se do pastor e do co que os guardava e apropriou-se da manada.
O regresso do heri  Arglida, atravs da Europa, foi marcado por inmeras peripcias. Na Glia, Hracles tentou abolir os sacrifcios humanos, Atacado pelos Lgures, 
e encontrando-se sem munies, conseguiu venc-los com as pedras que Zeus fez chover sobre eles, Ainda na Ligria defrontou-se com dois malfeitores, filhos de Posdon, 
que tentaram roubar-lhe a manada, sendo mortos pelo heri. Da desceu para a Etrria, onde recebeu a hospitalidade do rei Evandro. Depois confrontou-se com Caco, 
outro malfei-
153

Hracles
tor que lhe tentou roubar alguns animais, mas Hracles expulsou-o do seu pas (este episdio faz parte da lenda do Hrcules latino).
Quando atravessavam a regio da Calbria, um falso boi associou-se  manada, atravessando a nado o estreito. Ao chegarem  Siclia, o rei Eris recolheu-o no seu 
estbulo, no pretendendo restitu-lo a Hracies. Perante a insistncia do heri, o rei consentiu em dar-lhe o animal, se fosse vencido numa luta de pugilato. E 
assim aconteceu. Hracies, vitorioso, matou o seu adversrio e recuperou o animal.
No decurso da sua segunda travessia do estreito de Messina, Hracies foi obrigado a defrontar, sucessivamente, os monstros Carbdis e Cila, mas escapou-lhes, conduzindo 
a manada atravs da Trcia. A foi acolhido por uma deusa com corpo de serpente (que alguns identificam com Equidna), a quem amou e de quem teve trs filhos, um 
dos quais Ctio, antepassado do povo Cita. Entretanto, Hera, enfurecida com as sucessivas vitrias do heri, decidiu lanar um moscardo sobre a manada, perturbando 
e enfurecendo os animais que se dispersaram pelas montanhas. Mas Hracles perseguiu-os e juntou-os, de novo, trazendo finalmente a manada a Euristeu, que sacrificou 
solenemente todos os animais a Hera.
11 -As mas de ouro das Hesprides As trs "ninfas do Ocidente", as Hesprides, filhas de Atlas (?), guardavam, num jardim fabuloso situado na extremidade do mundo 
ocidental, no sop do monte Atlas, as mas de ouro outrora oferecidas por Geia a Hera, como presente de npcias. Hracies foi encarregado de se apoderar dos frutos, 
mas desconhecia, completamente, onde ficava o famoso jardim. Acompanhado pelo fiei lolau, atravessou vrios pases at encontrar as ninfas do Erido, a quem perguntou 
como encontrar a morada das Hesprides. Estas disseram-lhe que s o deus profeta Nereu lhe poderia ensinar o caminho, mas que seria difcil faz-lo falar. Hracies 
dirigiu-se, ento, a Nereu, capturou-o e obrigou-o a revelar-lhe o refgio das Hesprides.
Logo depois, atravessou a Lbia onde se confrontou com Anteu, um monstruoso gigante que desafiava todos os viajantes para a luta. Acontece que Anteu era filho de 
Geia e, assim, sempre que Hracles o derrubava e ele caa por terra, esta reconstitua, imediatamente, as suas foras. Ao aperceber-se do segredo do vigor de Anteu, 
Hracies levantou-o no ar e estrangu-
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Hrades
lou-o com as suas mos. Depois seduziu a mulher de Anteu, que lhe deu um filho, Palrnon (o filho da luta). Entretanto, os irmos de Anteu, os minsculos Pigmeus 
da Etipia resolveram atacar Hracles, durante o sono, aproveitando uma paragem do heri nos confins da Lbia e do Egipto. Mas quando este acordou, prendeu e esmagou 
o povo ano, na sua pele de leo.
Entretanto Hracies chegou ao Egipto, precisamente quando o rei Busris se preparava, como era hbito anual, para imolar um estrangeiro, a fim de conjurar a misria. 
O heri foi escolhido como vtima, aprisionado e conduzido ao templo. Mas rapidamente se desembaraou das suas correntes, matando Busris e o seu filho.
Ento, continuou a sua viagem em direco  Etipia. A, matou o rei Emtia, filho de Titono, a quem substituiu no trono pelo seu irmo Mrnnon. Depois, atravessou 
o mar na barca de ouro colocada  sua disposio pelo sol e chegou ao Cucaso, tendo passado pelo local onde Prometeu sofria o seu suplcio. Prontamente, Hracles 
abateu a guia que devorava o fgado do prisioneiro e libertou-o. Como recompensa, Prometeu revelou-lhe que ele s alcanaria as mas de ouro se contasse com a 
ajuda de seu irmo, Atlas, que, tambm ele condenado a um castigo eterno, era obrigado a sustentar sobre os seus ombros a abbada celeste. Chegado ao jardim das 
Hesprides, Hracies matou o drago Ldon que defendia a entrada - o animal tornou-se, depois, na constelao da serpente - e aproximou-se de Atlas. Ento pediu-lhe 
que lhe resgatasse as mas de ouro, enquanto ele ficava no seu lugar, sustentando a abbada celeste. Ao voltar com os frutos to desejados, Atlas recusou-se a retomar 
o seu fardo, mas Hracies logrou fugir, graas a um artifcio e, assim, finalmente pde entregar as mas de ouro a Euristeu. Este devolveu-as a Hracies que as 
ofereceu a Atena, mas a deusa preferiu restitu-ias s Hesprides.
12 - Rapto de Crbero dos Infernos
O ltimo dos trabalhos de Hracies aconteceu depois do heri ter cumprido um certo tempo de servido junto da rainha nfale, mas antes do seu casamento com Dejanira, 
irm de Meleagro.
Euristeu, despeitado com as constantes vitrias do seu servo atravs do mundo, resolveu sujeit-lo a uma ltima prova: dirigir-se aos Infernos para capturar o co 
Crbero. Hracles partiu, ento, para Elusis, onde se iniciou
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Hracles
nos mistrios infernais. Depois, com o Apolo do seu meio-rmo Hermes e acompanhado de lolau, dirigiu-se ao cabo Tnaro, que conduzia, directamente, aos Infernos. 
Ao chegar, deparou com o heri Meleagro que o comoveu com a histria do fim da sua vida, Hracies prometeu-lhe, ento, desposar a sua irm Dejanira. Um pouco mais 
longe, encontrou Teseu e Pritoo que imprudentemente tinham entrado nos Infernos e solicitaram a sua ajuda. Hracies libertou Teseu, mas no conseguiu livrar Pirtoo, 
acusado de ter querido roubar Persfone a Hades, seu marido. Prosseguindo a rota tenebrosa, o heri foi, de novo, sensvel s splicas dos residentes, neste caso, 
as almas que, para reencontrarem uma iluso de vida, suplicavam o favor de algumas gotas de sangue. Decidido, para o efeito, a abater alguns animais da manada de 
Hades, Hracies comeou por matar o seu boieiro. Mas Hades interveio, imediatamente, sendo atacado e ferido por Hracles. Vencido no seu prprio terreno, autorizou 
o heri a levar Crbero, impondo-lhe, no entanto, uma condio: Hracies devia apoderar-se do co com as suas prprias mos. O heri defrontou, ento, o animal com 
trs cabeas, estrangulou-o, e depois levou-o para terra, entregando-o a Euristeu. Uma vez cumprida a prova, Hracies reconduziu Crbero aos Infernos.
Outras aventuras Para alm dos famosos "trabalhos", Hracles viveu muitas outras aventuras. Estas situam-se durante ou depois do perodo dos "doze trabalhos".
O seu trao comum reside no destino trgico reservado ao heri.
Eurito, rei da Eclia (na Tesslia ou em Eubeia) tinha prometido a sua filha lole, a quem o vencesse no tiro ao arco. Hracies apresentou-se como candidato e triunfou, 
mas o rei recusou-se a cumprir a sua palavra. Acontece que, pouco tempo depois, Ifico, filho de Eurito, solicitou a ajuda do heri para encontrar um rebanho que 
lhe tinha sido roubado. Acometido de um sbito acesso de demncia, Hracies matou Ifico e, naturalmente, foi sujeito a um novo exlio, partindo para Delfos, onde 
deveria aguardar a sano. Mas como a Ptia tardava em responder, o heri, impaciente, apoderou-se do trip sagrado. Ao tomar conhecimento da situao, Apolo apareceu, 
envolvendo-se numa luta com Hracles e foi preciso que Zeus surgisse, para pr fim  querela, separando e reconciliando os seus dois filh-os. O orculo consentiu, 
ento, em exprimir-se, condenando Hracies a um ano de servido e  entrega do seu salrio a Eurito.
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Hracies
O heri foi, ento, vendido pelo preo de trs talentos'  rainha da Ldia, nfale. Uma certa tradio apresenta o heri, amolecido pelo fausto oriental, completamente 
submetido de corpo e alma  sua senhora, fiando a l a seus ps, com um traje caracterstico da Ldia, enquanto ntale arvorava, de ma na mo, a pele do leo de 
Nemeu. Dos amores da rainha e do seu incomparvel servidor nasceram dois filhos. Esta paragem na vida activa do heri permite explicar a sua ausncia em certas epopeias. 
Curiosamente, outras tradies apresentam o servo de nfale, singularmente activo: vemo-[o a libertar a regio de feso de dois cruis malfeitores, os Cercopes; 
a impedir o vinhateiro Seleu de massacrar os estrangeiros, que forava a trabalhar na sua vinha; a afogar, no Meandro, o feroz irmo de Midas, que cortava a cabea 
dos trabalhadores contratados para apanhar o seu trigo; a libertar as margens do rio Sangario da terrvel serpente que as devastava... E ao chegar o momento, foi 
com pesar que nfale deu a liberdade a Hracles. A partir de ento, ele ir aproveit-la, sobretudo, para se tornar no defensor dos oprimidos.
As vinganas de Hracies Quando deixou a Ldia, Hracies dirigiu-se, comandando dezoito barcos de cinquenta remos, para Tria, cujo rei, Laomedonte, o enganara no 
passado. Ao chegar  cidade tomou-a de assalto, matando o rei e todos os seus filhos presentes, com excepo de Pramo, salvo por Hesone. Mais tarde, esta ser 
oferecida, pelo heri, em casamento ao seu companheiro Tlamon, que fora o primeiro a transpor as muralhas.
Quando partia, de novo, por mar, Hracies sofreu uma terrvel tempestade, enviada por Hera, sendo obrigado a aportar  ilha de Cs, cujos habitantes lhe manifestaram 
a sua hostilidade. Furioso, Hracles vingou-se, saqueando as suas terras e matando o seu rei.
Entretando dirigiu-se para a Trcia, onde se encontrava quando se realizou o fabuloso combate que ops os Gigantes aos deuses do Olimpo. Ora, os destinos tinham 
determinado que s a interveno de um heri nascido de uma mortal poderia pr fim ao conflito, Ento, Hracles subiu para o carro de Zeus e, com as suas flechas 
imparveis, matou os Gigantes.
1 O talento  uma unidade de peso, varivel, que representava, no princpio, o peso do metal (prata ou ouro) que um indivduo podia transportar.
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Hracles
Depois deste episdio, o heri preparou a sua vingana face a Augias. Desapossou o rei da lide dos seus Estados e resistiu, vitoriosamente, at ao fim de uma luta 
sem piedade, na qual ficies encontrar a morte, causada pelos seus dois sobrinhos, os Molionidas, filhos de Posdon, que possuam um nico corpo dotado, entretanto, 
de duas cabeas e quatro pares de membros,
Entretanto, Hracies renovou, no Olimpo, os Jogos Olmpicos, criados por P&ps, cuidando dos mnimos detalhes e consagrou o recinto sagrado, o Altis.
Aps mais esta vingana, desceu para a Messnia a fim de atacar Neleu, tomando a cidade de Hos e massacrando o rei, juntamente com dez dos seus onze filhos. Poupou, 
unicamente, o mais novo, Nestor, a quem confiou o reino.
Daqui passou para a Lacna, onde restabeleceu Tndaro no trono, afastado de Esparta pelo seu meio-irmo, Hipocoonte,
Casamento e marte de Mracies Hracies tinha prometido a Meleagro interessar-se por sua irm, Dejanira. Assim, a fim de cumprir essa promessa, viajou para Clidon 
e solicitou a mo da jovem a seu pai Eneu, rei dos Etlios. Acontece que, antes de Hracies, j se tinha apresentado um outro pretendente, o deus-rio Aqueloo. Mas 
o heri no sucumbiu. Provocou o seu rival para uma luta e venceu-o - Aqueloo metamorfoseou-se em touro e, segundo a lenda, um dos seus cornos, arrancado por Hracles, 
transformou-se no famoso corno da abundncia - desposando, em seguida, Dejanira. Desta unio nasceram cinco filhos. Mas, nfeJzmente, o heri no consegue contrariar 
o seu destino e, assim, cometer nova falta ao provocar, acidentalmente, a morte de um jovem rapaz, que servia  mesa do rei. Forado a um novo exlio, Hracles 
abandonou o pas, acompanhado de Dejanira e do seu filho mais novo, Hilo. Quando chegaram s margens do rio Eveno, o heri confiou Dejanira ao centauro, Nesso, o 
barquero, a fim de que ele a transportasse para a outra margem. Mas no meio do rio, Nesso tentou violentar a jovem e Hracies matou-o com uma flecha. Antes de morrer, 
Nesso sugeriu a Dejanira que recolhesse o seu sangue, atirmando que este lhe asseguraria a fidelidade de seu marido.
Entretanto, Dejanira e o seu filho instalam-se em Trquis, na Tesslia, enquanto Hracles parte para cumprira sua ltima vingana contra Eurito, que lhe linha recusado 
a mo de sua filha lole. O heri matou o rei assim como todos os seus filhos, apoderando-se de lole, que nunca tinha deixado de desejar. No regresso, fez uma paragem 
na Eubeia, a fim de dedicar um sacrifcio a Zeus.
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Hracies
Entretanto, enviou o seu companheiro licas a Dejanira, para que ela lhe enviasse uma tnica nova, prpria para o acontecimento. Mas a jovem esposa, inquieta por 
saber da presena de lole junto de Hracies, decidiu molhar a tnica no sangue de Nesso, enviando-a depois a seu marido. Quando este a vestiu, foi imediatamente 
devorado por um fogo invencvel. E de cada vez que tentava retirar a tnica, arrancava bocados de carne do seu corpo, Louco de dor, Hracies atirou Licas ao mar 
e viajou para Traquis (a tragdia de Sfocles que conta estas peripcias  intitulada As Traqunias). Ao tomar conhecimento do que se passara, Hilo amaldioou sua 
me que se matou, desesperada. Entretanto, Hracles subiu ao Eta e ordenou aos seus companheiros que o atirassem ao fogo. Mas todos recusaram e, no fim, Filoctetes 
acabou por aceder. Para o recompensar, Hracies ofereceu-lhe o seu arco e as suas flechas. No momento em que a chama tocou o corpo do heri, purificando assim Hracles 
da herana de uma me mortal, uma nuvem desceu do cu e, numa sinfonia de relmpagos e troves, o filho de Zeus desapareceu da face da terra.
Acolhido, finalmente, no Olimpo, Hracles conquistar as boas graas de Hera e desposar a sua filha Hebe, de quem ter dois filhos. A partir de ento viver uma 
existncia feliz e plcida, estimado pelos imortais e amado e venerado pelos humanos.
Mais do que qualquer outra divindade, Hracies, cujos santurios cobrem a totalidade do mundo antigo,  considerado como o amigo, o conselheiro e o protector dos 
homens. A sua fora fsica e moral fazem dele o recurso de todos os seres em perigo. Atribuir-se-lhe-o, mesmo, virtudes medicinais e certas fontes (como as Termpilas) 
ser-lhe-o consagradas. Heri, por excelncia, do esforo fsico, Hracies soube, tambm, cantar os seus triunfos, fazendo-se acompanhar de uma citara. Por isso, 
ele preside, entre os Gregos, a todos os aspectos da educao atltica.
Hracles, inmeras vezes representado, aparece na pintura (Le Gude, Zurbarn, Mantegna, A. Carrache ... ) e na escultura (Puget, Pigalle, Bourdelle) com os traos 
de um homem maduro, de msculos bem desenvolvidos, mas com uma cabea demasiado pequena em relao ao corpo. Geralmente  apresentado de p, apoiado na sua moca, 
com um olhar entristecido de perptuo vencedor que ignora o repouso, eternamente preocupado com as suas tarefas sobre-humanas.
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Heraclidas (Os)
Heraclidas (OS)
Este nome designa os setenta filhos de Hracles, dos quais sessenta e nove eram rapazes.
Reunidos aps a morte de seu pai, os Heraclidas propuseram-se um nico objectivo: tornarem-se, em seu nome, senhores do Peloponeso. Com efeito, embora o heri tivesse 
nascido em Tebas, a sua ptria foi sempre considerada como sendo o Peloponeso e, particularmente, a Arg)ida.
Para fugirem s perseguies de Eursteu, os Heradidas comearam por afastar-se do seu pas, refugiando-se junto de Demofonte, filho de Teseu, em Atenas. Descontente, 
Euristeu declarou guerra  tica. Entretanto, o orculo tinha declarado que a vitria dos filhos de Hracies s seria obtida aps o sacrifcio de um mortal. Assim, 
Macaria - a bem-aventurada - nica filha do heri (e de Dejanra) reinvindicou a honra desse sacrifcio necessrio. Pouco tempo depois, Euristeu foi morto no decurso 
de um combate, por lolau, filho de ficies e fiel companheiro de seu tio, ao longo das suas aventuras. Os seus cinco filhos sofreram a mesma sorte.
Aps esta vitria, os Herac)idas, conduzidos por Hilo - que seu pai designara para desposar io(e - entraram no Peloponeso. Mas este regresso foi julgado prematuro 
pelos destinos, que enviaram uma epidemia de peste sobre o pas, obrigando os recentes ocupantes a retirar-se de novo.
Os Heracldas e os seus descendentes tentaro, depois disto, cinco expedies sucessivas ao Peloponeso. Mas s a ltima, j conduzida pelos bisnetos do heri, Tmeno, 
Crestontes e Aristodemo, aliados aos Drios, saiu vitoriosa. O projecto desta expedio consistia em, tomando a rota martima a partir de Naupacta, franquear o estreito 
de Corinto. Acontece que os heris foram, entretanto, considerados culpados da fuga do assassino de um profeta de Apolo, e o deus, descontente, decidiu destruir 
a sua frota e castigar a armada com a fome. Perante esta nova situao, os Heracldas consultaram o orculo de Delfos. Este revelou-lhes que s entrariam no Peloponeso 
caso tivessem o Apolo de um guia com trs olhos. Os heris continuaram, ento, a viagem e a ceda altura do percurso encontraram xilo, rei da lide, cego de um olho 
e montado sobre um cavalo. Compreenderam, imediatamente, que este era o guia anunciado e, assim, elegeram Oxilo para chefe da expedio.
A partir de ento, os combates tornaram-se favorveis aos descendentes de Hracies, O rei de Argos, Tismeno, filho de Orestes, pereceu no decur-
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Hrcuies
so desta guerra e o Peloponeso, finalmente conquistado, foi repartido, amigavelmente, entre os Heraclidas: Tmeno ficou com a ArgIida, Cresfontes com a Messnia 
e os filhos de Aristodemo receberam a Lacnia. Quanto a xilo, recuperou o trono da de.
Hrcules
O heri grego Hracies entrou na mitologia romana com o nome de Hrcules. Na origem, foi muitas vezes confundido com vrias divindades rurais, protectoras das famlias 
e dos animais, tais como Semo Sanco ou Silvano.
A lenda que nos revela a aventura de Hrcules ao roubar a manada de Grion - um monstro com trs corpos - na Ibria, refere-nos que o heri viajou pela Itlia e 
que ao atravessar a Etrria, exactamente no local do futuro surgimento de Roma, foi convidado pelo rei Evandro a descansar algum tempo. Acontece que, durante a noite, 
Caco, um gigante com trs cabeas, meio-stiro, meio-homem, filho de Vulcano, que cuspia fogo, lhe roubou alguns animais, escondendo-os nas cavernas do Aventino. 
Acontece que, de manh, os touros de Hrcules comearam a mugir sofredoramente e, de longe, aqueles que tinham sido roubados responderam-lhes com a mesma tora.
Hrcules descobriu, assim, a trapaa de Caco e o esconderijo dos seus animais. Dirigiu-se ao local, retirando as enormes pedras que tapavam a entrada e, apesar das 
chamas vomitadas por Caco, libertou os animais e matou o seu raptor. O local deste combate, nas margens de Tibre, conservou, a partir de ento, o nome de Frum boarum: 
forum dos bois.
O heri realizou ainda, na Itlia, um certo nmero de trabalhos, dos quais podemos destacar a construo de uma estrada na Campnia. Daqui desceu para a Calbria, 
sempre acompanhado pela manada que teria de entregar a seu primo, Euristeu. Conta-se que, nesta altura, um jovem touro afastou-se dos outros animais e atravessou, 
a nado, o estreito da Siclia. Mais tarde, afirmou-se que o nome de Itlia, na origem reservado ao Bruttium (a ponta da bota) derivava da palavra vtulus, que significava 
bezerro.
A popularidade deste heri protector e justiceiro fez com que os Romanos o identificassem com o Gnio do homem ("Por Hrcules!" , em Roma,
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Hermafrodito
o juramento viril, por excelncia). Juno, a Hera grega, foi identificada com o Gnio feminino.
Hermatrodito
Hermafrodito  fruto dos amores proibidos de Hermes e de Afrodite que, para esconder a sua falta, confiou a criana s ninfas de Ida, na Frigia.
Certo dia, quando Hermafrodito, j um belo adolescente, se banhava num lago, foi visto pela ninfa do local, Slmacis, que imediatamente se apaixonou por ele e lhe 
manifestou a sua paixo. O jovem tentou debater-se, mas a ninfa mergulhou-o nas profundezas do seu reino e pediu aos deuses que os unissem, para sempre, num s corpo, 
dotado de uma dupla natureza. Estes acederam e, assim, surgiu a lenda de Hermafrodito, um jovem dotado de um s corpo, com dois sexos.
Hermes                                                                        M
Hermes, filho de Zeus e da jovem Piiade Maia, filha de Atlas, nasceu numa caverna do monte Cilene, na Arcdia, tendo manifestado desde muito cedo uma inteligncia 
e astcia extraordinrias.
Era ainda um recm-nascido quando, ao cair da noite, abandonou o bero, calou umas sandlias para que os seus passos no fossem identificados e partiu para a Tesslia, 
dirigindo-se ao monte onde pastavam os bois do rei Admeto, confiados  guarda de Apolo. Habilmente, roubou uma parte dos animais, que conduziu s arrecuas (para 
evitar ser trado pelas marcas no solo) atravs de toda a Grcia, acabando por escond-los numa caverna em Pilo. Depois de tudo isto, regressou ao seu quarto pelo 
buraco da fechadura e deitou-se no bero.
Mas Hermes esquecera que Apolo era dotado de uma dupla viso e que, devido a esse facto, tomara conhecimento do roubo dos animais, indo reciam-los junto da criana 
que, no seu bero, fingiu tudo ignorar Perante esta situao, Apolo resolveu apelar a Zeus que ao tomar conhecimento do caso foi
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Hermes
sacudido por um riso "homrico" pedindo, no entanto, aos seus filhos que se reconciliassem.
Ento Hermes pegou num objecto que tinha fabricado no decurso da famosa noite do roubo, a partir de uma concha de tartaruga, de uma pele de boi e de tripas esticadas 
em forma de cordas e, tocando o instrumento, mara- vilhou Apolo com o seu som harmonioso. A partir de ento, este mostrou-se mais inclinado ao perdo e Hermes, muito 
feliz, ofereceu-lhe a primeira lira da histria dos deuses e dos homens. Em troca, Apolo deu-lhe um caiado de ouro, e Hermes tornou-se, assim, no pastor da manada 
celeste.
Foi, de resto, com a ajuda deste caiado que Hermes separou, um dia, duas serpentes envolvidas em luta. Estas, cessando imediatamente a sua querela, entrelaaram-se 
no caiado, dando origem ao famoso "caduceu", smbolo por excelncia da paz.
Hermes, astucioso e prestvel, gozava de grande simpatia junto dos deuses e dos homens. O seu pai, Zeus, elevou-o  categoria de seu mensageiro oficial e, assim, 
Hermes tornou-se no seu infatigvel agente atravs do mundo.
Para alm disso, ele foi tambm um precioso auxiliar do rei dos deuses nas suas aventuras amorosas, no hesitando em ludibriar Hera sempre que esta manifestava os 
seus ressentimentos. Foi ele que adormeceu o gigante Argo, encarregado de vigiar lo, com o som da sua flauta. Foi ele, ainda, quem salvou o pequeno Dioniso, transportando-o 
para um local seguro, logo aps o seu nascimento. Mas a sua disponibilidade sem limites estendeu-se, tambm, ao servio de outros imortais, heris e homens.
No domnio amoroso, Hermes manifestou os seus ardores tanto a mortais como a deusas (Afrodite deu-lhe um filho, o belo Hermafrodito), mas a sua preferncia foi, 
sobretudo, para as ninfas, de quem teve uma numerosa descendncia (de que destacamos o deus P, como ele nascido na Arcdia).
O nome Hermes, que pode aparentar-se a uma raiz snscrita que designa a tempestade, parece ter designado um deus do vento. Os Gregos veneram-no como o guia benfeitor 
de todos os viajantes, incluindo os comerciantes (e diz-se, tambm, os ladres). Nesta sua funo, e dado que o negcio depende da capacidade de argumentao, Hermes 
transformou-se no deus da eloquncia. Para alm disso, era ele, ainda, quem guiava as almas dos mortos atravs dos Infernos (Psicopompo). Mas ele foi, sobretudo, 
venerado pelos atletas, na sua qualidade de inventor da corrida a p e do pugilato,
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Heri
Os Romanos identificaram Hermes com o deus das trocas comerciais, Mercrio (de mercar fazer comrcio). A quarta-feira era o dia de Mercrio.
No se deve confundir Hermes-Mercrio com o deus a que os Gregos chamaram Hermes Trismeg)sto (trs vezes muito grande). Este personifica o deus egpcio Thot, inventor 
das artes, das cincias e da magia. A religio inspirada por esta divindade, o hermetismo, exerceu uma certa influncia no cristianismo nascente.
Hermes  uma das divindades cuja representao varia mais frequentemente, e isto deve-se, sobretudo, aos seus diferentes atributos e ao modo como eles so representados. 
Assim, o Hermes protector dos pastores e dos rebanhos  figurado, habitualmente, transportando um carneiro aos ombros. Quando ele surge na sua qualidade de protector 
dos viajantes  representado com um rosto barbudo e longos cabelos encaracolados, colocado no topo de uma coluna que, por sua vez,  colocada nas encruzilhadas das 
estradas. Mas a sua representao mais frequente  a de jovem atleta, imberbe, com cabelos curtos, calado com umas sandlias aladas e usando quer o chapu redondo 
dos viajantes gregos quer o chapu mais antigo, tambm guarnecido com asas, Nas suas mos apresenta o caduceu alado, As representaes mais clebres de Hermes, as 
do sc. iv a. C., so o Hermes de mrmore de Praxteles, carfegando o pequeno Dioniso (museu de Olimpo) e o Hermes de bronze de Lisipo, pronto a saltar ao primeiro 
sinal de Zeus (Npoles)
Neriii
O ttulo de heri atribudo por Homero aos homens de excepo, como Ulisses, implica em Hesodo, uma fifiao divina: um ser nascido de um deus e de uma morta), 
um semi-deus, intermedirio entre os deuses e os homens.
Na Antiguidade, os heris que apresentaram este papel activo de mediadores, foram venerados da mesma forma como se veneravam os antepassa-
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Hstia
dos. Mas, contrariamente aos simples mortais, que a morte transformava em sombras sem forma, os heris conservavam, no alm, as suas qualidades fsicas e morais. 
Para eles, Zeus tinha criado um espao ideal e eterno, na ilha dos Bem-aventurados, que se situava na extremidade do mundo terrestre.
Cada regio da Grcia era detentora do seu prprio heri, quer ele tivesse nascido de um casal mortal ou de uma divindade. A lista que se segue apresenta os exemplos 
mais importantes:
Acaia (Corinto): Belerofonte Arcdia: Atalanta Arglida: Perseu tica: Teseu Becia: dipo Creta: Mnos Etlia: Meleagro Ilhas Jnicas: Ulisses Lacnia: Os Dioscuros 
(Castor e Plux) Tesslia: Aquiles, Jaso, Piritoo Trcia: Orfeu
Quanto a Hracles, heri da Beca e da Argtida,  praticamente venerado como heri do Peloponeso e de toda a Grcia.
Hstia
A deusa Hstia ( cujo nome provm da palavra grega que significa logo) personifica o fogo sagrado,  volta do qual se rene cada famlia ou cada cidade, assegurando, 
deste modo, o bem-estar quotidiano e permitindo a todos, atravs dos sacrifcios, prestar graas aos deuses. Os seus templos apresentam uma forma circular. Em Dellos, 
considerado o centro do Universo, Hstia era veneradada como a divindade do fogo comum a todos os gregos.
A lenda de Hstia  muito rudimentar na sua formulao, Segundo Hesodo, ela teria sido a primeira filha de Cronos e de Reia, sendo assim a mais velha dos Olmpicos. 
Graas a este atributo, Hstia ter direito s primeiras e s ltimas libaes que se faziam s refeies.
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Hiperon
A deusa fora devorada por seu pai,  nascena e, mais tarde, restituda  vida graas ao estratagema de Zeus. Em sinal de reconhecimento, Hstia far o voto, tocando 
a cabea do rei dos deuses, de permanecer virgem pela eternidade, apesar das tentativas de seduo de Posdon e de Apolo. Por esta razo, a deusa  invocada nos 
juramentos como smbolo da fidelidade.
Hperon
Hiperon, um dos doze Tits , como o seu nome indica, "aquele que se encontra no horizonte". Casado com a sua irm Teia, tambm chamada Eurifessa, a mais velha 
das Titnides, ter trs filhos: Hlio - o sol, Mene
- a tua e Eos - a aurora. Por vezes  confundido com o Sol.
A personagem de Hiperon fascinou o poeta alemo HIderlin, que lhe dedicou um romance assim como um hino intitulado Hyperons Schieksalslied (Canto sobre o destino 
de Hiperon).
Horas
As divindades que usavam este nome (derivado da palavra grega hrai que designa os espaos do tempo) viram os seus atributos e o seu nmero variar, segundo o conceito 
preciso que se lhes dava: horas ou estaes do ano.
A tradio mais corrente apresenta trs divindades, filhas de Zeus e de Ttis, deusa da justia, que presidiam tanto  ordem moral como  ordem da natureza: Eunomia 
- o respeito pelas leis, Dik - o respeito pela justia e frene - o respeito pela paz. No Olimpo, as trs deusas eram, sempre, nomeadas quando se abriam ou fechavam 
as portas.
As Horas tiveram o privilgio de velar pela infncia de Hera, como suas servas, alimentando os seus cavalos (com ambrosia) e atrelando-os ao seu
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Horas
carro, Mais tarde, elas responderam ao chamamento de Zeus, a fim de assstirem ao nascimento de Hermes e de Dioniso. As Horas figuraram, anda, no cortejo de Afrodite 
e foram as principais responsveis, por ordem de Zeus, pelo fenmeno de embelezamento de Pandora, que provocou a perdio dos humanos.
Veneradas em Atenas, Argos, Olmpia, e especialmente em Corinto, as Horas so representadas como raparigas belas e harmoniosas, de cabelos entranados presos por 
um dadema, carregando nas suas mos a espiga de trigo e a vide.
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Idas, descendente de Perseu, por parte de seu pai, Afareu, rei da Messnia,  designado por Homero como o mais forte e o mais ousado dos mortais. A sua vida  marcada 
por uma sucesso de aces violentas.
Juntamente com o seu irmo mais velho, Linceu, Idas participou na expedio dos Argonautas. No decorrer da viagem para a Clquida, quando se encontravam entre os 
hspedes do rei dos Mariandinos, um dos companheiros de Jaso, o adivinho Idmon, foi ferido de morte por um javali, no decurso de uma caada. Idas perseguiu o animal 
at vingar a sua vtima.
Durante o mesmo priplo, Idas concebeu a ideia de destronar o rei da Msia, Teutras. Este tinha confiado a defesa da cidade a Tlefo (filho de Hracies), que acabara 
de chegar  Msia,  procura de sua me, refugiada junto de Teutras. Idas, vencido pelo filho de Hracles que mais se parecia com o seu pai, resolveu embarcar de 
novo.
Mais tarde, Idas ser convidado para participar na caada ao javali de Clidon, organizada por Meleagro, seu genro, casado com Clepatra, nascida dos amores de Idas 
e de Marpessa, filha do rei da Etlia, Eveno. No passado, este rei jurara exterminar todos os pretendentes  mo de sua filha. Assim, desafiava-os para corridas 
de carros, vencia-os e depois matava-os. Ora Idas, um dos pretendentes, recebera de Posdon um carro alado e com este conduzira a sua bem-amada para longe das atenes 
de Eveno, que ficara enfurecido e desesperado.
Entretanto, Idas e Marpessa fugiram para a Messnia. Mas acontece que Apolo, tambm ele apaixonado pela jovem, tentou rapt-la. O que ter acontecido, entretanto, 
no o sabemos bem. Ter Apolo executado o seu desejo e vivido com Marpessa, durante algum tempo ("sem que ela protestasse", diz
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Idas
uma tradio, de m lngua) at que Idas a tivesse reconquistado? Ou pelo contrrio, Zeus, vendo Idas e Apolo em guerra, decidira permitir a Marpessa a escolha entre 
os seus dois pretendentes? Em todo o caso foi Idas quem teve a ltima palavra e obteve a posse da bela princesa.
Idas, primo de Castor e de Plux, era filho de Afareu, meio-irmo de Tndaro, pai "humano" dos Dioscuros. Estes, juntamente com Idas e Linceu, participaram na expedio 
dos Argonautas e na caada ao javali de Clidon. Entretanto, as suas relaes tornaram-se movimentadas e trgicas.
Tudo aconteceu quando Castor, Plux e os seus primos conceberam uma expedio de rapina sobre as manadas da Arcdia. Nessa altura, Idas foi designado para dividir, 
entre todos, o produto do saque. Ento, Idas decidiu matar um dos bois roubados, dividindo-o em quatro partes que distribuiu por cada um dos seus companheiros. Depois 
anunciou que os dois primeiros que devorassem as suas partes do animal, receberiam, cada um, metade do saque. Ora Idas devorou rapidamente a quarta parte que lhe 
coube em diviso e, depois, ainda a poro de seu irmo, consagrando-se, assim, como o nico senhor de toda a manada.
Acontece que Castor e Plux no aceitaram a deciso, atacando os seus primos na Messnia e apossando-se dos animais. Depois, embuscaram-se a fim de vigiar a sada 
dos seus adversrios. Mas Linceu, "com olhos de Lince", apercebeu-se da presena de Castor por detrs dos ramos de um carvalho e mostrou-o a Idas que, imediatamente, 
o matou. Plux, enfurecido, precipitou-se em sua perseguio, acabando por matar Linceu. Ento, Idas lanou uma pedra sobre Plux, derrubando a seus ps o filho 
de Zeus. Nesta altura, o rei dos deuses resolveu intervir, fulminando Idas e transportando consigo Plux.
Uma variante desta lenda apresenta Castor roubando as vitelas de Idas. Linceu, colocado no cimo do monte Tageto, viu a cena e preveniu o seu irmo, que acaba por 
matar Castor. Plux, enfurecido, resolve ento atacar os dois irmos que recuam at ao lugar em que se encontrava o tmulo de seu pai. Um deles pega numa esttua 
de mrmore e projecta-a contra a figura de Plux, mas o filho de Zeus ainda tem foras para lanar a sua arma ao flanco de Linceu que  abatido. Nesta altura, Zeus 
concentra a sua fria em Idas, e o fogo do cu consome o corpo dos dois irmos.
Uma outra lenda, respeitante tambm  morte dos primos inimigos, estava ligada  existncia das suas primas Hilara e Febe, filhas do irmo de
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Idomeneu
Afareu, Leucipo. Os Dioscuros, deslumbrados pela sua beleza, tinham raptado as jovens, quando elas ficaram noivas de Idas e Linceu (ou mesmo no dia do seu casamento). 
Ento Castor e Linceu, os dois mais velhos, envolveram-se num combate singular, sendo Linceu morto por seu primo, exactamente no lugar em que se encontrava o tmulo 
de Afereu. Idas, que assistia ao duelo, arrancou ento uma coluna do monumento e dispunha-se a vingar Linceu, quando Zeus interveio e o fulminou.
O fim do episdio , por vezes, contado de outro modo. Quando Idas se preparava para sepultar Linceu, morto por Castor, este tentou opor-se ao sepultamento e, assim, 
o heri foi obrigado a matar Castor. A sua sorte no durou muito tempo, pois Plux, procurando vingar seu irmo, acabou por matar Idas.
Uma outra verso da lenda faz a sntese entre os diversos episdios do rapto das manadas e do rapto das jovens. Castor e Plux tinham raptado as suas primas, por 
quem estavam apaixonados, em virtude de no terem um dote para oferecer a seu pai. Acontece que Idas e Linceu censuraram, duramente, a conduta dos Dioscuros que 
decidiram ento roubar as manadas de seus primos, a fim de as entregar como presente a seu sogro. E assim teria nascido o conflito entre os heris, marcado pela 
morte e pelo sangue.
Idomeneu
Idomeneu, rei de Creta (neto de Minos), tinha sido um dos pretendentes  mo de Helena de Esparta e a este ttulo participou na guerra de Tria, chefiando uma frota 
de tropas cretenses composta por oitenta navios. Foi um dos chefes que sugeriu bater-se num combate singular contra Heitor, a fim de evitar a guerra de Tria, mas 
como a sua proposta falhou, Idomeneu consagrou-se como um dos valorosos combatentes desta guerra. Nos jogos fnebres celebrados em honra de Aquiles, foi ele o vencedor 
do concurso de pugilato. Mais tarde, Idomeneu foi tambm um dos guerreiros que tomou lugar nos flancos do cavalo de Tria.
A Odisseia afirma que o seu regresso a Creta se desenrolou sem incidentes. Encontramos, no entanto, outras verses bem diferentes. Uma delas refere que a sua frota 
foi assolada por uma tempestade e que, ento, Idomeneu
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Ilitia
fizera um voto de sacrificar a Posdon o primeiro ser vivo que encontrasse, mal pisasse terra firme. Acontece que o primeiro ser vivo que idomeneu vislumbrou ao 
chegar a Creta, foi um dos seus filhos. Obrigado pelo seu juramento, o rei preparava-se para o executar, quando os deuses, descontentes com este propsito sanguinrio 
e pouco humano, lanaram a peste sobre o pas. Ento, Idomeneu, a fim de conjurar o flagelo, decidiu exilar-se, acabando por encontrar a morte no sul de Itlia.
A pera de Mozart, Idomeneu, rei de Greta (1781), apresenta o heri, tentando evitar o suplcio de seu filho. Mas Posdon, deus do mar, irritado pelo no cumprimento 
do juramento, decide enviar um monstro que devastar todo o pas. Ento, a noiva do prncipe, uma princesa troana, ir oferecer-se em troca do sacrifcio do seu 
bem-amado. Comovidos, os deuses decidem perdoar Idomeneu, libertando-o do seu juramento.
Ilitia
Cada etapa e cada um dos actos da vida humana so protegidos por uma divindade. Ilitia, filha de Zeus e de Hera, preside aos nascimentos. Assim, nenhum ser humano 
pode vir ao mundo sem a sua presena. Por esta razo, Hera conseguiu, pela influncia que exercia sobre a sua ilha, prolongar as dores de Leto e retardar o nascimento 
de Hracies.
Ilitia  representada ajoelhada, fazendo com uma das mos um gesto de encorajamento e mostrando, na outra, uma tocha acesa, smbolo da vida.
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Imortalidade
lio
Ilo, filho de Trs, pai da raa troiana,  o fundador da cidade de Tria que, na origem, teve o nome de lion.
Tudo aconteceu quando lio ganhou, nos jogos da Frigia, cinquenta escravos de cada sexo. Ento decidiu fundar com eles uma cidade. E para o efeito, consultou o orculo, 
que o mandou fixar-se no lugar em que determinada vaca, que ele devia seguir, parasse. Isto aconteceu, exactamente, no vale do Escamandro, muito perto da cidade 
construda sobre o monte Ida pelo seu bisav Drdano.
Pouco tempo depois, Ilo recebeu a confirmao de que linha escolhido o bom lugar. Ento, ergueu, perante a sua tenda, a esttua divina de Atena, o Paldio, que Zeus 
precipitara, outrora, sobre a terra. Depois, mandou construir um templo para alojar a esttua, e em seguida invocou a deusa como protectora da nova cidade. No entanto, 
muito tempo depois, Atena, decepcionada com o veredicto de Pris, favoreceu os Gregos em detrimento dos Troianos.
Ilo  o pai de Laomedonte (pai de Pramo) e de Temiste, a me de Anquises (pai de Eneias). Teve, ainda, um irmo, Ganimedes, por quem Zeus se apaixonou, levando-o 
consigo como escano para o Olimpo.
Imortalidade
Os deuses da mitologia greco-romana, cuja aparncia  idntica, mesmo nas dimenses,  dos humanos (se nos abstrairmos das suas diversas metamorfoses), cujas paixes 
e interesses so semelhantes aos dos homens, diferem, essencialmente, destes pela sua natureza imortal. As suas artrias so irrigadas por um lquido mais fluido 
do que o sangue, o ichor, que, mesmo sob as feridas mais cruis, conserva os corpos indestrutveis, assegurando-lhes uma juventude perptua.
Os manjares da imortalidade, reservados ao uso dos deuses, eram a ambrosia, alimento slido "nove vezes mais doce do que o mel" e o nctar, deliciosa bebida exclusivamente 
apreciada em taas de ouro.
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Infernos (Os)
Infernos (Os)
Na Antiguidade admitiu-se, sempre, o princpio da imortalidade da alma, mas a natureza do alm e as suas representaes multiplicaram-se em variantes, segundo as 
pocas e segundo os autores.
O outro mundo Para Homero e para Hesodo, o outro mundo no era seno um lugar de impotncia e de resignao. Em compensao, os Trgicos, no sc. v, reconheceram 
s almas dos mortos uma influncia possvel sobre o destino dos vivos. Estas eram vistas como verdadeiras divindades (os Romanos veneravam-as sob o nome de manes), 
a quem se devia prestar culto.
Plato fez uma nova abordagem da problemtica das almas, introduzndo as noes de julgamento e de expiao. Segundo ele, a alma comparecia, aps a morte, perante 
o tribunal dos deuses ou dos seus representantes, Minos, aco e Radamante. Nesse momento e em funo da vida que tinha levado, era orientada para a direita, a morada 
luminosa dos justos - onde os mais justos beneficiavam de uma luz ainda mais viva - ou para a esquerda, para o mundo tenebroso dos condenados. Neste lugar de sofrimento, 
os castigos eram calculados segundo a gravidade das faltas cometidas. Salvo o caso de faltas muito graves, julgadas sem expiao, as penas infligidas eram s temporrias.
Ao fim de mil anos passados nos Infernos, as almas reincarnavam, podendo escolher a sua futura aparncia carnal. No entanto, antes de a penetrar, deviam beber gua 
do Letes, o rio do esquecimento. Aquelas que tivessem bebido com moderao, conservavam, na sua nova vida terrestre, uma lembrana das experincias passadas, o que 
lhes permitia aperfeioarem-se por ocasio de cada rencarnao. Para ajudar os mortais nesta conquista de perfeio e assegurar, a cada um, a felicidade no alm, 
foram institudos os mistrios.
Nas doutrinas rficas, os Infernos aparecem como morada, necessria, de expiao, entre duas reincarnaes, at que a alma, integralmente purificada, pudesse conquistar 
o cu e viver a sua eternidade entre os deuses. Em compensao, as crenas pitagricas, fundadas sobre a noo de metempsicose, transmigrao das almas de uma espcie 
para outra, no tm nenhuma necessidade de admitir a existncia de Infernos.
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infernos (Os)
Geografia dos Infernos A representao topogrfica dos Infernos difere, evidentemente, segundo a concepo que se faz deles. Para Homero  um lugar indiscriminado 
que se situa quer  superfcie quer nas profundezas da terra.
Na Odisseia, onde a terra  concebida como um disco rodeado pelo rio Oceano, o reino das sombras  colocado nas extremidades do crculo, no pas dos Cimrios, onde 
reinam, em permanncia, a noite e o nevoeiro, Numerosos heris vem-se, assim, transportados, depois da sua morte, para as regies setentrionais. Para Hesodo, a 
ltima morada dos heris, a Ilha dos Bem-aventurados, situa-se igualmente nas extremidades do mundo.
Na Ilada, pelo contrrio, a morada dos mortos ou rebo encontra-se no interior do globo, a meio caminho entre a abbada celeste, onde reinam os Olmpicos e o Trtaro, 
onde so fechados os deuses pecadores. Para se chegar l, existem  superfcie da terra numerosos caminhos (cavernas, lagos). Esta morada  apresentada como um local 
de trevas (sentido da palavra rebo), onde se entra, passando por uma alameda de salgueiros e de choupos, no fim da qual se encontra o vigilante co Crbero, monstro 
provido com trs cabeas. Os rios Aqueronte, Piriflegetonte, Cocito e Estige rodeiam com os seus braos a residncia das almas, que vivem a uma existncia fantasmtica, 
triste e diminuda. Entretanto, alguns criminosos notrios, tratados  parte, sofrem sem remisso, splicas exemplares: Ticio, Tntalo, Ssifo e as Danaides.
A separao, ulteriormente admitida, entre bons e maus conduz a uma topografia dos Infernos que ope o Trtaro dos criminosos aos campos Elsios dos justos.
Aristfanes nas Rs, e mais tarde, Luciano, apresentam uma descrio destes lugares, de que os autores no se afastaro muito a partir daP. Segundo eles, as almas 
deviam atravessar o Aqueronte, onde o horrendo barqueiro Caronte, mediante o preo da passagem, as transportava na sua barca atravs das guas pantanosas. Ao chegarem 
ao cais deparavam com uma porta gigantesca, suportada por duas colunas de diamante, guardada pelo co Crbero. Da dirigiam-se para o tribunal, rodeado por uma pradaria 
de
1 Sobretudo Virglio, mas tambm, depois dele, Dante.
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Infernos (Os)
asfdelos. Depois do julgamento, os justos eram reagrupados sobre os relvados floridos que rodeavam o palcio de Hades e de Persfone e os criminosos eram entregues 
aos horrores do Trtaro.
Uma terceira categoria de residentes, aqueles que no eram considerados justos nem criminosos, estavam destinados a errar sem destino, numa regio intermdia que 
Virglio descrever como sombria e lgubre. A se encontravam algumas crianas mortas com pouca idade, homens injustamente condenados, suicidas, mulheres vtimas 
do amor e heris cados na guerra.
O Inferno segundo Virglio Os nmeros remetem para as diferentes passagens do livro VI da Eneida (Retirado do Magasin Pittoresque, ano de 1850, p. 4)
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Ino
Ino
Ino, uma das filhas de Cadmo, fundador de Tebas, casara com tamas, rei da Becia, que tinha dois filhos, Frixo e Hele, da sua primeira mulher, Nfele (a Nuvem Negra), 
a quem repudiara. Deste novo casamento nasceram outras duas crianas, Learco e Melicertes. Acontece que Ino, ciumenta dos filhos mais velhos de seu marido, decidiu 
faz-los desaparecer.
Para tal, arquitectou o seguinte estratagema: persuadiu os camponeses a queimarem, secrelamente, todos os gros de trigo que se destinavam  nova sementeira e, assim, 
quando chegou a altura, os campos mostraram-se vazios. Perante esta situao, tamas decidiu consultar o orculo de Delfos. Mas Ino subornou o seu mensageiro que 
comunicou ao rei que o flagelo imposto s cessaria com o sacrifcio dos filhos do seu primeiro casamento.
tamas dispunha-se a executara sentena quando um carneiro alado (com um velo de ouro), enviado por Zeus (ou presente de Hermes a Nfele), raptou os dois rapazes, 
transportando-os sobre o seu dorso em direco ao cu.
Entretanto, Srnele, irm de Ino, que Zeus seduzira, sucumbiu, graas aos artifcios de Hera, antes de ter parido o filho deste amor, Dioniso. Mais tarde, Ino e 
tamas recolheram a criana e Hera, enfurecida, vingou-se, enlouquecendo o casal real. tamas, demente, degolou o prprio filho, Learco, e Ino precipitou-se no mar, 
levando consigo Melicertes.
Mas as Nereides tiveram pena da rainha e conduziram-na para a sua morada, onde Ino, com o nome de Leuctea (a Branca), se tornou uma divindade benfeitora do mar.
Os Romanos veneraram-na sob o nome de MaterMatutae o seu templo, no Frum, era vizinho do templo de Portuno, nome que foi dado a Melicertes divinizado.
lo
lo, filha de Inaco, o deus-rio da Arglida, era uma bela sacerdotisa de Hera, que exercia as suas funes no templo situado entre Micenas e Tirinto.
Acontece que, um certo dia, Zeus vislumbrou-a e, aprisionado pela chama da paixo, no hesitou em seduzir a serva da sua divina esposa.
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]o
Assim, no decurso de um sonho, lo escutou uma voz que lhe ordenava que se dirigisse para as margens do lago de Lema, e que se abandonasse ao desejo de Zeus. A jovem 
consultou, ento, o seu pai, que interrogou o orculo de Delfos, mas este confirmou a ordem do sonho. E lo obedeceu.
Entretanto, Zeus, a fim de alcanar os seus fins sem despertar as suspeitas de Hera, apareceu com o aspecto de uma nuvem; mas a deusa percebeu o mistrio, e assim 
o rei dos deuses foi obrigado a transformar lo numa bezerra. Ento Hera fingiu ver no animal um presente de seu marido e, deste modo, Zeus no ousou recusar-lhe 
a bezerra. Hera confiou-a, ento,  guarda do monstruoso gigante Argo, dotado de cem olhos (dos quais metade estavam sempre abertos) e lo foi, assim, vigiada noite 
e dia, at que Hermes, seguindo as instrues de seu pai, apareceu, transformado num pastor, e adormeceu simultaneamente os cem olhos com o som da sua flauta mgica. 
Depois cortou a cabea do vigilante demasiado zeloso.
Hera recompensar, mais tarde, o seu fiel apoiante, recolhendo os seus olhos que colocar sobre as plumas do seu animal preferido, o pavo. Quanto a lo, que no 
tinha, entretanto, retomado a sua forma humana, foi incomodada at  loucura por um moscardo, que Hera lanou sobre ela.
Entontecida pelas picadas incessantes, lo percorreu terra e mar. Reen- @ontrou Prometeu preso ao seu rochedo no Cucaso, passou o Bsforo, a Asia Menor, depois a 
Fencia e, finalmente, o Egipto, onde nas margens do Nilo, Zeus a esperava. Com meiguice, o rei dos deuses divulgou-lhe a sua natureza e lo pde, ento, dar  luz 
um filho, "o filho do tacto", pato.
Informada do acontecimento, Hera decidiu prosseguir a sua vingana, encarregando os Curetes, sacerdotes do culto de Reia, de fazer desaparecer o recm-nascido. Estes 
roubaram a criana, mas Zeus apareceu e fulminou-os antes que algo de irremedivel tivesse acontecido.
E, uma vez mais, lo percorreu o mundo  procura de seu filho, indo encontr-lo na Sria. Da regressou ao Egipto, onde se tornar a esposa do rei Telgono.  sua 
morte, Zeus transformou-a em constelao.
lo , frequentemente, identificada com a deusa sis (ela mesma confundida com a deusa-vaca Hathor), enquanto que seu filho, pafo -fundador de Mnfis - , por sua 
vez, confundido com o deus-boi, pis, sendo-lhes prestadas honras divinas.
lo est na origem de vrias genealogias principescas. Mas, para alm disso, Dioniso, uma das divindades mais populares da religio grega e Perseu
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0   +  Zeus
Nio
paf o (Egipto)
mnfis
Lbia + Posdon
Belo
1 Driao (Argos)
Hipermestra
Abas
Acrsio
Dnae + Zeus
Perseu
1 Elctrion
+ Zeus
Hracies
Agenor (Fencia)
Europa + Zeus      Cadmo (Tebas)
Ivimos kCreta)    Srriele + Zeus
Dioniso

Iolau
e Hracles, dois dos mais prestigiados heris da mitologia, figuram na sua descendncia.
"A histria de lo"  uma das mais clebres entre as lendas gregas, dando por isso origem a muitas obras de arte (quadros de Corrge (Viena), de Tintoreto (Modena), 
de Velsquez (Madrid), Rubens (Dresden, Madrid), Jordaens (Lio, Leninegrado) ... ; tragdia lrica de Luily (1677), intitulada sis, mas consagrada aos amores de 
lo e do rei dos deuses. Para alm disso, lo tornou-se um precioso auxiliar dos autores das palavras cruzadas. (Recordemos uma das boas definies propostas: "Senhora. 
do corao tornada Senhora do trevo".)
Iolau                                                                  H~
lolau  filho de ficies, o irmo de Hracies. Desde muito cedo, o jovem demonstrou uma afeio e uma admirao sem limites por seu tio, a ponto de se ter tornado 
no seu companheiro inseparvel ao longo da sua dramtica existncia. Assim, ajudou-o a vencer a Hidra de Lerna, a capturar os bois de Grion, a procurar as mas 
das Hesprides, a capturar o co Crbero e esteve, ainda, presente na expedio punitiva contra Laomedonte. Nos Jogos Olmpicos institudos por Hracies, lolau foi 
o vencedor, conduzindo o carro do heri. Para alm disso, ele esteve, tambm, presente para o ltimo sacrifcio de Hracies, no cimo do monte Eta.
Depois da morte de seu tio, lolau transferiu a sua solicitude para os filhos que este deixara, conduzindo grande nmero deles para a Sardenha, onde fundou, em proveito 
destes, vrias cidades.
Ao atingir a velhice, lolau secundou, ainda, as aces dos filhos de Hracles contra Euristeu, graas a Hebe (esposa divina de seu tio) que lhe permitiu retomar 
o ardor da juventude, durante um certo tempo. Aproveitando a graa divina, lolau matou com as suas prprias mos o terrvel primo de Argos, arteso de tantas dores.
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ris
1 Iris
ris, filha de Taumas e da Ocenide Electra,  irm das Harpias. Os Gregos e os Romanos, que a identificaram com o arco no cu, transformaram-na no smbolo do contacto 
entre o cu e aterra, ris representa, junto dos deuses e dos homens, o papel de mensageira dos imortais, emissria das vontades de Zeus e, mais frequentemente ainda, 
de Hera, de quem  a serva fiei, banhando-a, embelezando-a e passando as noites sem dormir junto ao seu trono. Ela representa, igualmente, os palafreneiros do Olimpo, 
ajudando os deuses a desatrelar as suas montadas, quando,regressam das expedies, ocupando-se dos seus ginetes e alimentando-os.
Uma certa tradio apresenta-a como esposa de Zf i ro, o vento.
ris  representada, tal como Hermes, com sandlias aladas e com o caduceu. Uma charpe de muitas cores (o arco do cu) prolonga as suas asas de ouro.
sis
A deusa egpcia sis foi objecto de um tal fervor na antiguidade greco-romana a partir do sc. iv a. C., e sobretudo nos primeiros sculos da era crist, a partir 
do reinado de Calgula, que a maior parte das divindades femininas do panteo greco-romano (sobretudo Demter, Hera, Afrodite) se identificaram com ela.
Casada com seu irmo, Osris, deus fecundante e civilizador, sis foi vtima da inveja do seu outro irmo, Set, deus da sombra e do deserto, que matou e decepou 
o seu marido, atirando depois os bocados do seu corpo desmembrado ao Nilo.
A " busca de Osris" que representa a minuciosa e apaixonada viagem de ss por todo o Egipto, a fim de encontrar os vrios bocados do corpo de seu marido, para 
com eles voltar a reconstituir o seu corpo, fez com que a deusa fosse identificada com Demter, que tambm correra o mundo, procurando a
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W10
sua filha, prisioneira dos Infernos. Osris, por sua vez, foi identificado com Dioniso, o deus ressuscitado.
No Imprio, os Romanos instituram em honra da deusa, os Mistrios de sis, reconhecendo-a como soberana tutelar da terra, do mar e do reino dos
-na, ainda, na sua qualidade de Grande Mgica (que tinha mortos. Veneravam dado  luz um filho, o deus celeste Hrus, gerado "milagrosamente" quando do reencontro 
da deusa com a mmia de seu marido), com capacidades para transformar, igualmente, os seres e os elementos da natureza.
A sis greco-romana  representada com um fato de linho caracterstico das Deusas-Mes e com uma capa de franjas, atada sobre o peito. Na mo direita apresenta o 
sistro, espcie de matraca destinada a marcar o ritmo das cerimnias rituais e, na mo esquerda, a stula, pequeno cntaro contendo a gua sagrada.
Iffio
lio  o nome dado pelos Romanos a Ascnio, filho de Eneias e de Cresa.  morte de seu pai, coube-lhe a tarefa de terminar a guerra contra os Rtulos e os seus 
aliados. Ascnio, chefiando um exrcito composto por latinos e troianos, alcanou a vitria, sendo chamado "o pequeno Jpiter": Julius.
IIo-Ascnio fundou, depois, a cidade de Alba.  sua morte sucedeu-lhe no trono o seu meio-irmo, Slvio, filho pstumo de Eneias cuja me, Lavnia, segunda esposa 
do heri, era filha do rei Latino.
A "raa" lulia, ilustrada por Csar e depois por Augusto, era apresentada como remontando a JJo. Por isso, o jovem Eros (cujo nome latino  Cupido), filho de Vnus-Afrodite, 
me de Eneias, figura aos ps da clebre esttua de Augusto conservada no Vaticano.
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Mon
IXOn
Mon, prncipe tessaliano de origens incertas (uma tradio apresenta-o como filho de Ares)  o rei do povo Lpita.
Quando Mon pediu a mo de Dia, filha do rei Dioneu, prometeu a seu sogro, como dote, presentes sumptuosos, mas aps o casamento, no s recusou cumprir a sua promessa, 
como ousou atirar o seu sogro para uma fossa cheia de carves ardentes, onde ele foi queimado vivo.
Este duplo crime pareceu de tal modo inexpivel, que ningum aceitou receber lxon para um exlio reparador. Perante esta situao, Zeus teve piedade do "pecador" 
e purificou-o, convidando-o mesmo para a sua mesa, onde lhe deu a provar a ambrosia.
Acontece que Mon, julgando-se capaz de tudo, comeou a ambicionar e solicitar as boas graas de Hera. Zeus, a fim de ver at onde iria o imprudente, fabricou uma 
nuvem com a forma de Hera. Mon, caindo na armadilha, fecundou-a e desta unio nasceu Centauro, o pai dos Centauros.
Ento Zeus decidiu castigar solenemente o sacrlego. Prendeu lxon a uma roda que girava sem cessar e projectou-a no espao. Acontece que, como a ambrosia tinha 
conferido a imortalidade a Mon, ele sofreu este suplcio terrvel pela eternidade (certos autores situam este suplcio no Trtaro).
Da unio com a sua esposa Dia, lxon teve um filho, Pirtoo, que estar na origem de um encontro sangrento entre os Lpitas e os Centauros. Entretanto, Homero d 
a paternidade de Pirtoo ao prprio Zeus que, para enganar Dia, a teria abordado sob a forma de um cavalo.
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Jano
Jano, divindade exclusivamente romana,  o deus do incio de todas as coisas. Ovdio identifica-o ao Caos primordial, dado o carcter indistinto que o seu duplo 
aspecto relembraria.
O seu nome provm da mesma raiz que dis, evocando assim o dia luminoso. Com efeito, para os romanos, Jano  sobretudo um deus solar, que estaria na origem de toda 
a vida, presidindo ao acordar de cada dia. Por isso, ele ser colocado  cabea de todas as iniciativas e de todos os empreendimentos. O primeiro ms do ano, Janeiro, 
-lhe consagrado, assim como o primeiro dia de cada ms. Nas cerimnias, Jano figura sempre presidindo a todos os deuses, incluindo Jpiter. A ninfa Juturna  apresentada, 
por vezes, como a sua esposa.
Uma das suas atribuies mais populares  a de protector das chegadas e das partidas. Jano foi ainda o deus das portas, por excelncia, quer se trate das portas 
das casas como das portas das cidades. As suas duas faces permitiam-lhe controlar o interior e o exterior. Para alm disso, ele velava tambm sobre todas as vias 
de comunicao, terrestres, fluviais e martimas. Adorado como protector dos portos, -lhe por vezes atribuda a inveno da navegao e das trocas comerciais. As 
primeiras moedas romanas apresentavam na face a efgie barbuda de Jano e, no reverso, uma proa de navio.
O templo dedicado a Jano no Frum, em aco de graas pelo prodgio que o deus realizara em favor dos Romanos, quando estes foram atacados pelos sabinos de Tcio 
(Jano fizera brotar uma fonte de gua quente que queimara os assaltantes), ficava aberto em tempo de guerra, permitindo assim que o deus pudesse intervir, em caso 
de necessidade, socorrendo os
185

Jpeto
seus fiis. Raramente foi fechado (uma vez com Numa e trs vezes com Augusto).
A colina romana do Jannculo, na margem direita do Tibre, era consagrada a Jano.
Jpeto                                                                 ffim
Jpeto, um dos doze Tits, casou-se com a ninfa Clmene (ou sia; squilo diz: a sua irm Tmis), filha de seu irmo, Oceano. Desta unio nasceram quatro filhos: 
Atlas e Mencio, punidos por Zeus por terem ajudado os Tits na sua resistncia e Epimeteu e Prometeu, que tiveram um papel capital na histria mtica do gnero 
humano.
Entre os Gregos irreverentes, o nome de Jpeto assumia o sentido de velho impertinente.
Jaso
Jaso, nascido em loico (futura Tesslia),  filho do rei son, descendente de Deucalio. Segundo certas tradies, ele  primo, por parte de sua me, de Ulisses.
son perdeu o seu reino devido s investidas violentas de seu meio-irmo Plias, filho de Posdon. Assim, quando Jaso terminou os seus estudos junto do clebre 
centauro Quiron, decidiu ir reinvindicar a herana paterna.
No caminho, ao atravessar uma ribeira, perdeu uma das suas sandlias e foi assim, com um p calado e outro descalo, que se apresentou ao rei. Ao v-lo, Plias 
recordou-se entretanto de um orculo que lhe recomendara que desconfiasse de um homem que se lhe apresentasse com um nico saPato. O rei escutou, no entanto, Jaso 
e props-lhe um contrato. Prometia dar-lhe o seu trono se ele lhe trouxesse o Veio de Ouro, aquele Velo de Ouro que pertencera ao carneiro sagrado que tinha salvo 
o jovem prncipe Frixo da sorte cruel a que tinha sido votado pelo rei da Becia. Consagrado desde

Jaso
ento a Ares, o Velo de Ouro era guardado por um drago, que pertencia ao rei da Clquida, Eetes.
Jaso decidiu aceitar o desafio, partindo imediatamente para a Clquida, que alcanou atravessando o mar Egeu e o Ponto-Euxino. Esta faanha foi conseguida graas 
 ajuda de um filho de Frixo, Argo, que, inspirado por Atena, lhe construiu um fabuloso navio com velas e remos, cujo nome imortalizar o seu: Argo, ou seja, o Rpido. 
A m.adeira foi retirada das florestas de Plion, com excepo da pea da proa, que foi talhada num bocado do carvalho sagrado de Dodona, dotado como ele de palavra 
e da dupla viso (o equivalente de um radar, capaz de detectar os escolhos).
A expedio dos Argonautas Como o navio Argo tinha sido concebido para ser conduzido por cinquenta remadores, Jaso fez anunciar atravs de toda a Grcia, o aviso 
da sua expedio, obtendo,>assim o concurso dos cinquenta mais valentes aventureiros da sua gerao. Entre eles podemos citar, para alm do prprio Jaso e de Argo, 
Etlido, filho de Hermes, arauto da expedio, os Dioscuros Castor e Plux e os seus primos, Idas e Linceu, Hracies e o seu favorito Hilas, o seu irmo ficles 
e o filho deste, o pequeno lolau, os filhos de aco, Peleu e Tiamon, Laertes, pai de Ulisses, Oileu, futuro pai de jax, Admeto, primo de Jaso e genro de Plias, 
Meleagro e Atalanta, a nica mulher admitida a bordo e Orfeu, o poeta-msico encarregado de marcar a cadncia dos remadores.  partida, o navio foi pilotado pelo 
becio Tifis que Atena tinha especialmente iniciado na arte de navegar em pleno mar. Vrios adivinhos fizeram parte da equipagem, mas o mais clebre foi Idmon (o 
Vidente), que previu a sua prpria morte. Todos profetizaram o fim feliz da aventura, a primeira expedio martima dos Gregos, anterior  guerra de Tria (sc. 
xiii a. C.).
Partindo da ilha Magnsia, o navio fez, sucessivamente, escala em Lemnos habitada somente por mulheres, que anteriormente tinham massacrado todos os homens; os Argonautas 
privaram com elas e quando partiram deixaram-nas grvidas - na Samotrcia, atravessando depois o Helesponto, para ancorar na ilha de Czico, onde receberam um caloroso 
acolhimento. Passado algum tempo deixaram a ilha, mas foram apanhados por uma tempestade que os atirou, de novo, sobre o territrio de Czico. Os habitantes, no 
imaginando que se tratava dos seus hspedes, mas antes de piratas, pegaram em armas. O confronto foi sangrento e o rei de Czico foi morto pelo prprio
187

Jaso
Jaso. De manh cedo, os combatentes dos dois lados aperceberam-se do engano e lamentaram-se, pedindo desculpas recprocas. Jaso organizou funerais solenes e jogos 
fnebres para o rei e ergueu uma esttua a Cbele, me dos deuses.
De Czico, o navio dirigiu-se para a costa da Msia. Hracies, que entretanto tinha partido o seu remo, aproveitou para ir talhar um outro remo na floresta.
O seu jovem amigo Hilas - filho do rei dos Dropes (que ele tinha matado h algum tempo) - por quem estava apaixonado, foi encarregado de ir buscar gua a uma fonte. 
Acontece que as ninfas, subjugadas pela beleza do jovem, o arrastaram para as guas, fazendo-o desaparecer. Hracles correu a ilha  sua procura. Mas os Argonautas, 
que desejavam destituir o seu "rei", foram convencidos (por interveno de Tlefo que era, sem saber, filho de Hracles) a levantar ncora, antes que o heri tivesse 
tomado o seu lugar a bordo.
A expedio parou, seguidamente, na Bitnia, onde o rei, o famoso gigante Amico, desafiou um dos campees gregos para o boxe. Plux apresentou-se e venceu-o. Aps 
este combate singular, os aventureiros dirigiram-se para o Bsforo, mas uma nova tempestade obrigou-os a fundear na Trcia, onde residia o adivinho Fineu, que estes 
decidiram consultar. Fineu prometeu
O pripio dos Argonautas
188

Jaso
ajud-los, caso eles o libertassem das Harpias, que o atormentavam sem cessar. Dois dos filhos de Boreu, que faziam parte da expedio, encarregaram-se de submeter 
as Harpias e Fineu, como recompensa, preveniu-os contra o perigo das rochas negras, umas rochas flutuantes que esmagavam os navios. Assim, quando os aventureiros 
alcanaram a zona onde estas rochas se encontravam, largaram um pombo, como Fineu lhes aconselhara. As rochas fecharam-se imediatamente sobre o pssaro, mas no 
conseguiram tirar-(he seno algumas plumas. O navio esperou que as rochas se afastassem de novo e ento passou, saindo ileso e salvo desta prova. As rochas negras 
perderam, entretanto, a sua propriedade de movimento. Os Argonautas penetraram no Ponto-Euxino e desembarcaram no pas dos Mariandinos. A pereceram dois dos seus: 
o adivinho ldmon, no decurso de uma caada e o piloto Tfis, de doena, sendo substitudo por Anceu, filho do rei da Arcdia, Licurgo, e primo de Atalanta.
Tomando o mar para norte, o navio alcanou o Cucaso e atracou na embocadura do rio Faso, no pas da Clquida, fim da expedio.
Entretanto em terra, Jaso dirigiu-se  corte de Eetes, dando-lhe conhecimento da misso imposta por Plias, mas o rei subordinou a sua resposta a uma nova srie 
de provas. Jaso deveria submeter, sozinho, dois touros seivagens com cascos de bronze, cujos narizes cuspiam fogo. Depois teria de lavrar um campo de um hectare 
com esta equipagem, tudo isto no mesmo dia. Entretanto, Eetes entregou-lhe um certo nmero de dentes do drago de Cadmo, que o heri tebano no tinha utilizado e 
que tinham sido confiados a Eetes, por Atena. Jaso deveria seme-los nos stios traados e s ento Eetes lhe entregaria o Veio de Ouro. Para ultrapassar estas 
novas provas, Jaso ir beneficiar da ajuda muito preciosa da prpria filha do rei, Medeia, que, como a sua lia Circe (irm de Eetes), praticava a magia. Esta apaixonara-se 
pelo heri, prometendo-lhe colocar os seus poderes ao seu servio se ele jurasse tom-la como esposa. Graas a este Apolo, Jaso cumpriu as provas impostas por Eetes, 
prevenindo-se contra os gigantes armados que nasceram dos dentes do drago. Como outrora fizera Cadmo, ele atirou uma pedra para o meio dos Gigantes, espalhando 
o pnico entre estes, que acabaram por se matar uns aos outros.
Mas quando Jaso se apresentou para receber o prmio de tantas provas, Eetes no s lho recusou como tentou matar os Argonautas e incendiar o seu navio. Jaso e 
Medeia decidiram, ento, agir sem perder tempo. A mgica
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Jaso
adormeceu o drago que guardava o Ve)o, e o heri apoderou-se do trofu. Depois juntaram-se aos seus companheiros e correram para o navio. Para retardar a perseguio 
inevitvel de Eetes, Medeia, que tinha raptado o seu jovem irmo, matou-o, cortou o seu corpo em bocados e dispersou-os ao longo da estrada, O rei perdeu tempo a 
reun-los e, assim, o navio Argo pde, sem obstculos, alcanar o mar alto (uma tradio refere mesmo a morte de Eetes, aos golpes de Meleagro).
A expedio dirigiu-se ento para Oeste, chegando  embocadura do Danbio. Mas o surgimento de uma tempestade furiosa ps o navio em perigo.  ento que a proa do 
Argo comea a falar: Zeus, revela ela, estava irritado com o crime de Medeia e a clera divina no teria fim, a no ser que a assassina e os seus companheiros conseguissem 
ser purificados por Circe. O navio tomou ento o curso do Erdano (o P) e do Rdano, descendo em direco ao Mediterrneo. Contornou, em seguida, a Crsega e a 
Sardenha, e chegou  pennsula italiana,  Campnia, onde ficava o reino de Circe. Esta aceitou purificar os culpados e a expedio prosseguiu o seu rumo.
O navio resistiu ainda  seduo das Sereias, graas a Orfeu, o cantor divino, cua voz se revelou mais sedutora do que a das jovens. Tendo evitado Carbds e Cila, 
o navio chegou finalmente a Corcira, o pas dos Feaces. Acontece que Eetes tinha enviado para este local um destacamento militar, a fim de prender Medeia. Assim, 
ao aportarem, o chefe da expedio solicitou a Aicnoo que lhe entregasse a jovem, mas este recusou, dizendo que ela casara entretanto com Jaso.
Aps este acontecimento, o navio regressou ao mar, mas uma nova tempestade desviou-o para sul, na direco da Lba. Ento, os seus ocupantes transportaram-no pelas 
costas at ao lago Tritono, onde receberam a ajuda do deus Trito, graas ao qual puderam alcanar de novo o alto mar.
Passado algum tempo vislumbraram Creta, onde se encontrava o gigante Talo, que matava todos os estrangeiros que desembarcavam. Mais uma vez Medeia interveio a favor 
dos Gregos, seduzindo o monstro com os seus encantos. Os Argonautas puderam assim ancorar na ilha, onde construram um santurio a Atena.
Aps algum tempo retomaram a viagem, mas subitamente foram envo)vidos por uma noite de breu. Jaso implorou ento a Apolo que, raiando o cu Com um trao de fogo, 
lhes mostrou uma ilha prxima, a ilha das Esprades, Onde eles fizeram escala, aproveitando para construir uma esttua ao deus do sol,
190

Jaso
A viagem prosseguiu em direco a Egina, passando depois pela ilha de Eubeia onde o navio costeou. Finalmente, os navegantes puderam rever o cu da sua ptria.
Seguimento das aventuras de Jaso
Fetz quem, como Ulisses, fez uma boa viagem Ou como aquele que conquistou o velo E depois regressou, cheio de experincia e de razo, para viver entro os seus familiares 
o resto da sua vida
A despeito das palavras de Du Bellay, as aventuras de Jaso no se passaram desta forma to serena. Na sua ausncia do reino, Plias levou son, pai de Jaso, ao 
suicdio'. A sua me morreu, entretanto, de dor. E quando Jaso chegou, trazendo o velo de ouro, o rei recusou ceder-lhe o seu trono.
Ento, Medeia, enquanto o seu marido se encontrava em Corinto para dar graas ao deus do mar e consagrar-lhe o seu navio, puniu o perjuro, conseguindo que ele morresse 
s mos das suas prprias filhas. Acasto, filho de Plas, apoderou-se do trono, organizando solenidades fnebres em honra de seu pai. Depois, proclamou a expulso 
de Medeia e de Jaso.
Medeia reencontrou Jaso em Corinto e os dois viveram felizes durante dez anos. Jaso foi convidado por Meleagro, a tomar parte, juntamente com todos os heris da 
poca, entre eles um certo nmero de Argonautas, na dramtica caada do Caldon.
Mas com o tempo, Jaso cansou-se de Medeia. I ncitado por Creontel, rei de Corinto, a desposar a sua filha Cresa, o heri acaba por repudiar a mgica, Ento, Medeia, 
depois de ter chamado os deuses a testemunhar esta traio, arquitectou a sua vingana. Para o efeito, enviou  sua rival um vestido de casamento que mal fosse vestido, 
incendiaria o corpo da jovem, lanando em seguida o fogo ao palcio e aos seus habitantes. Enquanto isto se passava na corte de Corinto, Medeia degolou os prprios 
filhos que tivera com Jaso. Depois deixou o pas e refugiou-se em Atenas, na corte do rei Egeu.
Pela sua parte, Jaso no conseguir nunca esquecer lolco, decidindo regressar ao reino de seu pai, na companhia de valorosos companheiros,
Ovdio, pelo contrio, relata que son fora rejuvenescido por Medeia. Homnimo do rei de Tebas, irmo de Jocasta.
191 

Juno
entre os quais se destacaro os Dioscuros e, igualmente, Peleu. A sua armada saqueou a cidade, Peleu matou Acasto e Jaso instalou-se, finalmente, no trono que pertencera 
a seu pai. Tessalo, o nico dos seus filhos que escapara ao massacre de Medeia, dar o seu nome  Tesslia.
Juno
A deusa Juno, divindade itlica da luz, era particularmente adorada pelas mulheres, que invocavam, cada uma delas, a sua prpria "luz" (princpio feminino).
A cada um dos atributos da deusa correspondia um adjectivo. Assim, Juno Lucina, representada com uma criana nos braos, presidia aos partos. Juno Monetal era a 
conselheira das famlias e de todo o povo (recordemos que foram os gansos sagrados de Juno que alertaram para a irrupo dos Gauleses, sob os muros do Capitlio). 
Juno Sospita, armada com a lana e o escudo,  a protectora das cidades (de Cartago, por exemplo - de que Eneu ser vtima - assim como de Roma). Juno Regina, irm 
e esposa de Jpiter, usando o ceptro e a ptera ritual constituiu, na companhia de seu marido e de Minerva, a trade divina venerada tanto em Roma como em todo o 
Imprio no maior templo do Capitlio.
O ms de Junho era consagrado a Juno. Os Romanos, pouco dotados para imaginar aventuras romnticas para os seus deuses, identificaram Juno com a deusa grega Hera.
Juno foi, sem dvida, uma das divindades preferidas pelos pintores. Entre as suas representaes mais clebres citemos: Juno despejando os seus tesouros sobre Veneza, 
de Veronese (Bruxelas), Juno e ris, de Natoire (Louvre), Jpter e Juno de A. Coypel (Rennes), lxon trado por Juno de Rubens (Louvre), Juno criando a Via lctea, 
de
1 A palavra moeda deriva do facto de o atelier de cunhar moedas, dos romanos, estar instalado nas dependncias do santurio.
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Jpiter
Rubens (Madrid) ou de Tintoreto (Londres) e A Clera de Juno, de Jordaens (Besanon).
Jpiter
Jpiter representa para os Romanos aquilo que Zeus representara para os Gregos. A raiz dos dois nomes , alis, idntica, evocando a luz celeste: Jpiter  Zeus 
Pater (aproximado, igualmente, do Dyaus Pitar dos Hindus). A identificao entre os dois deuses, feita sem dvida por intermdio dos Etruscos,  visvel nos atributos 
e nas lendas.
Jpiter  adorado sob diversos nomes, muito embora prevalecesse aquele que se referia, particularmente, ao deus todo-poderoso que dominava a trade capitolina (Jpiter-Juno, 
a sua mulher-Minerva, a sua filha), o de Optimus Maximus, epteto que ser retomado pelo Deus dos Cristos.
A quinta-feira  o dia consagrado a Jpiter (Jovis dies).
A representao de Jpiter (Zeus) cobre toda a histria da arte. Para alm das numerosas pinturas e vasos, salientamos as esttuas majestosas dos museus do Vaticano, 
do Louvre, de Npoles, o Jpiterbrandndo o raio do Vaticano, do Capitlio, do Louvre, de Npoles, de Dresden.... e as mltiplas obras inspiradas nos pintores de 
cavalete, mostrando Jpiter (Zeus) em todos os detalhes da sua vida: as suas aventuras, os seus amores, o seu nascimento (Julles Romain, em Londres), a sua infncia 
(vd. artigo Amalteia), fuiminando os Gigantes (J. Romain em Mntua), os seus vcios (Veronese, no Louvre), Jpiter e Juno (A. Carrache, Roma, galeria Farnse), Jpter 
e Ttis (Ingres, Aix-en-Provence), Jpiter e Mercrio junto de Filmon e Bucis (cf. artigo de Filrnon), as aventuras com Antope, Dnae, Europa, lo, Leda (cf. 
artigos respectivos), Jpiter dando a Veneza o Imprio do mundo (Tintoreto, palcio dos Doges), Um ballet de Jacques Ibert intitulado Os amores de Jpiter (1946) 
evoca quatro das suas metamorfoses, segundo Ovdio, com Europa, Leda, Dnae e Ganimedes.
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Upitas
Os Lpitas foram um povo da Tesslia que teve como antepassado o deus-rio Peneu. A filha deste, seduzida por Apolo, irdariuz urrifilho, Lpitas, fundador desta 
nova raa.
O povo lpita figura num certo nmero de lendas, muito embora possamos destacar o episdio, muitas vezes representado, que apresenta os Lpitas em oposio aos Centauros. 
O heri Pirtoo convidou para a sua boda os seus meio-irmos, os Centauros. Acontece que estes, tendo bebido mais do que a conta, tentaram violar as mulheres presentes 
e, sobretudo, a noiva. Como consequncia deste acto, os Lpitas e os Centauros envolveram-se numa luta sangrenta que se saldou pela vitria dos Lpitas e pela expulso 
dos Centauros da Tesslia.
Lares
O nome lares, derivado do etrusco - onde designa o chefe ou o prncipe -  atribudo, entre os Romanos, s antigas divindades que guardavam os recintos. Ovdio apresenta-os 
como os filhos de Mercrio, mas no lhes  dedicada nenhuma mitologia particular.
Cada casa honra o seu prprio Lar familiar, smbolo da habitao, com flores e sacrifcios, Lares constitui juntamente com os dois Penates uma trilogia de deuses 
domsticos subordinados a Vesta. Cada instituio pblica venera igualmente o seu lar protector (cidade, exrcito, marinha...
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Larvas
Os Lares so representados, sobretudo nos santurios domsticos, com o aspecto de adolescentes com cabelos encaracolados, cobertos com uma tnica e coturnos, transportando 
nas suas mos um rito (ou um corno da abundncia) e uma ptera.
larvas
No que concerne s almas dos mortos, temveis na Antiguidade, os Romanos opunham os Manes que so, em princpio, espritos benfeitores (o adjectivo arcaico manus 
significa bom), s larvas, almas vingativas dos seres desaparecidos por morte violenta.
Rmulo institura, no passado, a festa dos Remuria, para apaziguar a alma de seu irmo Remo, assassinado. Mas a palavra transformou-se, por alterao do R inicial 
em L e os espritos atormentadores dos vivos passaram a ser, igualmente, nomeados lmures (confundindo-se larvasArnures).
Para alcanar a simpatia dos mortos e conjurar os malefcios que eles poderiam provocar, praticavam-se cerimnias e ritos complicados.
Leda
Leda era uma princesa, filha do rei da Etlia, Tstio (que por sua vez era filho de Ares).
Quando o prncipe espartano Tndaro foi expulso do seu reino pelo seu meio-irmo Hipocoonte, que queria governar sozinho, refugiou-se em Clidon, junto de Tstio. 
Este ofereceu-lhe Leda em casamento.
Entretanto, Hracles, no podendo suportar a violncia de Hipocoonte e dos seus doze filhos, declarou-lhes guerra e venceu-os. Depois, reconduziu Tndaro, acompanhado 
de Leda, no trono de Esparta.
O casal ter, entretanto, duas filhas, Timandra e Filono. Mas entre os dois nascimentos houve um episdio que veio alterar, para sempre, a vida do casal.
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Leda
Tndaro, quando oferecia certo dia um sacrifcio aos deuses do Olimpo, esqueceu-se de Afrodite. A deusa do amor, ofendida, resolveu vingar-se com as suas prprias 
armas, primeiro sobre a esposa de Tndaro e depois sobre a sua descendncia.
E, assim, quando um dia Leda se banhava no Eurotas, viu aproximar-se um cisne que fugia de uma guia. A guia era Afrodite e o cisne era Zeus que a deusa enviara 
junto de Leda e que, sob este disfarce, no suscitara nenhuma desconfiana. Leda acolheu o cisne nos seus braos e ele cobriu-a de carcias.
No decurso da noite que se seguiu, a rainha deitou-se com seu marido e fizeram amor. As crianas que nasceram desta dupla gravidez manifestaram-se sob uma aparncia 
singular. Leda chocou dois ovos que continham, cada um deles, dois ocupantes de sexos diferentes: um, Plux e Helena (filhos de Zeus), o outro, Castor e Clitemnestra 
(filhos de Tndaro).
Certos autores propem uma outra repartio no interior dos ovos, avanando que Castor e Plux estavam reunidos no mesmo ovo. Qualquer que seja a soluo, os gmeos 
receberam o nome de Dioscuros, derivado de duas palavras gregas que significam: os filhos de Zeus. Afrodite, fiei ao seu ressentimento, transformou-os, quer a um, 
quer a outro, em seres perfeitamente enlouquecidos pela chama do amor.
Quanto a Helena e Cliternnestra, estas iro ser, por sua vez, as principais vtimas da vingativa deusa, arrastando no s a sua famlia mas tambm os seus prximos 
e o conjunto do mundo grego, para os dramas mais sangrentos.
A aventura de Leda com o cisne  uma das histrias mais frequentemente citadas desde a Antiguidade. Ela deu origem a muitas representaes figuradas: Leonardo da 
Vinci (conhecido pelas cpias, pois o original perdeu-se), Le Corrge (Berlim), Tintoreto (Florena), Veronese (Dijon), Largiliire (Madrid), Boucher (Estocolmo); 
esttuas de Falconet (Louvre) e de Mailloi (1900).
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Leto
Leto
Leto (cujo nome "romano"  Latona)  filha dos Tits Cu e Febe. Segundo as tradies mais antigas, ela teria sido a primeira esposa de Zeus, anterior, portanto, 
 unio deste com Hera. Esta  a verso apresentada pela Ilada (onde a vemos, sem dvida devido  origem asitica que alguns lhe atribuem, tomar o partido dos Troianos). 
Hesodo seguiu a mesma tradio, transformando Leto, que ele descreve como uma jovem coberta com um vu lgubre, numa divindade da noite.
S mais tarde  que Leto foi considerada como uma das amantes de Zeus, expulsa e exposta, devido ao ressentimento de Hera.
Esta ltima verso, mais rica em peripcias do que a precedente, apresenta-nos Leto, grvida de Zeus, procurando um lugar para se esconder. Mas Hera persegue-a atravs 
da tica, da Eubeia, da Trcia e das ilhas. E Leto no consegue hospitalidade em nenhum lugar. Exausta, recorda-se da sua irm Astria, a qual tambm tinha sofrido, 
entretanto, os ataques amorosos de Zeus. No entanto, esta fora menos acolhedora que Leto aos ardores divinos, preferindo precipitar-se nas ondas a entregar-se a 
Zeus. Consequentemente, fora transformada numa ilha, a ilha de Ortgia. Leto pediu, ento, asilo a sua irm e esta acolheu-a. Mas Hera lanou ainda o drago Pton 
em sua perseguio. No entanto, este no conseguiu descobrir o seu esconderijo e acabou por renunciar  incumbncia de Hera.
Recordemos tambm que, como Hera profetizara que Leto no poderia descansar em nenhum lugar sobre o qual brilhasse o sol, Posdon teria erguido o mar em forma de 
abbada, por cima da ilha, colocando-a assim ao abrigo dos raios interditos.
Quando chegou a hora do parto, todos os imortais deixaram o Olimpo para se dirigir  Ortgia-e assistir Leto... com excepo de Hera, que conseguiu reter, igualmente, 
a sua filha Ilitia, a deusa protectora dos partos. Durante-nove dias e nove noites Leto sofreu dores terrveis, sem que o parto se realizasse. Ento, ris, a mensageira, 
enviada pelas deusas, conseguiu levar llitia consigo, afim de assistir ao parto. Finalmente, Leto, conta o Hino homrico a Apolo, "rodeou com os seus braos uma 
palmeira, comprimiu com os seus joelhos a aroeira do prado; a terra por baixo dela sorriu" e duas crianas nasceram: rtemis e, depois, Apolo. A ilha de Ortgia 
at a flutuante e estril, foi fixada ao fundo do mar por quatro colunas e tomou o nome de Delos, que significa "A Aparente".
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Licon
Mas Hera no deixar nunca de perseguir Leto com o seu furor. Deste modo, a jovem  obrigada a vaguear de pas em pas. Certo dia, quando se encontrava na sia Menor 
junto a um lago, morrendo de sede e impedida de beber pelos pastores que, por ordem de Hera, tinham turvado a gua, Leto viu-se obrigada a transformar os seus atormentadores 
em animais e estes foram, assim, as primeiras rs.
Entretento, Hera suscitar a paixo ardente do gigante Tcio (que alguns autores apresentam como filho de Zeus e de Elara, princesa da Orcornnia) contra a sua inimiga. 
Este tentou raptar Leto, mas Apolo, secundado por rtemis, ir em socorro de sua me, matando o agressor. Uma outra verso do episdio, afirma que foi o prprio 
Zeus que fuiminou Tcio e o enviou para os Infernos, a fim de purificar-se, pela eternidade, da sua malvadez.
Rubens, Leto metamorfoseando os pastores em rs (Madrid, Museu do Prado).
Lbero @                             ;&mm,,'                  =ia-cr
Lbero  uma antiga divindade itlica que personificava a fertilidade dos campos e a fecundidade dos animais. O seu smbolo  o falo. No dia da sua festa, no ms 
de Maro, os adolescentes com dezassete anos cumpridos empossam, finalmente, a toga viril.
Muito cedo, Lbero foi confundido com o deus grego Dioniso, tornando-se o deus protector dos vinhateiros.
Licon                       m. vt.                              ;,,,
Licon, filho de Pelasgo, fundador do povo mtico com o seu nome, foi rei da Arcdia. Conhecido, segundo uns pela sua piedade, segundo outros pela sua crueldade, 
Licon ousava oferecer aos deuses sacrifcios humanos, aos quais sujeitava o seu povo.
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Licon
Zeus, cujo culto Licon tinha fundado sobre o monte Liceu, resolveu um dia fazer-lhe uma visita. Licon convidou-o, ento, para um festim e teve a insolncia de 
lhe servir a carne de um recm-nascido, misturada com os alimentos. Revoltado com a abominvel audcia, Zeus transformou Licon em lobo (em grego: Iycos; recordao, 
segundo se pensa, de um antigo totm).
Licon , por vezes, considerado como o pai de Calisto que, grvida de Zeus, deu  luz rcade e foi transformada em ursa. Certos autores afirmam que foi o prprio 
rcade que Licon teria matado e servido no banquete, acrescentando ainda que logo que o crime foi punido, Zeus teria restitudo, imediatamente, o seu filho  vida.
Licon teve, igualmente, cinquenta filhos, resultado de um grande nmero de unies, cuja reputao de crueldade igualou bem a de seu pai. Ento, Zeus resolveu p-los, 
tambm,  prova. Para isso, apresentou-se, incgnito, no palcio, sob disfarce de um pedinte e suplicou "em nome dos deuses" que lhe dessem de comer. Os jovens instalaram-no 
 sua mesa e divertiram-se, como outrora fizera seu pai, a servir ao seu hspede, "ern nome dos deuses", os membros de uma criana que eles tinham acabado de degolar 
para o efeito.
Zeus, na sua qualidade de deus da hospitalidade, indignou-se uma vez mais com estas prticas, fulminando os filhos de Licon (com excepo de Nctimo, salvo por 
interveno de Geia). Segundo certa tradio, foi a partir deste momento que Zeus, ferido pelo comportamento dos mortais, resolveu enviar o terrvel dilvio sobre 
o gnero humano, a fim de assegurar a sua destruio.
200

Marte
Marte - o seu nome  conotado com a raiz mar, que evoca a fora geradora - foi, inicialmente, para os Romanos, um deus agrrio. Ele era especialmente adorado na 
Primavera (no ms de Maro) e muito particularmente pela juventude.
Os seus atributos guerreiros s vieram mais tarde e acabaram por suplantar os anteriores, que foram transferidos para Libero. Marte  o deus dos exrcitos (que manobram 
no campo de Marte,  volta das muralhas de Roma), travando batalhas ao lado dos seus fiis, geralmente escoltado pela deusa Belona (sua irm, sua esposa ou sua filha?).
O seu culto teve, em Roma, uma importncia comparvel ao culto de Jpiter. Com efeito, o Romano, campons e soldado, reconhecia em Marte o seu protector imediato. 
Alm disso, Marte era associado  histria de Roma, nas suas origens: apaixonado pela vestal Reia Slvia, ele visitara-a no bosque sagrado onde seu tio, o rei de 
Alba, a tinha aprisionado. Deste encontro amoroso nasceram Rmulo e Remo, os dois gmeos que teriam sido alimentados por uma loba, animal consagrado a Marte.
Filho de Juno (Ovdio conta que a deusa o concebeu no como resultado dos seus amores com Jpiter, mas atravs de uma flor fecundante), Marte foi rapidamente identificado, 
pela lenda, ao deus grego da guerra, Ares.
O dia de Marte (Marts dies)  a tera-feira.
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Medeia
Medeia
Medeia, filha de Eetes, rei da Clquida , tal como a sua tia Circe, clebre em toda a Antiguidade pelos seus dons de mgica. Ela manifestou-os ao longo de uma vida 
cheia de aventuras, que comeou exactamente quando Medeia se apaixonou, perdidamente, por Jaso, o heri da Tesslia que, comandando o navio Argo, veio  conquista 
do Velo de Ouro.
Foi ela que lhe permitiu cumprir todas as provas que o rei Eetes lhe impusera. No decurso de um dia, submeter dois touros fogosos, presentes de Hefesto, cujos cornos 
eram de bronze e o sopro de fogo, lavrar com esta atrelagem um hectare de terra virgem e, por fim, sair vitorioso de um combate com guerreiros gigantes, nascidos 
da Terra, "fabricados" de propsito para vencer o heri e os seus companheiros.
Eetes, apesar deste resultado, recusou cumprir a sua promessa e, ento, Medeia adormeceu o drago que guardava o Velo, permitindo deste modo a Jaso que se apoderasse 
do precioso objecto. Aps o cumprimento da misso, os Argonautas regressaram ao mar. Mas Medeia, a fim de impedir Eetes de perseguir os fugitivos, despedaou o corpo 
do seu jovem irmo, espalhando os bocados sobre o caminho. Irritado com este crime, Zeus obrigou a expedio a purificar-se s mos de Circe, irm de Eetes.
No regresso, os poderes de Medeia foram uma vez mais colocados  disposio do heri e da sua expedio. Isto aconteceu ao largo de Creta. O gigante Talo, espcie 
de autmato fabricado por Dcialo para proteger a ilha, lapidou o navio contra as rochas. Medeia conseguiu, ento, desnortear o autmato com miragens, a ponto de 
ele prprio se atirar contra as rochas, abrindo acidentalmente a artria que retinha o seu sangue e a sua vida.
De regresso a lolco, com o Velo de Ouro, Jaso no conseguiu obter o cumprimento das promessas do rei Plias. Ento Medeia preparou o seu castigo. Props s filhas 
do perjuro que rej  .uvenescessem o seu pai. Para isso, teriam de decep-lo e de atirar o seu corpo a uma caldeira de gua a ferver, com ervas mgicas. Estas aceitaram 
a sugesto e cumpriram o ritual, que no teve, no entanto, o efeito desejado.
Como consequncia, Acasto, filho de Plias, que lhe sucedeu no trono, baniu Medeia e Jaso do seu reino. Estes refugiaram-se, ento, em Corinto, que era o pas de 
origem de Eetes, onde viveram dez anos calmos e felizes.
Mas Jaso deixou-se seduzir pela filha do rei de Corinto, Cresa, e aban-
202

Meleagro
donou a sua esposa. Medeia, furiosa, fabricou um vestido de noiva para a sua rival e, quando esta o vestiu, incendiou no s o seu corpo, mas tudo o que a rodeava, 
inclusive o palcio de seu pai. Depois, Medeia estrangulou os prprios filhos, fruto da sua unio com Jaso.
Expulsa de Corinto, a mgica exilou-se em Atenas, na corte do rei Egeu que, mais tarde, a desposou. Dessa unio nasceu um filho, Medos. Mas como Medeia procurou 
desembaraar-se de Teseu, acabou por ser, tambm, expulsa de Atenas, partindo para a sia (onde Medos fundar o povo medo). Da regressar, um dia,  CIquida, a 
fim de punir o seu tio Perses que se tinha apoderado do poder e (segundo as tradies que apresentam Eetes ainda vivo, nesta altura) colocar de novo no trono o seu 
velho pai.
 sua morte Medeia foi transportada para a ilha dos Bem-aventurados e, para certos autores, tornou-se na companheira de Aquiles, no alm.
A personagem da mgica Medeia, a traio de Jaso, o assassinato dos seus filhos constituem um tema tpico da tragdia. Eurpides, nio, Atio, Ovdio (obras perdidas) 
e Sneca exploraram-no, na Antiguidade. Medeia foi, igualmente, a primeira das heronas de Comeille (1635).  ela que responde arrogantemente, com uma nica palavra, 
 dolorosa pergunta:
Numa to grande desgraa, que vos resta? _  Eu. Ela  tambm a herona - errante com Jaso - de uma pea de Anouilh (1953). A lenda de Medeia  o tema da tragdia 
lrica de M.-A. Charpentier (1693) e das peras de Cherubini (1797) e D. Milhaud (1939). Um quadro de Delacroix ffille) representa Medeia furiosa.
Meleagro                                                                         @nz'
Meleagro  filho de Eneu, rei dos Etlios (ou do deus Ares) e da rainha Alteia, irm de Leda.  um dos Argonautas, que partiu com Jaso  conquista do Velo de Ouro, 
e teria sido o responsvel pela morte do rei da Clquida, Eetes.
203

Meleagro
Ao regressar  ptria, Meleagro encontra o pas numa situao deplorvel. Tudo isto porque Eneu, seu pai, se tinha esquecido de sacrificar a riemis, e a deusa, 
ofendida, enviara um javali monstruoso sobre a regio de Clidon, para devastar toda a zona. Meleagro decidiu, ento, expulsar o animal e, para isso, reuniu os mais 
valentes caadores da Etlia.
Segundo Homero, no fim do combate que Meleagro venceu, gerou-se uma querela entre os diferentes caadores por causa da sua origem curete ou etlia (os Etlios tinham 
suplantado os Curetes, anteriormente). Na confuso geral, que degenerou numa verdadeira batalha sangrenta, Meleagro matou os irmos de sua me. Esta, enfurecida, 
enviou sobre ele a clera de todos os deuses infernais. Ento, Meleagro, para tentar conjurara maldio, retirou-se do combate.
Aps este momento, os Etlios, que ele comandava, comearam a ceder perante os Curetes, que os perseguiram at cercar Clidon. Entretanto, os sacerdotes da cidade, 
o rei e a prpria rainha recuaram face  sua maldio e, assim, as irms e os amigos de Meleagro vieram suplicar-lhe que voltasse ao combate, comandando os Etlios, 
a fim de salvar a sua ptria. Mas o heri mostrou-se inabalvel. E passado algum tempo, quando os invasores comearam a incendiar a cidade, a sua prpria mulher 
veio ajoelhar-se a seus ps, suplicando-lhe que voltasse a comandar os Etlios. Finalmente convencido, Meleagro regressou ao campo de batalha, alterando rapidamente 
o jogo de foras.
 desta forma que Fnix, na Ilada, recorda a Aquiles este episdio da vida de Meleagro, a fim de o convencer a retomar, tambm, o seu lugar de combate junto dos 
Gregos. Mais tarde, a lenda foi contada diferentemente.
Quando Meleagro resolveu ir caar o javali de Clidon, apelou a todos os heris gregos, particularmente aos seus antigos companheiros Argonautas: Jaso, Castor e 
Plux (primos de Meleagro), Idas e Linceu, Teseu e Pirtoo, ficies, geleu e Tiamon, os quatro irmos de Alteia e - o que no foi muito apreciado por estes - a 
caadora Atalanta, por quem Meleagro estava apaixonado.
No fim de uma dramtica caada (em que o monstro comeou por colocar fora de combate dois dos caadores e onde Peleu matou acidentalmente o seu sogro), Atalanta 
foi a primeira a atingir o monstro. Meleagro resolveu, ento, oferecer os despojos do animal  jovem caadora. Mas os seus tios no puderam suportar esta homenagem 
rendida a uma mulher e reivindica-
204

Melicertes
ram o saque. Meleagro reagiu, acabando por matar os quatro ofensores de Atalanta. Deparamos, finalmente, com o enredo da narrativa da Xada, muito embora a concluso 
seja diferente.
Quando Meleagro nascera, as Moiras informaram sua me, Alteia, de que o seu filho s se manteria vivo enquanto o tio que ardia no trio no fosse reduzido a cinzas. 
Ento, Alteia apressou-se a apag-lo, escondendo-o num cofre.
Mais tarde, ao ter conhecimento da morte dos seus irmos, Alteia, enlouquecida pela dor, retirou o famoso objecto do cofre e precipitou-o nas chamas. Quando este 
ardeu completamente, o heri deu o seu ltimo suspiro. Mas quando Alteia regressou  realidade e viu as consequncias do seu acto, no podendo suportar a dor, acabou 
por enforcar-se.
A vida de Meleagro inspirou uma srie de quadros ao pintor francs Le Brun (Museu do Louvre).
Melicortes
Dioniso, depois da morte de sua me, Srnele (a amante de Zeus que Hera castigou), foi recolhido por Ino, irm de sua me e pelo marido desta, tamas, rei da Becia.
Mas Hera, furiosa com a ajuda do casal real a um "bastardo" do seu infiel marido, resolveu enlouquecer os seus espritos. E assim tamas enforcou um dos seus prprios 
filhos e Ino precipitou-se no mar, com o outro, que era Melicertes.
Acontece que o corpo do jovem foi recolhido por um golfinho, que o transportou at  costa de Corinto, cujo rei, Ssifo, impressionado pelo prodgio, decidiu mandar 
construir um tmulo, na costa, a fim de venerar Melicertes como um deus do mar, elegendo-o tambm como o protector dos Jogos stmicos, com o nome de Palmon (O Lutador).
Mais tarde, os Romanos apelidaram-no de Portuno, o deus dos portos, erigindo-lhe um templo (redondo) em Roma, no muito longe do porto. Nas
205

Mmnon
proximidades elevava-se o templo de Mater Matuta, nome dado pelos Romanos  deusa grega Leuctea, que no era seno Ino divinizada.
Ares + Afrodite
Harmonia'     +     Cadmo
Nfele(l)   +   tamas    +     Ino(2)
Srnele
1 Dioniso
Frixo     Hele     Melicertes
Folidoro
1 Lbdaco
1 Laio
1 dipo
1 Harmonia  filha de Ares e Afrodite, segundo a verso tebana da lenda.
Mmnon
Mrrinon  um dos dois filhos de Eos, a Aurora, e do Troiano Titono, irmo do rei Pramo. Atribui-se-lhe, geralmente, como ptria a Sria, o Iro ou o Egipto.
A sua infncia desenrolou-se na frica Ocidental, onde foi educado pelas Hesprides - as ninfas do poente. Mais tarde, reinou sobre a Etipia.
Mrrinon participou na guerra de Tria e, tal como Heitor, combateu contra o grande jax, sem que nenhum dos dois combatentes levasse a melhor sobre o outro.
Certo dia, depois de ter desafiado o velho Nestor, viu-se obrigado a lutar contra o seu filho Antloco, que acorreu em seu socorro, e matou-o. Aquiles, amigo de 
Antloco, interveio prontamente, provocando Mrrinon. Mas as duas deusas Ttis e Eos, mes do heri, solicitaram a proteco de Zeus
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Midas
para o seu filho (cf. o quadro de Ingres: Ttis implorando a Jpiter). Ento, o rei dos deuses colocou o destino dos dois homens na balana e como o prato de Mrnnon 
descaiu em direco aos Infernos, Zeus concedeu a vitria a Aquiles.
Entretanto Eos conseguir - como j tinha obtido para o seu marido Titono - convencer Zeus a conceder a imortalidade a Mrnnon. Assim, recolheu o seu corpo e reconduziu-o 
 Etipia, a fim de o sepultar. As lgrimas que Eos verteu depois da morte de seu filho so as gotas de orvalho que caem cada manh sobre a terra.
A tradio que apresenta Mrnnon como originrio do Egipto identifica o heri, sob o nome de colosso de Mrnnon, com uma das duas esttuas do fara Amenfis III, 
erigidas em Tebas. E, como resposta  carcia diria da Aurora (esegundoas palavras que Molirefaz pronunciara Thomas Diafoirus na obra O doente imaginrio), esta 
esttua "ernitia um som harmonioso quando o Sol, ao nascer, lhe tocava com os seus primeiros raios". Uma restaurao, feita posteriormente, ps fim a este fenmeno.
Midas @w,
Midas, rei da Frgia, era filho do rei Grdias e da deusa Cbele. Certo dia em que os camponeses lhe trouxeram, aprisionado, um bbado encontrado na montanha, Midas, 
que tinha sido iniciado nos mistrios dionisacos, reconheceu no prisioneiro, Sileno, marido da ama de leite de Dioniso. Assim, libertou-o imediatamente, e reconduziu-o, 
em cortejo, junto do deus.
Dioniso, para recompensar Midas, prometeu conceder-lhe o voto que ele formulasse. O rei expressou, ento, que desejava ver transformar-se em ouro tudo aquilo em 
que tocasse com as suas mos. Acontece que, passado pouco tempo, Midas comeou a definhar, pois no podia alimentar-se j que todos os alimentos e bebidas em que 
tocava se transformavam no desejado metal. Ento suplicou, de novo, ao deus que lhe retirasse este poder funesto. Dioniso aceitou, banhou Midas no Pactolo, e as 
guas deste rio arrastaram consigo as pepitas de ouro que cobriam o jovem rei.
Um outro dia, quando Midas passeava na montanha, surpreendeu a querela que opunha Apolo ao stiro Mrsias: qual dos dois criava a mais bela
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Minos
msica, Apolo na sua lira ou Mrsias na flauta dupla que ele prprio tinha inventado? Midas foi designado para fazer parte de um jri (ele passou por ter fabricado 
a primeira flauta de P), sendo o nico que concedeu a vitria a Mrsias. Apolo, para castigar o vencido, suspendeu-o numa rvore e esfolou-o vivo; quanto a Midas, 
fez-lhe nascer um par de orelhas de burro.
O rei tentou dissimular, to bem quanto possvel, a sua ridcula deformidade, ameaando de morte o seu barbeiro se ele ousasse revelar o segredo. Este, impedido 
de falar e no aguentando mais a situao, abriu um buraco na terra e gritou l para dentro a terrvel confidncia. E foi assim que o canavial que nasceu nesse lugar 
passou a murmurar que o rei Midas tinha orelhas de burro.
Minos
Minos, tal como os seus irmos Sarpcion e Radamante, nasceu em Creta onde o rei dos deuses, transformado na circunstncia em touro, tinha conduzido Europa, depois 
de a ter raptado.
As crianas foram educadas pelo rei Astrion, com quem entretanto Europa casara.  sua morte, Minos reinvindicou o trono e, para provar aos seus irmos que os deuses 
lho tinham destinado, anunciou que como resposta a uma orao sua, Posdon faria aparecer um touro directamente do mar. Acrescentou ainda que lhe restituiria o animal 
em sacrifcio.
O touro de Creta
O deus do mar confirmou os propsitos de Minos, enviando um touro de uma maravilhosa pelagem branca. Assim Minos foi reconhecido como digno do poder. Com efeito, 
o novo rei trouxe a Creta uma era de justia e prosperidade (o seu nome foi, depois dele, conferido como ttulo dinstico aos soberanos de Creta). Dizia-se que as 
leis que ele criava para o seu povo, lhe eram inspiradas pelo prprio Zeus, que no tinha esquecido a sua infncia nas cavernas de Ida.
Infelizmente, Minos considerou o touro de Posdon to belo que, negligenciando a sua promessa, o fechou nos seus estbulos para o tornar um reprodutor.
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Minos
A primeira vingana do deus foi inspirar  mulher de Minos, Pasfae, uma paixo insensata pelo animal. E desta paixo nasceu um monstro, corpo de homem e cabea 
de touro, o Minotauro. Para esconder a "desonra" da famlia, Minos mandou construir um palcio, ao engenheiro Dcialo, que residia ento em Creta, de onde era impossvel 
sair depois de ter entrado: o Labirinto (= palcio do machado de dois gumes, smbolo cretense).
Mas a clera de Posdon no se apaziguou e ele enlouqueceu o touro. O pas viveu ento no terror at que Hracies recebeu a ordem - este foi um dos seus "trabalhos" 
- de subjugar o animal. O heri cumpriu a sua misso, transportando o touro, no seu dorso, at  Arglida.
Da sua esposa, filha do Sol, Minos teve oito filhos, entre eles Andrgeo que ns encontraremos confrontado com o famoso touro branco Ariadne, que ajudou na eliminao 
do Minotauro, e Fedra.
Minos ser, igualmente, o heri de mltiplas unies ilegtimas, a ponto de sofrer os feitios de sua esposa ultrajada (dotada do dom de feitiaria como a sua irm 
Circe). Assim todas as mulheres que se abandonaram a Minos foram sufocadas por serpentes que brotavam do seu corpo depois de excitado. O rei foi finalmente libertado 
desta feitiaria por Prcris que, fugindo de seu marido Cfalo, encontrou refgio junto do rei de Creta.
Entretanto falar-se-, de novo, do famoso touro de Posdon, desta vez na tica onde, tendo reconquistado a liberdade, devastava a plancie de Maratona. Nesta poca, 
o rei de Atenas, Egeu, tinha organizado os jogos atlticos, por ocasio da festa das Panateneias. O filho de Minos, Andrgeo, veio participar nestes jogos, ganhando 
todos os concursos. Egeu teve ento a ideia de envi-lo para combater o touro sagrado, seguro de que ele no voltaria vivo.
A guerra contra Atenas Quando Minos soube como o seu filho tinha sido enviado para a morte, resolveu vingar-se. Preparou um navio, passou o istmo de Corinto e sitiou 
a cidade de Mgara, graas  cumplicidade de Cila, filha do rei Niso, que era irm de Egeu. Com efeito, a jovem princesa apaixonara-se por Minos, de uma forma arrebatadora, 
mal pousara sobre ele os seus olhos e prometeu garantir-lhe a vitria se ele a levasse consigo de regresso. Minos prometeu e Cila, que sabia que a fora de seu pai 
residia num "cabelo de ouro", no hesitou em cort-lo. Assim Minos entrou em Mgara, raptou Cila, mas para a punir do seu acto, prendeu-a  proa do seu navio at 
que os deuses, piedosos, a transformaram em gara.
209

Minos
Mas o cerco de Atenas no produziu um resultado imediato. Ento Minos apelou a Zeus, seu pai, que enviou dois flagelos, a peste e a fome, sobre a cidade. Agindo 
de acordo com um antigo orculo, os Atenienses aceitaram sacrificar quatro filhas de um espartano chamado Jacinto, mas os flagelos continuaram. Perante a situao 
desesperada, os Atenienses pediram, finalmente, a Minos que indicasse as suas condies.
Este exigiu, para levantar o cerco, que, periodicamente, a cidade de Atenas enviasse a Creta um tributo de rapazes e raparigas, destinadas ao alimento do Minotauro. 
As condies foram aceites e cumpridas at ao dia em que o filho do rei Egeu, Teseu, foi escolhido para fazer parte do contingente de sacrificados e (justa recompensa), 
graas  cumplicidade de Ariadne, filha de Minos, conseguiu matar o Minotauro, libertando Atenas da sujeio.
Minos e Maio Mas a astcia de Ariadne - desenrolar um fio no interior do Labirinto foi-lhe sugerida por DcIalo. Minos, ofendido por esta traio, aprisionou o seu 
genial arquitecto no Labirinto, na companhia de seu filho, caro, nascido de uma serva do palcio.
Dcialo concebeu, ento, e fabricou para si prprio e para o seu filho dois pares de asas, que lhes permitiram evadir-se pelos ares. caro, quando se viu a voar 
no cu, negligenciando os conselhos de seu pai, quis subir mais alto. Mas o Sol derreteu a cera que fixava as asas aos seus ombros e ele caiu sobre o mar, ao largo 
da ilha de Samos.
DcIalo, pela sua parte, chegou sem problemas a Itlia, dirigindo-se  Siclia,  corte do rei Ccalo, a quem pediu asilo.
Mas Minos no aceitou esta nova humilhao. Decidiu mandar procurar Dcialo em todos os pases. E para o desmascarar props uma grande recompensa a quem conseguisse 
fazer passar um fio nas circunvolues de uma casca de caracol. O rei Ccalo, tendo sido solicitado por sua vez, caiu na esparrela: pediu a ajuda de DcIalo, que 
prendeu o fio a uma formiga, que cumpriu o trabalho. Minos teve, ento, desde logo a convico de que DcIalo se escondia na corte do rei. Ccalo prometeu ajud-lo, 
mas por instigao do seu precioso hspede (que tinha instalado a casa de banho do palcio), encarregou as suas filhas de afogar o rei de Creta, quando este tomasse 
banho na sua banheira.
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Mistrios
E assim morreu Minos. Aps a sua morte, ele foi designado por Zeus, devido s suas qualidades de legislador, juntamente com o seu irmo Radamante e o virtuoso aco, 
como juiz nos Infernos.
Mstrios                                                                       a
Os Mistrios so um conjunto de ritos de      'carcter mgico, sobre os quais os iniciados deviam guardar segredo. Estes ritos eram especialmente usados nos cultos 
orientais (sis e Osris no Egipto, Aclnis na Sria, Mitra na Prsia, Cbele e tis na Frigia ... ), tendo sido praticados na Grcia (os mais importantes foram 
os de Demter em Elusis) e, mais tarde, alargados ao conjunto do mundo antigo durante o Imprio Romano. Os frescos da casa de Pompeia, dita casa dos Mistrios, 
d-nos a conhecer as fases sucessivas da iniciao nos Mistrios de Baco-Dioniso: leitura do ritual, oferendas, apresentao da cista (cesto contendo objectos sagrados, 
ocultados aos profanos), flagelao, toilette preparatria s npcias msticas...
Mitra
Mitra, uma antiga divindade da Prsia, foi a ltima das divindades orientais a entrar na mitologia romana. Mas foi, igualmente, aquela que conquistou a maior importncia 
ao ponto de o seu culto acabar por absorver todo o paganismo. Os prprios imperadores iniciaram-se nos seus mistrios e Diocleciano, perseguidor do cristianismo, 
proclamar Mitra como "protector do Imprio".
Mitra, originalmente deus do cu, da terra e dos mortos, foi assimilado ao deus do Sol (Sol invctus). Como Cristo, a quem se opor sistematicamente, ele nasceu 
a vinte e cinco de Dezembro, lutou e sofreu na terra, subindo finalmente ao cu. A sua misso consiste em salvar as almas dos iniciados, ajudando-os na sua ascenso. 
As provas de iniciao consistem num baptismo de gua, numa confirmao por imposio de um ferro em brasa sobre a fronte, e finalmente, numa refeio onde se consagra 
o po e a gua mistura-
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Moiras
da com vinho. O instrumento por excelncia da redeno  a imolao, por Mifra, do touro considerado como fonte de vida.
O nmero de santurios dedicados a Mitra - mithaea- tanto pblicos como privados, foi considervel. Eram lugares subterrneos (o deus, dizia-se, tinha nascido numa 
gruta) ou escolhidos na parte mais obscura de uma casa; o tecto era aberto de modo a evocar o cu. Os fiis ajoelhavam-se sobre bancadas fixadas s paredes, ficando 
a parte central reservada aos sacrifcios de animais.
Mitra  representado como um jovem, com um chapu frgio, na acto de derrubar e imolar o touro.
Mnemsine
Mnemsine, filha da Terra e do Cu,  uma das Titnides. Ela  a deusa da memria e foi durante muito tempo a nica a ser considerada capaz de controlar o tempo.
A jovem foi, tambm, uma das esposas de Zeus. Quando a guerra contra os Tits foi ganha pelos Olmpicos, estes suplicaram a Zeus que criasse divindades capazes de 
deleitar os seus tempos livres, celebrando dignamente a sua vitria. Zeus dirigiu-se ento junto de sua mulher, que residia na Macednia, e partilhou o seu leito 
durante nove noites consecutivas. Como resultado, Mnemsine ir dar  luz as nove Musas, cujo coro recordar aos deuses, em forma de arte, a lembrana dos seus altos 
feitos.
Moiras
As Moiras, a que os Romanos chamaram Parcas (por eufemismo, parco significa economizar), nascidas da Noite no princpio dos tempos (a menos que elas no sejam o 
fruto da unio de Zeus e da sua segunda esposa, Tmis,
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Morfeu
deusa da justia), representam na Antiguidade o destino de cada indivduo. Elas so as trs fiandeiras. Submetidas  autoridade e ao controlo de Zeus, Cioto fabrica 
o fio (curso) da existncia, Lquesis desenrola este fio e tropos corta-o.
As Moiras so assistidas na sua funo fatal pelas keres, as cadelas do Hades que, quando chega a ltima hora de um mortal, se apoderam do seu corpo para o conduzir 
a Pluto. Elas tm, tambm, um papel activo nas batalhas, onde se alimentam do sangue dos mortos.
Morfeu                                                              wa
Gnio alado, filho do Sono e da Noite, Morfeu percorre o espao em silncio e toma forma humana (este  o sentido do seu nome) para aparecer nos sonhos dos que dormem 
(diz-se "nos braos de Morfeu").
Musas
As Musas, segundo a tradio mais corrente que vem de Hesodo, so filhas de Zeus. Com efeito, aps a vitria sobre os Tits, o rei dos deuses teve o desejo de distrair 
os Olmpicos com jovens beldades que, por meio do canto e da dana, lhes recordassem as suas aces valorosas. Ento dirigiu-se a Pero (Macednia), onde se encontrava 
Mnemsine, divindade da memria, irm dos Tits (as Titnides no tinham tomado parte no conflito). Passou com ela nove noites e gerou as nove Musas, que passaro 
a constituir o coro artstico com que ele sonhara. Mais tarde, atribuir-se- a cada uma das Musas uma especialidade definida, manifestada num atributo especfico:
Nomes CALOPE CLIO
 RATO
Especialidades Eloquncia Histria
Poesia (ertica)
Atributos Estilete e tabuinhas Trombeta, Clepsidra e rolo Citara
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Musas
EUTERPE MELPMENE
POLMNIA TERPSCORE TALIA URNIA
Msica                      Flauta Dupla Tragdia                    Mscara trgica, maa
de Hracies Mimo, Poesia Lrica         (um dedo sobre a boca) Dana                       C ta ra Comdia                     Mscara cmica, Tirso Astronomia 
Globo celeste, compasso
O lugar de eleio das Musas    era o monte Hlicon, na Becia, onde o cavalo alado Pgaso tinha feito brotar do seu casco a fonte Hipocrene, que conferia a inspirao 
aos poetas.
Quando deixavam o Hlicon, dirigiam-se ao monte Parnaso, na Fcida (a fonte Castlia de Delfos, que tambm dava a inspirao potica, foi-lhes consagrada), para 
se encontrarem com Apolo que, na sua qualidade de deus da msica, dirigia naturalmente o cortejo das Musas.
Calope (a bela voz), Musa da primeira das artes segundo os Gregos, foi uma das Musas requestada por Apolo, que a amou profundamente. Ela foi, ainda, a me do poeta 
Orfeu, filho de um pai mortal.
Talia amou, igualmente, Apolo, dando  luz as Coribantes, futuras danarinas sagradas de Cbele. Meiprnene deu  luz as Sirenes, fruto dos seus amores com o deus-rio 
Aqueloo. O msico Lino, inventor lendrio do ritmo e da melodia, tambm nasceu de uma Musa: de Calope (com Apolo), de Urnia ou de Terpscore.
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Nmesis
Nmesis, filha da Noite, personifica a vingana divina. Ela pune os crimes e persegue a hybrs, a glria excessiva e o orgulho desmesurado dos mortais, que crem 
poder elevar-se acima da sua condio de humanos.
O seu santurio mais clebre encontra-se na tica, perto de Maratona. A sua esttua foi obra de Fdias, tendo sido talhada num bloco de mrmore que os Persas - demasiado 
seguros da sua vitria sobre Atenas - tinham trazido com a inteno de erigir um trofu. Nmesis tinha punido a sua hybris instigando o exrcito de Maratona.
Nereu
Nereu, filho de Ponto e de Geia, desposou uma filha do Oceano, Dris. As suas cinquenta filhas, as Nereides, dotadas de uma grande beleza, personificavam as vagas 
do mar. Entre elas, podemos destacar Ttis que casou com o heri Peleu e foi me de Aquiles, Anfitrite que desposou Posdon e Galateia que foi cortejada pelo cclope 
Polifemo.
A maior parte das Nereides viviam em famlia no palcio subterrneo de seu pai, o "ancio do mar" (ele pertence  gerao anterior a Posdon). Nereu  um deus benfeitor, 
e como a maior parte das divindades marinhas tem o poder de se transformar; alm disso, tem ainda o dom de dupla viso e ser, a este ttulo, solicitado por Hracies 
na descoberta do jardim das Hesprides.
215

Ninfas
Ninfas
As Ninfas so jovens divindades (o nome significa rapariga) que personificam as foras da natureza. As lendas sublinham, geralmente, as suas funes de amas dos 
deuses. Elas encarnam rvores (so as Drades, as Hamadrades, as Melades), as guas correntes e as fontes (Niades), os campos e as montanhas (Orades).
As Ninfas so filhas de Zeus ou filhas dos rios, sendo sensveis  beleza dos jovens, e no hesitando em seduzi-los (Hilas, o amigo de Hracies, ser uma das suas 
vtimas durante a expedio dos Argonautas), em puni-los, caso estes as injuriassem (o pastor Mnis, filho de Hermes, ter perdido a viso devido  sua infidelidade) 
ou em definhar quando eles se mostravam insensveis (recordemos a ninfa Eco a quem s restou a voz, enquanto que o belo Narciso, apaixonado pela sua prpria imagem, 
morreu sobre a fonte que lhe servia de espelho').
Os Romanos adoraram, particularmente, as ninfas das guas, sobretudo das guas termais, criando em sua honra fontes decorativas, alimentadas por uma fonte ou mais 
frequentemente pela gua de um aqueduto, que se chamava ninfeus1. Estes encontravam-se tanto em lugares pblicos como em cruzamentos e nas vilas.
As representaes de ninfas (ss ou em companhia de um stiro ou de um sileno) nas artes, antigas e modernas, so inumerveis: vasos, frescos, baixos-relevos; B. 
Cellini: Ninfa de Fontainebleau (alto-relevo do Louvire), J. Goujon: Ninfas da Fonte dos Inocentes (Paris), Girardon:
O Banho das Nnfas (Versalhes); Coysevox: Nnfa em concha (Louvire, cpia, e Versalhes). Pinturas de Rubens (Madrid), Jordaens (Gand), Van Dyck (Berlim): Ninfa espreitada 
por um stro; Ticiano: Ninfa e pastor (Viena); Boucher: Ninfa e Tritos (Mogncia); Vermeer: Diana e as Ninfas (Haia); De Troy: O Banho das Ninfas (Nancy); Corot: 
A Dana das Ninfas (Louvre); todas estas representaes so pretextos para render homenagem ao nu feminino.
A lenda inspirou a Valry a Cantata de Narciso, que Germaine Tailleferre musicou.
2Nome masculino (de preferncia).
216

Noite
Noite
A Noite, nascida do Caos como seu irmo rebo, a quem se juntou, deu  luz ter (o ar) e Hemera (a luz), duas divindades indispensveis  criao e  sobrevivncia 
do gnero humano.
Inversamente, a Noite gerou tambm numerosos deuses cuja aco se revelar, geralmente, funesta. Destaquemos Nmesis, ris (a Discrdia), a Velhice, a Morte (que 
outros apresentam como filha de Geia e de Trtaro), o seu irmo gmeo, o doce Adormecimento e a divindade que se impor com a mesma autoridade aos homens e aos deuses, 
incluindo Zeus, o Destino, Moira. A Noite surge, por vezes, como me das Moiras ou Parcas (uma tradio mais corrente apresenta-as como filhas de Zeus e de Tmis).
A sua residncia oficial situava-se na extremidade do mundo ocidental, para l das colunas de Hrcules (estreito de Gibraltar), na Hespria. Alguns autores consideram, 
talvez por isso, as trs Hesprides, guardis das famosas mas de ouro, como filhas da Noite.
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E]
Oceano                                                                   aX,
Oceano, o mais velho dos Tits, filho da Terra e do Cu estrelado, no deve ser confundido com Ponto, personificao do mar.
Ele representa o imenso oceano lquido que rodeava aterra, considerada como um crculo de que Delfos teria sido o centro. Homero deixou-nos a descrio do escudo 
de Aquiles onde figurava uma representao do mundo, cercado pelo Oceano (que ele designa como estando na origem de tudo, mesmo dos deuses). O Oceano delimita, assim, 
os fabulosos pases dos confins da Terra, onde vivem os negros etopes, os minsculos pigmeus e os cimrios privados de sol. Para l do mar, acreditava Homero, ficava 
a morada dos deuses.
Oceano, casado com a sua irm Ttis, gerou trs mil filhos, os rios, e trs mil filhas, as Ocenides, ninfas das guas "que, espalhadas por toda a terra, presidiam 
s fontes profundas".
Os dois ocuparam-se da infncia de Hera que recolheram no seu palcio, na parte ocidental do mundo. Reputado como benfeitor e sbio ( assim que aparece no Prometeu 
de squilo), Oceano saber aproveitar com prudentes avisos e muitas vezes com a participao da sua descendncia, a aliana de Zeus.
Um busto monumental da poca alexandrina (Museu do Vaticano) representa Oceano como um colosso de idade madura, dotado de curtos cornos rombos (cornos de touro: 
smbolo do poder gerador), o rosto emoldurado por longos cabelos onde-se misturavam os cachos e com uma "barba de rio" ondulada, na qual brincavam golfinhos.
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Olmpia
Olmpia
A cidade de Olmpia, situada na margem direita do Alfeu, na lide, foi segundo a tradio o palco da luta de Zeus e de Cronos pela conquista do poder.
Em Olmpia adorava-se Geia e Cronos e consultava-se o orculo de Geia e de Tmis. Os Cretenses introduziram, depois, o culto de Zeus e as sucessivas invases instalaram 
na cidade os seus deuses de eleio.
Na poca clssica, o santurio, disposto no bosque sagrado de Altis (um bosque de pltanos e no de pinheiros como  hoje) apresentava-se como uma verdadeira cidade 
com vrias dezenas de templos nas proximidades, capelas e altares, cada um com os seus sacerdotes, as suas celebraes e as suas festas. Estes eram rodeados pelo 
palcio e pelas diversas residncias.
Hera, a esposa de Zeus, ocupava no Olimpo (quer pelas dimenses do seu templo como pela importncia das suas festas) um lugar privilegiado.
O ltis de Olmpia
220

olimpo
No centro do conjunto elevava-se o templo de Zeus situado sobre um terrao de onde se dominava toda a rea sagrada. O rei dos deuses produzia a os seus orculos, 
sob a aparncia de uma imensa esttua criselefantina, obra-prima (desaparecida) de Fdias (Pausnias conta que quando o artista acabou a esttua, pediu a Zeus que 
lhe fizesse saber atravs de um sinal se lhe agradava a sua obra: "e um raio caiu, imediatamente".
Entre as cerimnias mais importantes figuravam os Jogos pan-helnicos, celebrados todos os quatro anos e cuja fundao (assim como a inveno do nome de Olmpia) 
era atribuda a Hracies, filho de Zeus. A interrupo sagrada era, ento, proclamada para permitir a cada um dos participantes que reflectisse sobre a unidade e 
a especificidade da raa grega.
O estdio, situado numa ravina na base do monte Cronio, reunia quarenta mil espectadores.
Os Jogos Olmpicos suscitaram um tal consenso que as suas datas passaram a servir de base  cronologia usada pelos historiadores. A primeira olimpada datou do ano 
de 776 a. C.
Em 1896, Pierre de Coubertin, desejando renovar esta tradio de alto ideal pacifista e humano criou, desta vez  escala do planeta, os novos Jogos Olmpicos que, 
desde ento, acontecem todos os quatro anos em pases diferentes.
Olimpo
A montanha do Olimpo, cujo topo a cerca de 3000 metros de altitude  considerado o ponto mais elevado da Grcia, fica situada nos confins da Tesslia e da Macednia, 
a quinze quilmetros do mar Egeu. Esta montanha foi considerada desde muito cedo como sendo a residncia dos deuses da terceira gerao, aqueles a quem chamamos 
os Olmpicos. Talhada a pique sobre a vertente que faz frente  Grcia, misteriosamente "envolvida por uma branca claridade" (Homero), o Olimpo apresenta-se como 
um macio belo e imponente, local ideal para a majestade dos imortais.
Mais tarde, o termo Olimpo perdeu a sua ligao  montanha em questo para passar a designar, de uma maneira geral, a morada celeste dos deuses, com os diversos 
palcios que Hefesto construiu para cada um deles. Sob
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Orculo
a autoridade zelosa de Zeus, respeitando a hierarquia dos direitos e dos poderes, os deuses passam a maior parte do seu tempo em jogos e banquetes, que s interrompem 
quando julgam dever empenhar-se (para o amor ou para a guerra) nos assuntos dos humanos.
Orkulo
A influncia dos orculos na Grcia Antiga foi muito significativa, pois eles no s desempenharam um papel importante na conduo de determinados assuntos individuais 
como influram mesmo no prprio curso da histria.
Os consultantes destes orculos eram personagens privadas ou delegados de uma cidade. As divindades interrogadas eram tambm numerosas, com destaque para a Terra 
(quer na forma de Geia quer na forma de Demter) e para as divindades aquticas. No entanto, Zeus, o depositrio de toda a cincia e Apolo, o seu principal intrprete, 
sobrepuseram-se a todas elas.
O orculo era consultado num templo, em cavernas, em precipcios ou em pleno ar, exprimindo-se, consoante o caso, atravs do murmrio das guas ou do vento, nas 
rvores, pela ressonncia do vento, pelo voo dos pssaros, pelos sonhos ou pela voz de determinadas pessoas inspiradas. As respostas, muitas vezes ambguas, davam 
ento lugar a uma interpretao.
Os orculos mais clebres do mundo grego foram os de Zeus em Dociona (no Epiro), do deus egpcio Amon, assimilado a Zeus, na Lbia e, o mais frequentado de todos, 
o de Apolo em Delfos.
Os Romanos, que privilegiaram os pressgios e os sinais celestes, no deram a mesma importncia que os Gregos aos orculos. Para eles, os deuses no tinham por funo 
revelar aos humanos uma parcela do seu saber. Assim, eles s conceberam e conheceram orculos proferidos por indivduos dotados de dupla viso, com destaque para 
as Sibilas (sacerdotisas inspiradas), das quais a mais clebre foi a Sibila de Cumas, que prognosticou o destino de Eneias, servindo-lhe de guia atravs dos Infernos. 
Os livros de profecias da Sibila de Cumas foram adquiridos pelo rei Tarquino. Assim, quando acontecia algum acontecimento maravilhoso, os "livros sibilinos" eram 
consultados e interpretados por sacerdotes especializados.
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Orestes
Orestes
Orestes  o ltimo dos filhos de Agammnon, rei de Micenas, e de Clitemnestra.
Ele era ainda muito pequeno quando serviu de penhor a Tlefo, filho de Hracies, que veio a ulis para obter de Aquiles a cura para os seus males. Nesta viagem, 
ele foi acompanhado por sua me e sua irm lfignia que acabou por ser sacrificada para que os ventos soprassem e permitissem a partida da frota grega com destino 
a Tria.
Durante os dez anos de guerra de tria e de ausncia de Agammnon, Egisto, primo do "rei dos reis" seduziu Cliternnestra, convencendo-a a preparar o assassinato 
de seu marido, aps o regresso vitorioso. Ento, a rainha, que no tinha ainda perdoado o sacrifcio de Ifignia, matou Agamrririon durante o banho, logo aps o 
banquete que fora oferecido em sua honra.
Electra, irm de Orestes, para evitar que o jovem fosse tambm vtima de Egisto, levou-o clandestinamente para junto de seu tio, Estrfio (marido da irm de Agammnon), 
que reinava na Fcida. Orestes foi assim educado na corte com o seu primo Plades, filho do rei. Uma slida amizade uniu, para sempre, os dois rapazes e Plades, 
mais tarde, acabar por desposar Electra.
Quando Orestes chegou  idade adulta, a sua irm, encorajada pelo orculo de Delfos, incitou-o a vingar a morte de seu pai. Ento o jovem, acompanhado por Plades, 
dirigiu-se a Micenas e matou Egisto. Depois, comovido pelas splicas de sua me, quase renunciou a castig-la, mas Plades lembrou-lhe a sua misso secreta: vingar 
o assassinato de Agamrrinon e ento Orestes cometeu o parricdio. Os deuses, enfurecidos, enviaram-lhe as Eurnnides, divindades vingadoras dos crimes familiares, 
que o enlouqueceram. Para vencer esta loucura, Orestes refugiou-se junto de Apolo, a fim de ser purificado. E s depois  que o assassino se apresentou perante o 
tribunal dos homens, com sede em Atenas, presidido pela deusa da cidade. Mas entretanto a Ptia proclamou que Orestes s seria curado da sua loucura quando trouxesse, 
para Atenas, uma esttua de rtemis venerada na Turida.
Orestes embarcou, ento, para a Turida, acompanhado de Plades. Mas mal chegaram, os dois estrangeiros foram capturados pelos habitantes, a fim de serem sacrificados 
a rtemis. Quando estes foram conduzidos perante a deusa, verificaram que ela no era seno Ifignia, que rtemis tinha salvo da morte e que, desde ento, vivia 
no seu templo, como sacerdotisa. Ifignia afastou, ento, o povo, acalmou a desconfiana do rei e aceitou ajudar o seu
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Orestes
irmo. Secretamente, roubou a esttua, regressando  Grcia na companhia 'dos dois amigos (Goethe inspirou-se neste episdio para escrevera sua obra-prima dramtica 
Ifignia na Turda (1779-1787). A lenda de Ifignia serviu de tema a duas tragdias lricas de Gluck: Ifignia em ufis (1773) e Ifignia na Turda (1778).
Definitivamente libertado da sua loucura, Orestes vai, finalmente, pensar em si prprio, comeando por recordar o contrato de casamento que seu pai tinha estabelecido 
com Menelau e Helena, segundo o qual Orestes casaria com Hermone. Acontece que, durante a guerra de Tria, Menelau esqueceu a sua promessa, oferecendo Hermone 
a Pirro, filho de Aquiles. Aproveitando ento uma altura em que Pirro se encontrava em Delfos, Orestes raptou Hermone, provocando depois uma revolta na qual Pirro 
encontrar a morte.
Orestes, segundo uma verso que Racine no seguiu (em Andrmaca (1667), Orestes tocado pela fatalidade, depois de ter matado o seu rival, assiste ao suicdio de 
Hermone e enlouquece), desposar Hermone, de quem ter um filho e reinar, finalmente, sobre Micenas e sobre Esparta, sucedendo assim a seu pai e a seu av.
Quando certo dia a peste se abateu sobre os seus territrios, o rei mandou consultar o orculo e este exigiu que todas as cidades destrudas durante a guerra de 
Tria fossem erguidas e os seus templos abertos ao culto. Orestes enviou, ento, um bom nmero de colonos para a sia Menor, a fim de assegurar esta reconstruo. 
O rei morreu aos noventa anos de idade, depois de um longo e valoroso reinado.
Os Gregos prestaram honras divinas a um tmulo que se lhe atribua em Tegeu, na Arcdia. Por seu lado, os Romanos afirmaram que os restos mortais de Orestes tinham 
sido transportados para Roma, e se encontravam sepultados no templo de Saturno, no Frum.
Os infortnios do Orestes assassino de sua me inspiraram a trilogia de squilo: Orstia (458 a. C.), tantas vezes traduzida (ef. Claudel em
1920, com msica de O. Milhaud). Cf. igualmente Sfocies: Electra (c. 425 a. C. que inspirou, por sua vez, a pera Electra, obra-prima de Strauss, 1908); Eurpides: 
Andrmaca (c. 426), Ifigna na Turida (414), Electra (413), Orestes (408); Voltaire: Orestes (1750); Girardoux: Electra (1937); Sartre: As Moscas (1943).
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Orfeu
Orfeu
Orfeu, que usa um dos nomes mais ilustres da mitologia,  filho da Musa Calope e do rei da Trcia, Eagro. Contrariamente  maior parte dos heris da antiguidade, 
a sua glria no provm do seu vigor fsico, mas dos seus dons de poeta e de msico. Os encantamentos da sua voz ou da sua lira (ele passa por ter sido o inventor 
da lira com nove cordas; o nmero nove  alusivo ao nmero das Musas) seduziam as plantas, amansavam as feras e acalmavam os nimos dos mortais mais perigosos. Os 
Argonautas serviram-se dos seus dons para marcar a cadncia dos remadores, para apaziguar as emoes, mas tambm para acalmar as ondas impetuosas e mesmo para afrontar, 
vitoriosamente, as Sirenes, cujos sortilgios foram vencidos pela fora dos seus cantos.
Atribui-se a Orfeu, depois de uma viagem que ele teria efectuado no Egipto, a instituio dos mistrios sagrados de Apolo e de Dioniso.
O poeta desposou a ninfa Eurdice, que amou profundamente. Certo dia, Aristeu, filho de Apolo, seduzido pelos encantos de Eurdice, tentou viol-la. Ao fugir, a 
jovem pisou uma vbora que a mordeu, acabando por morrer em consequncia desta ferida. Mas Orfeu recusou resignar-se e decidiu descer aos Infernos para ir procurar 
a sua mulher perdida. Os sons da sua lira e os seus gritos de dorforam to convincentes que Hades e Persfone se deixaram tocar e devolveram Eurdice a seu marido. 
Impuseram-lhe, no entanto, uma nica condio: que Orfeu, ao longo do trajecto subterrneo, no se voltasse para trs. Acontece que o poeta, ou porque quisesse verificar 
se os deuses tinham cumprido a sua palavra e Eurdice o seguia ou porque no resistisse ao desejo de olhar a sua mulher to amada, se voltou antes de ter sado dos 
Infernos: Eurdice desapareceu ento, imediatamente, e desta vez para sempre.
Orfeu ficou inconsolvel. A tal ponto que as mulheres da Trcia no puderam suportar a sua indiferena e resolveram mat-lo, despedaando o seu corpo em bocados 
que atiraram ao rio Hebro (uma outra tradio atribui o massacre s Mriades que acusavam Orfeu de favorecer Apolo - o mestre espiritual - em detrimento de Dioniso 
- o impulso vital). Mas a cabea e a lira do poeta, conduzidas at ao mar, foram dar  ilha de Lesbos, cujos habitantes prestaram honras fnebres a Orfeu e lhe construram 
um tmulo. Em recompensa, Lesbos tornar-se- o centro privilegiado da poesia.
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Orfismo
A alma de Orfeu foi acolhida na ilha dos Bem-aventurados, reservada aos heris. Quanto  sua lira, foi transformada numa constelao.
A viagem de Orfeu no alm tornou-se o ponto de partida de uma teologia, o orfismo, que por um lado veicula uma explicao do universo e, por outro, apresenta uma 
doutrina da salvao.
Os artistas foram largamente inspirados pela lenda do genial e divino poeta, desde o escultor do sc. v, autor do clebre baixo-relevo (Npoles, Louvre, Roma: Vila 
Albani) representando Orfeu em companhia de Hermes e de Eurdice, at Zadkine, passando por Bellini (Washington), Bruegel de Velours (Madrid), L. Carrache (Bolonha), 
Tintoreto (Modena), Rubens (Madrid), Poussin (Louvre), Delacroix (Montpellier; Paris: Assembleia Nacional), G. Moreau (Louvre), Cocteau (filmes, peas, desenhos), 
etc. A tragdia que este casal ideal viveu inspirou numerosos homens do teatro: Monteverdi no sc. xvii (1607) e Gluck no sc. xviii (1764) compuseram duas peras 
sobre este tema. Cf. igualmente a cantata de Berlioz A morte de Orfeu (1827), a trilogia da Orfeida (1918-1921) de Malipiero e Os Infortnios de Orfeu (1927) de 
O. Milhaud. Cf. tambm o Orfeu nos Infernos (1858) de Menhach e o Orfeu (1926) de Cocteau.
Orfismo
A doutrina rfica assenta em primeiro lugar numa explicao da origem do mundo. No comeo era Cronol, o Tempo. Dele saram Caos, o infinito, e ter, o finito. A 
unio de ter e de Caos produziu um enorme ovo de prata, o ovo csmico, cuja casca foi a Noite. Deste ovo nasceu o primeiro ser, simultaneamente macho e fmea, dotado 
de vrias cabeas e possuindo em si
1 Diferente do Tit Crono, se bem que desde a Antiguidade tenham sido por vezes confundidos.
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Orfismo
mesmo o germe de todas as coisas: Fanes - a luz - tambm chamado Protogonos - o primeiro nascido - e Eros.
Depois do nascimento de Fanes, a parte superior do ovo transformou-se na abbada celeste e a parte inferior na terra e nas suas profundezas. Depois, Fanes criou 
o Sol e a Lua.
A continuao da narrao  apresentada em duas verses diferentes:
1 - Fanes e a Noite geraram rano, o Cu, e Geia, a Terra, tendo sido ele, igualmente, o responsvel pelo nascimento de Zeus.
2 - A Noite (que nesta verso  filha de Fanes) gerou rano e Geia. rano reinar sobre o Universo material, enquanto que Fanes reina sobre o mundo do esprito. 
Depois o casal Cu-Terra - retomamos aqui a mitologia tradicional - dar origem aos Tits. Um deles, Cronos, destrona o seu pai e , por sua vez, destronado por 
Zeus, seu filho. Este ir devorar Fanes que tinha a soberania do mundo imaterial, a fim de assegurara unidade indissolvel da matria e do esprito. Mais tarde, 
juntamente com Persfone, sua filha, gerar Zagreu, a divindade principal do Orfismo. Mas a criana ser raptada pelos seus inimigos, que desfazem o seu corpo em 
pedaos, a fim de o devorar. Angustiado Zeus ir ento ressuscit-lo na forma de Dioniso.
Mais importante ainda do que a teoria sobre as origens do Universo  a doutrina rfica relativa ao destino do homem.
No princpio, as almas, imortais, criadas pelos deuses, viviam no cu. Mas devido a uma mcula indeterminada, espcie de pecado original, elas caram em degradao 
e foram condenadas a viver sobre a terra, prisioneiras de um corpo humano ou animal. A partir de ento, cada alma deveria efectuar uma srie de migraes de um corpo 
para outro, que correspondiam aos diferentes estdios necessrios para a purificao. Aps duas encarnaes sucessivas, a alma descia aos Infernos, onde expiava 
os seus pecados. E finalmente, quando tivesse atingido a regenerao perfeita, era autorizada a voltar para junto dos deuses no cu.
Para vencer as diversas etapas da salvao, o homem deveria submeter-se ao ritual da iniciao, revelado por Orfeu no seu regresso do Alm, pois aquele que desconhecesse 
essas sbias disposies ficaria, para sempre, prisioneiro de um cicio eterno de migraes ou ento seria atirado, sem apelo, nas trevas infernais.
A influncia do orfismo foi determinante na mentalidade grega, chegando mesmo a atribuir-se-lhe influncia na seriedade e na melancolia manifes-
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Origem do Universo
tada pelos poetas e, igualmente, pelos escultores a partir do sculo iivv aa.. CC.. Plato e Pitgoras devem igualmente muito a esta doutrina. O seu fascnio no 
deixar de marcar tambm o cristianismo, nas suas origens, e a personagem de Orfeu apresenta-se como uma prefigurao pag de Cristo.
Origem do Universo                                                          WN
"Antes de tudo" segundo a cosmogonia de Hesodo, reinava o "espao vazio" e ilimitado: o Caos.
Depois apareceu Geia - a matria primordial, a terra - e Eros - a fora irresistvel que juntou os elementos, o princpio de vida.
Graas  aco fecundante de Eros, todas as coisas nasceram, pouco a pouco, do Espao e da Terra.
Do Caos emergiu o mundo das Trevas: rebo - a Obscuridade infernal e Nixe - a Noite - reunidos por Eros, vo trazer a luz ao mundo ao gerarem ter - o Fluido vital 
- e Hemera - o Dia.
Pela sua parte Geia dar  luz rano - o Cu estrelado - que ela faz "igual, em tamanho, a si prpria, a fim de que ele possa cobri-ia completamente". Seguidamente, 
cria as montanhas, Urea e Ponto, o mar.
Gela e rano ou a 1.1 Gerao Estando constitudo o Universo, Geia vai povo-lo de deuses e de deusas. "Dos afagos de rano" que a fertilizam, dar  luz os doze 
Tits (seis de cada sexo, personificando as foras da natureza), trs Ciclopes, seres fabulosos com um nico olho, e trs colossos com cinquenta cabeas e cem braos, 
os Hecatonquiros.
Entretanto, rano, horrorizado com os seus monstruosos filhos, aprisiona-os desde o seu nascimento, nas entranhas da Terra. Mas certo dia, Geia resolve pr termo 
a esta situao, e com um ferro extrado do seu seio, fabrica uma foice, que entrega aos seus filhos para que estes se libertem do opressor. O ltimo destes, Cronos, 
aceita a misso e, quando rano, acompanhado pela Noite, se deita sobre a sua esposa, a foice entra em aco, decepando o pai indigno do seu poder procriador e, 
portanto, da sua fora toda poderosa.
228

Origem do Universo
Entretanto, os pedaos mutilados do tirano iro produzir uma outra descendncia. Geia, fecundada pelos salpicos de sangue negro, dar  luz as Ernias, os Gigantes, 
e as Ninfas Melades. Curiosamente, dos destroos cados no mar surgir uma espuma branca em forma de prola que dar corpo (para o melhor e para o pior na histria 
futura, dos deuses e dos homens) a Afrodite, a deusa do amor.
O reino de Cronos ou a 2.1 Gerao Cronos, aps ter destruido o seu pai e libertado os seus irmos, os Tits (mas no os Cielopes e os Hecatonquiros, que ficam ainda 
nas profundezas da Terra), ir reinar sobre o Universo.
Entretanto, sucedem-se novas etapas da criao. Os Tits unem-se entre si: particularmente, Oceano e Ttis que geraro os trs mil rios e as trs mil ninfas das 
guas. Depois Mtis - a sabedoria - Tique - a Fortuna - e Dione (que Homero, ignorando a verso de Hesodo, apresenta como me de Afrodite). De Hiprion e de Teia 
nascero Hlio - o Sol - Selene - a Lua -
e Eos - a Aurora. Quanto a Cronos, desposar a sua irm Reia e ser, um dia, afastado do trono e suplantado pelo ltimo dos seus seis filhos, Zeus.
Por seu lado, a Noite povoa o mundo com uma multiplicidade de seres: Moro - o Destino - Tnato e Hipno, os dois irmos personificando a Morte e o Sono, as trs Moiras 
(que os Romanos chamam Parcas), Nmesis, deusa da vingana, ris, a Discrdia....
A prpria Geia resolve unir-se com o seu filho Ponto - o Mar fertilizante - dando  luz o bom Nereu, deus marinho (o qual, casado com Dris, filha do Tit Oceano, 
gerar as cinquenta Nereides, divindades benfeitoras do mar), Taumas (que se tornar pai das Harpias, divindades das tempestades e de ris, o arco no cu), Frcis 
e Ceto (que concebero as Greias e as Grgonas) e Eurbia (cujo filho Astreu, unido com Aurora, gerar os ventos e os astros).
Por tudo isto, Geia merecer plenamente o seu ttulo de "me universal". Mas ela deu ainda origem aos primeiros humanos, sados do seu ventre criador.
Sob o reinado de Cronos, os homens, semelhantes aos deuses, vivero sem dificuldades nem preocupaes, alimentados pela terra fecunda e sucumbindo ao ltimo sono, 
sem conhecer a doena ou a velhice.  a idade de ouro, a primeira das quatro idades da humanidade.
229

Oron
Este  o relato da origem do Universo apresentado por Hesodo. Esta concepo acabou por tornar-se a mais popular, inspirando escritores e artistas.
A doutrina do Orfismo dar, no entanto, um relato muito diferente das origens.
A mutilao de rano  vista pelos psicanalistas como o arqutipo da oposio do filho ao pai.
Oron
O gigante Oron nasceu em circunstncias muito particulares, verdadeiramente forjadas num jogo de palavras. O rei da Hria, na Becia, tinha suplicado um filho a 
Zeus e, ento, Posdon e Hermes, que ele tinha abrigado, ao saberem deste seu desejo, urinaram sobre uma pele de vitela que esticaram sobre a terra e esta, nove 
meses mais tarde, deu  luz Oron (Ouron = urina).
Oron era to alto que tocava com os seus ps o fundo dos mares, conservando a cabea fora de gua. E era to forte que ningum no mundo podia comparar com ele os 
seus despojos de caa e era to belo que provocava a admirao e a paixo  sua simples passagem.
Oron era muito apreciado por rtemis a quem servia como cavaleiro. Ele costumava acompanhar a casta deusa nas suas viagens at que, um dia, Eos, a Aurora, se apaixonou 
perdidamente por ele e o raptou, levando-o consigo para a ilha de Delos. O que aconteceu depois no sabemos ao certo, pois existem duas verses da lenda. Uma refere 
que rtemis, encolerizada, enviou a Oron um escorpio que o mordeu e matou. Outra diz que o jovem tentou seduzir a deusa e que esta, para o castigar, lhe enviou 
um escorpio que o mordeu, provocando-lhe a morte.
O insecto e a sua vtima foram, mais tarde, transformados em constelaes, constatando-se que, a partir do momento em que o escorpio apareceu no cu, o brilho de 
Oron esmoreceu.
230

P
P  uma divindade buclica que parece originria da Arcdia. A sua lenda  pobre e confusa. Por vezes aparece como filho de Zeus, outras como filho de Hermes (ou 
mesmo como o filho que os cinquenta pretendentes  mo de Penlope teriam tido em comum com a esposa de Ulisses depois de terem sido seus sucessivos amantes) e ainda 
como filho de Cronos ou de rano...
Os mitgrafos e os filsofos, depois de reflectirem sobre a etimologia popular do seu nome - Pan em grego significa tudo - consideraram-no como a incarnao da natureza 
universal.
P  um deus fecundante, muito activo na conquista amorosa, quer junto das ninfas como das adolescentes, aos quais inspira um "medo pnico". Foi assim que, para 
escapar  sua perseguio, a ninfa Siringe se precipitou nos juncos do rio Lado, transformando-se num deles. Ento, P cortou vrios destes juncos, de diferentes 
tamanhos, juntou-os com cera e exprimiu o seu amor, soprando neste instrumento a que mais tarde se chamou a flauta de P.
Em Roma, ele ser identificado com o deus Fauno ou com o deus Silvano. Plutarco narrou uma tradio segundo a qual vozes ouvidas sobre o mar teriam proclamado "a 
morte do grande P" e isto no momento do nascimento de Cristo.
P  representado como um homem com ps de bode, coroado com pinheiros, usando o cajado de pastor ou tocando a flauta.
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Pai das Riquezas
Pai das Riquezas
O Pai das Riquezas, divindade infernal dos Romanos, pode ser identificado com o Pluto dos Gregos. O seu nome (como o de Pluto) significa a riqueza, aludindo assim 
a algum cujo nmero de bens no deixava de aumentar sem cessar. Ele  igualmente assimilado a Orcos, gnio romano da morte e dos Infernos, que a lngua popular 
confundiu muitas vezes com a prpria morada dos mortos.
Paldio
O Paidio  uma esttua (com cerca de 1,30m de altura), talhada num tronco de rvore, representando a deusa Palas-Atena de p, segurando com a mo direita uma lana 
e com a esquerda uma roca e um fuso (os seus atributos guerreiros e domsticos). Esta esttua passava por ter uma origem divina e por proteger a cidade que a possua 
e venerava.
Dizia-se que o Paldio fora obra da prpria Atena, que tinha assim perpetuado a lembrana de uma companheira de jogos, chamada Palas, a quem tinha involuntariamente 
provocado a morte, e a quem ela tinha assimilado o nome e a personalidade. Esta esttua tinha sido colocada no Olimpo, junto de Zeus, at que um dia, o rei dos deuses, 
furioso com a ninfa Electra que, para escapar  sua perseguio, acreditou encontrar asilo junto da esttua, apoderou-se dela e precipitou-a sobre a terra. Curiosamente, 
ela caiu na cidade de Tria que Ilo acabava de fundar.
Foi assim que o Paldio protegeu a cidade at que Ulisses e Diomedes, tendo-se apercebido da sua propriedade divina, conseguiram entrar no interior de Tria e roubaram 
a esttua, que teria sido, posteriormente, enviada ao rei de Atenas, Demofonte.
Mas este episdio e outros anlogos so rejeitados por aqueles que, como Virglio, afirmam que o Paldio - em todo o caso a verdade - foi salvo por Eneias, que o 
levou at Itlia. Diz-se que foi, depois, conservado em Roma no templo de Vesta.
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Pandora
Pales
Pales, de incio uma divindade masculina, tornou-se a deusa romana protectora dos rebanhos. Ela ter dado o seu nome  colina do Palatino, sobre a qual Rmulo fundou 
a cidade de Roma. A festa de Pales celebra-se no dia do aniversrio desta fundao (a 21 de Abril).
Palicos
Designam-se como Palicos os dois irmos que uma certa tradio apresenta como filhos de Zeus e da Ninfa Talia, filha de Hefesto (uma outra verso da lenda d-os 
como filhos de Hefesto e da ninfa Etna).
Temendo os cimes de Hera, mulher de Zeus, Talia, quando engravidou, resolveu dissimular-se nas profundezas do solo da Siclia. Assim, quando os seus filhos, gmeos, 
nasceram, foram obrigados a sair de debaixo da terra, razo pela qual lhes foi atribudo o nome de Palicos, que significa: os que voltam.
Como todas as divindades ctnicas, os Palicos eram invocados nos juramentos e passavam por castigar os perjuros, de cegueira. O seu santurio elevava-se na Siclia 
perto do lago de Naffia, cujos fenmenos vulcnicos (jactos de gua quente, odores sulfurosos, quedas espectaculares de pssaros asfixiados) acabaram por transformar, 
no imaginrio popular, os dois irmos em divindades terrveis.
Pandora
Pandora, cujo nome significa todos os dons foi, com efeito, adornada por Hefesto e Atena, segundo ordens de Zeus, com todos os dons,  imagem dos imortais.
A inteno de Zeus era enviar um castigo  raa humana, aps o ultraje cometido por Prometeu, que roubara o fogo divino. Assim, o rei dos deuses enviou Pandora a 
Epimeteu, irmo de Prometeu que, esquecendo as reco-
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Parnaso
mendaes de seu irmo contra qualquer presente vindo de Zeus e seduzido pela jovem, decidiu aceit-la e tom-la como sua esposa (Pandora ser a me de Pirra, que 
desposar Deucalio, filho de Prometeu).
Pandora transportara consigo um pote que deveria manter, eternamente, fechado. Mas Hermes colocara a curiosidade no corao de Pandora, levando-a a destapar o pote, 
de onde saram todos os males que se espalharam, imediatamente, sobre a terra. No fundo do pote restou, unicamente, a esperana, a fim de reconfortar o gnero humano.
Parnaso
O macio montanhoso de Parnaso, a 2500 m de altitude,  o lugar predilecto de Apolo e das Musas, na Fcida. Nos seus fiancos nasce a fonte Castlia, que confere 
a inspirao potica.
Vrios pintores (Mantegna, Tintoreto, Rafaci, Poussin ... ) representaram esta montanha como o lugar de morada de todas as divindades ligadas s artes,
O nome Parnaso foi dado, como ttulo, a recolha de poemas e, seguidamente, atribudo (no sc. xix)  escola potica francesa reunida  volta de Th. Gautier, Leconte 
de Lisle, Heredia, etc.
Peleu
Peleu  filho de aco, rei da Egina, e irmo de Tiamon, mas o seu pai tivera ainda um outro filho, a quem chamara Foco, da Nereide Psrnate. Acontece que aco e 
Tiamon tinham muitos cimes do seu meio-irmo e, um dia, decidiram mat-lo no decurso de uma partida de malha.
Ento, aco viu-se obrigado a exilar os seus filhos. Peleu partiu para a Ritida (na Tesslia), onde foi purificado pelo rei que lhe deu em casamento a sua filha, 
Antgona.
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Peleu
Algum tempo depois, Peleu foi chamado a participar, por convite de Jaso, sobrinho do rei da cidade vizinha, lolco, na expedio dos Argonautas.
No regresso desta misso, o heri foi levado a matar, acidentalmente, o seu sogro, graas a uma artimanha de Psrnate que jurara vingar a morte de seu filho, quando 
participava com um certo nmero de antigos Argonautas na caada de Clidon.
Este episdio conduziu a um segundo exlio. Peleu refugiou-se, ento, em lolco, cujo novo rei, Acasto, tinha sido igualmente seu companheiro no navio Argo. Acontece 
que a mulher de A,casto, Astidamia, se apaixonou por Peleu e, como este no retribusse a sua paixo, resolveu vingar-se. Primeiro informou Antgona que Peleu a 
iria repudiar a fim de casar com a sua filha. Depois acusou o heri, perante seu marido, de ter tentado seduzi-ia violentamente. Antgona entrou em desespero e Acasto, 
para no ser ele prprio o assassino do seu convidado, enviou-o para uma caada mortal.
Assim Peleu partiu mais uma vez e, no fim de uma jornada extenuante, adormeceu no monte Plion, ficando  merc das feras selvagens. Quando acordou encontrou-se 
rodeado de centauros que se preparavam para o matar, se o bom centauro Quron no interviesse a fim de o salvar.
Compreendendo a vingana da rainha e a astcia de seu marido, Peleu decidiu, ento, vingar-se do casal real. Para tal, reuniu as suas tropas que juntou s de Jaso, 
expulso pelo pai de Acasto do trono de lolco, e juntos cercaram a cidade, que foi completamente destruda. Peleu cumpriu a sua vingana, matando o prprio rei, Acasto, 
e despedaando o corpo de sua mulher.
O heri participou, ainda, ao lado de Hracies, na sua expedio ao pas das Amazonas e, mais tarde, na guerra contra Laomedonte, rei de Tria.
Enquanto estes acontecimentos se desenrolavam na terra, o Olimpo vivia uma crise muito sria. Zeus tentava libertar-se de Hera, a fim de desposar a bela Nereide 
Ttis, por quem Posdon tambm se apaixonara. Mas, entretanto, os destinos fizeram saber (pela boca de Prometeu) que o filho nascido de Ttis seria mais poderoso 
do que o seu prprio pai. Este vaticnio provocou, imediatamente, um enfraquecimento da paixo dos dois deuses, que resolveram casar Ttis com um mortal.
Peleu foi, ento, o escolhido, dando imediatamente o seu consentimento. Mas a deusa no concordou com a opo de Zeus e Posdon e, como era uma divindade do mar, 
tendo assim o dom das transformaes, resolveu usar
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Plops
de todos os seus meios para escapar ao seu suspirante mortal. Acontece que, certo dia, Peleu conseguiu apanh-la, sendo ento marcado o casamento, cujas festividades 
tiveram lugar no monte Plion. Foi no decurso destas festas que a deusa da Discrdia lanou, no meio dos participantes, a terrvel ma de ouro que esteve na origem 
da guerra de Tria.
Entre os presentes oferecidos aos noivos figuravam os dois cavalos imortais, que mais tarde foram usados pelo heri Aquiles, o filho que nasceu desta unio.
Muitos anos mais tarde, quando Aquiles combatia sobre as muralhas de Tria, os filhos de Acasto atacaram Peleu, que na altura era j um velho, e afastaram-no do 
trono.
Plops
Plops, filho de Tntalo, rei da Frgia,  irmo de Nobe, famosa pela sua dor maternal.
Ainda criana, Plops foi morto, cortado em bocados, e depois servido por seu pai, no decurso de um banquete, aos deuses que tinham vindo jantar a sua casa. No 
sabemos se Tntalo no teria nada mais para servir aos seus ilustres hspedes ou se teria querido, simplesmente, experimentar a sua sagacidade. Mas a verdade  que 
os deuses ( excepo de Demter) se abstiveram de tocar nos monstruosos bocados, maldizendo o criminoso e restituindo a vida, de novo, a Plops.
Mais tarde, Posdon apaixonou-se pelo rapaz e levou-o consigo para o Olimpo, transformando-o no seu escano. Curiosamente, Tntalo no perdeu o contacto com o seu 
filho, utilizando-o mesmo para se apropriar da ambrosia e do nctar! Quando os deuses descobriram, expulsaram Plops do Olimpo.
Este regressou ento  Frgia, onde no se demorou muito tempo, pois o seu pai, a pedido de Zeus, teria sido responsvel pelo rapto de Ganimedes e Ilo, irmo do 
jovem raptado e rei de Tria, decidiu ento expulsar Tntalo e a sua famlia do pas.
Plops emigrou para a Grcia, onde adquiriu uma grande fortuna e seduziu Hipodamia, filha do rei Enrno da lide.
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Penates
Enrno, filho de Ares, tinha sido prevenido pelo orculo que encontraria a morte s mos do seu genro. Assim, decidira colocar obstculos a todos os pretendentes 
 mo de Hipodamia. Desafiava-os para uma corrida de carro, dominava-os graas aos cavalos maravilhosos que lhe tinham sido dados por seu pai Ares, e, finalmente, 
matava-os.
Mas Hipodamia decidiu subornar o cocheiro de seu pai, no dia da sua corrida contra Plops. Os eixos do carro de Enrno partiram-se e o rei pereceu na disputa.
Algum tempo depois, quando Plops era j o rei da lide, fundou os primeiros Jogos Olmpicos em memria de Enrno e instituiu uma festa consagrada a Hera, deusa 
do casamento, em honra de Hipodamia, sua mulher.
Plops e Hipodamia tiveram um grande nmero de filhos, entre os quais Atreu e Tiestes, Alctoo (av do grande jax), Piteu (av de Teseu) e Astidamia, possivelmente 
me de Anfitrio.
Mas Plops teve igualmente um filho, Crisipo, de uma relao com uma ninfa. Hipodamia resolveu ento provocar os cimes dos seus filhos Atreu e Tiestes contra o 
bastardo e estes acabaram por matar o seu prprio irmo. Magoado, Plops baniu Hipodamia e os seus dois filhos do pas, levando-os a procurar refgio na Arglida. 
A maldio sobre os assassinos est na origem do terrvel destino que acompanhar a famlia dos tridas.
Quando se deu a guerra de Tria onde Menelau e Agammnon, netos de Plops, foram os protagonistas, o orculo proclamou que a cidade no poderia ser vencida sem que 
os ossos de Plops regressassem  sua ptria. A "voz proftica" foi, ento, cumprida a fim de permitir a vitria dos filhos de Atreu.
O nome de Plops foi dado a toda a pennsula helnica: Peloponeso, que significa a ilha de Plops.
Penates                                         MINEURIMIMEIUM UIVI
Cada famlia romana adorava dois penates, cuja funo era velar sobre a dispensa (penus).
O seu altar, partilhado com a deusa Vesta, era erigido no centro da casa. Quando a famlia viajava, transportava consigo os seus penates.
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Persfone
O povo romano venerava tambm os seus penates plicos, os penates da Regia, que eram colocados no altar de Vesta.
PersMone ~~,affiffilaffix        -Uma, waM,
Core (a jovem) era filha de Demter e do seu irmo Zeus. A jovem cresceu ao ar livre, na Siclia, at que um dia foi vista pelo seu tio Hades, que decidiu rapt-la. 
Para o efeito, abriu um buraco no lugar em que Core colhia flores e a jovem deusa desapareceu nas profundezas da terra, gritando de uma forma to violenta que o 
seu grito foi ouvido em todo o Universo, despedaando o corao de sua me.
Entretanto, Demter procurou a sua filha por todos os lugares, com uma coragem, uma perseverana e uma dor que Zeus, sensibilizado, ordenou a Hades que entregasse 
Core a sua me.
Acontece que ningum podia regressar  luz se durante a sua estadia no mundo subterrneo tivesse absorvido algum alimento. E Core tinha sido forada por Hermes a 
comer um gro de rom, o que era suficiente para mant-Ia prisioneira dos Infernos. Entretanto, Hades desposou Core e transformou a filha do Cu e da terra na Senhora 
do mundo subterrneo, com o nome de Persfone.
Mas Demter, no seu papel de deusa-me, recusou-se a germinar a terra, ameaando seriamente a ordem universal, enquanto a sua filha no regressasse. Zeus viu-se 
assim obrigado a procurar uma soluo, autorizando Persfone a passar alguns meses do ano junto de sua me. Neste perodo, a Primavera, Demter, assumia de novo 
as suas funes de deusa-me, que cessavam quando a filha regressava aos Infernos. Ento caa o Inverno estril.
Fora do casamento, Persfone viveu, ainda, uma paixo com Aclnis, o belo jovem Srio, que a deusa roubou a Afrodite. Mas como esta teimava em no deixar partir 
o jovem, selou-se ento um novo compromisso: Aclnis viveria, cada ano, uma estao com Persfone, estando consagrado a Afrodite no resto do tempo.
Persfone parece tertido, tambm, um filho de seu pai, Zeus. Por vezes, este  apresentado como o deus solar Sabzio, noutras, e segundo a doutrina
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Perseu
rfica, ele teria sido o deus Zagreu que ser perseguido, morto e depois ressuscitado, com o nome de Dioniso.
Persfone, cujos atributos so o archote e a papoila, figura com a sua me Demter nos mistrios de Elusis. Os Romanos assimilaram-na  deusa etrusca Prosrpina 
e veneraram-na ao lado do Pai das Riquezas.
Uma pera de LuIly (1680) usa o ttulo de Prosrpina.
Perseu
Perseu  filho de Dnae, que foi amada por Zeus e visitada por ele sob a forma de chuva de ouro, na cmara subterrnea em que seu pai a tinha aprisionado. Com efeito, 
Acrsio, rei de Argos, tinha sabido por um orculo que encontraria a morte s mos do seu neto. Assim, quando soube do nascimento da criana, fechou-o com a sua 
me numa arca, que deitou ao mar. Mas esta foi dar  ilha de Serifo onde um pescador recolheu os dois ocupantes.
O rei da ilha, Polidectes, apaixonou-se perdidamente por Dnae e Perseu, que entretanto se tornara um homem, constitua um srio obstculo a este amor. Ento Polidectes 
decidiu dar um banquete, destinado a anunciar o seu casamento com Hipodamia, a filha do rei da lide. No decurso da refeio, ele sugeriu aos seus convidados os 
presentes que estes deveriam dar-lhe. A Perseu pediu a cabea da Grgona.
As Grgonas eram trs horrveis monstros alados, com cabeleira de serpentes, com dentes de javali, com pescoo coberto de escamas e com mos de bronze, que viviam 
no outro lado do mar, no pas das Hesprides. Elas tinham o poder de transformar em esttua de pedra todo e qualquer mortal sobre o qual deitassem o seu olhar.
No decurso do banquete, Perseu no recusou o desafio real. Mas Zeus, que velava pelo seu filho, enviou Hermes e Atena  terra, a fim de protegerem o irmo. Ento, 
Perseu dirigiu-se  morada das Greias, irms das Grgonas, para obter delas um itinerrio que o conduzisse ao seu destino. As Greias (cujo nome significa As Velhas) 
eram trs divindades nascidas com cabelos
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Perseu
brancos e que possuam, em comum, um s dente e um s olho dos quais se serviam, uma de cada vez. A fim de lhes retirar mais facilmente a resposta, Perseu comeou 
por lhes subtrair o olho e o dente assim como o capacete de Hades, que elas guardavam, e que tinha a propriedade de tornar invisvel quem o usasse. As Greias, para 
recuperar os seus bens, aceitaram ajudar Perseu. E este, sempre acompanhado de Hermes e de Atena, viajou para a extremidade do mundo ocidental.
Por sorte, as Grgonas dormiam quando o heri as encontrou. Das trs, uma delas, Medusa, era mortal. Foi esta que Perseu atacou. Virando a cabea para evitar o olhar 
perigoso, mas com o brao guiado por Atena e com a ajuda de uma arma enviada por Hermes, o heri decapitou o monstro.
Entretanto dos salpicos de sangue nasceram dois seres, filhos dos amores de Medusa e de Posdon: o cavalo alado Pgaso e um gigante com uma espada de ouro, Crisaor 
(o pai de Grion, gigante com trs corpos, que abateu Hracies).
Perseu colocou a cabea de Medusa num saco e, para escapar  perseguio das irms das vtimas, protegido pelo capacete mgico, saltou para o dorso de Pgaso e fugiu.
No parou at chegar aos limites orientais de frica, na Etipia, onde encontrou o rei Cefeu e a rainha Cassiopeia em desespero, porque Posdon enviara, sobre o 
pas, um monstro marinho que devorava rebanhos e habitantes. Tudo acontecera porque Cassiopeia ofendera as Nereides ao comparar-se com elas em beleza. E, para maior 
desgraa, o orculo de Amon proclamara que s o sacrifcio de Andrmeda, filha do casal real, poderia afastar o monstro do pas. Cefeu consentiu, ento, em sacrificar 
a jovem, mas Perseu ao v-Ia, aguardando a morte, sobre um rochedo, apaixonou-se por ela. Imediatamente decidiu utilizar as suas armas maravilhosas, defendeu-se 
do monstro e libertou a princesa a quem desposou.
Acompanhado de Andrmeda, regressou a Serifo, sabendo ento que Polidectes, aproveitando a sua ausncia e esperando a sua morte, tentara seduzir Dnae. Dirigiu-se 
ao palcio, entrou na sala em que o rei estava com os seus amigos e apresentou-lhes a cabea da Medusa. Imediatamente todos ficaram petrificados. Perseu chamou, 
ento, Dictus para suceder a seu irmo, restituiu os objectos sagrados que tinha na sua posse e ofereceu a cabea da Medusa a Atena, que a colocou no centro do seu 
escudo.
Depois, Perseu, acompanhado de sua me e de sua mulher decidiu regressar  sua ptria, a Arglida. Acrsio, informado da deciso do seu neto,
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Perseu
Abas rei de Argos e Tirinto
Acrsio                                                            Preto rei de Argos                                                      rei de Tirinto
--nae
Perseu rei de Tirinto e de Micenas
Megapentes que se tornou rei de Argos
decidiu fugir imediatamente do pas. Encontrava-se em Larissa, no pas dos Pelasgos, quando o rei deste pas morreu. Em sua honra foram organizados jogos fnebres 
para os quais Perseu foi convidado. No decurso destes jogos, Perseu lanou o disco que feriu mortalmente Acrsio, escondido no meio dos espectadores.
Como consequncia deste acto, Perseu sentiu escrpulos em suceder no trono de Argos, a seu av, trocando assim Argos por Tirinto onde reinava um primo de Driae. 
Aqui se fixou com a sua famlia, fundando, seguidamente, a cidade de Micenas.
Perseu teve trs filhos: Estnelo e Alceu, que casaram com duas filhas de Plops, e Elctrion, cuja filha, Aicmena, deu  luz Hracies, das suas relaes com Zeus. 
Teve ainda uma filha, Gorgfona (feminino do cognome de Perseu: o assassino de Grgona), que viria a ser a me de Tndaro e de Icrio (pai de Penlope).
 sua morte, Perseu, tal como sua mulher Andrmeda e os seus sogros Cefeu e Cassiopeia, foi transformado numa constelao.
Parseu apresentando a cabea de Medusa  um clebre bronze de B. Cellini, exposto em Florena; A libertao deAndrmedafoi ilustrada por numerosos pintores (Piero 
di Cosimo, Ticiano, Rubens, Rembrandt, Le Moyne, Ch.-A. Coypel) e esculpida por Puget. Inspirou, ainda, a tragdia de Corneille, Andrmeda (1650) e a pera de Lully, 
PersBu (1682).
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Miades
Pliades
As Miades so sete ninfas, filhas de Atlas e de Plione, que foram muito amadas pelos deuses, com excepo de uma delas, Mrope, que desposou Ssifo.
Um dia em que elas estavam a ser perseguidas, nas montanhas da Becia, pelo gigante Orion, imploraram ajuda a Zeus. Este transformou-as, imediatamente, em pombas 
( este o sentido da palavra pliades) conduzindo-as para o cu, onde se transformaram em estrelas. Na Primavera, elas brilhavam com grande fulgor,  excepo de 
Mrope, cujo brilho era mais tnue do que o das suas irms.
Existe uma outra explicao para a metamorfose destas ninfas. As
WMM-M~M @I_ - @~ @                                                 E
Pliades tinham um irmo, Hias, e cinco irms, as Hades. Estas eram citadas como tendo elevado Zeus, em Doclona e, mais tarde, Dioniso em Nisa.
Acontece que Hias foi morto no decurso de uma caada, deixando as suas irms inconsolveis. Os deuses, por piedade com a dor das jovens, decidiram transform-las, 
ento, em astros: a apario das Hades no cu anuncia, a partir de ento, a estao das chuvas (este  o sentido da palavra Hades).
Por aluso s sete filhas de Atlas, chama-se piiade a um grupo de sete pessoas unidas por interesses comuns; a mais clebre piiade foi aquela que reuniu  volta 
de Ronsard e de Du Bellay os poetas franceses da Renascena.
Polifemo                                                                    e
O mais conhecido dos Ciclopes de carcter pastoral (graas a Homero e mais tarde a Sfocles que lhe consagrou um drama satrico: O Giclope), o monstruoso Polifemo, 
filho de Posdon, vivia do leite e do queijo dos seus rebanhos, numa caverna da Siclia. Certo dia, apaixonou-se pela Nereide Galateia, mas ao ser preterido em favor 
do pastor cis, decidiu vingar-se do seu rival, esmagando-o contra um rochedo.
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Pomona
Polifemo foi o involuntrio hospedeiro de Ulisses e dos seus companheiros que se refugiaram na sua caverna, acabando por ser retidos como prisioneiros. Entretanto, 
Polifemo comeou a alimentar-se da carne huma  "na dos seus hspedes. Ulisses decidiu, ento, embebed-lo e, durante o sono do brio, espetou-lhe um enorme tronco 
com a ponta em brasa, no seu nico olho. O monstro, a quem Ulisses se tinha apresentado com o nome Aingum", gritou de dor e de raiva, chamando todos os outros Ciclopes. 
Mas quando estes acorreram e perguntaram o nome do responsvel pela sua dor, ele no soube responder seno: "Ningum". Ulisses conseguiu, entretanto, fugir com os 
seus companheiros, aproveitando a sada dos rebanhos de Polifemo.
A paixo de Polifemo por Galateia inspirou o Giclope de Albert Samain assim como as peras cis e Galateia de Lulily (1687), Haendel (1720) e Haydn (1763). cis 
e Galateia surpreendidos por Politemo  o tema da Fonte Mdicis, da autoria de Ottin (1863) que podemos admirar no jardim do Luxemburgo em Paris. O episdio da caverna, 
com Ulisses,  frequentemente representado, sobretudo nos vasos antigos.
Pomona                                                                     MO
Pomona, muitas vezes associada a Flora,  a divindade romana dos frutos. Ela foi amada por todos os deuses campestres e, tambm, pelo rei Latino Pico que, por seu 
amor, recusou a paixo da mgica Circe. Esta, por vingana, transformou-o num picano-verde.
Ovdio apresenta Pomona como esposa de Verturnno, divindade das rvores de fruto, que a teria conquistado, tomando a forma de uma mulher velha.
Pomona foi tema de numerosas representaes (uma clebre esttua de Mailloi tem o seu nome).
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Ponto
Ponto
Quando Geia, a Terra, no princpio dos tempos, emergiu do Caos, gerou o cu, rano e Ponto, o mar (divindade masculina).
Depois, mais tarde, uniu-se com cada um dos seus filhos. De Ponto gerou um certo nmero de divindades que personalizavam as foras do mar: o benevolente Nereu, Taumas, 
Frcis e Ceto, que se uniram entre si e, ainda, Eurbia, que desposou o Tit Crios, filho de Geia e de rano.
No devemos confundir Ponto, que representa o elemento aqutico e o abismo dos mares, com Oceano, o mais velho dos Tits, que personifica um imenso rio que, segundo 
as crenas primitivas, rodeia o disco terrestre.
Posdon
Posdon  o mais velho dos filhos de Cronos e de Reia. Tal como todas as suas irms, que o tinham precedido, e como o seu irmo Hades, que nasceu depois dele, tambm 
Posdon foi devorado por seu pai  nascena. Mas o seu irmo mais novo, Zeus, que escapou  voracidade paterna, obrigou Cronos a restituir todos os seus filhos  
vida.
Assim, Posdon estar sempre ao lado de Zeus, no Olimpo, quando este tem de empreender um combate contra inimigos. A primeira vitria dos Olmpicos, sobre os Tits, 
conduziu  repartio da herana de Cronos entre os seus trs filhos: a Zeus coube-lhe a soberania do cu e a realeza divina; Posdon recebeu o imprio dos mares 
e Hades obteve a soberania dos Infernos.
Posdon e o seu imprio Parece certo que Posdon, ambicioso e invejoso, se rebelou contra a autoridade de Zeus: certo dia tentou mesmo, com a cumplicidade de Hera, 
afastar o rei dos deuses, mas este desfez a conspirao e exilou Posdon durante um ano, na corte do rei Laornedonte da Frgia, a quem ele serviu como escravo, construindo-lhe 
as muralhas de Tria.
vido de exercer o seu domnio sobre as terras imersas, Posdon no se contentou em ter como morada privilegiada a ilha da Atlntida, sobre a qual reinaram o seu 
filho Atlas e os seus descendentes. Vrias vezes entrou em
244

Posdon
conflito com outros deuses na esperana de se tornar senhor de novos territrios: com Atena, a quem contestou a supremacia sobre a tica - mas o rei Ccrops preferiu 
a oliveira, dom de Atena, ao cavalo, dom de Posdon; com Hera, com quem disputar o domnio da Arglida - como os trs rios do pas deram os seus votos  deusa, 
Posdon secou-os, deixando a zona numa terrvel seca; com Zeus, por um lado, e com Dioniso, por outro, pela hegemonia sobre as ilhas da Egina e de Naxos; com Apolo, 
a quem ele deveria ceder o territrio de Delfos, que detinha at a juntamente com Geia; com Hlio, pela posse do istmo de Corinto - e, desta vez     ', ele ganhou 
a causa. A regio foi dividida entre os dois concorrentes: a cidade de Corinto ficou submetida ao deus Sol e o resto do pas a Posdon.
Curiosamente, a autoridade de Pos&n sobre o imprio dos mares nunca foi contestada, exercendo-se no s sobre os mares, mas tambm sobre os lagos e as guas correntes. 
Posdon tinha o poder de sacudir a terra, de fender as montanhas, de fazer brotar as fontes e de projectar bocados de rochas no mar, a fim de formar ilhas.
O deus habitava num palcio de ouro no fundo do mar Egeu e costumava passear-se sobre as ondas num carro atrelado a cavalos, seguido por um cortejo constitudo pelas 
belas Nereides e pelos Tritos, monstros com bustos de homem e corpos de peixe que sopravam nas conchas. A sua mulher era Anfitrite, uma das filhas de Nereu.
Posdon vira-a, pela primeira vez, quando ela se divertia com as suas irms, na ilha de Naxos. Ento, props-lhe casamento, mas Anfitrite, assustada, fugira, refugiando-se 
junto de seu primo Atlas. O deus enviou, ento, um golfinho  sua procura. Este encontrou-a e como prmio pelo seu servio foi imortalizado, sob a forma de constelao.
A partir de ento, Anfitrite, reinou ao lado de Posdon. O casal divino teve trs filhos: Trito, deus do lago Tritone, na Lbia, pai de Palas, a amiga de infncia 
de Atena; Bentescime, residente na Etipia, que ter um dia de educar Eumolpo, futuro rei da Trcia e fundador dos mistrios de Elusis, um dos filhos adlteros 
de seu pai e Rodo, divindade da ilha de Rodes, que dar sete filhos a Hlio.
Mas Posdon coleccionar aventuras amorosas. Com Geia, sua av, gerar o gigante Anteu que se bater com Hracles; de sua irm Demter, transformada em gua para 
escapar  sua paixo, ele gerar, transformado ele prprio em cavalo, o cavalo Aron, dotado da palavra, e uma filha - apelidada
245

Posdon
de A Senhora - cujo nome se mantm misterioso.  tambm sob o aspecto de um cavalo que ele possuir a Grgona Medusa, gerando Crisaor, o homem da espada de ouro, 
e o cavalo Pgaso.
Mas tambm as ninfas e as mortais no resistiram ao poder de Posdon. Entre estas ltimas podemos citar a princesa trcia, Tefana, que ele transformar em ovelha, 
tendo ele prprio tomado a forma de um carneiro e que ser me do famoso carneiro do Velo de Ouro e Etra, esposa do rei Egeu, de Atenas, cujo filho, Teseu, talvez 
tenha sido fruto dos seus amores com o deus. Posdon est, assim, na origem de mltiplas genealogias.
Entre os seus filhos regista-se um grande nmero de seres monstruosos, violentos e malfeitores, tais como os gigantescos Alodas, que tentaro escalar o Olimpo ou 
o Ciclope Polifemo.
Vingativo (a raiva do deus contra os Troianos deve-se ao facto de Laomedonte ter recusado honrar o seu trabalho: a construo das muralhas de Tria), Posdon saber 
fazer nascer os monstros mais nefastos - touros ou drages - para se vingar deste ou daquele mortal ou para satisfazer o pedido de um dos seus prximos:  assim 
que morrer - injustamente - o filho de Teseu, caluniado por Fedra, sua madrasta.
O culto de Posdon
O culto de Posdon, anterior ao de Zeus,  um dos mais antigos do mundo grego. O deus dos mares teve, na origem, mais atributos do que aqueles que dizem respeito 
ao seu imprio; o seu nome parece vir de uma raiz pot(cf. a palavra grega despots, senhor, e o latim potens, poderoso), que evoca o poder.
O tridente, que lhe  reconhecido como atributo, parece representar o raio e sugerir que Posdon foi, primitivamente, um deus do cu, suplantado por Zeus como divindade 
omnipotente. Posdon saber, no entanto, manifestar a sua vontade de poder sobre outros domnios para alm do dos mares. Como personificao do elemento hmido, 
ele estar, por exemplo, sempre ligado  fecundidade do solo. Na Antiguidade, sacrificavam-lhe animais (particularmente o touro e o cavalo) que simbolizavam a sua 
aco fecundante e a sua impetuosidade.
Posdon  adorado em todo o mundo grego, especialmente em Esparta e na Jnia, em Corinto onde se celebravam em sua honra os Jogos stmicos, assim como em todas as 
cidades martimas.
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Priapo
Os Romanos assimilaram Posdon a Neptuno, o seu deus dos mares que, na origem, teve uma importncia muito secundria. Virglio apresenta-o como um deus bonacheiro, 
zeloso da sua autoridade, mas sabiamente preocupado com a ordem do mundo. O Neptuno da Eneida parece ter esquecido o rancor de Posdon contra os Troianos.
Existem mltiplas representaes de Posidon-Neptuno em vasos, frescos, mosaicos, mrmores e bronzes antigos at s obras posteriores de todo o tipo: grupo da fonte 
dita de Neptuno em Versailhes, por L.-S. Adam; quadro de Poussin (Filadlfia) e de Le Brun (Louvre, galeria de Apolo), representando O Triunfo de Neptuno; O Reino 
de Neptuno (Valentine Prax, coleco particular); Neptuno e Antitrite por Ticano (Bienheim), Carrache (abbada da galeria Farnese), Rubens (Berlim); Neptuno e Marte 
(Veronese, Veneza); Disputa de Neptuno e Mnerva (Jordaens, Florena; N. Hail, Louvre)... A clera de Neptuno contra os ventos contada por Virglio (" Quos ego 
... !: Eneida, 1, 135) inspirou Rubens (Dresden) e S. Rosa (Toulouse).
Priapo
O deus Priapo, filho de Dioniso e de Afrodite, disforme e dotado de um enorme membro viril, personifica o poder gerador. Na origem, ele era representado sob a forma 
simples de um falo.
Os pastores e os camponeses adoravam-no como o protector fecundante dos campos e dos rebanhos. Os fiis dos mistrios veneravam-no como uma das divindades que detinha 
os segredos da vida eterna.
O seu culto, localizado em Lmpsaco, na sia Menor, propagou-se a toda a Grcia e depois a Itlia. No Imprio Romano, Priapo tornou-se uma personagem tradicional 
no teatro popular.
247

Prometeu
Prometeu
Prometeu, filho do Tit Jpeto e da Ocenide Clmene,  irmo de Epimeteu, Atlas e Mencio. Uma lenda tardia apresenta-o como o criador dos primeiros homens a partir 
da terra argilosa. Mas a Teogonia de Hesodo apresenta-o somente como o benfeitor de uma humanidade j criada.
No decurso de um sacrifcio, Prometeu ter iludido Zeus, em proveito dos homens: o deus, tendo de escolher entre uma parte sedutora, que no reunia mais do que ossos, 
e uma menos sedutora mas que continha a carne, escolheu a primeira, deixando a segunda para os humanos. Furioso porter sido enganado, Zeus vingou-se, privando os 
homens do fogo. Mas Prometeu restituiu-lhes o precioso elemento: bastou para isso roubar algumas fascas  roda do carro solar.
Zangado, mais uma vez, Zeus voltou a vingar-se sobre a humanidade, enviando a bela e perversa Pandora a Epimeteu, que fez dela sua mulher. E Pandora derramou sobre 
os mortais todos os males contidos no vaso de que era portadora.
Quanto a Prometeu, Zeus acorrentou-o no cimo do monte Cucaso, onde uma guia lhe devorava o fgado, que se renovava permanentemente'.
Hracles, encarregado de ir procurar as mas das Hesprides, passou pelo monte e pediu conselho a Prometeu, que tinha o dom da viso, sobre o caminho a seguir. 
Como forma de agradecimento, libertou-o das suas amarras, matando a guia insacivel com uma flecha.
Entretanto, Zeus perdoou a Prometeu, e este prestou-lhe um grande servio: informou-o que Ttis, que o deus cortejava, estava destinada a ter um filho que seria 
mais poderoso do que o prprio pai. Perante isto, Zeus escusou-se, imediatamente, a desposar a deusa, futura me de Aquiles (da sua unio com um mortal, Peleu).
Prometeu teve vrios filhos da sua mulher e sobrinha Celeno, filha de Atlas. O seu filho Deucalio foi, juntamente com a sua mulher Pirra, filha de Epimeteu, o nico 
casal mortal que o dilvio de Zeus poupou, cabendo-lhes assim a tarefa de reconstituir a raa humana.
Menelau, rei de Esparta, conhecer Pris, futuro pretendente de Helena,
' A medicina iria descobrir que uma propriedade do fgado  precisamente, quando uma afeco aguda destruiu uma grande quantidade de clulas, regenerar-se espontaneamente 
e reencontrar o seu volume inicial.
248

Proteu
por ocasio de um sacrifcio sobre o tmulo de dois outros filhos de Prometeu, Ximareu e Lico, que tinham sido sepultados em Tria.
Mais tarde, quando o Centauro Quron, sofrendo atrozmente de uma ferida (causada por uma flecha de Hracles), ofereceu a sua imortalidade a quem trocasse com ele 
a sua condio de mortal, Prometeu decidiu apresentar-se, permitindo assim que Quron morresse e que, ele prprio, alcanasse a imortalidade.
Para alm das obras literrias consagradas ao benfeitor da humanidade, smbolo da ambio humana face ao autoritarismo dos deuses (sobretudo depois do Prometeu acorrentado 
(c. 467 a. C.), de squilo, o poema Prometeu (1774) de Goethe e de Byron (1816), o Prometeu libertado (1820) de Shelley e o conto filosfico Prometeu mal acorrentado 
(1899) de Gide), o filho do Tit no deixou tambm de inspirar os pintores (Ticiano, Madrid, museu do Prado) e os msicos (Prometeu, tragdia lrica de G. Faur, 
1900 e pera de Carl Offi, 1967).
O nome de prometeum foi dado a um metal produzido pela frico do urnio.
Proteu
Proteu, apelidado de "O Velho do Mar", filho dos Tits Oceano e Ttis,  o pastor dos animais marinhos de Posdon. O deus reside na ilha de Faros, prxima da embocadura 
do Nilo. Como todas as divindades do mar, mas num grau mais elevado, Proteu tem o dom de se metamorfosear:  assim que, para escapar a Menelau, de regresso de Tria, 
ele se transformar sucessivamente em leo, serpente, pantera, javali, em gua e numa rvore. Habitualmente  representado como um homem com cauda de peixe.
Certas tradies tardias fazem de Proteu um rei do Egipto a quem Helena teria sido confiada durante a guerra de Tria.
Proteu  o heri epnimo de uma pera de D. Milhaud (1914) e de uma pea de Claudel (1914), "grande bufonaria" onde aparece toda a fantasia do personagem.
249

M
Quron                                                                      =M
O centauro Quiron pertence  gerao dos Olmpicos. Ele  filho de Cronos, que tomou a aparncia de um cavalo para seduzir Hira, uma filha do Oceano.
Quron vive numa gruta do monte Plion, na Tesslia. A sua sabedoria e o seu conhecimento fizeram com que ele fosse escolhido como preceptor de Apolo e de Asclpio, 
de Aquiles e de Jaso, a quem ele ensinar tanto as artes marciais e a caa como a msica e a medicina. O seu nome, derivado da raiz cheir (mo), revela a sua habilidade 
prtica.
Quron teve uma filha, Hipe (cujo nome significa: jumento), que foi seduzida por olo, rei da Tesslia. Depois disto, a jovem escondeu-se no monte Plion a fim de 
dar  luz uma filha, Melanipe (jumento negro). Mas Quron foi informado e partiu em perseguio de Hipe que, implorando a misericrdia dos deuses, foi levada para 
o cu e transformada em constelao.
Quando Hracies, hspede do centauro Folo, teve de enfrentar os outros centauros, Quron, que se encontrava junto deles, foi ferido por uma flecha perdida. Acontece 
que as feridas provocadas pelas flechas do heri eram incurveis e, assim, toda a competncia mdica de Quron se revelou inoperante.
Como imortal, Quron estava condenado a sofrer, horrivelmente, pela eternidade e, por isso, decidiu trocar a sua natureza com a de um mortal. Prometeu aceitou a 
troca e o bom centauro pde, ento, conhecer a morte e o repouso.
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Radamanto
Radamanto  um dos filhos de Europa, que tinha sido transportada por Zeus, sob a forma de um touro, para a ilha de Creta. Ele , ainda, irmo de Minos e de Sarpcion, 
tambm filhos do rei dos deuses. Quando Zeus decidiu casar Europa com o rei de Creta, Astrio, este adoptou as trs crianas.
Radamanto consagrou-se como o legislador de Creta (outros atribuem esta funo a Cres, o primeiro rei). Mais tarde, os Gregos, que se inspiraram nas suas leis, transformaram 
Radamanto num dos trs juizes dos Infernos, cargo que ele dividiu com o seu irmo Minos, que foi rei de Creta e como ele respeitado pela sua sabedoria, e com aco, 
um outro filho de Zeus, igualmente reputado pela sua equidade.
No fim da vida - uma das aventuras deste perodo, a sua viagem  ilha de Eubeia  procura do gigante Titios, no  conhecida seno por uma aluso de Homero - Radamanto 
ter regressado  Becia, onde ter desposado Alcrnena, a viva de Anfitrio.
Reia
Reia  uma das Titnides. A deusa "dos belos cabelos", aps a castrao de seu pai rano, casou-se com o seu irmo, o subtil Cronos, responsvel pelo feito. Os dois 
reinaram, ento, sobre o mundo e sobre a raa dos Tits, gerando Hstia, Demter, Hera, Hades, Posdon e Zeus.
Mas o seu marido, com receio de que um dos seus filhos lhe fizesse o
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Rios
mesmo que ele tinha feito a seu pai, devorou os cinco primeiros, logo aps o nascimento. Quando Reia esperava Zeus tomou precaues a fim de o salvar e, para isso, 
pediu a ajuda de seus pais. Geia, sua me, aconselhou-a a dar  luz numa caverna situada na ilha de Creta e a deusa assim fez. Geia encarregou-se do recm-nascido 
e confiou-o s filhas do rei, enquanto os Curetes, dedicados ao culto de Reia, faziam grande algazarra com as suas danas, para que Cronos no pudesse escutar o 
choro do recm-nascido. Entretanto, Reia apresentou a seu marido uma grande pedra, envolta em panos e Cronos, fiel  sua tradio, engoliu-a sem desconfiar.
Quando Zeus cresceu, obrigou o seu pai a abandonar o poder. A personalidade de Reia e o seu culto, que parece ter origem cretense, vieram sobrepor-se ao de Geia: 
uma e outra so deusas da terra (o nome Reia parece ser uma deformao da palavra ra que significa terra) e a lenda de Reia no  seno uma repetio da lenda de 
Geia. As duas deusas sofreram vicissitudes anlogas quer no seu papel de mulheres como no de mes e infligiram aos seus maridos destinos semelhantes.
Vrias regies da Grcia disputaram a Creta a honra de ter acolhido Reia: refere-se o rochedo de Petracos, perto de Queroneia ou o Metidio da Arcdia, como o lugar 
em que a deusa teria oferecido a pedra  voracidade de Cronos; por outro lado, apresenta-se Tebas ou o monte Liceu, na Arcdia, como o local em que ela teria dado 
 luz Zeus. Para alm disso,  costume situar-se a sua residncia oficial em Taumasio, ainda na Arcdia.
Em Atenas, os cultos de Reia e de Cronos esto juntos num santurio. As Cronia, festas do trigo, associam tambm os dois esposos.
Entretanto, Reia ir transformar a sua fisionomia helnica por contacto com a "Me dos deuses", Cbele, outra div'indade da terra cujo culto, com as suas formas 
orientais, conquistou a Grcia, invadindo todo o mundo mediterrnico.
Rios                                     w,5m@amm weee p
Na Antiguidade consideravam-se os rios - em nmero de trs mil como filhos dos Tits Oceano e de Ttis. Para se conciliar com o seu poder era-lhes rendido um culto, 
com oferta de sacrifcios. As jovens consagravam-lhes as suas cabeleiras.
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Rmulo
A importncia vital da gua doce num pas grego explica a grande ligao dos Gregos a estas divindades, cuja lenda  constantemente enriquecida.
O maior rio da Grcia, Aqueloo, era tambm o mais venerado.
Os deuses-rios so representados com a aparncia de um touro (que traduz simultaneamente a impetuosidade e o bramido dos caudais) com face animal ou humana ou com 
o aspecto de um nobre velho barbudo, dotado de cornos, e apoiado sobre um pote de onde a gua cai incansavelmente.
Rmulo
A lenda de Rmulo situa-se na encruzilhada muito nebulosa da mitologia e da histria. Seguindo a verso mais corrente, Rmulo  descendente de Eneu e filho do deus 
Marte.
Aquando da morte do rei de Alba-Longa, Proco (dcimo-quinto rei da dinastia de Eneu), os seus dois filhos disputaram o trono. O mais novo, Amlio, venceu o mais 
velho, Numitor, e para evitar que este tivesse um dia algum que o vingasse, matou o seu filho e fez da sua filha, Reia Slvia, uma vestal, consagrada ao celibato. 
Mas o deus Marte alterou os seus planos ao seduzir a jovem sacerdotisa, tornando-a me de dois gmeos, Rmulo e Remo.
Infncia e juventude Amlio, tendo colocado as crianas num cesto de vime, abandonou-as no rio Tibre, na altura da enchente, para que elas fossem levados para o 
mar. Mas o cesto foi depositado na colina do Palatino, ao p de uma figueira. Uma loba, que perdera os seus filhos, foi enviada por Marte para aleitar os recm-nascidos. 
Afigueirafoi mais tarde objecto de culto com o nome de Ruminal, de rumen (mama). Ao descobrir este prodgio, Fastulo, um pastor do rei, recolheu os bebs e confiou-os 
a sua mulher, Aca Larncia, j me de doze crianas.
Logo que os gmeos atingiram a idade de estudar, foram enviados para Gabias, para frequentar o centro universitrio do Lcio. Mas quando os jovens regressaram  
sua cidade, comandando um bando de camponeses
255

Rmulo
jovens, entregaram-se  pilhagem e roubaram algumas cabeas de gado da manada de Amlio, no Aventino. Um dia, os camponeses do rei capturaram Remo e conduziram-no 
a Alba.
Ento Fustulo revelou a Rmulo tudo aquilo que sabia acerca do seu nascimento. Entretanto, o jovem comandou os seus camaradas at Alba, forou as portas do palcio, 
deu-se a conhecer a Amlio, matou-o e libertou Remo. Depois instalou no trono o rei legtimo, Numitor.
Este ofereceu aos seus netos um territrio, que compreendia as colinas do Palatino, onde eles tinham sido educados, do Capitlio e do Aventino. Os dois gmeos decidiram 
fundar a uma cidade.
Rmulo instalou-se no Palatino e Remo no Aventino, mas como no chegavam a acordo sobre o local onde construir a cidade, decidiram consultar os orculos. Estes responderam-lhes 
que a cidade seria fundada poraquele que tivesse contado, no seu campo de viso, um maior nmero de pssaros. Rmulo viu doze abutres, enquanto que Remo no contou 
seno seis e, assim, foi decidido que a futura cidade seria fundada sobre o monte Palatino. Rmulo traou, com uma charrua, os limites da cidade, proibindo a quem 
quer que fosse que os transpusessem. Mas Remo, em sinal de afronta, franqueou afronteira consagrada e Rmulo, com a sua espada, matou Remo, que enterrou sob o Aventino. 
Esta colina, at ao sc. i d.C. foi mantida no exterior do pomerium, a cintura religiosa de Roma.
O fundador A fundao de Roma  datada de 21 de Abril de 753 a. C., dia da festa da deusa Palas.
Para povoar a sua cidade, Rmulo criou sobre o Capitlio um lugar de asilo, aberto a todos os vagabundos da regio. Depois, a fim de arranjar-lhes mulheres, organizou 
jogos. Os Sabinos, seus vizinhos, receberam um convite especial e partiram para o espectculo com as suas famlias. Mas a certa altura dos jogos, os vagabundos precipitaram-se 
sobre as jovens presentes e raptaram-nas.
Em consequncia disto, o rei dos Sabinos, Tito Tcio, marchou sobre Roma. Graas  cumplicidade de Tarpeia, filha do guarda da cidadela do Capitlio, o exrcito 
sabino penetrou nos muros da cidade (Tarpeia ser esmagada pelos escudos dos Sabinos e o rochedo que delimita o Capitlio, de onde se atiram os criminosos, ser 
chamado rocha Tarpeiana).
256

Rmulo
Os sabinos teriam conseguido vencer as tropas de Rmulo se o deus Jano no lhes tivesse barrado o caminho, fazendo brotar perante eles a gua quente de um geiser. 
A batalha deslocou-se ento para o vale onde mais tarde se estabeleceu o Frum. Rmulo, ao ver o seu exrcito quase desbaratado, dirigiu a Jpiter uma dramtica 
jaculatria e o rei dos deuses interveio imediatamente. Os Sabinos foram vencidos e neste lugar foi construdo o templo de Jpiter Stator. Do outro lado, as jovens 
sabinas, tornadas esposas dos companheiros de Rmulo, precipitaram-se para os seus pais e maridos suplicando-lhes que fizessem a paz.
A paz foi, ento, assinada entre Tcio e Rmulo, que instituram a fuso dos dois povos. Os dois chefes reinaram, a partir de ento, conjuntamente e,  morte de 
Sabino, Rmulo exerceu sozinho o poder, tendo ocupado o trono durante trinta e trs anos.
Tinha ele cinquenta e quatro anos quando, ao passar revista s suas tropas no campo de Marte, desapareceu num eclipse do sol, acompanhado de uma violenta tempestade. 
Os Romanos assimilaram o "Pai da Ptria" ao deus Quirino e construram-lhe um templo no monte Quirinal (o nome de Quirites foi dado aos cidados romanos).
O tema de Rmulo e Remo aleitados por uma loba  constante nas moedas, nas gravuras abertas, nos baixos-relevos da poca romana, mas tambm nas pinturas (A. Carrache, 
P. de Cortone, Rubens, etc.): David imortalizou a cena de rapto das Sabinas (o rosto de uma delas figurou nos selos franceses dos anos 70). A loba etrusca de bronze 
tornou-se o smbolo da cidade de Roma (os gmeos foram-lhe acrescentados no sc. xvi).
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Sabzio
As tradies relativas a Sabzio, deus solar originrio da Frigia, so muito diversas. Ele  apresentado como filho de Cronos, de Cbele ou de Zeus que se teria 
unido com Persfone sob a forma de uma serpente. Em sua honra celebram-se festas nocturnas de carcter orgistico. Sabzio era representado com cornos (atribua-se-lhe 
a domesticao dos bois), tendo por smbolo a serpente, a pinha ou a mo votiva.
A sua lenda ser assimilada mais tarde  de Dioniso, a ponto de as duas divindades se confundirem no mundo grego. No mundo romano, sobretudo na Glia, Sabzio foi 
identificado com Baco, e por vezes tambm com o deus dos hebreus Jav "Sabaoth" (o deus das legies celestes).
Sarpdon
Sarpcion, filho de Zeus e de Europa,  o fundador da cidade de Mileto na
Lcia (sia Menor). Distingue-se, geralmente, este Sarpcion de um outro que
Europa    +    Zeus
Sarpdon 1         Belerofonte
1                  1 Evandro           LdUUarnia     +     Zeus
Os dois Sarpdon
Sarpdon 1
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Stiros
foi o chefe do contingente Lcio que veio participar na guerra de Tria ao lado do rei Pramo; tambm este  filho de Zeus, mas tem por me Laodamia (filha de Belerofonte). 
Clebre pelo seu tamanho e valentia, Sarpcion morreu s mos de Ptroclo.
Stiros
Os Stiros so gnios das florestas e das montanhas representados, na origem, com um corpo peludo, dotado de um rabo e de duas patas de bode e com uma cabea com 
orelhas pontiagudas, um nariz achatado e um olhar lbrico. Estes gnios ocupam os seus tempos livres perseguindo as ninfas ou os viajantes. Pertencem, ainda, ao 
cortejo de Dioniso e desempenham um papel importante nas festas orgisticas consagradas a este deus.
Os Gregos deram o nome de dramas satricos a determinadas peas de teatro, cujo coro era composto por stiros.
Os Stiros, talvez sob influncia de Praxteles (museu do Louvre), vo humanizar-se a partir do sc. iv, a ponto de serem representados como sedutores rapazes, conservando 
no entanto um rabo animal como testemunho da sua natureza primitiva. As danas de stiros e de ninfas inspiraram os pintores apaixonados pela mitologia (Ticiano, 
A. Carrache, Rubens, Poussin ... ).
Saturno
Saturno, tendo sido assimilado ao deus grego Cronos, era entre os lati- ,fl, UMISQ
nos um deus da vida agrcola, ceifeiro e vinhateiro, cujo nome (que est ligado a satur. saciar ou a sator. semear) evoca a abundncia.
Afastado do cu por seu filho Jpiter, ele refugiou-se na regio de Itlia mais tarde chamada Lcio (ou seja, o Refgio) que, para os poetas, era
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Saturno
terra de Saturno. A exerceu a soberania e fez reinar a idade do ouro. Criou uma famlia e uma conduta novas, vindo a ser pai de Pico, antepassado de Latino.
Os Romanos que, segundo outras tradies, atribuem a origem de Roma a Saturno, construram-lhe um templo e um altar  entrada do Frum, no Capitlio. Atribui-se 
ainda a Saturno a criao de divindades como Jano ou Hrcules e de heris como Rmulo.
Os Romanos, com receio que o deus abandonasse o seu lugar (na Repblica depositava-se no seu templo o tesouro do Estado), prenderam a sua esttua com faixas de l 
e no a libertavam seno quando se realizavam as Saturnais.
Com efeito, estas festas populares, celebradas anualmente por volta do soistcio de Inverno, pretendiam ressuscitar por um certo tempo a poca maravilhosa em que 
os homens tinham vivido sem contrariedades, sem distines sociais, numa paz inviolada. Era uma semana de repouso livre e feliz, durante a qual todas as actividades 
profissionais eram suspensas - at as campanhas militares eram interrompidas - e se realizavam inmeros banquetes, onde os cidados substituam a toga pela tnica 
e serviam os seus escravos que, desobrigados das suas funes habituais, falavam sem papas na lngua. Estas festividades desembocavam, inevitavelmente, em grandes 
orgias.
O culto de Saturno no se propagou com a mesma amplitude em todo o mundo romano, tendo sido objecto de um fervor excepcional junto das populaes de frica. "Dominus 
Saturnus" representa para estas o deus fertilizador da terra e, igualmente, o sol, assim como a lua. Espcie de divindade suprema do cu, instalada muitas vezes 
em substituio dos deuses fencios, o Saturno africano foi, como Moloque, apreciador de vtimas humanas. Estas prticas cessaram sob o Imprio e foram substitudas 
por libaes e por sacrifcios de touros e de carneiros.
O sbado  o dia consagrado a Saturno.
O Saturno itlico  representado nas moedas como nas pinturas de Pompeia - testemunho ambivalente da sua actividade agrria e da sua identificao com o castrador 
Cronos - com a serpente na mo. Um baixo-relevo do museu do Capitlio, rplica de um modelo grego,
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Selene
apresenta-o como Cronos, sentado no trono, recebendo das mos de sua mulher (por vezes chamada Opes nos textos latinos) a pedra envolvida em panos que ele confundiu 
com Jpiter recm-nascido.
O Saturno africano  um homem de barba curta, penteado com caltides. Mas o deus chega a figurar, na mesma estela, com trs aspectos distintos: deus barbudo com 
a foice, jovem deus solar com a cabea ornada de raios e jovem deus lunar coroado com o crescente.
Selene
Selene, a deusa coroada de ouro, dotada de grandes asas, filha dos Tits Hiprion e Teia, personifica o astro lunar cujo brilho de prata percorre o cu cada noite. 
Ela  irm de Hlio, o Sol, e de Eos, a Aurora.
Amante de Zeus (com quem gera a bela Pandia e Erse, a Rosada) e, mais
Ila ~II, MaUM
tarde, de P, que se transforma num carneiro de pelagem branca a fim de a seduzir, Selene ser, violentamente, tocada pela beleza do jovem Enclmion, que lhe dar 
cinquenta filhas, e a quem ela no deixar nunca de contemplar, noite aps noite, mergulhado no seu sono eterno.
O nome Selenitos , por vezes, dado nos nossos dias aos supostos habitantes da Lua.
Smele                                                            1:11,5 1 W, aIGIR ffi$ >
Srnele era filha de Cadmo, rei de Tebas e neto de Posdon, e de Harmo-nia, filha de Zeus. Mas Zeus tornou-se amante da sua neta.
Hera, enfurecida e ciumenta, arquitectou uma vingana cruel e refinada para a sua rival.
Disfarou-se de sua ama e convenceu Srnele a pedir a Zeus, como prova de amor, que se mostrasse em toda a sua glria. O senhor do Olimpo escusou-se, dizendo  princesa 
que era perigoso, para uma mortal, estar em contacto com o brilho divino. Mas Srnele insistiu e Zeus consentiu, apare-
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Srnele
cendo no seu carro cintilante, cercado de raios, a ponto da jovem, incapaz de suster a intensidade do brilho, se deixar devorar pelo fogo celeste.
Acontece que Srnele transportava, no seu ventre, um filho de Zeus, que teria inevitavelmente perecido, se o rei dos deuses no tivesse vindo em seu socorro, retirando-o 
do ventre de sua me e protegendo-o at ao dia do seu nascimento, na sua prpria coxa. A criana em questo era Dioniso que, segundo a tradio popular, teria sado 
"da coxa de Jpiter".
Ino, irm de Srnele, foi encarregada por Zeus de cuidar da criana. E por isso Hera perseguiu-a na sua vida familiar at que a morte a libertou das suas torturas.
Dioniso, elevado ao papel de deus, no esquecer a sua me, indo reclam-la a Hades e fazendo-a sair dos Infernos, para a levar consigo para o Olimpo, onde ela ter 
lugar entre os imortais com o nome de Tione.
lo   +   ZEUS
1 Lbia   +    Posdon                            Atlas
Agenor                Electra         Maia           Tageto
1                 + ZEUS          + ZEUS          + ZEUS
Europa      Cadmo    +   Harmonia'        Hermes + ZEUS
Srnele     Ino + ZEUS
Dioniso
A interveno de Zeus na famlia de Srnele
1 Cf. p. 200.
263

Serpis
Dioniso, na sua qualidade de deus da vinha, ligou este seu atributo  lenda de Srnele consumida pelo fogo do cu: quando a terra era fecundada, ela devia sujeitar-se 
ao calor do sol para que a semente se transformasse em fruto, e a cultura da vinha era especialmente exemplar a este ttulo.
Serpis
O culto de Serpis foi institudo pelos faras, em Alexandria, no sc. iv a. C., com o fim de reunir,  volta de uma mesma divindade, as populaes egpcia e grega 
at a divididas pelas suas origens religiosas. Em Serpis fundiam-se os caracteres dos deuses egpcios e gregos: de um lado, o deus identificava-se com Osfris, 
o marido de sis, deus da vida e da morte; do outro, aproximava-se de Dioniso e dos seus mistrios. Nas duas tradies, os deuses em questo tinham sido, originalmente, 
deuses que presidiam  vegetao e governavam o mundo subterrneo.
Ora, pouco a pouco, enquanto sis, assimilada a Demter, absorveu os atributos de todas as divindades femininas, Serpis transformou-se num deus masculino universal 
("o nico Zeus Serpis"). O seu culto, geralmente associado ao de sis, conquistou o conjunto do mundo Greco-Romano.
Perseguido em Roma at ao sculo 1 da nossa era, ele obter definitivamente direito de cidadania e os templos denominados serapea abundaro em todo o Imprio.
Serpis  representado com o aspecto de um deus helnico, de idade madura, com semblante grave, usando barba e longos cabelos. O seu atributo  a corbelha sagrada 
dos mistrios, smbolo da abundncia, juntamente com a serpente de Asclpio, nalguns casos, pois Serpis era igualmente um deus curandeiro.
264

Silvano
Sileno                                                                    ffim
D-se, geralmente, o nome de Silenos aos stiros mais velhos. Mas Sileno , particularmente, o nome do stiro nascido de P ou de Hermes, que certas tradies apresentam 
como o educador de Dioniso, quando este saiu da coxa de Zeus.
Sileno era representado como uma figura grotesca e feia, calvo, com um ventre dilatado, geralmente bbado, e montado num burro. Curiosamente, este stiro era dotado 
de uma grande sabedoria, mas raramente esta era utilizada em proveito dos mortais.
Um dia em que, depois de muitas libaes, Sileno adormeceu na montanha, os camponeses capturaram-no e conduziram-no ao rei da Frgia, Midas. Este, tendo-o reconhecido, 
libertou-o das suas correntes e o stiro revelou-lhe a teoria sobre a condio humana: "De todas as coisas, a melhor para o homem  no nascer. Em seguida, mas s 
em segundo lugar,  morrer o mais cedo possvel! "
A embriaguez ou O Triunfo de Sleno inspiraram Van Dyck, Rubens, Ribera, Daumicr; um bronze de Dalou figura no jardim do Luxemburgo (Paris).
Silvano
Silvano era uma divindade latina das florestas (silva), pouco distinta do deus Fauno ou do P grego.
Dotado de uma grande fora, ele era geralmente representado com o aspecto de um velho. Era, tambm, temido pelas mulheres durante o parto e pelas crianas.
265

Sirenes
Sirones
As Sirenes aparecem, na mitologia primitiva, como gnios malfeitores, aclitos da Morte (encontra-se a sua imagem em sarcfagos), misto de mulheres e de pssaros, 
dotadas de uma voz melodiosa (diziam-se filhas de uma das Musas), que elas usavam para atrair os humanos e os matar. Residiam numa ilha, a oeste da Siclia, e manifestavam-se 
sobretudo aos navegadores.
Os Argonautas conseguiram escapar  sua seduo graas  presena de Orfeu, que cantava melhor do que elas, e o navio de Ulisses escapou-lhe pois o heri, por precauo, 
tapara com cera os ouvidos dos companheiros e amarrara-se ao mastro do navio. Diz-se que, despeitadas pela ineficcia do seu poder, elas se precipitaram no mar, 
sendo transformadas em rochas.
Uma outra tradio, posterior  precedente, apresenta as Sirenes como jovens e belas mulheres dotadas de uma cauda de peixe.
Ssifo                                                 1,1@","t"""-@P..    1* ~IINO
Ssifo, filho de olo, bisneto de Deucalio, rei (e, segundo alguns, fundador) de Corinto, passava por ser o mais astuto e o menos escrupuloso dos homens.
Conta-se que, quando Antlico - clebre pela sua habilidade para a rapina, que herdara de seu pai, Hermes - lhe roubou as suas manadas, ele foi procur-las junto 
do ladro. Mas nessa noite celebravam-se as npcias de Anticieia, a filha de Antlico, com o rei de taca, Laertes. Durante a noite -
diz-se que com a cumplicidade do pai - Ssifo amou a jovem e foi assim, segundo as tradies posteriores a Homero, sobretudo na Eneida, que Anticleia gerou Ulisses: 
em matria de astcia, tal pai, tal filho.
Mas Ssifo foi vtima da sua malignidade. Para conseguir que uma fonte brotasse do rochedo do Acrocorinto, Ssifo no hesitou em revelar ao deus-rio Asopo, que procurava 
a sua filha Egina, desaparecida, que ela tinha sido raptada pelo rei dos deuses.
Furioso por ter sido descoberto, Zeus, segundo uma verso da lenda, fulminar Ssifo. Segundo outra verso, ele enviar-lhe- Tnato, o gnio da morte. Num primeiro 
momento, Ssifo soube esquivar-se ao golpe fatal, con-
266

Ssifo
seguindo mesmo capturar o seu visitante e, de um s golpe, acabar tambm com a morte sobre a terra. Foi preciso a interveno pessoal de Zeus para libertar Tnato, 
que assim retomou as suas funes.
A sua primeira vtima deveria ser Ssifo. Mas este recomendara, anteriormente, a sua mulher que nunca lhe prestasse honras fnebres, em caso de morte. Assim, mais 
tarde, quando ele desceu aos Infernos, suplicou a Hades que o deixasse regressar  Terra a fim de castigar a sua mulher, que no cumprira o prometido. Tocado, o 
deus consentiu. Mas depois foi-se esquecendo de fazer regressar Ssifo e, assim, este permaneceu na terra durante muito tempo.
Ssifo viveu ainda muitos anos. Da sua mulher Mrope, a nica das Piiades (filhas de Atlas), que desposou um mortal, ele teve vrios filhos. Um deles foi o pai 
de Belerofonte.
Quando Ssifo morreu finalmente, com pena, sem dvida, de no encontrar novas escapatrias, foi submetido a uma dura prova, eternamente renovada: ele devia empurrar 
um enorme rochedo, e subir com ele a determinado lugar, mas mal conseguia o feito, o bloco de pedra escapava-lhe e voltava para baixo. Ssifo recomeava assim, de 
novo, a empurrar a sua pedra, sem remisso e sem resultado. Ele  o smbolo do homem na sua luta absurda contra um destino obstinado (cf. Camus, O Mito de Ssifo, 
1942).
267

Talo
Segundo uma tradio cretense, Talo seria um gigante, filho do primeiro rei de Creta, Crs, e pai de Hefesto.
Uma outra verso da lenda apresenta-o como o ltimo representante vivo da gerao de bronze, a terceira idade da humanidade.
Segundo outras verses, Talo seria um autmato de bronze, um verdadeiro robot oferecido por Zeus a Europa ou encomendado pelo rei Minos, filho de Europa, ao seu 
engenheiro Dcialo.
Talo foi encarregado da proteco da ilha de Creta, sendo tambm responsvel pelo cumprimento das leis. Para este efeito, transportava consigo, para todo o lado, 
as mesas de bronze sobre as quais estavam gravadas as leis ( por isso, diz Plato, que se lhe chama "hornem de bronze"). Dotado de uma grande mobilidade (diz-se 
mesmo, com asas), que lhe permitia chegar em poucos instantes aos lugares mais diversos do pas, ele impedia os habitantes de deixar a ilha sem o salvo-conduto do 
rei (foi, segundo parece, para escapar  sua vigilncia que Dcialo imaginou fugir voando), opondo-se tambm a qualquer penetrao estrangeira: os intrusos eram 
presos pela energia metlica e queimados pelo contacto com o corpo do gigante que ele, previamente, levava ao rubro no fogo.
Talo parecia indestrutvel, mas entretanto tinha o seu "calcanhar de Aquiles". O seu ponto fraco era uma artria, que descia da sua nuca at ao p, e que um prego 
de bronze mantinha fechada.
Assim, quando os Argonautas desembarcaram, certo dia, na ilha, a mgica Medeia, com um feitio, transformou Talo num louco furioso e, em consequncia disso, o prego 
saltou, deixando jorrar o sangue do gigante ou
269

Tntalo
ter sido Pea, pai de Filoctetes, que feriu, com uma flecha, a artria fatal? Qualquer que tenha sido a causa, a verdade  que o invulnervel Talo caiu, mortalmente 
ferido.
Tntalo
Tntalo, nascido dos amores de Zeus e da ninfa Pluto, era rei da Frigia (ou da Ldia) e possua inmeras riquezas. Mas, tendo participado no rapto de Ganimedes, 
ordenado por Zeus, foi afastado do seu reino pelo irmo da vtima, lio.
 sua morte, Tntalo sofreu nos Infernos uma das penas reservadas aos crimes sem expiao. As tradies variam, no entanto, no que respeita  pena propriamente dita.
Para uns, Tntalo tinha recebido um co mgico, em ouro, que tinha zelado por Zeus na sua infncia, em Creta. Quando Zeus quis recuperar o animal, Tntalo afirmou, 
sob juramento, que nunca o tinha tido  sua guarda.
O rei dos deuses puniu de maneira exemplar a dupla falta, cobia e perjrio.
Para outros, Tntalo, desejando experimentar a clarividncia dos imortais, teria oferecido  sua mesa, o seu prprio filho Plops, preparado num guisado. Horrorizado 
e escandalizado por este sacrilgio, Zeus teria votado o culpado ao mais refinado dos suplcios.
Com efeito, a falta de Tntalo foi castigada por uma sede e uma fome sem fim: mergulhado na gua at aos ombros, ele no conseguia sequer humedecer os lbios; um 
ramo carregado de frutos roava a sua cabea, mas ele no conseguia chegar-lhe.
Este filho, indigno, de Zeus, no foi mais feliz na sua descendncia. A sua filha Nobe, que se gabava da sua fecundidade, viu os seus filhos trespassados pelas 
flechas de rtemis e de Apolo. O seu filho Plops, ressuscitado pelos deuses, foi o pai de Atreu e de Tiestes, os irmos inimigos, cujos filhos, Agammnon, Menelau 
e Egisto viveram as tragdias nascidas da guerra de Tria (Vd. rvore genealgica de Tlefo, pp. 272-273).
270

Tlefo
Tlefo                                                                        Em
Hracies, quando passou pela Arcdia, foi hspede do rei da Tegeia, leo.  sada de um festim oferecido ao heri, este, j bbado, abusou sem o saber, da filha 
do rei, Auge. Acontece que esta tinha sido votada por seu pai ao celibato e ao servio de Atena, em consequncia de um orculo que previra que o filho da princesa 
mataria dois dos seus tios.
Quando leo viu a sua filha grvida, uns disseram-lhe que a colocasse num cofre e a atirasse ao mar; outros, que ele confiasse a sua vingana ao navegador Nuplio. 
Na primeira verso, o cofre desaguou nas costas da Msia, na sia Menor; na segunda, Nuplio, em vez de afogar a jovem, vendeu-a a mercadores que a levaram para 
a Msia. Nos dois casos, o rei deste pas, Teutras, recolheu Auge.
O filho de Hracies Onde nasceu o filho de Auge e de Hracles? Para uns, no reino de Teutras, e este, que no tinha filhos, adoptara-o. Para outros, ele teria nascido 
na Arcdia, e teria sido abandonado no monte Partnion. Os pastores t-lo-iam encontrado a tentar mamar numa cora e, tocados pelo prodgio, teriam levado a criana 
ao seu rei, que lhe teria dado o nome de Tlefo (relacionado, segundo parece, com a palavra grega laphos, que significa cora), recolhendo-o, depois, no palcio.
Quando j era adulto, Tlefo cumpriu a sinistra profecia, matando, acidentalmente, dois dos filhos de leo. Exilado na Arcdia, ele ir consultar o orculo de Delfos, 
interrogando-o sobre a sua famlia. O orculo envia-o para a Msia, para se purificar junto do rei Teutras. At l, ele no devia pronunciar uma s palavra. Tlefo 
respeitou esta obrigao, apesar de ter um companheiro de viagem: o filho de Atalanta, Partenopeu, que tinha em comum com Tlefo o facto de ter sido exposto sobre 
o mesmo monte Partnion.
Os dois jovens chegaram  Msia na altura em que Idas, chefiando os Argonautas, se preparava para roubar o trono a Teutras. O rei chamou Tlefo em seu socorro, prometendo-lhe 
que lhe daria o seu bem mais precioso, Auge, caso fosse vencedor.
O filho de Hracles apresentou-se, ento, no campo de batalha e, como teria feito o seu pai, com quem ele se parecia mais do que todos os outros
271

Tlefo
seus meios-irmos, imps a lei das suas armas: Idas e os seus homens foram obrigados a regressar aos seus barcos.
A promessa de Teutras vai, ento, realizar-se. Mas Auge, fiei  memria daquele que a tornara me, decidiu suicidar-se. Acontece que, mal a princesa pegou na espada, 
os deuses enviaram uma enorme serpente ao seu quarto; a espada caiu-lhe das mos e, com ela, a cegueira dos seus olhos: Auge reconheceu, ento, em Tlefo, o filho 
que tinha tido de Hracles.
Enquanto Auge regressar  Arcdia, Tlefo, segundo a maioria das tradies, fixar-se- na Msia e Teutras, que era pai de uma filha, teria feito dele seu genro 
e herdeiro do seu trono.
A ferida de Tlefo Tlefo  o rei da Msia aquando da guerra de Tria. Os gregos, sados de ulis, na Becia, confundiram a Msia e a Frigia ou tero desembarcado 
de propsito na Msia para eliminar o Apolo eventual de um vizinho poderoso, a
Zeus + Europa
Minos
zeus + Pluto
Catreu
Mulo e + Atreu       Piteu   Tieste     Alctoo     Asti arnia  Nicipe
Etra
Anadne    Fedra
+-Teseu
Pelpia     Peribeia
Egisto -  O grande jax
Euristeu
Menelau
Agarnernnon
Ifignia                 Electra
Zous o os descendentes
272

Tlefo
Pramo, rei de Tria? O que quer que tenha acontecido, a verdade  que eles invadiram o reino de Tlefo. Este,  cabea das suas tropas, fez face aos seus inimigos, 
matando um grande nmero, mas quando Aquiles se apresentou, Tlefo enlouqueceu, sob a influncia maligna de Dioniso, a quem neglicenciara o culto, e caiu sobre uma 
vinha: Aquiles, com a sua lana, feriu-o na coxa. Entretanto, a mulher de Tlefo, Hiera, de quem se dizia ser ainda mais bela do que Helena, colocou-se  frente 
das mulheres do pas e empurrou os invasores para o mar, acabando por encontrar a morte no decorrer do combate.
Os Gregos deixaram, ento, a Msia e regressaram aulis para reconstituir a sua armada. Durante oito anos, eles hesitaram em voltar ao mar, temendo enganar-se, de 
novo, na rota. Por seu lado, Tlefo no se restabelecia, ao ponto de junto dos gregos a expresso "ferida de Tlefo" se tornar sinnimo de ferida incurvel. Tlefo 
decidiu ento procurar Aquiles e propor-lhe conduzi-lo  Frgia, se ele o curasse. Ulisses, conhecendo o sentido do orculo, sugeriu a Aquiles que aplicasse sobre 
a ferida um pouco de ferrugem da sua
Zeus + Dnae
Perseu
Estnelo  Alceu Elctrion
Gorgfona
Anfitrio +   Alcrnena + Zeus
Tndaro + Lecla + Zeus       lcrio
Ifcies         Hracies
1
H P. 1 P.
1
1
-i
n2    Penlope + Ulisses
Cliternnestra Plux Castor
Orestes
de Europa, Pluto e Driae
273

Tlus
lana (numa das tragdias de Eurpides, hoje perdida, consagrada a Tlefo, o filho de Hracies teria roubado o jovem Orestes do seu bero e ameaado mat-lo se Aquiles 
rejeitasse o seu pedido). Aquiles cumpriu o sentido do orculo e a ferida cicatrizou.
Mais tarde, quando a frota de Agamrrinon estava preparada para partir, Tlefo serviu-lhe de guia at Tria, com a promessa de nem ele nem nenhum dos seus descendentes 
pegar em armas contra os Gregos. Mas, entretanto, quando Tlefo morreu, um dos seus filhos, Eurpilo, cuja me era irm de Pramo, participou na guerra ao lado dos 
Troianos e colocou  disposio do seu tio, um contingente de soldados msios.
Dois outros filhos de Tlefo, nascidos de Hiera, Tarco e Pirreno, tomaram o mar depois da queda de Tria e desembarcaram na Etrria onde se estabeleceram. Atribui-se, 
tambm, a Tlefo, uma filha com o nome de Roma, que ter casado com Eneias, e que ter dado o seu nome  cidade de Roma. Esta lenda mostra como os homens de ento 
estavam desejosos de poder atribuir a fundao da sua ptria a um antepassado da estatura de Hracies.
Tlus
A palavra latina teflus, nome feminino, designa a terra fecundante. Tlus  a deusa Terra dos Romanos, correspondendo  Geia dos Gregos.
Um povo campons, como o romano, no podia seno conceder  terra divinizada um lugar de primeiro plano. Os poetas (sobretudo Virglio) aplicaram-lhe a biografia 
mtica de Geia.
Adorada em toda a Itlia e, mais tarde, nas provncias, Tlus  a Me por excelncia, personificando o princpio feminino dafecundidade. A este ttulo, ela  geralmente 
associada a Jpiter, o Pai, ou a Ceres, deusa da germinao e da fora de crescimento. Tlus acabar, mais tarde, por se confundir com Cbele.
A deusa, tal como Geia, tem tambm um carcter ctnico. Vrno-la presente nos juramentos solenes onde ela , ento, associada a Jpiter e aos Manes subterrneos,
Segundo parece, poucos santurios foram, no entanto, consagrados  deusa, Costuma citar-se aquele que ela possua em Roma e que era em forma
274

Tmis
de rotunda, assim como aquele de Vesta (l-se nos Fastos de Ovdio: "A terra e Vesta no so seno uma e mesma divindade").
Na festa das sementeiras, realizada no fim de Janeiro e destinada a obter o crescimento das sementes, oferecia-se-lhe a espeita, primcias da futura colheita e as 
entranhas de uma porca grvida. A festa das Forcidia, a quinze de Abril, estimulava, atravs do sacrifcio de vtimas grvidas (forda  a vaca grvida) a fecundidade 
de Tlus.
A representao mais usual de Tlus  aquela que figura no altar da Paz (ara Pacs), elevado por Augusto, em Roma. Ela aparece sentada, rodeada de flores e de plantas; 
duas crianas sentadas sobre os seus joelhos oferecem-lhe frutos; aos seus ps descansam uma ovelha e um touro. Esta representao  a prpria ilustrao do epteto 
de me universal, "me fecundante da terra e do gado" (Horcio), que , ordinariamente, atribudo  Terra Me, tanto pelos Romanos como pelos Gregos.
Tmis
Tmis, uma das Tits do sexo feminino, filha da Terra e do Cu, foi por vezes identificada com a prpria Geia, pois como ela era uma divindade fecundadora e proftica. 
Os mais antigos orculos gregos (Delfos, Olmpia) pertenceram  Terra e a Tmis.
Deusa da justia, incarnao da lei, ela foi, depois de Mtis, a Sabedoria, a segunda esposa de Zeus (segundo Pndaro, ela teria sido a primeira). Deste casamento 
nasceram as trs Horas (cuja palavra grega significa: as Estaes): Eunomia, a Disciplina, Diqu, a Equidade, Irene, a Paz; as trs Moiras (a que os Romanos chamaram 
Parcas): Cioto, Lquesis e tropos, que fiavam o destino de cada mortal na sua roca; Astreia que, na poca da idade de ouro, procurou difundir os sentimentos virtuosos 
entre os humanos e que,
275

Trmino
depois, se transformou na constelao de Virgem. Juntavam-se a estas, segundo certas tradies, as ninfas do rio Erido e as trs Hesprides.
Mesmo depois de rtemis ter sido repudiada por Zeus, manteve o seu lugar no Olimpo, sendo venerada por todos os deuses, e continuando a prestar os seus conselhos 
ao seu antigo marido.
Tmis foi, particularmente, adorada em Atenas, em Corinto, no Epidauro, em Tnagra e em Ramanonte, onde o seu santurio ficava prximo do de Nmesis.
Tmis era representada com uma espada e uma balana nas mos e, muitas vezes, com os olhos vendados (smbolo da imparcialidade e no da cegueira).
Trmino
Trmino  uma das mais antigas divindades itlicas, confundida na origem com JPiter, cujo papel era considervel: o deus velava sobre a propriedade e presidia s 
operaes de delimitao de terras. Na origem foi representado por um simples bloco de pedra com o qual se mediam os campos e, mais tarde, por uma coluna coroada 
com uma cabea.
Terra
A Terra divinizada, Deusa primordial (vd. Origem do Universo), ocupou um lugar de primeira importncia nas religies antigas: ela tinha o primeiro lugar no solo 
grego at que as invases dos aqueus (sc. xv a. C.) lhe trouxeram a concorrncia da divindade do Cu.
A Terra, divindade feminina entre os Gregos e os Romanos, conquistou uma dupla personalidade: por um lado, ela era a me e a protectora universal; por outro, era 
a deusa "ctnica", ou seja, do mundo subterrneo, e a este
276

Teseu
ttulo, uma das divindades da morte. Vemos aqui a ilustrao do cicio da vida, a vida vegetal - o gro nasce e morre na terra - mas tambm da vida humana: o homem, 
contam as gneses, nasceu da terra e regressa  terra, depois de morto.
Remetemos para os artigos de Geia e Tlus para detalhar as situaes diferenciadas entre os Gregos e os Romanos.
Com o tempo, levados por um desejo de simplificao e, sem dvida, de unio, os homens assimilaram o culto dedicado  Terra Me queles que eram rendidos a algumas 
das suas descendentes,  Demter grega ou  Ceres romana,  sis egpcia,  Cbele frigia ou  Vesta, vrios tipos que se encontram mais ou menos implicados naquele 
da Deusa Me.
Teseu
Teseu, heri por excelncia da tica,  um dos nomes mais importantes da mitologia grega.
O rei de Atenas, Egeu, constatando que no conseguia ter um filho, depois de dois casamentos sucessivos, decidiu consultar o orculo de Delfos. Este respondeu-lhe, 
de forma sibilina, que se guardasse de "soltar a boca do odre com vinho" antes de ter regressado a Atenas. No caminho de regresso, Egeu foi pedir a Piteu, rei de 
Trezeno, que tinha o dom divinatrio, que lhe traduzisse a mensagem. Mas Piteu, mal compreendeu o sentido do orculo, embebedou Egeu e colocou a sua prpria filha, 
Etra, na sua cama.
Infncia e Juventude Ora Etra, no mesmo dia, dizem certas tradies, tinha sido vtima do desejo de Posdon. Assim, quando ela se apresentou grvida e gerou Teseu, 
este tanto podia ser filho do rei de Atenas como filho do deus do mar. Independentemente da verdade da paternidade, Egeu jamais duvidou de que ela no lhe pertencesse.
Entretanto, Egeu, temendo os cimes dos seus sobrinhos, os cinquenta filhos do seu irmo Palas, que sonhavam com a sucesso, ordenou a Etra que, caso ela gerasse 
um rapaz, o escondesse junto de si, em Trezeno, sem lhe revelar a sua verdadeira identidade. Depois, escondeu debaixo de um ro-
277

Teseu
chedo uma espada e umas sandlias que deveriam, mais tarde, quando o
jovem j fosse adulto, conduzi-lo junto de seu pai.
Isto veio a acontecer quando o jovem heri, com dezasseis anos de idade e dotado j de uma fora fsica excepcional, conheceu o segredo do seu nascimento: levantou 
o rochedo, cingiu a espada, calou as sandlias e deci-
diu partir imediatamente.
Etra e Piteu referiram-lhe que os caminhos por terra estavam infestados de bandidos - isto aconteceu quando Hracles se encontrava cativo de nfale e, portanto, 
mais ningum inquietava os bandidos nas suas actividades - e que era prefervel viajar por mar, mas Teseu, influenciado pelo exemplo de Hracies, decidiu suplant-lo. 
Escolheu os percursos mais perigosos, sobretudo aqueles do istmo de Corinto, e mediu-se vitoriosamente com todos os
salteadores e monstros que encontrou.
Assim, quando Teseu fez a sua entrada na corte de Atenas, j a sua fama o precedera. O rei Egeu, que ignorava a origem do recm-chegado, temia pelos seus dias. Na 
altura, estava casado com Medeia, que lhe dera um filho, Medo. Mas Medeia compreendeu, imediatamente, que o recm-chegado era Teseu, ou seja, um srio rival para 
o seu prprio filho; ela ento aconselhou o seu marido a convidar o heri para um jantar, no decurso do qual lhe serviria veneno. Mas Teseu, quando se encontrava 
sentado  mesa, sob pretexto de cortar as carnes, puxou da sua espada. Egeu reconheceu, imediatamente, a arma e o seu filho, apresentando-o ento a todos os seus 
convidados e afastando do reino Medeia e Medo.
Quando os primos de Teseu, os "Palntidas" souberam do acontecimento, resolveram tentar ainda conquistar um poder que manifestamente lhes escapava das mos. Mas 
Teseu, uma vez mais, conseguiu venc-los e
massacr-los a todos.
O Minotauro E, entretanto, chegou o momento em que, pela terceira vez, Atenas devia fornecer o tributo de jovens destinados ao alimento do Minotauro, aos Cretenses. 
Teseu decidiu fazer parte do contingente a fim de tentar matar o monstro. O navio que transportava os condenados estava munido de velas negras. "Se eu for vitorioso, 
disse Teseu a seu pai, iarei as velas brancas".
Uma vez desembarcado em Creta, o heri pde beneficiar de um Apolo inesperado, o da jovem filha do rei Minos, Ariadne, que se apaixonou perdida-
278

Teseu
mente pelo heri. Contra a promessa de que ele a levaria para a Grcia e a
desposaria, ela ofereceu-lhe um fio, para desenrolar, que lhe permitiria, depois de ter entrado no misterioso labirinto onde residia o Minotauro e caso
ele vencesse o animal, reencontrar o caminho de volta.
Teseu atacou o Minotauro, espancou-o e, de noite, tomou o mar com os
seus companheiros e com Ariadne, fazendo escala na ilha de Naxos. Ariadne desceu do barco, adormecendo na praia e, quando acordou, constatou que o
navio tinha partido e que Teseu a tinha abandonado. Dioniso, tocado pela sua
beleza e pela sua dor, consolou-a, casou com ela e levou-a consigo para o Olimpo (cf. Ariadne em Naxos, de R, Strauss).
Depois de uma segunda escala, em Delos, Teseu dirigiu-se para as costas da tica. Mas, com a alegria do triunfo, esqueceu a promessa feita a seu pai e no trocou 
as velas. Quando Egeu se apercebeu do navio com as velas negras, persuadido de que o seu filho tinha sucumbido, precipitou-se no mar.
Rei de Atenas Assim, quando Teseu desembarcou em Atenas, subiu ao trono. O novo rei ir, fundamentalmente, reorganizar o Estado, construindo, cunhando moeda, e criando 
as bases da democracia, anexando  tica a cidade de Mgara, instituindo a festa das Panateneias como smbolo da unidade do povo e res-
taurando com brilho os Jogos stmicos, celebrados em Corinto em honra de Posdon, de quem ele se considerava filho.
Quando dipo se exilou de Tebas depois da descoberta trgica dos seus crimes involuntrios, Teseu acolheu-o em Atenas. E quando Adrasto, rei de Argos e sogro de 
Polinices, filho de dipo, falhou na expedio punitiva que ele tinha organizado dos Sete chefes contra Tebas, Teseu ir retirar os cadveres dos vencidos aos Tebanos, 
visto que eles lhes recusavam as honras
fnebres, e sepultou-os perto de Atenas, em Elusis.
Entretanto, por ocasio de uma viagem ao pas das Amazonas, Teseu raptou uma delas, Antope. As guerreiras decidiram ento avanar sobre Atenas, penetrando na tica, 
mas foram vencidas mal chegaram ao sop da Acrpole. Diz-se que Antope, que tomou o partido do seu raptor, morrera durante a batalha. Mas antes dera ainda  luz 
um filho de Teseu, Hiplito, que herdar de sua me a paixo pelos cavalos e pelos exerccios violentos. Como Teseu, Hiplito foi levado para a corte do rei de Trezeno, 
Piteu.
Entretanto Teseu desposou a irm mais nova de Ariadne, Fedra, "a filha
279

Teseu
de Minos e de Pasfae" (Racine). Esta deu-lhe dois filhos, camas e Demofonte. Mas durante uma expedio de Teseu que o reteve demasiado tempo longe de Atenas, Fedra, 
sob influncia da deusa Afrodite, e tocada pela indiferena do belo Hiplito em questes amorosas, foi tomada de uma paixo incontrolvel pelo seu enteado.
Aventura que termina mal Teseu, com efeito, tinha deixado Atenas em companhia do seu amigo, o heri lpita (filho de Zeus, segundo Homero), Pirtoo. A amizade indestrutvel 
entre estes dois homens selara-se aps o seu primeiro encontro, quando Pirtoo, ciumento da glria de Teseu, procurava provoc-lo. A partir de ento, os dois heris 
decidiram fazer, juntos, todas as suas aventuras. Assim, a certa altura das suas vidas, e dada a sua origem divina, juraram seduzir, cada um deles, uma filha de 
Zeus. A escolha recaiu sobre Helena de Esparta, ainda criana, e sobre Persfone, a mulher de Hades.
Os heris comearam por raptar Helena. Depois tiraram  sorte para ver quem a receberia. E a sorte coube a Teseu, mas como a menina no estava ainda em idade de 
casar, este conduziu-a junto de sua me Etra, confiando-a  sua guarda. Depois os dois heris partiram  conquista de Persfone, destinada a Pirtoo.
Entretanto, os irmos de Helena, Castor e Plux, reuniram uma armada e foram reclamar a sua irm. Na ausncia de Teseu, eles invadiram o burgo em que ela estava 
retida, libertaram-na e levaram Etra, cativa. Depois malaram os filhos de Teseu que asseguravam interinamente o poder e instalaram, no trono de Atenas, um descendente 
de Ericteu, Menesteu. Teseu, juntamente com Pirtoo, entrou nos Infernos. Hades fez questo de lhes oferecer a melhor das hospitalidades e sentou-os  sua mesa. 
Mas mal eles se sentaram, no conseguiram mais sair do seu lugar. Esta situao durar at que Hracles, no cumprimento do ltimo dos seus "trabalhos", desa ao 
reino dos mortos para raptar o co Crbero. Nessa altura, o heri libertou Teseu da sua paralisia, mas nada pde fazer por Pirtoo, que ficou prisioneiro pela eternidade.
O drama de Fedra e a concluso Teseu, quando saiu dos Infernos, apressou-se a regressar a Atenas, indo ao encontro de um verdadeiro drama familiar. Fedra tinha, 
entretanto, ousado
280

Teseu
confessar a sua paixo a Hiplito, que a rejeitara com indignao. Para o punir, ela convenceu Teseu de que o jovem a tentara seduzir violentamente, e o heri apelou 
a Posdon para que castigasse o seu filho. Este enviou um drago ao encontro do carro do jovem. Os cavalos assustaram-se e o corpo de Hiplito foi atrozmente despedaado. 
Ento Fedra revelou a sua mentira, a sua paixo e suicidou-se.
Mas a situao em que Teseu encontrou Atenas no era melhor do que aquela que ele verificara na sua prpria casa. Assim, o heri, abatido pelo desgosto e pela decepo, 
renunciou a qualquer tentativa de tomar o poder. V-mo-lo desde ento, a procurar refgio na ilha de Ciros onde os seus filhos estavam tambm retirados. Foi aqui 
que Teseu encontrou a morte ao cair do cimo de um rochedo, no se sabe se acidentalmente, se empurrado pelo rei Licomedes que teria tido inveja da sua presena na 
ilha.
Os dois filhos de Teseu e de Fedra participaram na guerra de Tria.  morte de Menesteu, recuperaram o trono de Atenas e reinaram com sabedoria.
Foi preciso esperar pelo sc. v para que a memria de Teseu encontrasse o Apolo do povo ateniense. Com efeito, depois de o heri se ter manifestado aos combatentes 
de Maratona e de os ter conduzido  vitria, o orculo de Delfos ordenou aos Atenienses que repatriassem o seu corpo e o sepultassem dignamente.
Isto foi feito sob a autoridade de Cmon (filho de Milciades, o vencedor da Maratona), que conquistou a ilha de Ciros e que, no meio de festas entusisticas, o colocou 
num tmulo monumental que foi declarado lugar de asilo para os pobres e os escravos.
Eurpides e Racine consagraram duas obras-primas  trgica aventura de Fedra: Hiplito (c. 428 a. C.) e Fedra (1677). Cf., igualmente, a pera de Luily (1675) e 
a tragdia lrica de Rameau: Hiplito e Arca (1733), que tem um fim feliz, pois rtemis teria salvo Hiplito da morte. O Teseu (1946) de A. Gide  a proclamao 
de um acto de f no homem.
281

Tideu
Ttis
Ttis, a mais jovem das Titnides e, a este ttulo, divindade primordial segundo a Teogonia de Hesodo, representa a terra slida que se uniu com o seu irmo Oceano, 
o mais velho dos Tits, deus do elemento lquido. Ela dar  luz os trs mil rios e as trs mil ninfas das guas (as Ocenides) e, igualmente, Proteu, deus marinho, 
Dione, deusa agrria, Tique - a Fortuna - e Mtis - a Sabedoria, primeira esposa de Zeus. Por outro lado, ela recolher a jovem Hera e velar pela sua infncia, 
juntamente com o seu marido.
Do seu neto Atlas, filho da Ocenide Clmene e do Tit Jpeto, Ttis conceber a ninfa Calipso, personificao das profundezas marinhas.
No deveremos confundir Ttis com a sua neta, a Nereide Ttis, me de Aquiles.
Tideu
O heri etlio Tideu, filho do rei Eneu de Clidon, e da sua segunda mulher, Peribeia, cometeu, ao atingira idade adulta, um assassnio e foi expatriado, dirigindo-se 
para a corte de Adrasto, rei de Argos. A encontrou o irmo de dipo, Polinices, afastado de Tebas pelo seu irmo Etocies.
Os dois homens desposaram, entretanto, as duas filhas do rei. E este prometeu ajudar Polinices a regressar  sua ptria. Tideu foi ento enviado como embaixador 
junto de Etocles, mas no conseguindo ser recebido, provocou os chefes tebanos e venceu-os, em duelo. Depois, tendo cado numa emboscada montada por cinquenta guerreiros 
tebanos, matou-os a todos com excepo do seu chefe, Meonte, filho de Hrnon (e segundo alguns de Antgona, filha de dipo), que ele decidiu poupar.
Tideu acabou por encontrar a morte no decurso da expedio dos Sete contra Tebas, s portas da cidade. O seu cadver recebeu honras fnebres, prestadas por Meonte.
A deusa Atenas, que protegia Tideu, tinha desejado conferir a imortalidade ao heri. Mas renunciara ao seu desejo quando assistira ao horrvel espectculo que o 
heri protagonizara, pouco antes da sua morte, ao comer o crebro de um inimigo cuja cabea ele partira.
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Tfon
Tideu foi o pai de Diomedes, vigoroso combatente e companheiro fiei de Ulisses, durante a guerra de Tria.
Tfon                                                                     1~,
Tfon, nascido de Geia e de Trtaro e considerado como o mais gigantesco dos filhos da Terra,  um ser monstruoso: com as suas cem cabeas toca o cu e com os seus 
braos em cruz atinge os limites do Oriente e do Ocidente. Os seus olhos e a sua boca lanam chamas, as suas mos terminam em cabeas de drago, o seu corpo, munido 
de asas,  cingido por uma multido de serpentes.
Criado por Geia como ltimo socorro dos Tits, dominados pelos Olmpicos, Tfon s com a sua presena afugentou os imortais aterrorizados: estes esconderam-se no 
Egipto sob a aparncia de animais (Hermes como fbis, etc.). Entretanto, Zeus decidiu aceitar o desafio de Tfon, lutando com ele. Mas o monstro venceu-o e cortou-lhe 
os tendes dos braos e das pernas a fim de o paralisar, aprisionando-o depois numa caverna da Cilcia. Mas Hermes, ajudado por P, veio em socorro de seu pai. Restituiu-lhe 
os tendes e Zeus pde, assim, retomar a sua luta. Regressou ao Olimpo no seu carro alado e feriu Tfon com o seu raio, conseguindo depois, enquanto o monstro tentava 
atravessar o mar da Siclia, projectar sobre ele o monte Etna, que o esmagou. As chamas que saem do vulco so lanadas pelo monstro aprisionado.
Atribui-se a Tfon a paternidade de outros seres monstruosos como Crbero, Quimera ou a Hidra de Lerna que ele gerara com a sua irm (?) Equidna, uma serpente perigosa 
com busto de mulher, assim como a maior parte dos ventos malficos.
T i r  s i a s iwano..=.w
O clebre adivinho tebano Tirsias descende, pelo lado de seu pai Everes, da raa dos homens nascidos dos dentes de drago, semeados por Cadmo. A sua me, a ninfa 
Caricio, era uma das companheiras de Atena.
283

Tits
Um dia em que esta se banhava na fonte Hipocrene sobre o Hlicon, Tirsias, que caava na montanha, encontrou-se face a face com a deusa. Atena decidiu ceg-lo. 
Mas Caricio interveio em favor de seu filho e este foi dotado do dom da dupla viso.
Uma outra tradio apresenta uma verso diferente no que concerne  forma como Tirsias adquiriu este dom.
Vendo um dia duas serpentes a copular, Tirsias resolveu interpor-se entre elas, sendo imediatamente transformado em mulher. Sete anos mais tarde, assistiu a uma 
cena idntica, e resolveu proceder da mesma maneira, sofrendo uma nova transformao, e voltando assim a ser homem. Ora acontece que Zeus e Hera discutiam, sem chegar 
a acordo, o grau de prazer que experimentavam, no amor, o homem e a mulher. Ento decidiram apelar a Tirsias, como rbitro, visto que ele conhecera as duas sexualidades. 
E a resposta foi a seguinte: uma mulher experimenta nove vezes mais prazer do que o seu companheiro masculino. Furiosa, Hera privou Tirsias da viso. Satisfeito, 
Zeus conferiu-lhe o dom da profecia e o privilgio de viver sete vidas humanas consecutivas.
Tirsias teve uma filha, Manto, dotada tambm ela do mesmo dom, que exerceu a sua funo em Delfos. Manto foi me do adivinho Mopso, o rival de Calcas.
Segundo parece, Tirsias morreu de fadiga e de velhice quando os Tebanos, vencidos pelo exrcito dos Epgonos, tomaram o caminho do exlio, a seu conselho.
Tits
Representantes das foras da natureza, os doze Tits enumerados por Hesodo - seis de cada sexo - so os primeiros "filhos da Terra (Geia) e do Cu estrelado (rano">. 
Eles nasceram segundo a seguinte ordem:
5 machos: Oceano, Cu, Crio, Hiperon e Jpeto.
6 fmeas (as Titnides): Teia, Reja, Tmis, Mnemsine, Febe e Ttis.
1 sexto macho: Cronos. Homero s cita trs: Cronos, Reja e Jpeto.  possvel que os doze nomes de Hesodo apaream como correspondncia aos doze deuses do Olimpo.
284

Tits
Mais prximas das divindades dos velhos mitos babilnicos do que daquelas do panteo helnico, os Tits no tm uma personalidade muito vincada. A arte grega, por 
exemplo, confunde-os praticamente com os Gigantes.
Para uma informao mais detalhada da sua histria e dos seus traos particulares, remetemos aos artigos consagrados a cada um deles.
Cronos, o mais novo, e aquele cujo carcter e personalidade so mais marcados, ser o responsvel pela vingana de sua me e de seus irmos e irms, mutilando o 
seu pai e destronando-o. Com efeito, rano, que no conseguia suportar a viso dos filhos que tivera de Geia, precipitara-os, logo aps o nascimento, para as profundezas 
da terra. Cronos libertar os Tits do seu cativeiro e reinar, desde ento, sobre o Universo.
O nome Tits teria sido dado por rano aos seus filhos depois do acontecimento: na sua soberba eles tinham ousado "estender" (em grego: titaino) os seus braos sobre 
o poder de seu pai. Esta etimologia, dada por Hesodo, parece do tipo do trocadilho. Geralmente reconhece-se, na palavra, uma origem mediterrnica que significa 
"rei".
Os Tits constituem a segunda gerao dos deuses, segundo o relato de Hesodo. Um certo nmero deles copularam entre si: Oceano e Ttis, Cu e Febe, Hiperon e Teia, 
Cronos e Reia, e tiveram uma numerosa descendncia.
Mas Cronos ir ser, por sua vez, destronado pelo seu prprio filho, Zeus. Os Tits do sexo masculino vo ento ( excepo de Oceano) travar uma luta feroz a fim 
de recuperar a autoridade da sua gerao. Zeus fixou, entretanto, a sua residncia no monte do Olimpo e os Tits instalaram-se, em frente, sobre o monte Otris, e 
durante dez anos multiplicaram - sem sucesso - os seus assaltos (parece que esta lenda nasceu como explicao das perturbaes geolgicas que afectaram a Tesslia).
Para terminar, Zeus decidiu descer s profundezas da Terra, onde continuavam ainda cativos os outros filhos de rano, no libertados por Cronos. Ele deu-lhes a liberdade, 
a fim de os mobilizar a seu favor.  assim que os Cicoples, divindades do trovo, vo entregar a Zeus a sua fora. Este entra ento pessoalmente no combate e a sua 
mo vibrante de brilho lana um raio do alto do Olimpo: os Tits cegam "e o incndio atinge o Caos: diz-se que a Terra e o Cu se confundirarn".
Por seu lado, os trs Hecatonquiros asseguram, ao seu libertador, o Apolo das suas centenas de braos monstruosos. Arrancando as rochas com os dedos, eles atiram-nas 
sobre os Tits.
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Tria
No decurso da luta, Aqueronte, filho de Geia, dar de beber aos Tits alterados, sendo precipitado no abismo e transformado em rio infernal. Quanto  ninfa do Estige, 
filha de Oceano, que deu a sua ajuda aos Olmpicos, ela vai receber uma recompensa excepcional: a partir de ento os imortais juraro em seu nome e o juramento "por 
Estige" ser irrevogvel.
Vencidos, apesar do seu orgulho e da sua coragem, os Tits vo conhecer, de novo, as entranhas da Terra: ali, "nas trevas", eles so definitivamente aprisionados 
por vontade de Zeus.
Foram eles que despedaaram Zagreu, em criana, e este episdio est na origem das doutrinas rficas sobre a morte e a ressurreio.
Adorados entre os Gregos como os antepassados dos homens, os Tits eram considerados como os inventores das artes e tambm da magia.
Depois de Hesodo, a referncia a Tits tomar uma maior extenso e o seu nmero no ser mais limitado a doze.
Trito
A palavra Trito , geralmente, utilizada para nomear uma das mltiplas divindades masculinas com cauda de peixe que animam o cortejo de Posdon, soprando nas conchas. 
Vemo-los figurar, frequentemente, entre as esttuas nas fontes.
Mas o nome Trito aplica-se igualmente ao deus marinho, filho de Posdon e de sua mulher Anfitrite, que teria reinado sobre o lago Tritone, na Lbia. Os Argonautas 
de Jaso, encalhados em frica, encontraram-no e ele ajudou-os a retomar o mar.
Atrbui-se a Trito uma filha, Palas, que, no decurso de um jogo, teria sido acidentalmente morta pela deusa Atena.
Tria
Quando Zeus confiou a Alcrnena o germe de Hracies, proclamou sob juramento, que o primeiro descendente de Perseu que nascesse, seria inves-
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Tria
tido de um poder temporal sem exemplo. Ele foi encorajado nesta declarao por Ate - o Erro - a deusa com ps leves que pousa sobre as cabeas sem que elas tenham 
conscincia. Na realidade, graas a uma trapaa de Hera, Euristeu, primo de Alemena, nasceu antes de Hracies e beneficiou, em detrimento do filho de Zeus, dos efeitos 
da promessa divina.
A colina do Erro Ate induziu o rei dos deuses em erro. Mas ele vingou-se, precipitando-a do alto do Olimpo e proibindo-lhe, para sempre, o regresso ao mundo dos 
imortais. A partir de ento a sua influncia s se exercer sobre os homens.
Ate caiu na Frigia, sobre uma colina, e  esta colina de Ate que ir ser inocentemente escolhida para se tornar a cidadela de Tria: a nefasta influncia da deusa 
ir exercer-se, em primeiro lugar, sobre os seus habitantes.
O "romance de Tria" comea com o desembarque de Drdano nas costas da sia Menor. Teria ele vindo da ilha de Samotrcia ou da Itlia Central, como o afirmaram os 
Romanos, para os quais a emigrao de Eneias no era seno um regresso s origens? De onde quer que ele tenha vindo, foi calorosamente acolhido pelo rei Teucro, 
que lhe deu a sua filha em casamento e o tornou seu sucessor.
A Drdano sucederam, de pai para filho, Erictnio (homnimo do rei de Atenas), Trs, Ilo e Laomedonte.
Este ltimo beneficiou do Apolo de Apolo, de Posdon e de aco para a construo dos muros de Tria. Enfrentou, tambm, uma expedio dirigida por Hracies, que 
lhe cobrava as suas promessas. Encontrou a morte no combate, assim como todos os seus filhos presentes,  excepo da sua filha Hesone, que Hracies ofereceu em 
casamento ao seu amigo Tiamon, e do seu filho mais novo, Podarces, que o heri vendeu simbolicamente a Hesfone. A este, Hracles deu o cognome de Pramo, que significa 
"aquele que foi vendido".
Pramo subiu ao trono de Laomedonte, desposou uma filha do adivinho Mrope, Arisbe e, depois de a repudiar, casou com Hcuba, que foi muito frtil. O seu primeiro 
filho foi Heitor e o segundo foi Pris.
Pris e a ma da discrdia Quando Pris nasceu, apareceu ao seu pai, em sonho, com uma tocha na mo, incendiando a cidadela de Tria. Este pressgio levou os seus 
pais a
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Tria
exp-lo. Mas ele foi recolhido por pastores que o educaram at se tornar um slido e magnfico adolescente, digno do nome que lhe foi dado: Alexandre (o Protegido 
ou o Protector).
Um dia, os servidores de Pramo viram adiantar-se sobre as manadas de Pris um touro de uma grande beleza: este devia constituir o prmio oferecido ao vencedor dos 
Jogos Fnebres, periodicamente organizados pelo rei, em honra do filho que ele julgava morto. Pris-Alexandre decidiu ir concorrer incgnito, tendo ganho todos os 
concursos. Ento fez-se reconhecer e retomou o seu lugar no palcio.
Quando se festejavam as npcias de Ttis e de Peleu, entre os Olmpicos, ris, a Discrdia, lanou uma ma de ouro entre os convidados, que devia ser oferecida 
 mais bela das deusas. Nenhum dos convivas se quis comprometer no julgamento, e Zeus pediu a Hermes que conduzisse as candidatas ao monte Ida, que dominava a cidade 
de Tria, para que elas comparecessem perante o belo Pris. Hera, Atena e Afrodite apresentaram-se, cada uma delas prometendo, caso recebesse a ma de ouro, o Imprio 
da sia (esta foi a proposta de Hera), o dom da sabedoria e a garantia da vitria (oferta de Atena) e o amor da mais bela mulher do mundo (tentao de Afrodite). 
(Numerosas pinturas representam o Julgamento de Prs: Jules Romain, Cranach, Rubens, Watteau, Boucher...). Foi Afrodite quem ganhou.
O Troiano Pris ganhou, pois, o amor da mais bela das criaturas e esta era Helena, filha de Zeus e princesa de Esparta.
O rapto da bela Helena Alguns anos depois, a bela Helena, ainda criana, foi raptada por Teseu, rei de Atenas, e depois recuperada pelos seus dois irmos, Castor 
e Plux. O rei de Esparta, Tndaro, pai "humano" da jovem, decidiu ento escolher-lhe um marido da mais elevada condio.
Precisamente nessa altura chegaram a Esparta os dois filhos de Atreu, Menelau e Agammnon, afastados do seu reino de Micenas pelo seu primo Egisto. Os dois homens 
juntaram-se ao nmero dos pretendentes de Helena, cuja lista contava j uma centena de nomes, ou seja, todos os prncipes da Grcia (com excepo de Aquiles que 
era, ento, uma criana). Quem iria ser escolhido? Quantos descontentes esta escolha no provocou? Entre os candidatos encontrava-se o astucioso Ulisses, rei da 
taca. Este ir sugerir a Tndaro que faa jurar, a cada pretendente, defender pessoalmente, caso haja
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Tria
necessidade, a honra e a fortuna daquele que Helena escolhesse. E isto foi feito. A escolha de Helena recaiu sobre Menelau (o irmo deste, Agamrrmon, desposou mais 
tarde a irm de Helena, Cliternnestra). Os pretendentes curvaram-se. E como prmio pelo seu conselho, Ulisses foi introduzido na famlia real de Esparta, recebendo 
a mo de Penlope, a sobrinha de Tndaro.
Entretanto, o rei, por morte de seus filhos, Castor e Plux, cedeu o seu reino ao seu genro Menelau, enquanto Agamrrinon recuperou o trono de Atreu, em Micenas. 
Acontece que a peste e a misria se abateram sobre Esparta e sobre toda a regio envolvente, tendo o orculo aconselhado Menelau a oferecer um sacrifcio sobre o 
tmulo dos filhos de Prometeu. Como estes tinham sido sepultados nas redondezas de Tria, Menelau dirigiu-se  corte de Pramo, recebendo a hospitalidade do prncipe 
Pris. Mais tarde, quando este cometeu inadvertidamente um assassnio, foi obrigado a exilar-se a fim de se purificar, dirigindo-se para Esparta, para a corte de 
Menelau. Entretanto aconteceu o famoso julgamento no monte Ida e a deusa Afrodite interessou-se pessoalmente pela viagem, pois vislumbrou a ocasio de se vingar 
de Tndaro, que a tinha ofendido.
Pris partiu com o seu cunhado Eneias, marido de sua irm Cresa, sendo recebidos com a maior simpatia por Menelau. Mas um contratempo -
a morte do seu av, Catreu, que reinava em Creta - obrigou Menelau a ausentar-se da cidade a fim de assistir ao funeral.
Quando ele regressou, os seus hspedes tinham desaparecido, tendo raptado Helena, que consentira (cf. David: Prs e Helena, Louvre), acompanhada dos seus escravos 
- onde se encontrava Etra, a me de Teseu - e dos seus tesouros. Hermone, a filha de Helena e de Menelau, com nove anos de idade, ficara abandonada na corte.
Menelau ficou desolado. Mas, preso ao juramento feito pelos prncipes da Grcia, decidiu tudo tentar para reaver a sua esposa.
Enviou ento como embaixadores a Tria, o filho de Teseu, camas, e o filho de Tideu, Diomedes. Depois de algumas peripcias, no decurso das quais camas partilhou 
o leito da mais bela irm de Pris, Ladice, os dois regressaram sem ter cumprido a sua misso.
Ento Menelau, na companhia de Ulisses, foi consultar o orculo de Delfos Sobre a oportunidade de enviar uma expedio militar. O orculo deu-lhe um
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Atlas
Tagete + Zeus
(> LLEX
nascido da Terra
@ MILES
Eurotas
O LACEDMON         +         Esparta
O AMICLAS              Eurdice
O ARGALO       O CINORTA    Dnae + Zeus
Perseu
Bateia                 BALO    +     Gorgfona
O HIPOCOONTE '    O TNDARO
H- gna    +     MENELAU @11)
Os reis de Esparta at Menelau

Tria
parecer f avo rvel, conc i I iand o assim as boas graas das duas deusas irritadas com o julgamento de Pris. Hera mostrou-se logo favorvel aos Gregos; Atena deixou-se 
seduzir pela oferta de um colar que Afrodite tinha dado a Helena.
A guerra de Tria Menelau convocou ento todos os seus amigos. Contou com o Apolo do sbio Nestor, o velho rei de Pilos, e mandou procurar o jovem Aquiles -
escondido no gineceu do rei de Ciros - cuja presena, segundo o orculo, era a primeira condio do sucesso da expedio. O grande exrcito, reunido em ulis, escolheu 
um chefe supremo e a escolha recaiu em Agammnon, o ousado e ambicioso irmo de Menelau, que pelo contrrio era mais tmido.
Uma primeira expedio, no mencionada em Homero, constituiu um fracasso. Ignorantes da rota a seguir, os barcos gregos desembarcaram na Msia, julgando que tinham 
chegado  Frgia. Tlefo, filho de Hracies, que tinha desposado a filha do rei, ops-se  invaso e fez numerosas vtimas, antes de ser ferido por Aquiles com um 
golpe da sua lana.
Os Gregos voltaram ento ao mar, onde foram vtimas de uma tempestade e cada um deles regressou ao seu pas. Demorou oito anos para reunir novos contingentes. Desta 
vez foi armada uma frota de cerca de dois mil barcos, mas as informaes sobre a rota martima para Tria eram ainda bastante imprecisas. Ora, Tlefo, cuja ferida 
infectara e que necessitava de ajuda para que esta sarasse, decidiu dirigir-se a ulis disfarado, entrou no campo dos Gregos, deu-se a conhecer e, tendo sido curado, 
ofereceu-se para guiar a
frota at  Trada.
Mas os barcos foram ento imobilizados pela calma dos elementos. O adivinho Calcas revelou ento que o vento s regressaria, caso se fizesse o sacrifcio de Ifignia, 
a filha mais velha do chefe supremo (cf. Uma Filha para o vento, pea de Andr Obey, 1953). Este cedeu e, sob o pretexto do noivado da jovem com Aquiles, mandou-a 
vir a ulis onde a ofereceu em sacrifcio no altar de rtemis.
Ento os ventos sopraram e a frota tomou o mar. Mas cada escala conheceu uma aventura: Lesbos em primeiro lugar, a seguir em Tnedos e a partir da, no querendo 
negligenciar nenhuma soluo pacfica, Menelau e Ulisses partiram em delegao a Tria, a fim de negociar o regresso de Helena. A eles exprimiram o seu desejo perante 
a assembleia do povo, mas Pris
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Tria
fez recusar todos os compromissos e Menelau escapou, por pouco, a um assassinato,
Aquando da escala em Tnedos, o heri tessaliano Filoctetes foi mordido por uma serpente. A chaga deitava um tal odor de infeco que, na escala seguinte, na ilha 
de Lemnos, ele foi abandonado. E no morreu  fome graas s peas de caa que lhe foram deixadas por Hracles.
Quando a frota grega avistou Tria, Menelau fez uma nova tentativa para evitar o pior. Desta feita, desafiou Pris para um duelo, propondo que Helena ficasse com 
o vencedor. No decurso do combate Menelau conseguiu ferir o seu rival, mas Afrodite cobriu Pris com uma nuvem negra e transportou-o para junto de si. Os Gregos 
reclamaram entretanto o cumprimento do contrato: Helena devia retornar ao seu marido vitorioso. E foi ento que uma flecha, sada dos campos troianos, feriu Menelau, 
dando origem a um conflito generalizado. Os mortos caam dos dois lados. Heitor decidiu, ento, desafiar Menelau, mas este, diminudo pela sua ferida, foi retido 
pelos companheiros. A guerra deflagrou sob o olhar e com a conivncia dos imortais, que escolheram o seu campo. Ao lado dos Troianos combateram Ares e Afrodite. 
Como partidrios dos Gregos estiveram Hera, Atena (ainda que protectora oficial de Tria), Posdon, Ttis, me de Aquiles, Hefesto e Apolo (com algumas infidelidades).
Durante os primeiros nove anos de guerra no se passou nenhum acontecimento digno de nota. Enquanto os Gregos mantinham o cerco sem enfraquecimento, alguns contingentes 
efectuavam razias nos campos vizinhos. Ora no decurso de uma incurso em terreno neutro, Agammnon cometeu o erro de raptar a filha de um sacerdote de Apolo: o deus 
desencadeou a peste sobre o campo aqueu e o rei dos reis foi obrigado a entregar a cativa a seu pai. Mas em compensao, Agammnon exigir que Aquiles lhe ceda a 
sua.
As grandes aces perante Tria  aqui que comea o relato da Ilada. A querela entre os dois homens, que comeou quando Agammnon usou o nome de Aquiles para trazer 
lfignia Para ulis, vai tomar propores desastrosas a despeito de todos os esforos conciliadores, sobretudo do sbio Nestor. Aquiles retirou-se para a sua tenda 
e deixou de dar o seu Apolo aos Gregos, mesmo quando a situao ameaou tornar-se catastrfica.
E no voltou atrs na sua deciso seno quando o seu primo e inseparvel amigo Ptroclo sucumbiu aos golpes de Heitor. Nenhum troiano, a partir des-
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Tria
te momento, poder resistir  fria de Aquiles: o prprio Heitor, o mais valente de todos eles, cair por sua vez, num duelo sem piedade.
O velho Pramo, que ver morrer todos os seus filhos, um aps o outro, dirige-se a Aquiles, suplicando-lhe que lhe entregasse o cadver de Heitor. Tentando comover 
o jovem heri, ele recuperar o corpo de seu filho, mediante o pagamento de um enorme resgate. E aqui termina o relato da Nada.
Quanto a Aquiles, ele multiplicar as suas vitrias. Matar a rainha das Amazonas, Pentesileia, aliada dos Troianos; mas desde esse momento, ele sentir-se- tomado 
por uma irresistvel paixo pela sua vtima.
As tradies variam no que concerne s circunstncias da morte de Aquiles: ele pereceu, em todo o caso, de uma ferida no tendo, provocada por uma flecha atirada 
por Pris.
Apesar do desaparecimento de Aquiles e de Heitor, o cerco de Tria manteve-se. Calcas ordenou, ento, que fossem buscar Filoctetes  sua ilha, pois as armas de Hracies 
revelavam-se indispensveis  vitria. Ulisses partiu ento para Lerrinos e trouxe o infeliz. A sua ferida ir ser curada pelos mdicos do campo, permitindo-lhe 
retomar o seu lugar no combate. Um dos seus primeiros feitos de armas consistiu em matar Pris, e Menelau sentiu uma enorme satisfao ao ultrajar o cadver do seu 
rival.
Quando Pris morreu, Helena foi cobiada por dois dos seus cunhados: Heleno e Defobo. E como Pramo tinha prometido a sua posse quele que se mostrasse mais bravo, 
Defobo acabou por receb-la. Heleno, mais velho do que o seu irmo, contestou a deciso e refugiou-se no monte Ida, recusando desde ento participar no combate. 
Calcas, quando teve conhecimento da fuga de Heleno, apressou-se a enviar quem o procurasse. Com efeito, o troiano, como a sua irm gmea Cassandra, era dotado de 
poder proftico. Ulisses conduziu Heleno ao campo grego e obrigou-o a revelar as condies que eram necessrias para que Tria fosse tomada.
Heleno recordou ento que as infelicidades dos Gregos provinham, en-
tre outras coisas, da maldio lanada por Plops sobre os seus filhos Atreu e Tiestes, quando estes tinham matado o seu meio-irmo. Ora como Plops era originrio 
da Frgia, para que a vitria casse entre as mos dos Gregos, era necessrio que estes trouxessem, para Tria, os seus restos mortais enterrados na lide. Era preciso, 
em seguida, que o filho de Aquiles, Pirro-Neoptlemo, tomasse, entre os Gregos, o lugar deixado vago pela morte de
293

Tria
seu pai; e, por fim, que o Paldio, a esttua protectora de Tria, fosse roubada.  Heieno, tambm, que dar o conselho de construir um gigantesco cavalo de madeira, 
no ventre do qual os guerreiros gregos se esconderam, permitindo-lhes assim introduzir-se na cidade.
As trs condies foram rapidamente reunidas. Foi-se procurar Pirro, que no levantou nenhuma dificuldade em deixar a ilha de Ciros, onde tinha nascido; os ossos 
de Plops foram desenterrados e levados at Tria; e, por fim, Ulisses e Diomedes com, segundo parece, a cumplicidade de Heleno, apoderaram-se do PaIdio. E construiu-se 
o cavalo. No seu fianco escondeu-se a elite dos guerreiros gregos. Os barcos simularam recuar e abandonar a praia. Entretanto, um primo de Ulisses, chamado Sino, 
procurou deixar-se capturar pelos Troianos; conduzido junto de Pramo, ele fingiu expressar uma confisso: o cavalo era uma oferta a Atena, destinada a obter a vitria; 
mas se os Troianos
por azar - o introduzissem na sua cidade, isso seria o fim da Grcia!
Entretanto, os chefes troianos tomaram todas as medidas a fim de conseguir a posse do cavalo. S duas vozes discordantes se fizeram ouvir: a de Cassandra, que previu 
a runa de Tria; mas a jovem sacerdotisa, porque se tinha recusado a Apolo, tinha sido privada do poder de se fazer crer. E a voz do grande sacerdote l_aocoonte, 
que se esforou com toda a sua autoridade para impedir a entrada do cavalo. Apolo fechou-lhe a boca, enviando serpentes monstruosas que o devoraram a ele e aos seus 
filhos (grupo antigo, do
1 .O sculo, do Palcio do Vaticano; pintura de Greco, em Washington, National Gallery of Art).
O fim de Tria e os regressos dramticos Como mais ningum se ops ao projecto, o cavalo, com grande pompa, entrou nos muros de Tria. Na noite seguinte, Sino abriu 
os fiancos do animal e fez, com um archote, o sinal combinado para que os navios gregos se aproximassem de novo. Os guerreiros saram do cavalo, abriram as portas 
da cidade e o exrcito grego precipitou-se no seu interior, deitando o fogo s casas e massacrando os Troianos. Pirro abateu o velho Pramo junto do seu altar domstico 
e arrastar o seu cadver at ao tmulo de Aquiles. Quanto a Menelau, que tinha tomado lugar no cavalo, precipitou-se para Deifotio, degolou-o e mutilou-o, mas mal 
viu Helena em toda a sua beleza, esqueceu a sua vingana e perdoou-a.
294

Oceano
Simois
Astoque
Geia + rano
Jpeto
1 Atlas
1 Electra           +
Cronos
---US
Escamandro +   Ideia
Corito rei dos Tirrenos de Itlia
OTEUCRO
D,   )ANO        +       Mirina (ou Batieia)
rainha das Amazonas
O ERICTNIO
C> TRS
O ILO fundador de Tria
Assaraco
LAOMEDONTE
1
O PRAMO
1 Cresa
Temiste      +      Cpis
Anquises       +       Af rodite
Eneias
Ascnio
Os reis de Tria

Tria
Entre os Troianos que escaparam ao massacre, Eneias, o seu filho Ascnio e o seu pai Anquises conseguiram refugiar-se nos arredores de Tria e preparar a sua emigrao, 
que os conduzir, via Cartago, a Itlia.
Entretanto, os vencedores partilharam o saque e os cativos: Agammnon recebeu Cassandra, arrancada ao templo de Atena, onde se refugiara, apaixonando-se, imediatamente, 
pela jovem. A esposa de Heitor, Andrmaca, foi dada a Pirro que, tambm ele, se apaixonou perdidamente. A velha rainha Hcuba foi atribuda a Ulisses, mas ele deixar 
os seus soldados lapid-la.
E, finalmente, Menelau lanou o sinal de partida. Mas o seu regresso a Esparta, acompanhado de Helena, foi cheio de peripcias, incluindo uma estada de cinco anos 
no Egipto e s se verificou oito anos depois da queda de Tria. No fim da sua vida, na qualidade de genro de Zeus, Menelau ser transportado vivo para os Campos 
Elsios.
Numerosos foram os combatentes que no regressaram jamais  sua ptria. Com efeito, a grande maioria da frota grega pereceu, despedaada, nos recifes ao largo da 
ilha de Eubeia. Pirro escapou ao naufrgio graas  interveno de Heleno, que se encontrava, juntamente com Andrmaca, entre os seus cativos: o adivinho recomendou-lhe, 
com efeito, que tomasse o caminho de terra.  morte de Pirro, que tinha desposado Andrmaca, Heleno sucedeu-lhe, desposando a sua viva e dando o seu trono,  sua 
morte, a Molosso, nascido da Troiana e do filho de Aquiles.
Agammnon demorou-se em Tria mais tempo do que todos os seus aliados, a fim de oferecer um sacrifcio de apaziguamento a Atena, irritada com a captura de Cassandra. 
O seu regresso ser dramtico. A sua mulher Clitemnestra e o seu primo Egisto, que ela tinha tomado como amante, assassinaram-no. Os seus filhos, Electra e Orestes, 
encarregaram-se da sua vingana. A demanda de Orestes e a sua liquidao, obtida graas a Atena, apagaram a maldio lanada por Plops sobre a sua descendncia.
Quanto a Ulisses, que entrou em querela com Menelau, esperou Agammnon para abandonar Tria. Mas,  partida, ser separado do grosso da sua armada por uma tempestade 
e, desde ento, errou pelos mares e pelos continentes durante dez anos, antes de regressar ao seu pas natal e  sua esposa Penlope.
296

Tuie
Os diversos episdios da guerra inspiraram, largamente, os artistas: cf. os artigos Aquiles, Eneias, Orestes, Ulisses.
A bela Helena (1864) de Menbach no  a nica pardia inspirada pela guerra de Tria. J Shakespeare, em Troilo e Cassandra (1601), conseguiu apresentar os heris 
homricos irreverentemente cados do seu pedestal. Giraudoux, com A Guerra de Tra no acontecer (1935), denuncia o carcter fatal do destino.
Tule
Tule  o nome de uma ilha lendria, que os Romanos situavam ao norte da Atlntida (Islndia ou ilha do arquiplago escocs das Shetland) e que passava por marcar 
o limite extremo (extrema Thule) do mundo conhecido.
297

Ulisses
Segundo Homero, Ulisses  o filho do rei Laertes, da taca, e da sua mulher Anticleia. Tradies posteriores deixam entender que Anticieia teria tido este filho 
de Ssifo, rei de Corinto, ficando assim explicada a astcia, que ele herdara de seu pai, e que utilizar ao longo dos seus infortnios.
Quando Ulisses atinge a idade adulta, Laertestransmite-lhe o trono. O novo rei, um dos pretendentes  mo de Helena de Esparta, obtm como compensao, a sua prima, 
Penlope. Da sua mulher, ele ter um filho, Telmaco.
Ao longo do drama troiano, ou seja, ainda antes das hostilidades que, durante a guerra, opuseram os chefes da Grcia ao rei Pramo e aos seus filhos, raptores de 
Helena, Ulisses assumiu funes de conselheiro e de embaixador, tendo a sua habilidade e a sua sabedoria causado admirao. O heri aliava  astcia, a valentia 
e a dedicao, e a eficcia da sua aco reconhecida pelos seus inimigos -foi ele que comandou o destacamento militar escondido nos fiancos do cavalo de madeira 
-, valeu-lhe receber, em herana, as armas de Aquiles, forjadas por Hefesto.
O regresso de Ulisses  sua ptria, aps a queda de Tria, foi o tema do relato da Odisseia. O nome Ulisses  uma transcrio latina do nome grego Odusseus, que 
significaria a vtima do rancor. A malignidade dos destinos, com efeito, abateu-se sobre ele e sobre os seus companheiros, levando-o a errar durante dez anos - tantos 
quantos durou o cerco de Tria - antes de reencontrar a sua ilha, a sua mulher e o seu filho.
Sacudido pelas tempestades e pelos caprichos dos deuses, Ulisses far uma primeira escala na Trcia, cujos habitantes massacrou.
Em seguida aportou ao pas dos Latfagos, que se alimentavam do Itus, a planta do esquecimento. Depois escalou a ilha dos Ciclopes, onde afrontou Polifemo, filho 
de Posdon, e devorador de homens.
299

Ulisses
Da dirigiu-se ao reino de olo, senhor dos ventos, que lhe ofereceu um odre onde estavam fechados todos os ventos. Mas os seus companheiros abriram-no e desencadearam 
uma tempestade. Ento Ulisses foi atirado para o pas dos antropfagos Lestrgones. Da escapou para a ilha da mgica Circe, que transformava os marinheiros em porcos 
e, finalmente, aportou na sombria regio dos Cimrios onde residiam os mortos e onde interrogou o adivinho Tirsias sobre o caminho a seguir para voltar a taca.
Depois sofreu a seduo malfica das Sirenes, o perigo das Rochas errantes, a crueldade dos monstros Carbdis e Cila, o trgico episdio na ilha de Trincia, onde 
os Gregos, tendo imolado os bois brancos de Hlio, pereceram no mar, fuiminados por Zeus, deixando o heri sozinho, preso a uma jangada;
Deucalio
Hlen
olo
Deion
CeTaio
Arcsio
Laertes       +       Anticleia        +       Ssifo
Ulisses1
' Segundo as tradies ps-hornricas.
300

Ulisses
o acolhimento demasiado caloroso da ninfa Calipso, que aprisionar Ulisses durante vrios anos e a hospitalidade generosa do rei dos Feaces, AIcnoo, e da sua filha, 
Nauscaa, que recolheu o nafrago.
O heri sofreu todas estas provas com uma coragem exemplar. A sua vontade e a sua inteligncia obtiveram, finalmente, a recompensa. Depois de vinte anos de ausncia, 
Ulisses rever a sua taca, o seu velho porqueiro Eumeu, o seu filho e o seu pai e o seu co Argo, que esperou o seu regresso para morrer. Quanto  sua mulher, ir 
encontr-la envolvida numa disputa, com uma centena de pretendentes dispostos a disputar a sua mo e os seus bens. At a, Penlope tinha conseguido escapar s solicitaes 
dos diversos pretendentes, prometendo que daria um sucessor a Ulisses, quando terminasse a mortalha que tecia. Entretanto, Penlope passava uma parte das suas noites 
desfazendo o trabalho que tecia de dia. Ulisses, incgnito, provocar os pretendentes, um a um, vencendo-os e massacrando-os. E s ento ele se far reconhecer  
sua fiei Penlope.
As tradies relativas  morte de Ulisses so diversas. Apresenta-se, por vezes, o heri caindo, acidentalmente, aos golpes de Telgono, um filho que teria tido 
de Circe.
O priplo mtico de Ulisses foi objecto de estudos cientficos, que chegaram a concluses variadas: Victor Brard consigna-lhe a rota mediterrnica; Grerd Pillot, 
mais recentemente (O Cdgo secreto da Odissea'), considerando sobretudo a durao das etapas, alarga a rota at  Islndia, onde situa o pas de Calipso.
A personagem de Ulisses, na qual os homens reconhecem o smbolo do lutador, triunfante nas provas a que  submetido pelo destino, gozou e goza, ainda hoje, de uma 
imensa popularidade. Ulisses ocupa um lugar importante na arte (A. Carrache, Le Guide, Rubens ... ) e na literatura: o fabuloso romance de J. Joyce, Ulisses,  uma 
pardia da Odsseia. O reencontro de Ulisses e de Penlope inspiraram duas obras lricas intituladas: Penlope, uma de G. Faur e outra de R. Liebermann, que  uma 
apresentao moderna da lenda.
1 A Odisseia seria o itinerrio codificado da rota do estanho.
301

rano
Urano
rano (nome grego do cu)  o cu estrelado divinizado. Segundo Hesodo, ele foi criado, na origem do mundo, por Geia, a Terra, tal como o seu irmo Ponto, o Mar.
Deus masculino, foi concebido  dimenso de sua me, de modo que, diz a Teogonia, "pudesse cobri-Ia completamente". Assim, desta unio nasceram os terrveis Tits, 
os Ciciopes "de corao violento" e os monstruosos Hecatonquiros.
rano odiou os seus filhos desde o primeiro dia. "Mai eles nasciam, em lugar de os deixar sair  luz do dia, atirava-os para as entranhas da Terra".
Geia implorou, ento, a ajuda dos seus filhos e Cronos, o ltimo dos Tits a nascer, recebeu de sua me uma foice destinada a mutilar o seu pai.
Rodeado pela Noite, rano resolveu seduzir Geia: "vido de amor, ele aproximou-se e o seu desejo cresceu". Ento Cronos interveio e, com um golpe de foice, mutilou 
o seu pai.
Os salpicos de sangue que caram, entretanto, sobre Geia, iro fertiliz-ia mais uma vez, levando-a a gerar as poderosas Ernias, os terrveis Gigantes e as ninfas 
dos freixos, as Melades.
Outros salpicos de rano caram sobre o mar: uma onda de espuma apareceu e dela saiu a "bela e venerada deusa" Afrodite. Quanto  foice, deitada ao mar, dar origem 
 ilha de Corfu.
A deposio violenta de rano por fim quilo que se chama a primeira gerao hesidica. O reino de Cronos, que lhe suceder, marcar a "segunda gerao".
A cosmogonia do orfismo apresenta rano como irmo de Geia, sendo os dois filhos da Noite. O resto da lenda segue nas grandes linhas o relato de Hesodo.
302

Velo de ouro
O rei da Becia, tamas, filho de olo 1 e irmo de Ssifo, teve da sua primeira mulher Nfele, dois filhos, Frixo e Hele. Mais tarde repudiou Nfele e casou com 
a filha de Cadmo, Ino, tia e educadora de Dioniso que, por sua vez, lhe dar dois filhos, Learco e Melicertes.
A fim de reservar o trono  sua prpria descendncia, Ino imaginou o seguinte estratagema: ir sugerir s camponesas que queimem os gros de trigo que os seus maridos 
tencionavam semear. Naturalmente o trigo no cresceu e, perante este prodgio, tamas foi consultar o orculo de Delfos. Ino, que tinha subornado o mensageiro, obrigou-o 
a dizer que a calamidade no seria conjurada enquanto tamas no sacrificasse Frixo e Hele.
Estes estavam a ser colocados no altar de sacrifcio, quando um carneiro alado com um Velo de ouro se apresentou e os elevou no ar, arrancando-os assim  morte. 
Este animal era fruto dos amores de Posdon e da princesa da Trcia, Tefana, que o deus transformou em ovelha.
Hele, durante a viagem, caiu no mar, que tomou o seu nome (Helesponto) e foi recolhida por Posdon que a amou.
Quanto a Frixo, chegou  Clquida, onde o rei Eetes o acolheu e lhe deu em casamento uma das suas filhas.
Frixo ofereceu, em sacrifcio, a Zeus, o carneiro maravilhoso e deixou a Eetes o precioso Velo. Este foi amarrado a um carvalho, num bosque consagrado a Ares, e 
confiado  guarda de um drago.
Foi este Velo de ouro que Jaso e os seus companheiros, os Argonautas o seu navio foi construido pelo prprio filho de Frixo, Argo - foram encarregados de conquistar, 
em proveito de Plias, o rei de loico, na Tesslia. Esta expedio, a primeira efectuada por mar, pelos Gregos, representa verda-
303

Ventos
deiramente uma das primeiras "investidas em direco ao ouro" (minas do Cucaso) da histria.
Em memria da epopeia dos Argonautas, que no hesitaram em expor a sua vida para cumprir uma misso, uma ordem de cavalaria intitulada o "Velo de ouro" foi criada 
pelo Duque da Borgonha, Filipe, o Bom, em 1420, para a defesa da f crist. As insgnias eram um colar de ouro do qual pendia um berloque com a forma de um carneiro. 
A ordem existiu em Espanha at  abolio, em 1931, da monarquia. A expedio inspirou, igualmente, a tragdia de Corneille, O Velo de ouro (166 1 ).
Ventos
Os ventos, como todas as foras da natureza, foram personificadas na Antiguidade. Os Gregos faziam distino entre os ventos favorveis e os ventos hostis, opondo, 
por exemplo, Breas, o vento rpido e furioso, a Zfiro, a brisa ligeira.
Tanto a uns como a outros foram atribudas diversas aventuras: Breas, Zfiro, Noto (o vento quente do Sul) passavam por ser os filhos de Eos, a Aurora e de Astreu, 
o vento do crepsculo. Mas a maior parte dos ventos hostis eram considerados como sendo os filhos do monstro Tifon, nascido da Terra.
Todos estavam submetidos  autoridade de olo que, seguindo as instrues de Posdon, os mantinha fechados nas cavernas das ilhas Lipari ou os deitava sobre o Oceano.
Os Romanos tambm renderam um culto aos ventos, associado ao culto de Neptuno. No sc. iii v-se Cipio, como reconhecimento de uma vitria naval obtida sobre Cartago, 
elevar em Roma um templo s Tempestades. Nos mitos de Mitra, o sopro dos ventos  adorado como um dos quatro elementos fundamentais.
304

Vesta
Os ventos so representados com o aspecto de personagens aladas, flutuando e soprando, com as suas faces, tanto jovens e imberbes como barbudas e de idade madura.
Vnus
Vnus, uma muito antiga e modesta divindade itlica, presidia  vegetao e  fecundidade antes de ser assimilada, a partir do sc. ii a. C.,  Afrodite grega, deusa 
do amor e da beleza.
A gens Julia,  qual pertenceram Csar e o imperador Augusto, dizia-se descendente de Iffio, filho de Eneias e de Vnus-Afrodite.
A sexta-feira  o dia de Vnus. Em matria de arte, o nome Vnus tornou-se sinnimo de um tipo de beleza feminina, variando segundo a poca e o lugar.
Representar Vnus (Afrodite), para um artista, no  seno exprimir o culto da Mulher Ideal, e no se contam as Vnus antigas de Milo, de Cnido, de Arles, de Cpua, 
do Capitlio... e ainda aquelas pintadas por Cranach (Leninegrado, Berlim), Giorgione (Dresden), Ticiano (Florena, Galeria dos Ofcios), Botticelli (Nascimento 
de Vnus, Galeria dos Ofcios), Vasari (Nascimento de Vnus, Florena, Palcio Vecchio), Velsquez (Vnus ao espelho, Londres)... ou esculpidas por Pigalle (Potsdam), 
Palou (Viena), Canova (Florena, Palcio Pitti), Coysevox (Louvre), Mailloi (1924)... O Triunfo de Afrodte  uma obra lrica de Cari Orff (1953).
vesta
Vesta, a mais antiga, a mais bela e a mais pura das divindades romanas (ela  quase sempre representada velada) , como a sua homioga grega
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Vulcano
Hstia, a deusa da chama (o radical snscrito vas exprime o brilho luminoso). Ela  a protectora do lar, por excelncia.
O seu culto era celebrado por um colgio de "vestais", sacerdotisas que velavam pelo fogo sagrado e que desempenhavam um papel essencial na vida religiosa romana. 
Elas eram votadas ao celibato durante trinta anos e aquelas que faltavam ao seu juramento eram enterradas vivas.
Os templos de Vesta so de forma redonda tal como as cabanas arcaicas do Lcio; esta arquitectura corrobora a alta antiguidade deste culto, bem como a animal sagrado 
atribudo  deusa: o burro mediterrnico, por oposio ao cavalo importado.
Vulcano
Vulcano, um dos mais antigos deuses dos Latinos , na origem, a nica divindade do solo fecundante e do fogo devastador. Ele  adorado quer como deus do lar quer 
como deus dos combates. Este deus do fogo , por vezes, confundido com o deus do Tibre! Ele  agrupado a Juno e associado a Vesta. Diz-se que ele  o pai do gigante 
com trs cabeas, Caco, que pereceu por ter querido roubar os bois de Hrcules, e igualmente do rei de Roma, Srvio Tlio, legendrio sucessor de Tarqunio, o Antigo.
Mais tarde, com a apario de Jpiter e de Marte, Vulcano perder os seus atributos, para se ver assimilado a Hefesto, o deus enfermo, marido de Vnus-Afrodite.
Cf. Hefesto.
1
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Zagreu
Zagreu, filho de Zeus e da sua prpria filha Persfone, segundo a teogonia rfica, passava por ser o favorito do rei dos reis, que teria mesmo pensado torn-lo seu 
sucessor. Para conjurar o eterno cime de Hera, a criana foi confiada a Apolo e aos Curetes, que o esconderam nos bosques do Parnaso e o educaram.
Mas Hera, tendo descoberto a artimanha, fez com que os Tits o raptassem e o devorassem,  excepo do corao, que Atena conseguiu salvar.
Ento Zeus, segundo as verses da lenda seguidas pelo orfismo, teria absorvido este corao ou t-lo-ia dado a Srnele antes de a amar. A criana que ir nascer 
desta unio, Dioniso, no  seno uma reencarnao de Zagreu. (Chama-se, por vezes, a Dioniso, o deus "Duas vezes nascido". Mas este cognome veicula tambm a tradio 
que apresenta Dioniso saindo uma primeira vez do seio de sua me e uma segunda da coxa de seu pai, Zeus.)
ZOUS
Zeus - cujo nome evoca a raiz snscrita dyaus: o dia (latim dias) -  o deus do cu luminoso e de todos os fenmenos atmosfricos (nuvens, chuvas, ventos e tempestades). 
Ele v tudo, conhece tudo, tanto o presente como o futuro.  bom, justo e sbio.
Ora, aquele que se vai tornar o soberano supremo dos deuses e dos homens deve a vida a um estratagema de sua me, Reia.
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Zeus
A infncia de Zeus Reia era a esposa do Tit Cronos, seu irmo, tendo por pais, a Terra Geia, e o Cu, rano. Cronos, tendo destronado o seu pai para ocupar o seu 
lugar, desfez-se dos seus prprios filhos, engolindo-os  nascena. Assim desapareceram, um aps outro, Hstia, Demter, Hera, Hades e Posdon. Quando Zeus estava 
para nascer, Reia pediu conselho a seus pais. Geia incitou a sua filha a ir dar  luz no cimo do monte Ida, em Creta. Foi a que Zeus nasceu e Reia confiou-o s 
ninfas Ida e Adrasteia que eram, segundo a tradio, filhas do rei de Creta, Melisseu.
Depois, Reia envolveu uma grande pedra em panos, que Cronos tomou pelo seu sexto filho, e que devorou imediatamente, como fizera com os precedentes.
Deitado numa corbelha de ouro, Zeus "marnava na cabra Arnalteia" (Calmaco) e sorvia o doce mel que lhe traziam as ninfas (as filhas de Melisseu no eram seno as 
abelhas do monte Ida: em grego, melissa = abelha). Outros contam que uma guia e pombas tinham vindo trazer-lhe ambrosia e o nctar dos imortais.
 volta do bero, os Curetes, ligados ao culto de Reia, executavam danas guerreiras, batendo as suas armas com estrondo "para que s orelhas de Cronos chegasse 
o som dos escudos e no o choro do recm-nascido" (cf. pinturas de J. Romain, Jordaens, Poussin ... ).
Assim cresceu Zeus, ao abrigo dos maus desgnios. Durante este perodo, ele teve como companheira uma filha do Tit Oceano, Mtis, a Sabedoria, que fabricou uma 
bebida destinada a fazer Cronos vomitar. Mal este absorveu a droga, vomitou a famosa pedra de Reia e, depois, cada um dos filhos que tinha anteriormente engolido.
Tits contra Olmpicos Zeus deps o seu pai, subiu ao trono, e instituiu o reino da terceira gerao, segundo Hesodo, a dos Olmpicos, assim chamados devido ao 
lugar que elegeram como morada. Mas os Tits, irmos de Cronos, revoltaram-se contra o usurpador. Zeus instalou-se no macio montanhoso do Olimpo e os Tits ocuparam 
o monte Otris. Durante dez anos viveram uma terrvel guerra.
Entretanto, Geia ir suplicar a Zeus que liberte os outros filhos, que ela tinha tido de rano e que ainda mantinha no seu seio, aprisionados por vontade de seu 
pai. Zeus obedeceu e colocou-os ao seu servio: os Ciciopes, gnios
308

Zeus
do fogo, deram-lhe o raio; a Hades, eles deram um capacete mgico que o tornava invisvel, a Posdon, o tridente, capaz de separar com um golpe a terra e o mar. 
Os Hecatonquiros (com cem braos) - Coto, o Furioso, Briareu, o Vigoroso e Giges, o Membrudo - pegaram em rochas e atiraram-nas sobre os Tits. Entretanto, estes 
foram vencidos e precipitados no abismo.
Vitoriosos, os filhos de Cronos vo dividir o mundo entre si. Zeus, apesar de ser o mais novo, assumir o poder soberano e a posse do imprio do cu; ele outorgar 
a Posdon a sabedoria dos mares e o universo fsico e a
Hades, as sombrias profundezas da terra.
Os amores de Zeus As aventuras amorosas atribudas a Zeus so inumerveis. Para conquistar aquelas que o encantavam, deusas ou mortais, ele utilizar, muitas vezes, 
a astcia e os seus dons de metamorfose.
Encontraremos nos artigos consagrados a cada uma das suas principais companheiras, mulheres ou amantes, o relato da lenda que lhes diz respeito. Limitar-nos-emos 
aqui a dar (por ordem alfabtica) os nomes das eleitas mais frequentemente citadas pelos autores, os nomes dos seus filhos, nascidos de Zeus e, quando vem a propsito, 
entre parntesis, a forma sob a qual o deus se manifestou.
a) Divindades
CALISTO (rtemis) - rcade DEMTER (touro) - Persfone EGINA (guia ou chama) , aco ELECTRA - Drdano, lsion, Harmonia EURNOME - Graas HERA (CUCO) - Hefesto, 
Ares, Ilitia, Hebe LETO - Apolo, rtemis MAIA - Hermes MTIS - Atena MNEMSINE - as Musas PERSFONE (serpente) - Sabzio, Zagreu PLUTO - Tntalo TAGETE - Lacedmon
309

Zeus
TALIA - OS Palicos Tmis - as Horas, as Moiras, Astreu
b) Mortais
ALCIVIENA (Anfitrio) - Hracies ANTOPE (stiro) - Anfon, Zeto DNAE (chuva de ouro) - Perseu DIA (cavalo) - Pirtoo ELARA - Titio EUROPA (touro) - Minos, Radamante, 
Sarpdon 1 lo (nuvem)     pafo LEDA (cisne)    Plux, Helena SIVIELE - Dioniso
Para alm das ligaes passageiras Zeus contrair, sucessivamente, vrias unies: Mtis foi a primeira das suas mulheres (que ele devorar, juntamente com a filha 
desta unio, Atena, nascida do crnio de seu pai) e Hera foi a ltima. Zeus associou-a  sua soberania.
O legendrio cime de Hera no conseguiu impedir as tentativas galantes do rei dos deuses. No entanto, ele sofreu alguns revezes - dever renunciar a cortejar a 
deusa Ttis e a ninfa Astria, irm de Leda, escapar-lhe- - mas, de um modo geral, desempenhou triunfalmente, no cu e na terra, o seu papel de deus gerador.
As Gigantomaquias (combates de Gigantes) Entretanto, Geia no estava satisfeita. Enquanto os Olmpicos governavam o Universo, os seus filhos, os Tits, continuavam 
prisioneiros no mundo subterrneo. Assim, ela procurou colocar os Gigantes, que tinha concebido dos salpicos de sangue de rano mutilado, contra Zeus e a sua corte. 
Vemo-los, ento, em campanha, arrancando as rochas e as rvores com as suas mos colossais e projectando-as contra o cu.
Os deuses, unidos  volta de Zeus - os seus irmos, irms, os seus filhos: Ares, Atena, Apolo, Dioniso - resistem com dificuldade. Mas este conseguiu, mobilizando 
o Sol, a Lua e a Aurora, descobrir e confiscar a erva mgica que tornava os Gigantes invulnerveis. No entanto, o orculo revelou-
310

Zeus
-lhe que s com a interveno do filho de uma mortal, poderia vencer os filhos de Geia. E, assim, surgiu Hracies, o filho que Zeus tivera de Alcrnena, nesta histria. 
Graas a ele, os Gigantes sero postos fora de combate.
Um outro episdio da "Gigantomaquia"  contado pela lenda dos gmeos gigantes Oto e Efialtes, filhos de Geia e de Posdon, confiados desde o seu nascimento ao Tessaliano 
Alo (da o seu nome de Alodas). Em cada ano de vida, a sua altura aumentava cerca de dois metros e a sua largura de ombros cinquenta centmetros. Assim, com a 
idade de nove anos, eles mediam 17 metros e tinham de largura de ombros 4 metros.
Orgulhosos da sua fora, os dois irmos tentaram mudar a ordem do universo, revolvendo os mares e escalando o cu. O sdu primeiro feito consistiu em levantar o monte 
Ossa, colocando-o sobre o Olimpo. Depois, sobre os dois montes, colocaram o monte Plion. Em seguida, dirigindo-se directamente aos deuses, aprisionaram Ares, deus 
da guerra. Para sua grande humilhao, eles prenderam-no e fecharam-no num jarro de bronze (Ares dever esperar um ano inteiro que Hermes, posto ao corrente, venha 
libert-lo). Entretanto, eles decidiram desposar duas deusas, reivindicando, para o efeito, Hera e rtemis.
A sua audcia no podia continuar impune por muito tempo. Apolo atravessou-os com as suas flechas e o raio de Zeus enviou-os para os Infernos (cf. pintura de J. 
Romain, museu de Mntua).
Perseverante, Geia tentar ainda uma ameaa contra os Olmpicos. Da sua unio com Trtaro, ela tinha concebido um monstro gigantesco, provido de cem cabeas, Tfon, 
que morava numa caverna da Cilcia. Ela solicitou-o e Tifon apareceu.  sua vista, os deuses fugiram para o Egipto. S Zeus ficou e
lhe fez frente.
Num primeiro momento, Tfon venceu-o, cortou-lhe os tendes dos ps e das mos e fechou-o na sua caverna. Mas Hermes, ajudado por P, vir em
socorro de seu pai, libertando-o e reparando as suas feridas. E assim a luta recomear. Por fim, Tifon, cego pelos raios do rei dos deuses, foi obrigado a
afastar-se em direco  Siclia. Zeus perseguiu-o e esmagou-o sob o Etna.
Deste modo, Zeus, soberano regulador do universo, triunfou sobre as foras incontroladas da natureza e submeteu-as, definitivamente,  sua sabedoria. Nunca mais 
nenhum adversrio ousar opr-se  sua supremacia. A ordem e a harmonia que ele imps aos seres e s coisas valeram-lhe as ac-
es de graas de todos os humanos.
311

Zeus
Jpeto
Oceano
Ttis
Clmene   rUMINUIVIL     IVITIS
Atlas
leu     Carna,
Aiena
Geia +
Ceos     Febe
LETO
Apolo   rtemis
Electra MAIA TAIGETE Deucalio
PROTOGNIA
Opus
Zeus e
O culto de Zeus Zeus foi, a partir de ento, adorado em todos os lugares elevados e a Grcia conta com poucos cumes que no lhe tenham sido consagrados. Destacam-se 
os montes Dicte e Ida, em Creta que, segundo a tradio, o tinham acolhido na sua infncia; o monte Liceu (a raiz luk - em latim lux = luz) na Arcdia, de onde uma 
outra tradio o faz originrio e, bem entendido, o Olimpo, na Tesslia.
Os seus santurios mais frequentados pelos peregrinos vindos de todo o mundo grego eram os de Dodona e do Olimpo.
O de Dociona, no Epiro, era o mais antigo. Tinha sido fundado a pedido de uma pomba negra, com voz humana, vinda do Egipto. Os orculos eram produzidos por um carvalho 
sagrado, sendo o murmrio das folhas escutado, pelos fiis, como se se tratasse da prpria voz do deus. O santurio era servido (e as mensagens divinas interpretadas) 
por um colgio de sacerdotes, os Seles, que - facto notrio na antiguidade grega - praticavam o ascetismo. Estes sacerdotes dormiam no cho e jamais lavavam os seus 
ps.
312

Zeus
rano
Cronos
Reia
MNEMSINE       TMIS
DEMTER   HERA     ZEUS
--- - sas Horas Moiras Astreia
PERSI`ONE Hebe flifia Ares Hefesto
Sabzio Zagreu
as divindades
TALIA
1 Palicos
Em caixa alta, os eleitos de Zeus; em itlico os filhos.
Mais tarde, juntaram-se a eles trs sacerdotisas, as Pelades, que se consa-
graram ao culto da deusa Dione, associado ao de Zeus.
QuantoaOlmpia, nalida, onde Zeus tinha igualmente o seu orculo,foi durante mais de dez sculos, at ao imperador Adriano, um dos principais centros da vida religiosa 
dos Gregos. Cada uma das divindades que a eram
adoradas tinha os seus sacerdotes e as suas cerimnias prprias; mas as solenidades mais importantes eram organizadas em honra de Zeus de quatro em quatro anos (na 
poca da lua cheia, entre o fim de Julho e o princpio de Setembro). As festas duravam sete dias: o primeiro era reservado s procisses e aos sacrifcios. Nos dias 
seguintes realizavam-se os "Jogos Olmpicos" cuja fundao era atribuda a Hracles e que se desenrolavam sob a vigilncia suprema Daquele que dava fora, inteligncia 
e probidade aos homens.
No mesmo esprito, cada lugar, na Grcia e fora dela, praticava a sua
celebrao particular em honra de Zeus.
Resumiremos, em seguida, os diversos aspectos do culto prestado a
Zeus, apoiando-nos nos eptetos rituais que os seus sacerdotes usavam.
313

Zeus
1. Zeus  adorado como deus de toda a natureza fsica a - Ele  o deus do Alto A este ttulo ele  chamado o mais Alto ou o Olmpico, tendo em conta que o Olimpo 
era visto como representao da mais alta montanha do mundo.
- Divindade do cu e da luz Ele  o deus do cu, o deus do ler, o deus do dia. Em Creta  confundido com o Sol.
- Deus das nuvens e da chuva fecundante Ele  o "Ajuntador de nuvens", faz cair a chuva (os Gregos dizem: Zeus chove) e fecunda o solo (uma esttua da Acrpole de 
Atenas representava a Terra, de joelhos, suplicando a Zeus que pusesse fim  sua secura). Ele faz brilhar o arco-no-cu e ris, que o personifica,  a sua mensageira.
- Deus supremo do vento Os navegadores dirigem-se tantas vezes a Zeus como a Posdon, a sua divindade prpria (mas cujo poder Zeus controla).
- Deus das nuvens e dos ventos, ele  sobretudo o deus das tempestades
b - Ele  tambm o deus do solo e do mundo subterrneo Deus fecundante, Zeus  adorado, em todo o lado, como divindade vegetal (atribui-se-lhe, frequentemente, a 
proteco da vinha) e ctnica e, a este ttulo, ele receber, pelo menos nos primeiros tempos (mas Pausnias deixa entender que ainda existem reminiscncias na sua 
poca), sacrifcios humanos: o primeiro rei da Arcdia, Licon, imolou-lhe os filhos.
Foi na sua qualidade de divindade ctnica que Zeus produziu os seus orculos e enviou, quando lhe apeteceu, pressgios. Assim, tal como supervisionava Posdon, tambm 
dominava o mundo subterrneo dirigido pelo seu irmo Hades.
2. Zeus  adorado como protector da famlia e da cidade
- Protector da famlia: ele preside aos nascimentos, aos casamentos e vida nos lares. Ele vela sobre as casas e protege a propriedade.  ele que possui e reparte 
os bens.
Ele tem atribuies anlogas na cidade. Ele  o protector das fratrias (a fratria  uma reunio de famlias que tm o mesmo lugar de culto e devoes comuns).
Protector e inspirador das assembleias, ele  o guardio da cidade e o garante da unidade do Estado.
314

Zeus
Zeus no  somente venerado como o guardio de cada cidade, ele  tambm um smbolo de unio para as ligas e confederaes de Estados: protector da liga dos Aqueus 
e da confederao dos Becios, ele  o "Ajuntador" e ser proclamado "Pan-Helnico", ou seja, o recurso supremo de todo o mundo helnico. As festas das Pan-helnicas 
eram celebradas em honra de Zeus, em todos os Estados Gregos.
Divindade pacfica e pacificadora, Zeus tambm  invocado nos perodos de guerra. Ento, ele  o "Guerreiro", o "Condutor", o "Ordenador" supremo. Mas , sobretudo, 
o deus salvador (nos banquetes, a terceira e ltima
libao , automaticamente, feita em honra de Zeus), aquele que afasta os males, sobretudo os perigos da guerra e da derrota, o libertador.
3. Zeus  o Iniciador e o protector dos valores morais Oraes e libaes so dirigidas a Zeus a fim de apaziguar o seu ressentimento. Ele , com efeito, na sua 
qualidade de deus soberanamente justo, quer o deus do perdo como o deus da vingana. Ele  aquele que no esquece e que pode fazer a vingana perdurar at  terceira 
gerao.
Guardio dos juramentos - jura-se "por Zeus" mesmo quando se lhe
associam outras divindades -, ele tem horror ao perjrio. Deus da hospitalidade e deus da amizade, ele odeia aqueles que as pem em causa.
Tambm os Gregos do a Zeus o epteto de Benevolente, por eufemismo, a fim de conquistar a sua indulgncia. Ele , ou pelo menos deseja-se que ele seja, o protector 
dos suplicantes, o deus que apazigua, aquele que purifica.
Zeus e o destino Assim, Zeus "que  o ter, que  a terra, que  o cu, que  todas as coisas e aquilo que existe por cima de todas as coisas" (Esquilo), Zeus "que 
enche todas as ruas, todos os lugares pblicos, que enche os mares e os
portos" (Arato), Zeus que est em todo o lado, que ouve tudo, de quem emanam os orculos, que conhece o passado, o presente, o futuro, que  venera-
do como "o pai dos homens e dos deuses"  ou no Todo-Poderoso? Est ou no submetido s sentenas do destino?
Ele tem o epteto de condutor dos destinos, e uma certa tradio apresenta-o como pai das Moiras (as Parcas).  ele que reparte, entre os homens, o bem e o mal: 
ele dispe, diz-nos Homero, de duas dornas  porta do seu
palcio. Uma contm as dores e a outra os favores. Zeus extrai de cada uma delas, para cada homem, a dose que decide.
315

Zeus
Mas em toda a Antiguidade no ficou claro se Zeus estava ou no, ele prprio, submetido ao destino. "Ningum  livre, l-se em squilo, excepto o rei dos deuses; 
ningum excepto Zeus". Mas entretanto, o mesmo squilo faz Prometeu dizer: "Zeus no saber escapar ao seu destino". Existem numerosos episdios lendrios onde se 
v, com efeito, Zeus ser submetido  fatalidade que ele prprio criou,  semelhana, sem dvida, da natureza, que se conforma com o desenrolar contnuo das estaes.
Representao de Zeus Zeus foi representado (em vasos, bronzes, pinturas) de inmeras formas, segundo o carcter particular que se desejava traduzir. Assim ele poder 
ser figurado sob a forma de serpente, na sua qualidade de divindade ctnnica, sob a forma de uma personagem com trs olhos para evocar, diz Pausnias, as trs direces 
em que exerce o seu poder: o cu, a terra e o mar ou mesmo sob a forma simblica de um cone ou de uma pirmide.
Divindade fecundante da terra, ele  coroado de folhagens e de flores, as mos cobertas de espigas e de cachos, a cabeleira por vezes molhada da chuva.
Como divindade do cu - e  assim que a tradio o apresentou definitivamente - ele  associado  guia, ave dos cumes, e detm o raio soberano absoluto, ele usa 
a gide e nas suas mos apresenta o ceptro ou a efgie da vitria. Zeus, habitualmente barbudo, representa para os Gregos um ideal humano de maturidade, de fora, 
de majestade, de inteligncia e de sabedoria.
Assim, atravs de toda a histria, Zeus  o grande deus do panteo helnico. E poderemos ver nas suas mltiplas atribuies uma tendncia, dos Gregos, em direco 
ao monotesmo religioso.
Cf. Jpiter.
316

NDICE TEMTICO
camas, 11 -2 Adnis, 12-3 Afrodite, 14-6, 98, 142, 181 Agammnon, 17-8 jax, 18-9 Alceste, 19-20 Alcrnena, 21-2 Amalteia, 23 Amazonas, 23-5, 66 Anfon, 25-6, 27 
Antloco, 26-7, 206 Antope, 27-8 Apolo, 28-34, 102, 225 Aqueloo, 34-5 Aquiles, 35-41, 122, 140, 236 rcade, 41-2 Ares, 42-3, 132 Aretusa, 44 Aristeu, 44-5 rternis, 
45-7, 130 Asclpio, 48-9 Astros, 49-50 Atalanta, 50-1 Atena, 51-5 Atenas, 55, 57-9 tis, 59 Atlntida, 60 Atlas, 61 Atreu, 61-3
Baal, 65 Belerofonte, 65-7, 97 Beoto, 67-8 Boa Deusa, 68
Cadmo, 69-70 Calcas, 70 Calisto, 70-1 Caos, 71-2, 226 Carbdis, 72-3, 154 Crites, 73 Cassiopeia, 73-4, 240 Ccrops, 74 Cfalo, 74-6 Centauros, 76-7 Cu, 77 Cbele, 
77-9, 254, 274, 277 Ciciopes, 79 Circe, 79-80 Corno da Abundncia, 80-1 Cronos, 81-2, 220, 227, 228, 229, 253, 254 Curetes, 83
Driae, 85-6 Danaides, 87-89 Delfos, 89-91 Delos, 91 -2, 198 Demter, 45, 92-4, 181, 264, 277 Demofonte, 94-5 Dilvio, (O), 95, 200 Diomedes, 96-7 Dione, 97-8, 282 
Dioniso, 98-102,116,182, 207, 211, 225, 227,
263,264,307 Dioscuros, (Os), 103-4, 140
aco, 105-6 dipo, 106-9 gide, (A), 110 Egina, 110-1
317

ndice Temtico
Elusis, 111-2, 155 Enclmion, 113 Eneias, 113-6, 222, 274 Eneu, 96, 116-7 olo, 117, 300 Eos, 118-9, 206 @pidauro, 49, 119 Erebo, 119-20 Ernias, 120 ris, 121 
Eros, 121-2, 182, 227 Estentor, 122 Estige, 123, 175, 286 Etlides, 123 ter, 123-4, 226 Europa, 124-5 Eurotas, 125 Evandro, 126
Faetonte, 15, 75, 118, 127-8 Fauno, 80, 126, 128-9 Febe, 129-30, 198 Fides, 130 Filrnon, 130-1 Filoctetes, 131-2 Filomela, 132 Flora, 133, 243 Frcis, 72, 73, 133, 
136, 229 Fortuna, 133-4
Ganimedes, 135, 236, 270 Geia, 57,136-7,154, 227, 228, 229, 274, 275,
310,311 Gnio, 137-8, 161, 162 Gorgfona, 138
Hades, 139-40, 156 Harpias, 140 Hebe, 141, 180 Hcate, 124, 141-2 Hefesto, 142-3, 233, 269 Hlen, 95, 143 Hlio, 127, 144-5, 245 Hera, 14, 15, 122, 145-6, 181, 284 
Hracies, 147-59, 274 Heraclidas, (Os), 160-1
Hrcules, 161-2 Hermafrodito, 162 Hermes, 162-4, 283 Heri, 164-5 Hstia, 165-6 Hiperon, 166 Horas, 166-7, 275
Idas, 169-71 Idomeneu, 171-2 Ilitia, 172 lio, 173 Imortalidade, 173 Infernos, (Os), 106, 112, 156, 174-6 Ino,177,205,303 lo, 177-8, 180 lolau, 22, 149,160,180,187 
ris, 181 sis, 134, 181-2, 264, 277 llo, 182 lxon, 183
Jano, 72, 185-6, 257, 261 Jpeto, 186 Jaso, 186-92 Juno, 192-3, 201 Jpiter, 193, 257,276
Lpitas, 195 Lares, 195-6 Larvas, 196 Leda, 196-7 Leto, 198-9 Lbero, 199, 201 Licon, 41, 199-200
Marte, 201, 255 Medeia, 202-3 Meleagro, 169, 203-5 Melicertes,177, 205-6 Mrrinon, 118, 119, 206-7 Midas, 207-8 Minos, 208-11, 280 Mistrios, 211 Mitra, 211-12 Mnemsine, 
212
318

ndice Temtico
Moiras, 212-3 Morfeu, 213 Musas, 141, 213-4
Nmesis, 215, 276 Nereu, 215 Ninfas, 216 Noite, 212, 213, 217, 226, 227, 302
Oceano, 144, 219 Olmpia, 220-1 Olimpo, 221-2 Orculo, 222, 275, 315 Orestes, 223-4 Orfeu, 225-6 Orfismo, 33, 141, 226-8 Origem do Universo, 228-30 Oron, 46, 230
P,231,262,283 Pai das Riquezas, 232, 239 Paldio, 173, 232 Pales, 233 Palicos, 233 Pandora, 233-4 Parnaso, 234 Peleu, 152, 234-6 Plops, 61, 62, 236-7, 293, 294 
Penates, 195, 237-8 Persfone, 20, 93, 139, 140, 227, 238-9 Perseu, 61, 152, 239-41 Miades, 242 Polifemo, 79, 242-3 Pomona, 243 Ponto, 244 Posidon, 244-7, 311 Priapo,247 
Prometeu, 248-9 Proteu, 249
Quron, 251
Radamanto, 253 Reia, 253-4
Rios, 254-5 Rmulo, 196, 255-7, 261
Sabzio, 259 Sarpcion, 259-60 Stiros, 260 Saturno, 260-2 Selene, 130, 262 Srnele, 262-4 Serpis, 264 Sileno, 207, 265 Silvano, 161, 265 Sirenes, 266 Ssifo, 28, 
65, 205, 266-7, 299
Talo, 269-70 Tntalo, 270 Tlefo, 48, 169, 271-4 Tlus, 274-5 Tmis, 186, 275-6 Trmino, 276 Terra, 31, 276-7 Teseu, 57, 58, 76, 277-81 Ttis, 282 Tideu, 282-3 Tfon, 
146, 283 Tirsias, 283-4, 300 Tits, 110, 227, 284-6 Trito, 245, 286 Tria, 122, 286-9, 291-4, 296-7 Tule, 82, 297
Ulisses, 186, 243, 266, 283, 289, 291, 293,
294, 296, 299-301 rano, 227, 302
Velo de Ouro, 303-4 Ventos, 304 Vnus, 305 Vesta, 275, 277, 305-6 Vulcano, 306
Zagreu, 227, 307 Zeus, 97, 98, 99, 227, 284, 307-16
319

Concordncia
O quadro que se segue d-nos as concordncias entre os nomes dos deuses ou heris, segundo a sua integrao na mitologia grega ou romana.
NOME GREGO
NOME LATINO
NOME LATINO
NOME GREGO
Afrodite
Vnus
Baco
Dioniso
Ares
Marte
Ceres
Demter
rtemis
Diana
Cbele
Reia
Asclpio
Esculpio
Cupido
Eros
Atena
Minerva
Diana
rtemis
Cronos
Saturno
Esculpio
Asclpio
Demter
Ceres
Fortuna
Tique
Dioniso
Baco
Hrcules
Hracies
Eros
Cupido
Juno
Hera
Hades
Pluto
Jpiter
Zeus
Hefesto
Vulco
Latona
Leto
Hera
Juno
Marte
Ares
Hracies
Hrcules
Minerva
Atena
Hstia
Vesta
Neptuno
Posdon
Leto
Latona
